CAPÍTULO 14 - A ORDEM DOS RELACIONAMENTOSCapítulo 14 | A ordem dos relacionamentos
Aprendemos na escola que “a ordem dos fatores não altera o
produto”. Essa máxima
pode servir muito bem na hora da multiplicação, mas nem sempre
pode ser aplicada em
nossa vida. Dentro do casamento, a ordem dos fatores altera — e
muito — o produto.
Após uma competição olímpica, os vencedores são colocados no pódio
em ordem de
importância e recebem as recompensas de acordo com suas posições
finais. Ninguém
daria medalha de ouro ao terceiro lugar, muito menos deixaria o
primeiro lugar ficar
com o bronze, mas você pode estar fazendo isso em sua casa neste
momento,
simplesmente por não saber a quem pertence cada uma das três
posições do pódio de
seu casamento.
ESSE JUIZ NÃO É LADRÃO
Deus deixou bem claro que Ele deve estar em primeiro lugar na vida
de todos nós. Isso
não é egocentrismo da parte d’Ele. Ele sabe o que está fazendo,
conhece muito bem o
ser humano e sabe por que o caos é inevitável quando essa regra
não é seguida. Se você
não coloca Deus em primeiro lugar, naturalmente quem ocupa esse
lugar é você mesmo.
E quando você se coloca em primeiro lugar em sua vida... Sai de
baixo! Ninguém lhe
aguenta. Você faz um monte de besteira e acaba caindo no egoísmo
de que falamos no
capítulo anterior, endurecendo seu coração e colocando tudo a
perder. Deus sugere que
O coloquemos em primeiro lugar para que haja um árbitro em nossa
vida. E, no
casamento, ter um árbitro sobre vocês dois é essencial.
Sem sombra de dúvidas, posso atribuir meu casamento ao fato de nós
dois colocarmos
Deus em primeiro lugar. Se não fosse isso, não tenho certeza de
que estaríamos juntos.
Quando trabalhávamos no Texas, a deficiência espiritual era muito
visível. Alguns
casais ficavam muito entusiasmados com o curso Casamento Blindado,
falavam para
todos os amigos e até viam mudanças na relação. Mas essas mudanças
não conseguiam
transformar seus casamentos de forma permanente. Embora a maioria
pertencesse a
alguma igreja, já que o estado é praticamente evangélico, não
mantinham um
relacionamento real com Deus. Há uma grande diferença. Manter um
relacionamento
real com Deus, tratá-lo como a pessoa mais importante em sua vida,
e com atitudes,
não tem a ver com religião ou práticas religiosas. Gostei da forma
que meu colega
Marcus Vinícius falou sobre como o casal deve olhar para Deus, em
um de nossos
cursos em São Paulo:
Ao olhar para Deus, procure tirar o preconceito
religioso. Veja Deus como a justiça,
como a verdade. Não a sua verdade, nem a do seu
cônjuge, mas a verdade que vai
ajudar vocês dois a superar juntos o problema. Não
tem nada a ver com religião, e sim
com verdadeiros valores que todo ser humano precisa
e aprecia. Não é nem inteligente
não tê-Lo em primeiro lugar em sua vida. Se a
justiça do seu parceiro é uma e a sua é
outra, qual delas vai se superar no final? Somente
a justiça que vem do alto, ou seja, a
justiça perfeita é que pode trazer equilíbrio e
justiça verdadeiros para vocês — uma vez
que sem justiça não pode haver amor.
Se você não tiver essa justiça maior mediando os conflitos, acaba
amarrado a
achismos. Quem está certo? Ela acha que é ela, ele acha que é ele,
mas achar não
significa nada, não prova coisa nenhuma. Por isso todo esporte tem
regras, todo país
tem sua Constituição. Você não pode chegar de bermuda no seu
trabalho, a menos que
seja salva-vidas, é claro. As coisas são organizadas, ou tudo vira
bagunça. Por que no
casamento seria diferente? Você pode não gostar das regras, mas
elas existem para
regular os relacionamentos.
Se não fosse o juiz no campo de futebol, o jogo nunca acabaria, as
faltas não seriam
reconhecidas e a confusão seria inevitável. Os dois times iriam
querer jogar até a
exaustão, nunca teria acordo nenhum. Mesmo não gostando do juiz,
os times (e a
torcida) entendem que ele é necessário para manter a ordem. Quando
O temos em
primeiro lugar em nossas vidas, ele se torna o Juiz no casamento.
Vale muito naquelas
horas em que não conseguimos chegar a um acordo... É aí que
buscamos saber o que
Deus acha a respeito e fazemos então a vontade d’Ele, com
confiança que será para
melhor. Afinal, Ele não é juiz ladrão. É muito difícil haver
casamento feliz sem obedecer
às regras estabelecidas por Deus.
E A MEDALHA DE PRATA VAI PARA...
Com Deus recebendo a medalha de ouro, aqui está você, com a
medalha de prata nas
mãos, esperando colocá-la em seu próprio pescoço, ou no pescocinho
do seu filho, ou no
pescoço da sua mãe. A resposta está na passagem bíblica que cita a
criação do
casamento. Lembra-se dela?
Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e
unir-se-á à sua mulher, e serão uma
só carne. (Gênesis 2:24)
O casamento veio com essa regrinha no manual de instruções. Para o
homem (e a
mulher) se casar, primeiro tem que deixar a seu pai e a sua mãe,
sair do ninho. Se
devemos deixar os pais, que são as pessoas mais influentes em
nossas vidas, quanto mais
os irmãos, os amigos, e o Facebook da ex-namorada! “E serão uma só
carne” mostra o
início de uma nova família. Quando se casa, você deixa sua família
de origem e forma
uma nova família. Sua nova família é seu cônjuge. Seus pais e
irmãos, toda a sua família
de origem, se tornam parentes, como no diagrama a seguir.
Sua família de origem se torna seus parentes depois
que você se casa.
Não estou dizendo que seus pais e irmãos deixaram de ser
importantes, mas você
migrou para seu próprio ninho e agora tem uma nova família — é
necessário estabelecer
limites claros para manter um relacionamento saudável com todos.
Se essa linha não fica
bem clara, começa a haver interferência.
Um dos erros comuns cometidos por recém-casados e seus parentes é
achar que
enquanto o casal não tem um filho, não deve ser visto como uma
família. É muito
comum ouvir “agora, sim, nossa família está completa” na chegada
de um bebê, mas
isso é desprezar o fato de que a família já estava completa, desde
o dia em que vocês se
casaram. Ter filhos é uma escolha e não um passo obrigatório no
relacionamento (e, por
favor, nunca tome essa decisão com o objetivo de resolver algum
problema entre vocês
ou completar uma lacuna. Não funciona).
O homem se une à sua parceira e se tornam uma só carne. A família
está criada,
completa e fechada, sem espaço para intromissão de terceiros.
Tirando Deus em sua
vida, não existe outra coisa nem outra pessoa que possa ser mais
importante para você
do que seu marido ou sua esposa. Se vocês são uma só carne, quando
você cuida do seu
cônjuge está cuidando de seu próprio corpo. Ao priorizar o outro,
está priorizando a
você mesmo, a sua parte mais importante.
Infelizmente, muitas mulheres pensam que esse é o tipo de
relacionamento que devem
ter exclusivamente com seus filhos, sangue do seu sangue. Carregam
os bebês por nove
meses dentro de si e sentem-se ligadas a eles para o resto de suas
vidas, mais até do que
ao pai da criança. Mas essas crianças que saíram de dentro delas
crescem e vão querer
viver suas próprias vidas e formar suas próprias famílias. Não faz
sentido tornar-se uma
só carne com alguém que inevitavelmente sairá de sua casa em
poucos anos. É receita
para frustração e sofrimento. Os filhos precisam encontrar uma
base firme no
casamento de seus pais para formarem suas próprias bases no
futuro.
A força do relacionamento está na união do casal, e a única
maneira de se conseguir
isso é estabelecendo as prioridades corretamente.
As pessoas que colocam o trabalho acima do cônjuge criam um abismo
em seu
relacionamento. O problema é que é muito fácil deixar que outras
coisas ou pessoas se
instalem acima do seu marido ou de sua esposa, ainda que você não
admita isso
verbalmente. Com certeza se alguém perguntar, você sempre vai
dizer que seu cônjuge é
mais importante, mas é na prática que você mostra quem — ou o que
— realmente está
em primeiro lugar.
O grau de importância de algo ou alguém em sua vida é medido pelo
tempo que você
dedica a ele e pelo que você faz, não pelo que você fala. Observe
suas atitudes. A quem
você tem dedicado a maior — ou melhor — parte de tempo, esforço,
atenção e
pensamentos? Seu tempo deve ser, preferencialmente, para o seu
cônjuge. Se você tem
mais tempo para estar na casa da mamãe, das colegas ou no trabalho
e coloca essas
coisas à frente de seu companheiro, está colocando seu casamento
em situação de risco e
sem equipamento de proteção. Isso exige muita atenção de sua
parte, no dia a dia. Meça
as suas atitudes.
Eu dizia “eu te amo” para a minha esposa, mas a maneira que eu a
ignorava e não lhe
dava atenção invalidava as minhas palavras. Era o que eu fazia que
mostrava para ela
que na minha vida o mais importante era o meu trabalho. No meu
caso é ainda mais
difícil porque o meu trabalho é servir a Deus. É muito fácil
misturar as estações e achar
que, se Deus está em primeiro lugar, tudo o que é relacionado a
Ele também deve estar.
Não confunda Deus com a Obra de Deus.
Mesmo trabalhando como pastor, servindo a Deus, não poderia
colocar o meu
trabalho acima da minha esposa. É o que Ele deixa claro quando
fala dos pastores, dos
bispos, dos que fazem o serviço d’Ele, ao dizer que eles têm de
ser bem casados, cuidar
da casa primeiro, para depois poder cuidar da igreja. Deus não
está se contradizendo ao
afirmar que o pastor deve cuidar primeiro da família. Ele continua
em primeiro lugar,
pois a Obra de Deus não é Deus. Veja como Ele valoriza o
casamento! Ele nem quer
que você faça a obra d’Ele se dentro de casa você não dá o exemplo
e não faz do seu
cônjuge sua primeira ovelha. O casamento, na verdade, serve como
um termômetro que
mede o nosso relacionamento com Deus. Se estou bem com Deus, tenho
que estar bem
no meu casamento. Se estou mal no meu casamento, não posso estar
bem com Deus.
Para um casamento funcionar, é necessário que ambos, marido e
mulher, se importem
um com o outro acima de todas as demais pessoas e coisas. Se isso
não acontece, não há
casamento de fato. Na posição correta do pódio, a esposa sente-se
especial por ter sido
escolhida acima de todas as outras mulheres. Se colocada para
escanteio, será uma
mulher amarga e infeliz. Uma mulher infeliz faz um lar infeliz e,
convenhamos, não é
isso o que você deseja. O marido colocado no lugar correto
sente-se respeitado por sua
responsabilidade de cuidar de sua esposa como se fosse seu próprio
corpo.
Agora que você sabe disso tudo, e sendo os dois uma só carne, tire
da equação os
terceiros. Vocês têm de estar tão juntos que pareçam colados,
inseparáveis. Não pode
haver terceira pessoa entre vocês, nem mesmo o filho.
É claro, salvo raras exceções. Suponhamos que seu marido seja
agressivo, usuário de
drogas, e este comportamento tem gerado risco para toda a família.
Neste caso, você e
seus filhos — se existirem — se tornam prioridade, pois as
atitudes de seu marido
fizeram com que ele se tornasse um risco para a segurança da
família. Pode ser
necessária, nesta situação, uma separação temporária para que ele
busque tratamento. É
claro que se Deus estivesse em primeiro lugar na vida deste
marido, ele não seria
dependente químico, mas isso é assunto para outro livro.
Com o primeiro e o segundo lugares devidamente ocupados por Deus e
seu cônjuge, o
terceiro lugar fica para o restante da humanidade: filhos,
parentes, amigos e demais
pessoas. Organizem-se aí.
O QUE FAZER COM OS ABELHUDOS?
Não é fácil traçar as linhas que seus amigos e parentes não
poderão ultrapassar,
principalmente se eles já tinham o hábito de se intrometer em sua
vida antes de você se
casar. Mas antes de reclamar de seus familiares, pare de alimentar
a intromissão.
Quando leva seus problemas a parentes ou amigos, dá a eles
autorização para fazer
julgamentos a respeito de seu cônjuge, formar opiniões parciais e
tratar sua vida como se
fosse a deles. Se expuser sua vida como novela das oito para todos
os parentes, nem
adianta reclamar depois.
Se o seu relacionamento tem sido invadido por parentes
intrometidos, o que fazer?
Não adianta brigar, nem espernear. Aja com a cabeça. Aquele que
não pertencia à
família de origem, e que está sendo visto como o invasor, precisa
entender que os
parentes serão sempre parentes. Não é inteligente ficar contra
eles, pois estará atacando
as origens de seu parceiro e criará um problema ainda maior. O
ideal é tratá-los da
melhor forma possível e tentar conquistá-los.
Corte o mal pela raiz e não leve nada para o lado pessoal. Muitas
vezes a raiz da
implicância da sogra com a nora, por exemplo, está na insegurança.
Se tratar bem a
mãe de seu companheiro, deixando claro que não está ali no papel
de rival e que seu
objetivo é fazer dele a pessoa mais feliz do universo, transmitirá
segurança a ela e
eliminará os problemas. Ela deve ver em você uma aliada, alguém
que a ama e respeita,
e jamais uma inimiga. Aprenda a amar sua sogra, ainda que neste
momento você
acredite que isto seria missão impossível. Se você leu este livro
até aqui, sabe que não é.
Lembra-se de Dian Fossey e os gorilas?
Se são seus os parentes que gostam de se intrometer em seu
casamento, você deve
saber priorizar a sua nova família e mostrar isso em suas
atitudes. Seja educado, não
agrida a ninguém, mas estabeleça limites claros para que os
parentes saibam que sua
família é sagrada e que quem fala dela, fala de você. Quem gosta
de você terá de
aprender a gostar de seu cônjuge, pois agora vocês são um.
Os casos em que o casal quer colaborar com um parente que precisa
de ajuda
financeira têm grande probabilidade de gerar conflitos. Porém, se
antes de decidir ambos
conversarem e entrarem em consenso, não há problema algum. O casal
deve ser
equilibrado e priorizar suas necessidades, para depois ajudar a
quem precisa.
Conhecemos um casal que passou por sérios problemas financeiros.
Logo no início do
casamento, os dois contraíram uma dívida. Com três anos de
casados, ainda estavam se
esforçando para pagar. Nessa época, a esposa se compadeceu da mãe,
que estava com
várias contas atrasadas, e movida por emoção, convenceu o marido a
fazer um
empréstimo bastante alto para ajudá-la. Chegou para ele com o
assunto decidido, sem
dar alternativa, valendo-se da velha chantagem emocional. Mesmo
sem poder, o marido
cedeu, mas aquela atitude, além de aumentar a dívida, causou um
grande desgaste no
relacionamento. O esposo sentiu-se desvalorizado ao ver que a
mulher não priorizou as
necessidades da nova família, nem considerou o esforço dele em
quitar a dívida inicial.
Muitos casais fazem o que é certo na ordem errada. Não é errado
ajudar a família de
origem, desde que seja feito no momento certo e da maneira
correta, sem passar por
cima do outro. Se isso faz seu parceiro se sentir desprezado, você
plantará problemas.
Cristiane :
Nunca vou me esquecer do que meu pai, que conduziu minha cerimônia
de
casamento, me disse no altar: “Agora não tem mais mamãe e papai,
minha filha. Os
seus problemas terão de ser resolvidos entre você e o Renato.” De
tudo o que ele
disse naquela noite, isso foi o que ficou mais marcado em mim,
acho que devido ao
fato de eu ser muito jovem ainda e muito apegada à minha família.
Aquela palavra dura e direta me levou a aprender sobre a nova
ordem em que eu
estava entrando ao me casar. Agora a minha família era o Renato, e
a família dele
era eu. Nossos pais se tornaram nossos parentes. Os problemas que
tivemos no
início do nosso casamento ficaram entre nós dois. Isso não é nada
fácil,
especialmente para nós, mulheres, que temos necessidade de colocar
para fora o
que sentimos...
Não é tão difícil de entender que quando estamos formando uma nova
família
temos que deixar a anterior, mas esse fato tem sido um dos maiores
problemas entre
muitos casais de hoje em dia. Não era tanto assim há alguns anos.
As pessoas já se
casavam com o objetivo de formar sua família. Tanto é que se uma
mulher não se
casava, era mal olhada não somente pela sociedade, mas também pela
própria
família.
Na época, muitos casamentos eram feitos sem qualquer sentimento.
Era um dever
se casar e pronto. Nem sempre se amava a pessoa com quem estava se
casando.
Com os anos, muitos casais que haviam se casado sem sentimento
desenvolviam o
verdadeiro amor, porque partiam do princípio de que agora formavam
uma família e
deviam agir como tal. Ou seja, aja como alguém que ama seu marido
ou sua esposa
e vocês serão um casal. E se o casal tratar um ao outro como
primeiro em suas
vidas, se tornarão em uma família, e ninguém poderá se meter no
meio e separá-los.
Tarefa
Que ajustes você terá que fazer para seguir a ordem correta nos
seus relacionamentos? Escreva o
que fará, na prática, especialmente o que fará de diferente para
que seu cônjuge se sinta a pessoa
mais importante para você abaixo de Deus.
13 Mateus 22:37-40
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