sábado, 30 de novembro de 2013

CAPÍTULO 14


 

CAPÍTULO 14  -   A ORDEM DOS RELACIONAMENTOSCapítulo 14 | A ordem dos relacionamentos

Aprendemos na escola que “a ordem dos fatores não altera o produto”. Essa máxima

pode servir muito bem na hora da multiplicação, mas nem sempre pode ser aplicada em

nossa vida. Dentro do casamento, a ordem dos fatores altera — e muito — o produto.

Após uma competição olímpica, os vencedores são colocados no pódio em ordem de

importância e recebem as recompensas de acordo com suas posições finais. Ninguém

daria medalha de ouro ao terceiro lugar, muito menos deixaria o primeiro lugar ficar

com o bronze, mas você pode estar fazendo isso em sua casa neste momento,

simplesmente por não saber a quem pertence cada uma das três posições do pódio de

seu casamento.

ESSE JUIZ NÃO É LADRÃO

Deus deixou bem claro que Ele deve estar em primeiro lugar na vida de todos nós. Isso

não é egocentrismo da parte d’Ele. Ele sabe o que está fazendo, conhece muito bem o

ser humano e sabe por que o caos é inevitável quando essa regra não é seguida. Se você

não coloca Deus em primeiro lugar, naturalmente quem ocupa esse lugar é você mesmo.

E quando você se coloca em primeiro lugar em sua vida... Sai de baixo! Ninguém lhe

aguenta. Você faz um monte de besteira e acaba caindo no egoísmo de que falamos no

capítulo anterior, endurecendo seu coração e colocando tudo a perder. Deus sugere que

O coloquemos em primeiro lugar para que haja um árbitro em nossa vida. E, no

casamento, ter um árbitro sobre vocês dois é essencial.

Sem sombra de dúvidas, posso atribuir meu casamento ao fato de nós dois colocarmos

Deus em primeiro lugar. Se não fosse isso, não tenho certeza de que estaríamos juntos.

 
Quando trabalhávamos no Texas, a deficiência espiritual era muito visível. Alguns

casais ficavam muito entusiasmados com o curso Casamento Blindado, falavam para

todos os amigos e até viam mudanças na relação. Mas essas mudanças não conseguiam

transformar seus casamentos de forma permanente. Embora a maioria pertencesse a

alguma igreja, já que o estado é praticamente evangélico, não mantinham um

relacionamento real com Deus. Há uma grande diferença. Manter um relacionamento

real com Deus, tratá-lo como a pessoa mais importante em sua vida, e com atitudes,

não tem a ver com religião ou práticas religiosas. Gostei da forma que meu colega

Marcus Vinícius falou sobre como o casal deve olhar para Deus, em um de nossos

cursos em São Paulo:

Ao olhar para Deus, procure tirar o preconceito religioso. Veja Deus como a justiça,

como a verdade. Não a sua verdade, nem a do seu cônjuge, mas a verdade que vai

ajudar vocês dois a superar juntos o problema. Não tem nada a ver com religião, e sim

com verdadeiros valores que todo ser humano precisa e aprecia. Não é nem inteligente

não tê-Lo em primeiro lugar em sua vida. Se a justiça do seu parceiro é uma e a sua é

outra, qual delas vai se superar no final? Somente a justiça que vem do alto, ou seja, a

justiça perfeita é que pode trazer equilíbrio e justiça verdadeiros para vocês — uma vez

que sem justiça não pode haver amor.

Se você não tiver essa justiça maior mediando os conflitos, acaba amarrado a

achismos. Quem está certo? Ela acha que é ela, ele acha que é ele, mas achar não

significa nada, não prova coisa nenhuma. Por isso todo esporte tem regras, todo país

tem sua Constituição. Você não pode chegar de bermuda no seu trabalho, a menos que

seja salva-vidas, é claro. As coisas são organizadas, ou tudo vira bagunça. Por que no

casamento seria diferente? Você pode não gostar das regras, mas elas existem para

regular os relacionamentos.

Se não fosse o juiz no campo de futebol, o jogo nunca acabaria, as faltas não seriam

reconhecidas e a confusão seria inevitável. Os dois times iriam querer jogar até a

exaustão, nunca teria acordo nenhum. Mesmo não gostando do juiz, os times (e a

torcida) entendem que ele é necessário para manter a ordem. Quando O temos em

primeiro lugar em nossas vidas, ele se torna o Juiz no casamento. Vale muito naquelas

horas em que não conseguimos chegar a um acordo... É aí que buscamos saber o que

Deus acha a respeito e fazemos então a vontade d’Ele, com confiança que será para

melhor. Afinal, Ele não é juiz ladrão. É muito difícil haver casamento feliz sem obedecer

às regras estabelecidas por Deus.

E A MEDALHA DE PRATA VAI PARA...

Com Deus recebendo a medalha de ouro, aqui está você, com a medalha de prata nas

mãos, esperando colocá-la em seu próprio pescoço, ou no pescocinho do seu filho, ou no

pescoço da sua mãe. A resposta está na passagem bíblica que cita a criação do

casamento. Lembra-se dela?

Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão uma

só carne. (Gênesis 2:24)

O casamento veio com essa regrinha no manual de instruções. Para o homem (e a

mulher) se casar, primeiro tem que deixar a seu pai e a sua mãe, sair do ninho. Se

devemos deixar os pais, que são as pessoas mais influentes em nossas vidas, quanto mais

os irmãos, os amigos, e o Facebook da ex-namorada! “E serão uma só carne” mostra o

início de uma nova família. Quando se casa, você deixa sua família de origem e forma

uma nova família. Sua nova família é seu cônjuge. Seus pais e irmãos, toda a sua família

de origem, se tornam parentes, como no diagrama a seguir.

Sua família de origem se torna seus parentes depois que você se casa.

Não estou dizendo que seus pais e irmãos deixaram de ser importantes, mas você

migrou para seu próprio ninho e agora tem uma nova família — é necessário estabelecer

limites claros para manter um relacionamento saudável com todos. Se essa linha não fica

bem clara, começa a haver interferência.

Um dos erros comuns cometidos por recém-casados e seus parentes é achar que

enquanto o casal não tem um filho, não deve ser visto como uma família. É muito

comum ouvir “agora, sim, nossa família está completa” na chegada de um bebê, mas

isso é desprezar o fato de que a família já estava completa, desde o dia em que vocês se

casaram. Ter filhos é uma escolha e não um passo obrigatório no relacionamento (e, por

favor, nunca tome essa decisão com o objetivo de resolver algum problema entre vocês

ou completar uma lacuna. Não funciona).

O homem se une à sua parceira e se tornam uma só carne. A família está criada,

completa e fechada, sem espaço para intromissão de terceiros. Tirando Deus em sua

vida, não existe outra coisa nem outra pessoa que possa ser mais importante para você

do que seu marido ou sua esposa. Se vocês são uma só carne, quando você cuida do seu

cônjuge está cuidando de seu próprio corpo. Ao priorizar o outro, está priorizando a

você mesmo, a sua parte mais importante.

Infelizmente, muitas mulheres pensam que esse é o tipo de relacionamento que devem

ter exclusivamente com seus filhos, sangue do seu sangue. Carregam os bebês por nove

meses dentro de si e sentem-se ligadas a eles para o resto de suas vidas, mais até do que

ao pai da criança. Mas essas crianças que saíram de dentro delas crescem e vão querer

viver suas próprias vidas e formar suas próprias famílias. Não faz sentido tornar-se uma

só carne com alguém que inevitavelmente sairá de sua casa em poucos anos. É receita

para frustração e sofrimento. Os filhos precisam encontrar uma base firme no

casamento de seus pais para formarem suas próprias bases no futuro.

A força do relacionamento está na união do casal, e a única maneira de se conseguir

isso é estabelecendo as prioridades corretamente.

As pessoas que colocam o trabalho acima do cônjuge criam um abismo em seu

relacionamento. O problema é que é muito fácil deixar que outras coisas ou pessoas se

instalem acima do seu marido ou de sua esposa, ainda que você não admita isso

verbalmente. Com certeza se alguém perguntar, você sempre vai dizer que seu cônjuge é

mais importante, mas é na prática que você mostra quem — ou o que — realmente está

em primeiro lugar.

O grau de importância de algo ou alguém em sua vida é medido pelo tempo que você

dedica a ele e pelo que você faz, não pelo que você fala. Observe suas atitudes. A quem

você tem dedicado a maior — ou melhor — parte de tempo, esforço, atenção e

pensamentos? Seu tempo deve ser, preferencialmente, para o seu cônjuge. Se você tem

mais tempo para estar na casa da mamãe, das colegas ou no trabalho e coloca essas

coisas à frente de seu companheiro, está colocando seu casamento em situação de risco e

sem equipamento de proteção. Isso exige muita atenção de sua parte, no dia a dia. Meça

as suas atitudes.

Eu dizia “eu te amo” para a minha esposa, mas a maneira que eu a ignorava e não lhe

dava atenção invalidava as minhas palavras. Era o que eu fazia que mostrava para ela

que na minha vida o mais importante era o meu trabalho. No meu caso é ainda mais

difícil porque o meu trabalho é servir a Deus. É muito fácil misturar as estações e achar

que, se Deus está em primeiro lugar, tudo o que é relacionado a Ele também deve estar.

Não confunda Deus com a Obra de Deus.

Mesmo trabalhando como pastor, servindo a Deus, não poderia colocar o meu

trabalho acima da minha esposa. É o que Ele deixa claro quando fala dos pastores, dos

bispos, dos que fazem o serviço d’Ele, ao dizer que eles têm de ser bem casados, cuidar

da casa primeiro, para depois poder cuidar da igreja. Deus não está se contradizendo ao

afirmar que o pastor deve cuidar primeiro da família. Ele continua em primeiro lugar,

pois a Obra de Deus não é Deus. Veja como Ele valoriza o casamento! Ele nem quer

que você faça a obra d’Ele se dentro de casa você não dá o exemplo e não faz do seu

cônjuge sua primeira ovelha. O casamento, na verdade, serve como um termômetro que

mede o nosso relacionamento com Deus. Se estou bem com Deus, tenho que estar bem

no meu casamento. Se estou mal no meu casamento, não posso estar bem com Deus.

Para um casamento funcionar, é necessário que ambos, marido e mulher, se importem

um com o outro acima de todas as demais pessoas e coisas. Se isso não acontece, não há

casamento de fato. Na posição correta do pódio, a esposa sente-se especial por ter sido

escolhida acima de todas as outras mulheres. Se colocada para escanteio, será uma

mulher amarga e infeliz. Uma mulher infeliz faz um lar infeliz e, convenhamos, não é

isso o que você deseja. O marido colocado no lugar correto sente-se respeitado por sua

responsabilidade de cuidar de sua esposa como se fosse seu próprio corpo.

Agora que você sabe disso tudo, e sendo os dois uma só carne, tire da equação os

terceiros. Vocês têm de estar tão juntos que pareçam colados, inseparáveis. Não pode

haver terceira pessoa entre vocês, nem mesmo o filho.

É claro, salvo raras exceções. Suponhamos que seu marido seja agressivo, usuário de

drogas, e este comportamento tem gerado risco para toda a família. Neste caso, você e

seus filhos — se existirem — se tornam prioridade, pois as atitudes de seu marido

fizeram com que ele se tornasse um risco para a segurança da família. Pode ser

necessária, nesta situação, uma separação temporária para que ele busque tratamento. É

claro que se Deus estivesse em primeiro lugar na vida deste marido, ele não seria

dependente químico, mas isso é assunto para outro livro.

Com o primeiro e o segundo lugares devidamente ocupados por Deus e seu cônjuge, o

terceiro lugar fica para o restante da humanidade: filhos, parentes, amigos e demais

pessoas. Organizem-se aí.

O QUE FAZER COM OS ABELHUDOS?

Não é fácil traçar as linhas que seus amigos e parentes não poderão ultrapassar,

principalmente se eles já tinham o hábito de se intrometer em sua vida antes de você se

casar. Mas antes de reclamar de seus familiares, pare de alimentar a intromissão.

Quando leva seus problemas a parentes ou amigos, dá a eles autorização para fazer

julgamentos a respeito de seu cônjuge, formar opiniões parciais e tratar sua vida como se

fosse a deles. Se expuser sua vida como novela das oito para todos os parentes, nem

adianta reclamar depois.

Se o seu relacionamento tem sido invadido por parentes intrometidos, o que fazer?

Não adianta brigar, nem espernear. Aja com a cabeça. Aquele que não pertencia à

família de origem, e que está sendo visto como o invasor, precisa entender que os

parentes serão sempre parentes. Não é inteligente ficar contra eles, pois estará atacando

as origens de seu parceiro e criará um problema ainda maior. O ideal é tratá-los da

melhor forma possível e tentar conquistá-los.

Corte o mal pela raiz e não leve nada para o lado pessoal. Muitas vezes a raiz da

implicância da sogra com a nora, por exemplo, está na insegurança. Se tratar bem a

mãe de seu companheiro, deixando claro que não está ali no papel de rival e que seu

objetivo é fazer dele a pessoa mais feliz do universo, transmitirá segurança a ela e

eliminará os problemas. Ela deve ver em você uma aliada, alguém que a ama e respeita,

e jamais uma inimiga. Aprenda a amar sua sogra, ainda que neste momento você

acredite que isto seria missão impossível. Se você leu este livro até aqui, sabe que não é.

Lembra-se de Dian Fossey e os gorilas?

Se são seus os parentes que gostam de se intrometer em seu casamento, você deve

saber priorizar a sua nova família e mostrar isso em suas atitudes. Seja educado, não

agrida a ninguém, mas estabeleça limites claros para que os parentes saibam que sua

família é sagrada e que quem fala dela, fala de você. Quem gosta de você terá de

aprender a gostar de seu cônjuge, pois agora vocês são um.

Os casos em que o casal quer colaborar com um parente que precisa de ajuda

financeira têm grande probabilidade de gerar conflitos. Porém, se antes de decidir ambos

conversarem e entrarem em consenso, não há problema algum. O casal deve ser

equilibrado e priorizar suas necessidades, para depois ajudar a quem precisa.

Conhecemos um casal que passou por sérios problemas financeiros. Logo no início do

casamento, os dois contraíram uma dívida. Com três anos de casados, ainda estavam se

esforçando para pagar. Nessa época, a esposa se compadeceu da mãe, que estava com

várias contas atrasadas, e movida por emoção, convenceu o marido a fazer um

empréstimo bastante alto para ajudá-la. Chegou para ele com o assunto decidido, sem

dar alternativa, valendo-se da velha chantagem emocional. Mesmo sem poder, o marido

cedeu, mas aquela atitude, além de aumentar a dívida, causou um grande desgaste no

relacionamento. O esposo sentiu-se desvalorizado ao ver que a mulher não priorizou as

necessidades da nova família, nem considerou o esforço dele em quitar a dívida inicial.

Muitos casais fazem o que é certo na ordem errada. Não é errado ajudar a família de

origem, desde que seja feito no momento certo e da maneira correta, sem passar por

cima do outro. Se isso faz seu parceiro se sentir desprezado, você plantará problemas.

Cristiane :

Nunca vou me esquecer do que meu pai, que conduziu minha cerimônia de

casamento, me disse no altar: “Agora não tem mais mamãe e papai, minha filha. Os

seus problemas terão de ser resolvidos entre você e o Renato.” De tudo o que ele

disse naquela noite, isso foi o que ficou mais marcado em mim, acho que devido ao

fato de eu ser muito jovem ainda e muito apegada à minha família.

Aquela palavra dura e direta me levou a aprender sobre a nova ordem em que eu

estava entrando ao me casar. Agora a minha família era o Renato, e a família dele

era eu. Nossos pais se tornaram nossos parentes. Os problemas que tivemos no

início do nosso casamento ficaram entre nós dois. Isso não é nada fácil,

especialmente para nós, mulheres, que temos necessidade de colocar para fora o

que sentimos...

Não é tão difícil de entender que quando estamos formando uma nova família

temos que deixar a anterior, mas esse fato tem sido um dos maiores problemas entre

muitos casais de hoje em dia. Não era tanto assim há alguns anos. As pessoas já se

casavam com o objetivo de formar sua família. Tanto é que se uma mulher não se

casava, era mal olhada não somente pela sociedade, mas também pela própria

família.

Na época, muitos casamentos eram feitos sem qualquer sentimento. Era um dever

se casar e pronto. Nem sempre se amava a pessoa com quem estava se casando.

Com os anos, muitos casais que haviam se casado sem sentimento desenvolviam o

verdadeiro amor, porque partiam do princípio de que agora formavam uma família e

deviam agir como tal. Ou seja, aja como alguém que ama seu marido ou sua esposa

e vocês serão um casal. E se o casal tratar um ao outro como primeiro em suas

vidas, se tornarão em uma família, e ninguém poderá se meter no meio e separá-los.

Tarefa

Que ajustes você terá que fazer para seguir a ordem correta nos seus relacionamentos? Escreva o

que fará, na prática, especialmente o que fará de diferente para que seu cônjuge se sinta a pessoa

mais importante para você abaixo de Deus.

13 Mateus 22:37-40

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