sábado, 30 de novembro de 2013


CAPÍTULO 7  -   INSTALANDO UM PARA-RAIOS  NO SEU CASAMENTO

 

No século 18, quando as construções de prédios altos se tornaram mais comuns, o

risco dos edifícios serem atingidos por raios aumentou. Verificava-se que quanto mais

alto o prédio, maior o risco. O problema era a causa de vários incêndios e mortes, e

ninguém conseguia encontrar uma solução nem entender por que os raios eram atraídos

por certos edifícios.

Religiosos desprovidos de conhecimento diziam que os raios eram “setas do juízo de

Deus” ou provocados por demônios. Porém, curiosamente, os prédios mais propensos a

serem atingidos por raios eram as igrejas, devido às suas altas torres. O tocador de sino

geralmente era a primeira vítima... O problema era tão sério que as autoridades

aconselhavam a população a buscar refúgio durante tempestades “em qualquer lugar

menos dentro ou perto de uma igreja”. Ninguém entendia por que, segundo os

religiosos, o Todo-Poderoso estaria alvejando seus próprios templos ou permitindo a

Satanás fazê-lo — sem contar que em dia de chuva ninguém ia à igreja...

A verdadeira razão, porém, não tinha nada a ver com Deus nem com o diabo.

Benjamin Franklin descobriu, em 1752, que raios transmitiam eletricidade. Partindo

desse conhecimento, Franklin inventou o para-raios — uma haste metálica que, se

instalada no topo de um prédio e ligada ao solo por um fio condutor, absorvia a carga

elétrica do raio e a descarregava na terra, livrando do perigo o edifício e seus ocupantes.

Deus agradeceu, e o diabo riu dos religiosos, que ficaram com cara de tacho.

Emoção é uma forma de energia, assim como a eletricidade. Quando os ânimos estão

alterados entre o casal, o risco de “raios” aumenta. Se as emoções não forem

controladas, resultarão em explosões de temperamentos que podem levar o casamento à

destruição. E assim como certos edifícios eram mais propensos a serem atingidos por

raios, certas pessoas têm um gênio mais alterado e são mais difíceis de lidar por se

deixarem controlar pelas emoções.

Porém, o mau gênio não é boa desculpa, tampouco culpar a Deus ou ao diabo por

suas emoções negativas. Todos nós somos sujeitos a emoções, mas também somos

dotados de inteligência para controlá-las.

Não estamos advogando aqui a repressão das emoções. Ninguém é um robô. O

casamento é um dos maiores testes do nosso temperamento. Não é razoável esperar que

simplesmente venhamos a “engolir sapos” e mais sapos, sem sofrer algum tipo de

diarreia depois... Cedo ou tarde, os sapos terão de sair por algum lugar...

Em vez de reprimir as emoções, você tem de encontrar outro recipiente para elas que

não seja o seu parceiro. Benjamin Franklin descobriu que não era possível evitar os

raios, mas era possível redirecioná-los para outro alvo onde não causariam danos. Quer

dizer, temos que instalar um para-raios em nosso casamento para descarregar as nossas

emoções em outra coisa. Mas como?

ANTES DO PARA-RAIOS

No início do nosso casamento, não tínhamos para-raios. Cristiane e eu soltávamos

faíscas quando nossos ânimos ficavam alterados. Os raios dela se manifestavam como

cobranças, insistência, ciúmes e palavras duras. Os meus eram basicamente uma frieza

no falar e o famoso “tratamento do silêncio” que eu dava a ela.

Quando as minhas emoções afloravam, não sabia como lidar com elas. Por minha

natureza ser calma, eu ficava calado, acumulando sentimentos negativos dentro de mim.

Eu não explodia, mas implodia. Por não querer brigar com a Cristiane, me calava.

Porém, por dentro, ficava pensando em tudo o que queria falar para ela, imaginando um

diálogo, mas guardando tudo em mim mesmo. (Se eu colocasse para fora pelo menos

10% da conversa imaginária que eu fazia na minha cabeça, resolveria o problema muito

mais rápido... Mais tarde, aconselhando outros casais, descobri que não estava maluco,

pois não era o único que fazia isso!) Eu estava reprimindo as minhas emoções. Os raios

estavam me incendiando por dentro, e a minha ira incendiava a Cristiane.

O resultado era que eu ficava com raiva dela por dias, e tratava-a com o silêncio.

Algumas vezes, de tanto acumular sentimentos negativos, acabei explodindo e me

comportando como um cavalo psicótico preso em um estábulo em chamas. Dá para

imaginar, né? Nada bonito.

Não há como não sentir emoções. Somos apenas carne e osso. Mas temos que saber e

crer que também somos seres inteligentes, não apenas animais que seguem seus

instintos. Se por um lado estamos sujeitos às emoções, por outro podemos sujeitar as

emoções à nossa inteligência. Foi isso que aprendi e comecei a colocar em prática no

meu casamento. Hoje em dia, quase não há mais situações em que a Cristiane e eu

provocamos o temperamento um do outro. Mas nas poucas vezes que alguma fricção ou

irritação surge, o meu para-raios tem sido me perguntar: qual é o meu objetivo nesta

situação? Qual o resultado final que eu quero alcançar depois de resolver este assunto?

Daí eu logo penso: quero estar bem com ela, dormir abraçado, ter resolvido o problema de

forma favorável para nós dois, não quero ficar de mal, quieto, calado por dois ou três dias

dentro de casa etc.

Então, focando nesses objetivos, uso as minhas emoções como energia para resolver o


problema racionalmente. Quer dizer, descarrego minhas emoções, destilo meus
sentimentos no meu raciocínio e foco nos resultados que eu quero. Esse processo me
ajuda a controlar o que sinto em vez de me deixar ser controlado por meus sentimentos.
Uma vez que coloco a minha inteligência no controle das minhas emoções, então eu
inicio o processo de resolver a questão junto com a Cristiane. A essa altura já não há
mais raios, porque já foram conduzidos pelo meu raciocínio na direção dos meus
objetivos em vez de para Cristiane. É claro, isso às vezes requer que eu tire alguns
minutos para organizar meus pensamentos. Se você tem um problema semelhante,
também terá que aprender a não entrar em combate impulsivamente e não deixar suas
emoções usarem sua boca.
O recado é: encontre algo para descarregar suas emoções, que não seja o seu cônjuge.
O que descrevi acima é o que funciona para mim, e você tem que ver o que funciona
para você. A Cristiane, por exemplo, tem um para-raios completamente diferente do
meu, mas muito eficaz.
Cristiane:
Quando eu fico muito chateada por alguma coisa, já nem consigo fazer o que o
Renato faz sem primeiro orar. Então o meu para-raios é a oração. Entro no meu
quarto ou em outro lugar privado e descarrego a minha raiva em Deus — não contra
Ele, mas como um desabafo. Descobri que a oração é um canal pelo qual posso
levar qualquer frustração a Deus. Afinal, Ele é o Todo-Poderoso, logo, pode suportar
a fúria da mulher, ao contrário do meu marido. Quando comecei a praticar isso,
Deus me fez ver que se eu insistisse e levasse adiante determinado assunto,
querendo bater de frente com o Renato, não estaria agradando a Ele, ao meu Deus.
Então, quando eu oro, não somente descarrego minhas emoções em Deus, mas
também recobro minhas forças para decidir não fazer daquela situação um
problema. Tomo a decisão de relevar e desistir de criar uma tempestade, o que só
traria mais raios de emoções... Portanto, decido sacrificar minhas emoções.
Usando a oração, deixei de cobrar do meu marido e passei a cobrar de Deus;
deixei de desconfiar do meu marido e passei a confiar em Deus; deixei de falar
duramente com meu marido e passei a falar abertamente com Deus. Isso tem sido o
meu para-raios desde então. Funciona, e eu aconselho todo casal a experimentar
isso, especialmente a mulher.
 
Nós, mulheres, costumamos ser mais emotivas e menos racionais. Por isso, a
oração é uma ótima maneira de tomarmos o controle de nossos sentimentos e
agirmos com mais racionalidade. Se você nunca provou isso, experimente.
Note que não estou falando aqui de uma reza, nem de um ritual religioso, mas de
uma conversa franca que não podemos ter com ninguém — nem com marido, nem
pai ou mãe, nem amiga —, pois provavelmente não nos compreenderiam. Mas
Deus, que nos fez como somos, sabe exatamente o que se passa dentro de nós, nos
compreende e nos dá forças para agir sabiamente.
O mais bacana é que ao levarmos um problema a Deus em primeiro lugar, já
estamos indo diretamente à Fonte. Se não podemos mudar ou fazer nossos parceiros
entenderem, Deus pode. Tem coisas que só Deus pode fazer, e geralmente são
aquelas que pensamos não ter jeito.
Lembro-me de uma vez em que estava certa e o Renato errado, mas não adiantava,
ele não aceitava. Quanto mais eu tentava lhe explicar a situação, mais ele me
condenava e se alterava comigo. Aquele sentimento de ‘coitada e injustiçada’ tomou
conta de mim, mas decidi parar de bater de frente com ele e tomar um banho. No
chuveiro, falei sério com Deus: “O Senhor sabe quem está errado aqui, o Senhor
sabe o que realmente aconteceu, agora o Senhor faça justiça, pois não há nada mais
que eu possa fazer. Não quero me alterar com o Renato, não quero fazer o mesmo
que ele está fazendo comigo, peço que o Senhor me justifique.” Quando saí do
banho, o Renato ainda estava com aquela cara de quem iria guardar aquele episódio
por dias. Não falei mais nada, simplesmente fui dormir, confiando que Deus iria me
justificar, cedo ou tarde. Na manhã seguinte, a primeira coisa que aconteceu foi o
Renato me abraçar e pedir perdão.
GERANDO ANSIEDADE
Quando nossas emoções não são propriamente extravasadas em algo que pode utilizálas
sabiamente, explodirão sobre nossos cônjuges ou serão reprimidas. Essa repressão de
emoções é o que gera a ansiedade, que é uma emoção em estado avançado. A ansiedade
é aquele sentimento de constante preocupação, nervosismo, inquietação e mal-estar,
causado pela incerteza do que vai acontecer. Todo ser humano está sujeito a isso.
Essa é uma das razões de Deus ter criado a oração, para que pudéssemos lançar sobre
Ele nossas ansiedades. Se o fizermos, Ele promete que cuidará de nós2. Esse cuidado
inclui o alívio do fardo emocional e também o direcionamento para lidar com a situação.
Você percebe aqui que a fé não é uma coisa religiosa, e sim algo extremamente
inteligente. Quando aprende a usar sua fé com inteligência, você consegue tirar proveito
da fé para resolver problemas do seu cotidiano.
Portanto, esteja certo: haverá dias nublados, de chuvas e tempestades no seu
casamento. Quando eles vierem, trarão com eles os raios das emoções. Isso é inevitável.
Mas você pode instalar um para-raios no seu casamento para descarregar as emoções
em algo que não seja o seu parceiro. O para-raios para uns é contar até dez, para outros
é a oração, para alguns é fazer uma caminhada — enfim, encontre o que é o seu, o que
funciona para você.
E nunca se esqueça: emoção é a ferramenta errada para resolver problemas.
Tarefa
O que você usará como o seu para-raios?
Defina e comece a praticá-lo já.
2 1 Pedro 5:7
 
 
 
 
 

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