PARTE I
Entendendo o Casamento
CAPÍTULO 1 - POR QUE BLINDAR SEU CASAMENTO
Capítulo 1 | Por que blindar seu casamento
Deputados mexicanos, preocupados com o aumento de divórcios no
país, propuseram
uma nova lei: o casamento renovável. Eles acreditam ter criado a
solução ideal para
evitar graves crises conjugais, traições e todos os desgastes do
divórcio. A cada dois
anos, o casal pode avaliar a relação e decidir se quer continuar
junto e renovar o
casamento ou se quer desistir e seguir cada um para o seu lado.
Além da assinatura de
um contrato temporário, a proposta prevê ainda que os noivos se
protejam contra um
hipotético cenário de divórcio. Para isso, decidem, antes de
casar, quem ficará com a
guarda dos filhos e quanto cada um pagará de pensão alimentícia em
caso de separação.
A proposta, que tramita no Congresso, tem amplo apoio dos
mexicanos, que querem
acabar com os altos custos das separações e das pensões
alimentícias. Afinal, as
estatísticas na Cidade do México são pouco animadoras no que diz
respeito ao
casamento: cinco em cada dez uniões terminam em divórcio.
Se a lei passar, uma conversa como esta entre alunos na escola não
será ficção:
— E aí, onde você vai passar as férias? — pergunta um garoto ao
colega.
— Bom, depende. Se meu pai renovar o contrato com a minha mãe no
final do ano,
vamos para a Disneylândia. Se não, vou ter que ver qual dos dois
vai querer ficar
comigo, e pelas notas que estou tirando, provavelmente vão me
mandar para a casa da
minha avó...
Não quero ser um portador de más notícias, mas aqui está um fato:
o casamento
como instituição está falindo sob pesados ataques de várias forças
na sociedade. O que
estão propondo no México é apenas um sintoma do que os governantes
estão tentando
fazer para lidar com o alto número de divórcios. E não é somente
lá. Não conheço nem
um só caso de algum país, alguma cultura ou sociedade no mundo em
que o casamento
esteja sendo fortalecido, nem mesmo nas culturas tradicionais e
altamente religiosas.
Nos Estados Unidos, o grande ditador da cultura para o restante do
mundo, a maioria
dos bebês nascidos de mulheres de até trinta anos de idade já
nascem fora do
casamento. Renomados sociólogos americanos também já argumentam
que a figura do
pai não é necessária em uma família.
Dá para perceber para onde estamos caminhando?
Mesmo onde os índices de divórcio publicados são mais baixos, eles
apenas escondem
a realidade: menos pessoas estão se casando, pois optam pela
“união estável” e, por esse
motivo, quando se separam não é registrado como divórcio; e muitos
dos que se
mantêm na relação — por falta de opção ou fortes pressões
religiosas — seguem
infelizes.
Quando vejo essa realidade, fico pensando como as coisas estarão
daqui a cinco, dez,
ou vinte anos. Será que a extinção do casamento terá sido
consumada? Será que as
pessoas ainda acreditarão que casamento por toda a vida é
possível? Serão os conceitos
de fidelidade conjugal e lealdade a uma só pessoa coisas apenas de
museu e filmes
históricos?
Aqui vai um alerta aos que ainda não despertaram: As forças da sociedade conspiram
contra o casamento e a família — e seus ataques
estão cada vez mais fortes.
A METAMORFOSE DO CASAMENTO
A mídia em geral (filmes, novelas, internet, livros etc.), a
cultura, a política, as leis, as
celebridades, o ensino nas escolas e universidades — enfim, todos
os maiores poderes de
influência na sociedade — estão se tornando (ou já são)
predominantemente
anticasamento.
O que isso significa na prática?
• O número de casamentos diminuirá consideravelmente;
• A “união livre” ou “estável”, marcada por um conceito de que o
compromisso
duradouro e absoluto não é possível, será mais e mais comum;
• Infidelidade e traições aumentarão (sim, ainda mais) e se
tornarão mais
perdoáveis;
• Encontros casuais com terceiros apenas para fins de sexo serão
mais aceitos;
• Homens e mulheres se tornarão ainda mais predadores;
• O homem passará a ser dispensável para mulheres que se verão
mais
independentes;
• Mulheres oscilarão entre a descrença total no amor (e nos
homens) e a busca pela
felicidade, à custa de sua própria desvalorização.
Note: tudo o que foi citado anteriormente JÁ ESTÁ acontecendo em
nossa sociedade.
É a metamorfose do casamento, e o tempo apenas continuará
acelerando esse processo.
Talvez você não possa fazer nada para reverter essa situação no
mundo. Mas no seu
mundo, no seu casamento, você pode e deve. Não é uma questão de se o
seu
relacionamento poderá ser atacado, mas sim de quando.
A pergunta é: você saberá como
protegê-lo dos ataques quando eles vierem — se é que já não estão
acontecendo?
CASAMENTO NA ERA DO FACEBOOK
Novos desafios, como, por exemplo, a internet, as redes sociais,
as tecnologias de
comunicação como SMS e MSN, a proliferação da pornografia, a
cultura
anticasamento, a facilitação do divórcio e o avanço da mulher na
sociedade são apenas
alguns fenômenos recentes que afetam os casais no século 21. E
muitos não estão
preparados para lidar com esses novos desafios. Os casais de hoje
estão enfrentando
uma nova realidade, um mundo que seus pais não conheceram — aliás,
nenhuma
geração antes desta conheceu.
Pergunte à sua avó quais os sinais que ela procuraria para
detectar se o marido estava
tendo um caso, e provavelmente ela vai dizer que ficaria atenta a
manchas de batom na
roupa dele, cheiro de perfume de mulher, e coisas do tipo. Hoje em
dia, trair o parceiro
está muito mais fácil.
Mark Zuckerberg, criador do Facebook, já é um dos maiores
destruidores de lares na
Grã-Bretanha. Segundo estudo divulgado pelo site especializado em
divórcios Divorce-
Online, o Facebook é citado como motivo de uma em cada três
separações no país.
Cerca de 1.700 dos 5 mil casos mencionaram que mensagens
inadequadas para pessoas
do sexo oposto e comentários de ex-namoradas(os) no Facebook foram
causas de
problemas no casamento.
Em 2011, a Associação Americana dos Advogados Matrimoniais
(American Academy
of Matrimonial Lawyers) divulgou que o Facebook é citado em um de
cada cinco
divórcios.
Para se ter uma ideia da gravidade da situação, foi lançada
recentemente no Brasil
uma rede social exclusiva para pessoas casadas que “vivem em um
casamento sem sexo
e querem encontrar outras pessoas na mesma situação”. Homens e
mulheres
comprometidos são o alvo do site, que facilita uma “maneira
discreta de ter um caso”.
Em menos de seis meses, o site já tinha mais de trezentos mil
usuários no país, fazendo
do Brasil o segundo em número de usuários, atrás somente dos
Estados Unidos, onde o
site já existe há alguns anos. O site oferece conta de e-mail
privada e cobrança por
cartão de crédito que não aparece com nome suspeito no extrato —
tudo para facilitar
os encontros casuais para sexo, sem deixar vestígios para o
parceiro traído. O slogan do
site é: “O verdadeiro segredo para um casamento duradouro é a
infidelidade.”
Chocante? Isso não é nada.
Você sabe qual é o negócio que mais cresce no mundo, com um
faturamento maior do
que os de empresas como Google, Apple, Amazon, Netflix, eBay,
Microsoft e Yahoo —
juntas? Chama-se pornografia. Em 2006, as rendas desta indústria
foram de 97 bilhões
de dólares. Mais filmes pornográficos são feitos no mundo do que
de qualquer outro
gênero, de longe. São em média 37 filmes por dia, ou mais de
13.500 por ano. O Brasil
é o segundo maior produtor desses filmes, atrás dos EUA. Um estudo
reportou que sete
em cada dez homens de dezoito a 34 anos visitam sites
pornográficos na internet. As
mulheres também, outrora mais constrangidas com esse tipo de
atividade, têm buscado
cada vez mais a pornografia, muitas para tentar agradar o
parceiro.
“Ah, mas graças a Deus somos cristãos e isso não nos afeta.” Não
se precipite.
Uma pesquisa entre cristãos nos EUA revelou que 50% dos homens e
20% das
mulheres na igreja eram viciados em pornografia. Outra pesquisa
somente entre pastores
revelou que 54% deles tinham visto pornografia nos últimos doze
meses e 30% nos
últimos trinta dias.
Quem está imune?
HOMEM VS. MULHER – A BATALHA FINAL
Os homens, pela primeira vez na história da espécie, estão se
sentindo deslocados e
perdidos dentro do casamento. Com o avanço da mulher em quase
todas as áreas da
sociedade, ela se tornou sua concorrente em vez de ter o
tradicional papel de
auxiliadora. O homem, que era o exclusivo caçador, provedor e
protetor da família,
agora vê o seu papel dividido, e muitas vezes suplantado pela
mulher. Ela se tornou
caçadora também.
A maioria das mulheres em um relacionamento atualmente trabalha e
contribui no
orçamento familiar. Em muitos casos, a mulher até ganha mais do
que o marido, e esta
tendência deve aumentar, considerando que em muitas faculdades do
país já há mais
mulheres estudantes do que homens.
O que isso tem causado no casamento? Eis algumas consequências: a
mulher tem se
tornado mais independente do homem, menos tolerante com as
peculiaridades
masculinas, tem tomado decisões sem participá-lo e “batido de
frente” com ele; o
homem, na tentativa de agradar a mulher, tem se tornado mais
sensível, retraído na sua
posição no casamento, se sentido desrespeitado pela mulher, e às
vezes descartável. Ou
seja, a mulher tem se tornado mais como o homem, e o homem mais
como a mulher.
Bagunça e confusão total de papéis.
E não é só no campo de trabalho que a mulher avança e compete mais
com o homem.
Um estudo da Universidade de São Paulo revelou um dado preocupante
para os
homens casados. A traição feminina está crescendo
assustadoramente, e quanto mais
jovens, mais elas traem. Das 8.200 mulheres entrevistadas em dez
capitais do país,
apenas 22% das mulheres acima de setenta anos confessaram ter tido
alguma relação
extraconjugal. O índice sobe para 35% para as mulheres entre 41 e
50 anos e atinge o
pico de 49,5% entre as de 18 a 25 anos. Ou seja, metade das jovens
casadas trai o
marido. A saída da mulher de simples dona de casa para um papel mais
ativo na
sociedade, na faculdade, no trabalho etc., a tem colocado em
situação propícia à traição.
Some-se a tudo isso o fluxo constante de mensagens diretas e
subliminares em nossas
mídias atacando as bases do casamento. Novelas, filmes, revistas,
blogs, notícias, moda,
música, grupos e festas “culturais”... todos os canhões apontados
e atirando sem trégua:
Para que casar? Um pedaço de papel não vai fazer diferença...
Pega, mas não se apega...
Se não der certo, divorcie-se e case-se com outro... Homem e
mulher é tudo igual... Não
existe amor, amor é fantasia. Casamento é uma prisão... Como pode
aguentar a mesma
pessoa vinte, trinta, cinquenta anos? Nah, casamento é coisa do
passado...
A cada dia, um novo argumento derrogatório e anticasamento é
criado.
Se você preza o seu relacionamento e não quer se tornar mais uma
estatística, blindar
seu casamento é fundamental para sua sobrevivência. É hora de
defender e proteger o
seu maior investimento, antes que seja tarde demais. Vamos à luta.
Tarefa
Quais os perigos que ameaçam o seu casamento atualmente?
Identifique essas ameaças para ter
em mente quais as áreas de seu casamento precisará fortalecer com
maior urgência.
Espere! Antes de escrever sua tarefa aqui, pense se talvez vai
querer emprestar ou dar este livro
para alguém depois de lê-lo. Acho que não vai querer que outros
saibam de suas reflexões e lutas
no seu casamento... Então, uma sugestão é anotar suas tarefas em
outro lugar, como uma agenda,
diário, ou mesmo no seu computador. Faça o que achar melhor, só
achei que gostaria de considerar
isso.
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