sábado, 30 de novembro de 2013

CAPÍTULO 11


PARTE III

Desmontando e

Remontando o Amor

 

CAPÍTULO 11- A MALDIÇÃO DO HOMEM E DA MULHER

Capítulo 11 | A maldição do homem e da mulher

Como praticamente todos os problemas da humanidade, a relação de amor e ódio

entre homem e mulher teve início lá no Jardim do Éden. (Espero que Adão e Eva

tenham um lugar todo especial no céu, bem reservado e protegido, porque lhe garanto

uma coisa: vai ter muita gente querendo tirar satisfação com eles lá...) Diria que a

desobediência de ambos resultou em uma maldição que afetou diretamente o

relacionamento deles e de todos os seus descendentes. Primeiramente, vamos entender o

que aconteceu lá. Sei que você conhece a história, mas talvez não por este ângulo.

Antes de a vaca ir para o brejo5 lá do Éden, Adão e Eva viviam muito bem, em todos

os sentidos. Eles tinham recebido do Criador uma posição privilegiada na terra, com

autoridade para fazer e acontecer:

...tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais

domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Criou

Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os

criou. E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e

sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal

que rasteja pela terra. E disse Deus ainda: Eis que vos tenho dado todas as ervas que

dão semente e se acham na superfície de toda a terra e todas as árvores em que há fruto

que dê semente; isso vos será para mantimento. E a todos os animais da terra, e a todas

as aves dos céus, e a todos os répteis da terra, em que há fôlego de vida, toda erva verde

lhes será para mantimento. (Gênesis 1:26-30)

O homem foi colocado por sobre todos os seres animais e vegetais e sobre toda a terra.

Esta autoridade era também dividida com a mulher: “...e lhes disse...” Essa posição

significava que toda a natureza foi colocada como serva do homem e da mulher. A

função da natureza era a de lhes servir e suprir todas as necessidades.

Com todo esse poder e toda essa harmonia, somados à companhia de Deus, o lindo

casal vivia no paraíso, literalmente. Não tinham contas a pagar nem defeitos para

apontar um no outro. Adão tinha a mulher que pediu a Deus, e Eva o homem que...

Bem, o único que estava disponível. De qualquer forma, era um casal sem problemas.

Mas a vaquinha tinha que dar um passeio e, para piorar, naquele dia tinha uma

serpente lá no brejo. Eva desobedeceu a Deus e levou o marido a fazer o mesmo. Hora

de acertar as contas.

Deus chamou primeiro a Adão, e este foi rápido em jogar a culpa em Eva. O Senhor,

porém, não comprou a ideia, reforçando que o líder é responsável por tudo o que

acontece sob sua responsabilidade. Lembra-se do capítulo 9, “esse problema é SEU”?

Adão teve que aprender isso amargamente. Por consequência de seu fracasso e sua

desobediência, Deus determinou para o homem:

Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não

comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os

dias de tua vida. Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do

campo. No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste

formado; porque tu és pó e ao pó tornarás. (Gênesis 3:17-19)

Eva, por sua vez, jogou a culpa para a serpente. Mas não era um bom dia para dar

desculpas:

“E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de

dores darás à luz filhos; o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará.”

(Gênesis 3:16)

É interessante que, como resultado da maldição, homem e mulher foram sujeitados

aos elementos de onde saíram, de onde foram criados: o homem ficou sujeito à terra e a

mulher, ao homem. E aqui começou a maldição 6 dos dois. Vamos entender agora as

consequências e o impacto desta maldição no casamento.

ESCRAVO DO TRABALHO

A maldição que afetou o homem foi diretamente relacionada ao seu trabalho.

Enquanto antes dela havia um relacionamento harmonioso e de total cooperação entre o

homem e a terra, depois da maldição a terra se tornou inimiga do homem. Não haveria

mais cooperação, mas sim uma luta, um labor, uma contenda entre a natureza e o
homem. Era como se a terra relutantemente passasse a dar  o seu fruto ao homem, e
 

muitas vezes espinhos em vez de frutos.

Essa condenação perduraria até o fim da vida do homem, quando este então

finalmente perderia a batalha e voltaria para o lugar de onde veio: o pó. (Note que até

aqui não havia morte; o homem foi criado para viver para sempre, mas o seu pecado

limitou seu tempo de vida na terra. Portanto, quando Deus uniu Adão e Eva, o plano

não era “até que a morte os separe”, mas para toda a eternidade.)

Considere uma agravante: o homem foi designado o provedor da família. Quer dizer,

não há como ele fugir dessa maldição. Ele tem que trabalhar, e trabalhar para tirar o

sustento de uma terra que se tornou inimiga dele. A pressão de sustentar a família, de

ser o caçador, de não deixar a família passar necessidade, faz o homem cobrar de si

mesmo o resultado do seu trabalho. É uma questão de honra, de orgulho próprio, de

satisfação aos pais da esposa, e até mesmo de senso de valor próprio. Este impulso de

querer provar o próprio valor através do trabalho e de suas conquistas está no DNA do

homem.

Por isso, a maior frustração que um homem pode passar é o fracasso profissional. Um

homem pode perder o casamento, viver longe dos filhos, até viver com uma deficiência,

tudo isso ele pode superar, desde que se sinta útil e tenha sucesso no trabalho. Não quer

dizer que será feliz, mas seu ego estará mais satisfeito pelas conquistas do trabalho do

que por qualquer outra coisa. Essa é a sua maldição, a sua carga.

A maldição o faz se sentir sempre insatisfeito, não importa o quanto tenha

conquistado. Dificilmente você verá um homem dizendo: “Estou realizado, consegui

todos os meus sonhos, vou parar por aqui.” Se ele trabalha noite e dia por um objetivo,

coloca todas as suas forças e alcança um bom resultado, normalmente ele diz: “Poderia

ter sido melhor.” Ele nunca acha que chegou lá. Está sempre se cobrando.

É fato conhecido que muitos homens quando se aposentam caem em depressão; alguns

adoecem e até morrem pouco depois. É como se o trabalho fosse a vida deles. Muitos

nem querem se aposentar e continuam trabalhando enquanto a saúde os permite.

Além dessa insatisfação, ele ainda fica se comparando com outros homens de maior

sucesso, sempre querendo superá-los ou se sentindo diminuído por não ser tão bom

quanto eles. Seu espírito competitivo é inigualável. Não é de espantar que a maioria dos

que se encontram no Guiness Book of Records são homens, especialmente nos feitos

competitivos. Para se ter uma ideia, há uma categoria neste livro onde dezesseis recordes

foram quebrados por homens, sendo que um deles foi quebrado por uma equipe de doze

ginastas alemães... O feito? “Mais saltos mortais para dentro de cuecas em noventa

segundos.” Estão invictos desde 2000, com 94 saltos... Esse é o tipo de coisa pelo que

você não encontraria doze mulheres dispostas a competir.

E como isso afeta o relacionamento?

Você já deve ter adivinhado. O tempo que o homem passa no trabalho não uma das

questões clássicas pelas quais a mulher reclama dele? Não é a “tendência de gastar” (o

dinheiro que ele suou para ganhar) uma das principais reclamações que o homem tem

da mulher? Agora você sabe o porquê.

No início do relacionamento, durante o namoro, o homem vê a mulher como uma

conquista, ou seja, um trabalho. É como se fosse uma competição — quem vai ganhar a

menina? Quem ela vai escolher para ser o seu namorado? Então, isso o motiva a

trabalhar pela atenção e pelo coração dela. Mas quando finalmente a conquista e se

casa, vira as atenções para o próximo desafio, que sempre tem a ver com algum

trabalho. Por isso, ele se enfia no trabalho e deixa a esposa quase morrendo de falta de

atenção em casa. E quando ela reclama, ele olha para ela, perplexo, e pergunta: “Mas

você não vê que eu tenho que trabalhar, e que estou fazendo isso por você?” A primeira

metade da frase ele acertou; na segunda, não foi sincero. É mais por ele que trabalha,

nem tanto por ela.

A maldição do trabalho faz o homem escravo do sentimento de realização, o qual ele

raramente consegue obter. E na busca por ele, vai sacrificando a família, a esposa, a

saúde, e outras coisas tão ou mais importantes. Peça para o marido conversar com a

esposa sobre a família e o relacionamento, e ele não tem assunto. Peça para ele

conversar com os amigos sobre o trabalho, e ele não vai parar.

A mulher, sem entender o comportamento dele, acha que ele não a ama porque não

passa tempo com ela, não conversa, e parece ter mais prazer no trabalho e nos amigos

do que nela e nas coisas relacionadas a ela. Mas é um erro levar isso para o lado pessoal,

achando que há algo de errado com ele ou com ela. O que ela vai fazer? Como deve

lidar com essa maldição e ajudar o marido? Primeiro, precisa entender a maldição que

caiu sobre ela.

ATENÇÃO DO MARIDO

A maldição que afetou a mulher está relacionada à dependência dela da atenção e da

aprovação do marido. Colocando as dores de parto de lado, as quais este livro não se

propõe a solucionar (sinto muito, mulheres!), a segunda parte da maldição determinou

para a mulher: o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará. Quer dizer, você

estará sempre desejando algo do seu marido, e ele será o seu líder. Assim como o

homem ficou escravo do trabalho, sujeito à terra, ela ficou dependente da aprovação do

marido, e de ter nele a pessoa que cumprirá os seus desejos e sonhos.

Até aquele momento, homem e mulher não se preocupavam com “quem mandava em

quem”. Era uma união harmoniosa, que simplesmente funcionava sem resistência de um

nem imposição de outro. Os dois eram um. Mas agora, devido ao erro da mulher, ela foi

propositalmente colocada sob os cuidados e a liderança do marido, como que para

lembrá-la do erro que cometeu ao induzi-lo ao pecado.

Sei que este conceito é anátema para a maioria das mulheres, mas na verdade poderia

ter sido muito pior. Pense bem, mulher: ficar sujeita ao homem que a ama? Ruim seria

se fosse condenada a se sujeitar a um que a odiasse... De qualquer forma, o conceito de

submissão é assunto para um capítulo posterior, que esclarecerá muito mais a questão e

tirará o veneno que a ideologia feminista injetou na palavra.

O que esta maldição resultou na mulher foi o desejo de ter a atenção total dos olhos do

marido. Ela quer ser a princesa, a escolhida, a mulher acima de todas as mulheres;

aquela por quem ele arrisca a vida, e deixa as pessoas e as coisas de que mais gosta, para

estar ao lado. Porém, ela raramente consegue essa atenção por muito tempo. Ele, sob os

efeitos da própria maldição, está sempre olhando para o trabalho, a próxima conquista,

e ainda fica ressentido com ela quando lhe cobra a atenção. Ele a vê como uma

interferência aos seus objetivos. Chateia-se porque ela não “entende” que ele tem que

trabalhar, e acha que ela não o aprecia por ser um homem tão trabalhador e dedicado.

Na busca da atenção do homem, a mulher inconscientemente se desvaloriza, pois

começa a fazer tudo o que pode para que os olhos dele se voltem para ela. Investe nas

roupas atraentes e sensuais, na beleza física, na estética, nos cabelos... mas isso é só o

começo. Também chora, faz drama, se faz de vítima ou coitada, cria situações de

ciúmes, fica cobrando o marido, faz chantagem emocional, deixa de fazer as coisas em

casa, compete com a sogra, com o cachorro... Hoje em dia muitas mulheres

comprometidas, mas infelizes no casamento, são capazes até de ter um caso só para

chamar a atenção do marido.

Essa busca desesperada é o que está por trás de muitas mulheres consideradas

superinteligentes na profissão, mas que acabam se sujeitando a homens cafajestes em

troca de um pouquinho de atenção. É o caso de Roseane, a quem aconselhamos

recentemente em nosso consultório.

Roseane é contabilista. Aos 34 anos, ela é o orgulho da família por chegar aonde

chegou. Abriu seu escritório contábil há apenas dois anos, já atende a mais de cinquenta

clientes e emprega cinco funcionários. É uma mulher ágil, decidida. Mas o que sobra em

determinação e autoconfiança para os negócios, falta para o amor.

Há quatro anos Roseane vive um relacionamento bandido com Roger. Ele, 31 anos de

nenhuma realização, é a encarnação do perfeito cafajeste: bonito, 1,80m de charme, e

voz de veludo que sabe falar o que toda mulher quer ouvir.

Roger não tem emprego fixo nem profissão, pelo menos até o dia em que cafajestagem

ganhe esse direito. Se dependesse dele, já teria até sindicato. O talento dele é contar

histórias, onde ele é o protagonista e a vítima ao mesmo tempo. A mamãe sempre

afiançando apartamento para ele, até que “aquele” emprego venha. O papai dá o carro,

pois, “coitado, ele tem que se locomover”. E a Roseane dá amor, comida quente em

casa quando ele a visita, sexo, e de quebra ainda lhe compra umas roupinhas.

Namorado dela tem que se vestir bem.

Em troca, Roger já a traiu pelo menos três vezes, que ela saiba. Não está “pronto”

para casamento. Vive aparecendo no escritório da Roseane para lhe contar uma de suas

histórias e, entre abraços e beijos, convencê-la a lhe passar um cheque que ele jura que é

tudo o que precisa para começar um negócio muito promissor.

Roseane é uma de muitas mulheres superinteligentes que não conseguem enxergar as

burrices que fazem no amor. Por que você acha que elas se sujeitam a isso? É a

maldição da mulher.

DUAS PELO PREÇO DE UMA

As duas maldições, a do homem e a da mulher, são, na verdade, uma e a mesma: a

insegurança.

Na essência, no fundo de tudo isso, o homem é inseguro de si mesmo. Alguns mostram

essa insegurança mais que outros, sem dúvida, mas todos sofrem do mesmo mal. Até

mesmo homens que aparentam bravura e coragem imensas, que possuem temperamento

forte — muitos deles usam esses comportamentos como máscaras para esconderem a

insegurança. Consciente ou não, é o peso da rejeição que sofreu lá no Éden, cujo

principal culpado foi ele mesmo.

O medo do fracasso, da pobreza e o sentimento de insuficiência o faz se matar de

trabalhar. A voz de cobrança de um pai ou mãe extremamente exigente durante a

infância ainda ecoa e o faz sentir que nunca corresponde às expectativas, não importa

quão bem-sucedido seja.

O orgulho que o impede de reconhecer os erros e de aprender com outros é ainda mais

fortalecido quando vê outros homens terem êxito onde ele tem fracassado. A raiva, a

agressividade, os vícios, a mentira, e outros comportamentos autodestrutivos são

maneiras com que ele lida com a insegurança no mais profundo do seu interior. Tudo

isso são folhas de figueira para cobrir a nudez da sua insegurança.

A insegurança da mulher, por ela ser emocionalmente mais aberta que o homem, é

mais fácil de perceber. Conheço mulheres lindas que se acham feias apenas por uma

parte do corpo não ser de acordo com os padrões de beleza das revistas femininas.

Outras têm ciúmes de tudo que diz respeito ao marido: do trabalho, do futebol, da

cunhada, do carro, da mulher no ponto de ônibus, da colega de trabalho, da exnamorada,

de tudo aquilo em que o marido põe a atenção e até naquilo em que não põe

— por causa da insegurança.

A autoestima da maioria das mulheres é naturalmente baixa. E da mesma forma que

muitos homens usam o machismo, a força e o temperamento forte para mascarar a

insegurança, muitas mulheres se rebelam contra a própria maldição e se declaram

independentes dos homens. “Não preciso de homem para ser feliz”, “Homem é tudo

igual, só muda de endereço”, “Homem não manda em mim” e outras frases do tipo

formam o credo delas. No fundo, porém, permanecem infelizes.

Resumindo: são dois inseguros desesperadamente carentes da segurança e afirmação

um do outro. (Um joinha aqui para Adão e Eva. Valeu, hein?!)

Agora a pergunta mais importante: como se livrar dessa maldição?

5 Para nossos leitores mais jovens: se uma vaca resolve dar um passeio e acaba em um brejo, é problema na certa, pois

quando ela entra em um brejo dificilmente consegue sair sozinha. A pobre vaquinha fica empacada no terreno

pantanoso e, se não for encontrada, acaba morrendo de fome ou sede. Só mesmo um trator e muita paciência podem

ajudar a tirar o animal do atoleiro. Perder uma vaca significa perder futuros bezerros, leite e seus derivados, o que não

é nada bom para o criador. Nem para o bicho, claro.

6 Deixe-me esclarecer aqui que uma análise cuidadosa do texto bíblico revelará que Deus não amaldiçoou a Adão e

Eva. O texto diz que o Senhor amaldiçoou a terra e a serpente, mas não o ser humano. É claro que mesmo não tendo

sido diretamente amaldiçoados, eles colheram as consequências dessas maldições, às quais me refiro aqui no singular:

“a maldição do homem e da mulher”.

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