ítulo 7 | Instalando um para-raios
CAPÍTULO 6 - OS
DEZ PASSOS PARA RESOLVER PROBLEMAS
Capítulo 6 | Os dez passos para
resolver problemas
Guiadas pelas duas regras
básicas descritas no capítulo anterior, as empresas de
sucesso prosperam e avançam
todos os dias resolvendo desde problemas pequenos e
fáceis até os maiores e mais
complexos. Podemos decompor esta arte de resolver
problemas em dez passos
distintos, que se adaptam muito bem à empresa do casamento.
Qualquer pessoa bem-sucedida no
trabalho, patrão ou funcionário, já segue estes dez passos ainda que não pense
neles desta forma estruturada. É algo instintivo, pois o foco nos resultados
somado ao uso da inteligência, ao invés da emoção, exige que a pessoa
siga este processo natural de
solução de problemas.
A mente empresarial está
acostumada a seguir esse processo instintivamente, sem
mesmo pensar muito nele, assim
como os músculos de nossas pernas se acostumam a
subir e descer escadas sem que
os olhos precisem olhar para os degraus. Mas, como no
casamento as emoções entram em
jogo, parece que elas ofuscam nossas faculdades
mentais, de modo que o que é
tão claro e lógico no trabalho não é no relacionamento.
Por isso vamos desmontar este
processo para nos ajudar a ver como ele deve se aplicar
nas situações conjugais.
Façamos um paralelo usando dois
exemplos típicos de um problema empresarial e um
conjugal. Assim você poderá ver
como os mesmos passos que usamos para resolver
problemas no trabalho também
podem ser usados para resolver problemas no
relacionamento.
Suponhamos que você é gerente
de Recursos Humanos na empresa Engenhocas Ltda.
(É só um exemplo vai, foi o
nome que me veio à cabeça.) Você é responsável por todos
os aspectos de gerenciamento de
funcionários. Um sintoma de problema é trazido à sua
atenção: tem havido grande
instabilidade na posição de recepcionista da empresa. Nos últimos três meses,
quatro recepcionistas entraram e saíram do cargo, e agora a empresa busca a
quinta. Altos custos de contratação e treinamento, queda no moral dos
funcionários e a falta de
sequência no cargo são apenas alguns dos efeitos negativos. É
sua responsabilidade resolver
esse problema. O seu patrão quer resultados.
Enquanto isso, na sua empresa
Casamento Ltda., vocês também enfrentam um
sintoma de problema: ele
reclama que sente falta de fazer sexo mais vezes e ela acha que
a regularidade atual está mais
do que suficiente. Isso por vezes tem afetado os ânimos
dos dois, fazendo com que ele
fique indisposto com ela e ela se sinta pressionada por ele.
Vocês dois querem um resultado
satisfatório para esse impasse.
Vamos agora aos dez passos para
resolver esses problemas:
OS DEZ PASSOS
1) Reunir-se e iniciar
comunicação imediatamente
Na
empresa: a primeira coisa que você faz é
reunir-se imediatamente com as pessoas
envolvidas e iniciar
comunicação com elas para descobrir o que realmente está
acontecendo. Ênfase aqui na
palavra “imediatamente”. Quer dizer, você não protela o
problema porque sabe que um
problema adiado é um problema aumentado. No mundo
dos negócios sabemos que a
velocidade no agir é uma grande vantagem sobre a
concorrência. Por isso, você
não perde tempo. Convoca imediatamente uma reunião
com todos os que podem lhe dar
informações úteis sobre a situação — seu recrutador,
seu oficial de demissões, o
gerente da recepção etc. Você faz isso independente dos
sentimentos — seus ou de qualquer
dos envolvidos sobre o assunto. O que tem de ser
feito, tem de ser feito.
No
casamento: aqui já começam os erros da maioria dos
casais. Geralmente, quando
surgem problemas, ambos se
afastam, evitando resolver os conflitos. Acham que o
adiamento da discussão
supostamente resolverá alguma coisa. Normalmente, os homens
são mais culpados disso,
dependendo do tipo de problema a ser resolvido. A mulher
costuma ser a pessoa que aponta
o problema, que levanta o assunto na esperança de que
o marido participe da solução.
O homem já tende a ser mais simplista, menos
preocupado com detalhes e com
pouca paciência para discutir uma coisa que ele muitas
vezes nem acha que é um
problema. No afã de não se chatear, de querer ficar bem, evita
falar sobre o assunto e erra
tentando adiar ou rapidamente contorná-lo. Arruma
desculpas para não ouvir a
esposa: “Agora não, estou cansado, deixa para outro dia.”
(Às vezes o homem faz isso
pensando que a mulher vai acabar se esquecendo do assunto
e deixá-lo em paz. Ingênuos que
somos...)
Quando surge um problema no
casamento, você tem de agir na hora para resolvê-lo.
Lembre-se, problema não é como
vinho, que melhora com o tempo. Portanto, na
primeira oportunidade vocês
devem se reunir e iniciar a comunicação para expor o
problema. Já que terá que ser
resolvido cedo ou tarde, melhor cedo, porque tarde
poderá ter aumentado. Então aja
rápido.
No caso em questão, ou seja
qual for o caso, o casal deve se reunir sem demora e
expor o problema que ambos estão
enfrentando na cama. Não importa o que sentem a
respeito, pois sentimento não
resolve problemas. O que importa é que está havendo um
conflito e a empresa de vocês
não pode prosperar com um problema mal resolvido.
Portanto, a melhor hora para
resolver um problema, salvo raras exceções, sempre é
imediatamente.
2) Ouvir
Na
empresa: o segundo passo, após se reunir com sua
equipe, é ouvir os envolvidos
(recrutador, oficial de
demissões, gerente da recepção etc.) para encontrar o porquê de
recepcionistas não pararem na
posição. Você quer ouvi-los porque é um profissional e
um chefe inteligente. Um dos
piores tipos de patrão que você pode ter é o sabe-tudo. Já
trabalhou para alguém assim?
Quando ele ou ela toma conhecimento de um problema,
já chega diante de seus
subordinados com uma ordem e uma solução pré-fabricada: “A
partir de agora vocês vão fazer
assim e assim.” Não quer saber de ouvir ninguém,
porque, claro, já sabe tudo e
os subordinados são... apenas subordinados. Mas você não
é assim. Você sabe que as
melhores informações sobre o problema só podem vir
daqueles que estão diretamente
envolvidos nele. Por isso, você quer — precisa — ouvilos
atentamente. Você inicia a
comunicação falando pouco e ouvindo mais.
No
casamento: o segundo passo também já costuma
começar errado entre os casais
com problemas, e justamente por
causa das emoções. Um cônjuge inicia a comunicação
apontando um problema e o outro
imediatamente se ofende e se coloca na defensiva.
Lembra-se da “Listinha de quem
é pior” que os casais no “Laboratório” costumam
fazer? É aqui que eles pecam.
Em vez de ouvir atentamente um ao outro, partem para a
defensiva até que cansam e
desistem da conversa. Enquanto um parceiro está falando, o
outro, em vez de ouvir, já
começa a formular na mente uma resposta ou retaliação. Ao
fazer isso, deixa de ouvir.
Há uma explicação psicológica e
natural por que isso acontece. Quando nos sentimos
atacados, nosso instinto é
lutar ou correr. Isso é um instinto tão básico que pode ser
observado em qualquer animal.
Se você atacar um cachorro, por exemplo, o instinto de
autodefesa e sobrevivência dele
o fará lhe atacar de volta ou fugir de você. O ser
humano opera a partir deste
mesmo instinto para tudo. Por isso quem inicia a conversa
tem o poder de determinar a
reação do parceiro — se vai ser boa ou negativa. Uma
conversa iniciada em tom
acusativo ou crítico inevitavelmente provocará uma reação de
brigar ou fugir da conversa. O
ideal é que o problema seja exposto de forma separada da
pessoa. Por exemplo, se o
marido fala: “Você é fria, nunca está a fim de nada comigo”,
a esposa se sentirá atacada
pessoalmente e tentada a responder à altura: “Você que é um
cavalo, só quer saber de sexo”.
Pronto, o combate está armado. Ninguém mais vai ouvir
ninguém, exceto com a intenção
de atacar ou se defender. Mas se ele começa assim:
“Amor, como eu posso fazer para
que nós dois tenhamos uma vida sexual mais
satisfatória?”, a reação será
outra. Notou a diferença? A maneira que o falante inicia a
conversa determina se o ouvinte
ficará à vontade para dialogar ou não.
Quando seu cônjuge começa a
expor o problema, resista à tentação de se defender ou
justificar. Inicialmente,
apenas ouça para colher informações, deixando a pessoa bem
livre para se expressar. Não
presuma que já sabe qual é o problema, pois provavelmente
a outra pessoa tem uma visão
bem diferente da sua sobre o que ele realmente é.
Portanto, seja inteligente:
ouça.
3) Perguntar
Na
empresa: ainda no intuito de identificar e
compreender a raiz do problema, você
faz perguntas que lhe tragam
esta informação. Sabemos as razões da saída de cada uma
das quatro recepcionistas? De
onde elas foram recrutadas? Quem fez a seleção e quais
critérios usou? Qual o salário
que pagamos a elas? Está compatível com o mercado?
Quais as responsabilidades que
a posição inclui? Onde estamos no processo de recrutar a
próxima? Enfim, você faz
perguntas focadas no que você precisa para entender melhor o
problema e segue ouvindo
atentamente as respostas. Note que essas perguntas não são
acusativas nem têm como alvo
achar um culpado, apenas buscam as informações
relevantes.
Uma técnica desenvolvida por
profissionais japoneses diz que se você definir um
problema e perguntar por que
ele está acontecendo, até cinco vezes, você provavelmente
vai encontrar a raiz desse
problema. Por exemplo:
• A casa está fria. (Problema) Por quê?
• Porque o sistema de
aquecimento está quebrado. Por quê?
• Porque não foi feita a
manutenção periódica. Por quê?
• Porque eu não queria gastar o
dinheiro. Por quê?
• Porque eu sou muito pão-duro
e não gosto de gastar dinheiro a não ser quando
não tem outro jeito. (Raiz do problema!)
A solução imediata para o
problema de a casa estar fria é, obviamente, consertar o
sistema de aquecimento. A
solução permanente, porém, é uma mudança na minha
mentalidade em relação a
dinheiro. Eu preciso reajustar os meus pensamentos e
compreender o conceito
fundamental de “gastar agora para economizar mais tarde”. Se
fizer a manutenção do sistema
de aquecimento periodicamente, vou gastar algum
dinheiro agora, mas não tanto
como quando o sistema quebrar por falta de
manutenção.
É claro que posso decidir
apenas consertar o aquecimento agora, e não me preocupar
com a raiz do problema. Nesse
caso, tenho que estar consciente de que o problema
voltará no futuro…
Perguntar “por quê” de maneira
inteligente é uma boa forma de encontrar a raiz de
seus problemas e assim buscar
uma solução permanente.
No
casamento: fazer perguntas para seu cônjuge quando
ele ou ela traz um problema
para resolver é uma ótima
maneira não somente de entender melhor a situação, mas
também de mostrar que você
realmente está ouvindo e se interessa em compreender a
outra pessoa. Da mesma forma que
você faz no trabalho, foque as perguntas na
descoberta da raiz do problema.
Você se considera realizado(a) sexualmente? Por quê?
O que eu faço que você
gosta/não gosta? Qual a importância do sexo para você dentro
do nosso casamento? Por quê? O
que eu faço que faz você sentir-se pressionada?
Quando o ato é prazeroso para
você? Quando não é? Há algum momento do dia/noite
que você prefere reservar para
ficarmos juntos? Algum que não? Qual regularidade do
ato sexual seria ideal para
você? Enfim, essas perguntas ajudam a explorar o que está
por trás do problema, e com
certeza as respostas gerarão outras perguntas. Note
novamente o tom não acusativo e
o foco em descobrir as causas do problema sem
atacar ninguém.
4) Focar nos fatos
Na
empresa: nos negócios trabalhamos com fatos,
números, dados, evidências. É
claro que intuição,
experiência, personalidade, princípios e outras características mais
abstratas influenciam nossas
decisões. Porém, a base inicial e mais confiável de nossas
decisões no trabalho é aquilo
que é tangível, sólido, real e indiscutível. Portanto, suas
considerações sobre o que está
acontecendo na recepção da Engenhocas Ltda. são
baseadas principalmente nos
fatos verificáveis em vez de nas opiniões ou suposições. Se
alguém do setor de
contabilidade simplesmente diz “Eu não fui com a cara da última
recepcionista” — isso não é
fato suficiente para ser considerado. São mais importantes
informações sólidas como as que
o seu oficial de demissões diz: “As quatro últimas
recepcionistas alegaram que
estavam saindo para ganhar mais em outro lugar.” Isso é
um fato. “Vários departamentos
da empresa costumam dar trabalhos extras para a
recepcionista, e ela acaba não
conseguindo dar conta do trabalho da recepção e dos
outros”, diz o gerente da
recepção. Isso é outro fato.
No
casamento: uma cena típica na empresa Casamento
Ltda.: o marido chega do
trabalho e vai jogando sapato,
meia e outras coisas pela casa que a esposa passou o dia
todo limpando e arrumando. Rola
no chão da sala com o cachorro e em cinco minutos
consegue desarrumar o que ela
passou horas para fazer. A esposa, exasperada, entra na
sala e diz: “Você não tem
consideração nenhuma!” Ainda que ela honestamente diga e
sinta isso, não é
necessariamente um fato. Ainda não encontrei um marido que no
caminho do trabalho para casa
maquinasse maquiavelicamente contra a esposa:
“Tomara que a casa esteja
arrumadinha porque, quando eu chegar, eu vou bagunçar
tudo, ha ha...” O fato não é
que ele não tem consideração. Isso é o que parece, o que ela
sente. Mas os fatos observáveis
são simplesmente: “Ele põe as roupas fora de lugar
assim que chega do trabalho;
parece valorizar o relaxamento e a descontração depois de
um dia de trabalho acima da
arrumação da casa.” Não entra em questão aqui, por
enquanto, o certo ou errado,
mas simplesmente o fato observável por qualquer pessoa
que visse a cena, não somente a
esposa.
Temos que tomar cuidado para
não darmos uma de juiz do nosso cônjuge. Aliás, se
realmente quiséssemos ser um
juiz, a primeira coisa que teríamos que aprender é
exatamente focar nos fatos, nas
evidências. O bom juiz ignora os sentimentos e olha os
fatos, nada mais. Porém, na
maioria das vezes que julgamos nosso cônjuge, somos
péssimos juízes, e sempre damos
uma “sentença” favorável a nós mesmos...
Focar os fatos é mais uma forma
de separar sentimento e razão, separar as emoções
do problema.
No caso do casal com problemas
no leito, os fatos observáveis podem incluir, por
exemplo: no último mês tiveram
relação apenas duas vezes; o marido procurou a esposa
dez vezes
e todas as vezes recebeu
um não; a esposa às vezes sente dores durante a
relação; a parede que separa o
quarto deles e o do filho não oferece privacidade; ela
confessa que não vê o sexo como
prioridade no casamento e que sente falta da amizade
que tinham no início do
relacionamento; ela acrescenta que se sente usada quando ele a
pressiona a fazer sexo mesmo
quando ela não está a fim.
Fatos são fatos — informações
verificáveis por qualquer observador e independente de
opiniões. Este passo é
imprescindível para continuar a conversa de forma eficaz e chegar
a uma boa solução para o
problema.
5) Explorar ideias
Na
empresa: note que até aqui, nos quatro primeiros
passos, você apenas colheu
informações para entender e
definir o problema. Agora você está pronto para começar a
explorar possíveis soluções
para o problema. No mundo corporativo este processo é
conhecido como brainstorming, uma discussão livre em grupo com o
objetivo de gerar
ideias e maneiras de resolver
um dado problema. Todos são convidados a contribuir
com suas ideias, quanto mais,
melhor, até que as melhores ideias são selecionadas, e a
melhor proposta é então escolhida
para ser executada.
Talvez o seu oficial de
demissões sugira aumentar o salário da posição e equipará-lo ao
que é pago no mercado. Alguém
dá a ideia de até pagar mais que o mercado e aumentar
as responsabilidades. Outro
sugere que uma descrição de funções seja feita e claramente
explicada para a próxima
recepcionista, e que os departamentos sejam avisados do que
ela não está autorizada a
fazer. O gerente de recepção dá a ideia de que talvez um plano
de carreira possa ser oferecido
como incentivo para a recepcionista permanecer no
cargo, já que ela verá a
possibilidade de crescer na empresa. Todas as ideias são
recebidas e devidamente
consideradas.
No
casamento: este processo democrático de permitir a
sugestão de ideias é muito
importante no casamento. Muitos
casais pecam porque insistem em querer impor um ao
outro a sua própria solução. O
bom líder no trabalho sabe envolver seus colegas e
subordinados na busca de
soluções, não apenas pelo benefício político, mas porque sabe
que duas cabeças pensam melhor
que uma. Assim também o casal deve agir em busca de
uma solução que melhor resolva
o problema, não necessariamente a que agrada a um
mais que ao outro.
Olhando para o problema que a
esta altura já deve ter sido definido pelos quatro
primeiros passos, o casal então
se pergunta: como podemos resolver este problema e
prevenir
que aconteça de novo?
Este estágio é enfatizado pela
criatividade e quantidade de ideias. O casal deve ser
criativo e se sentir livre para
sugerir soluções sem criticar, condenar, ou ridicularizar as
ideias propostas. Afinal,
realmente há mais de uma maneira de se descascar um abacaxi.
A esposa sugere, por exemplo:
“Talvez você possa se esforçar para passarmos mais
tempo juntos, como fazíamos
antes. Isso me faz sentir mais próxima de você. Reconheço
que tenho que ser mais sensível
às suas necessidades também, não lhe rejeitar tantas
vezes. Vou me esforçar para
valorizar mais a intimidade física, pois sei que é importante.
Se você pudesse fazer alguma
coisa sobre a parede do nosso quarto, eu ficaria muito
mais à vontade. Privacidade é
muito importante para mim.”
Ele pode dar outras sugestões,
como: “Podemos ir juntos a um médico para ver sobre
suas dores. Reconheço que às vezes
falo o que não devo para você quando fico com
raiva. Vou ter mais cuidado com
minhas palavras. Onde você e eu podemos ceder para
equilibrar melhor as nossas
necessidades, sem nos impormos um ao outro? Eu quero
priorizar o seu prazer, e peço
que você me ajude a descobrir o que lhe excita. Posso me
educar mais sobre o assunto
também e buscar ajuda qualificada.”
Não se deve descartar a
possibilidade de que nenhum dos dois tenha a solução ideal.
Por isso, uma ideia pode ser
buscar ajuda externa profissional, que possa apontar a
solução para o casal.
6) Propor uma solução
Na
empresa: entre as várias ideias exploradas, você
tem que ver quais seriam as mais
viáveis e eficazes para
resolver o problema agora e, se não permanentemente, por um
longo prazo. Depois de tudo o
que ouviram, digamos que você e sua equipe chegam à
seguinte proposta: alinhar o
salário da recepcionista com o valor de mercado; propor
um plano de carreira para ela
dentro da empresa; e manter contato com a nova
recepcionista semanalmente
pelos primeiros três meses para identificar quaisquer sinais
de insatisfação no trabalho, a
tempo de acionar uma solução o quanto antes e assim
minimizar a desistência. Essa
proposta é escolhida porque parece atingir as causas
principais do problema.
No
casamento: para chegar a uma proposta de solução,
tenha em mente que a
melhor resposta a qualquer
problema conjugal sempre será aquela em que os dois saem
ganhando. Se um perde, os dois
perdem. Portanto, lembre-se aqui dos objetivos da
empresa, da equipe, e não
somente dos indivíduos. Como na empresa, proponha o que
melhor parece atingir as causas
do problema.
O casal conclui, então, por
exemplo, que irá procurar ajuda externa de um médico e
outra fonte de conhecimento
sobre como estimular o prazer feminino; os dois se
esforçarão mais para atender
com mais equilíbrio às expectativas sexuais um do outro,
cedendo quando e onde
necessário, sem se impor indevidamente um ao outro; um
isolamento acústico será
instalado na parede do quarto do casal.
7) Concordar com um plano
de ação
Na
empresa: agora que vocês têm uma proposta, todos
têm que crer nela, na sua
viabilidade. Nada será feito se
não houver acordo entre os responsáveis. A pergunta a
ser respondida é: todos creem e concordam que a proposta poderá resolver o problema? Todos
os envolvidos têm que acreditar
e apoiar a proposta.
No
casamento: se é imprescindível que a proposta
tenha o apoio de todos no
ambiente de trabalho, muito
mais no casamento. Vocês não precisam concordar em
tudo. Às vezes terão que
“concordar em discordar” de algumas coisas. Se isso acontecer,
comecem procurando pontos em
comum. Deem passos curtos. Há problemas que não
se resolvem de uma vez, e você
terá que repetir esse processo muitas vezes. Mas não
deixem que as discórdias sobre
alguns pontos os impeçam de agir em outros pontos
onde há um acordo. Este passo
tem que ser concluído com os dois dizendo: “Concordo
que, se fizermos isso,
poderemos solucionar problema.”
8) Definir quem fará o
quê, e fazer
Na
empresa: quem vai fazer o quê, como, e quando?
Nas empresas de sucesso,
ninguém sai de uma reunião sem
decidir esses três pontos. Tarefas têm que ser definidas
e distribuídas aos
responsáveis, para que cada um saiba o seu papel na solução do
problema. Por exemplo, na
solução proposta no passo anterior, você, como gerente de
RH, buscará aprovação da
diretoria para aumentar o salário da posição. O responsável
por treinamento e
desenvolvimento de pessoal irá preparar um possível plano de carreira
para a recepcionista dentro da
empresa. O gerente da recepção manterá contato com a
nova recepcionista semanalmente
para detectar qualquer problema. Prazos são
acordados.
No
casamento: ela procurará o médico, ele a
acompanhará; ele buscará um bom
livro que esclareça para o
homem fatos importantes sobre o prazer sexual da mulher; ele
deixará de pressioná-la; ambos
terão mais cuidado com as palavras duras; ele chamará o
profissional que fará o
tratamento da parede do quarto; ele será paciente com ela, e ela
cederá mais a ele.
É claro que o “fazer” é a parte
mais importante de tudo isso. Uma vez mais vocês
precisarão ignorar o sentir, a própria vontade, e simplesmente fazer o que é correto e
necessário para chegar à
solução. Como nos negócios, com certeza os diretores não
sentem vontade de pagar um
salário maior para a recepcionista, por exemplo. Mas se
isso é necessário para evitar
gastos ainda maiores com a rotatividade de pessoal naquela
posição, tem de ser feito.
9) Ver se está funcionando
Na
empresa e no casamento: ainda que
muito progresso já tenha sido alcançado
até aqui, o problema ainda não
está resolvido, pois até aqui houve apenas conversa!
Portanto, tanto na empresa
quanto no casamento, depois de tudo acordado, e do devido
tempo para se executar o plano
de ação, os resultados têm de ser monitorados. Não
abandone o processo no oitavo
passo, que é onde a maioria acha que conseguiu resolver
o problema. Acompanhe passo a
passo se a solução proposta está funcionando. Na
empresa, o bom resultado será a
nova recepcionista contratada permanecer no cargo
muito mais tempo e/ou crescer
na empresa. No casamento, o casal terá maior satisfação
sexual, menos frustração e
ânimos alterados, e a experiência os terá tornado mais
íntimos um do outro.
10) Sim? Continuar. Não?
Repetir o processo.
Na
empresa e no casamento: seguindo
estes dez passos, você provavelmente
conseguirá resolver o problema,
senão totalmente, pelo menos em parte. Se não for
resolvido por completo, não
desanime, é absolutamente normal. Mais de uma tentativa
pode ser necessária. Na
verdade, esse processo nunca acaba, pois novos problemas vão
surgindo dia após dia, nos
negócios e em casa, e temos que nos tornar experts
em
implementar esses passos à
medida que avançamos.
Muitas vezes ouço as pessoas
falarem: “Já tentei tudo, não há jeito para o meu
marido.” “Minha esposa nunca
vai mudar, já fiz tudo o que você pode imaginar por ela,
mas ela não mudou. Não tem
jeito.” Espere aí. Olhe bem para estas palavras. Já tentou
tudo? Já fez tudo o que se possa imaginar? Não creio. Você pode ter tentado três, cinco,
dez formas diferentes de
resolver a situação, mas não diga que já tentou tudo. Sempre
há algo diferente que você
ainda não fez. “Já tentei tudo” são palavras da emoção. Mas
a razão recusa a aceitar que
não haja solução para um problema.
Por isso, não desista do
processo se ao fim de uma tentativa o problema ainda parece
estar lá. Repita os dez passos,
e agora com o conhecimento do que não funcionou. É
assim que fazemos no trabalho.
Atente para esses dez passos e
perceba a ausência de emoção neles. É um processo
lógico e racional, não emotivo.
A beleza desse processo está no
fato de que você já o pratica diariamente no seu
trabalho. (Ninguém conseguiria
manter uma empresa ou emprego sem praticar isso.)
Você já segue esses dez passos
instintivamente, ainda que não pense neles como dez
passos distintos. Mas você os
pratica várias vezes ao dia, a cada minuto.
Quer dizer: você provavelmente
não precisa aprender esses dez passos, porque já os
domina. Precisa apenas transferir esse conhecimento para o seu casamento
e aplicá-lo
quando for resolver problemas.
O TESTE DO
TELEFONE
Normalmente quando explico essa
ideia de tratar o seu casamento como uma empresa,
algumas pessoas dizem logo de
cara que nunca irá funcionar para elas. Justificam: “Eu
tolero as pessoas no trabalho
porque não tenho que dormir com elas. Não estou
envolvido com elas
sentimentalmente, então é mais fácil.” Porém, olhando com maior
consideração, verificamos que
não é bem assim.
Sejamos honestos: a verdadeira
razão por que controlamos nossas emoções no local de
trabalho não tem nada a ver com
gostarmos ou não das pessoas, e sim com dinheiro.
Você só não xinga seu patrão ou
dá um coice no funcionário porque isso lhe custaria
dinheiro. Tanto é que quando
uma pessoa já não está nem aí para o emprego é capaz de
“soltar os cachorros” em cima
de alguém no trabalho, pois já planejava sair, de qualquer
maneira. Portanto, controlamos
nossas emoções motivados por não querer perder
dinheiro. Agora responda: será
que não podemos controlar as emoções motivados por
não perder o casamento?
Daí o outro benefício de ver o
seu casamento como uma empresa: entender que ele é o
seu maior investimento. Pessoas
casadas normalmente são mais estáveis financeiramente
e em todas as outras áreas da
vida, como: saúde, espiritualidade e família. Não tem
sentido você sacrificar suas
emoções para ter sucesso no trabalho, mas não no seu
casamento. De que adianta ter
sucesso profissional sem ser feliz no amor? De que
adianta ter tantos bens sem ser
feliz na família?
Deixe-me colocar para você um
cenário comum em briga de casal. Marido e mulher
estão em casa discutindo sobre
alguma coisa, batendo boca para lá e para cá. Os
temperamentos estão
esquentados. De repente, toca o telefone. O dono do celular olha
quem está ligando, vê que é uma
ligação importante, e decide atender. Mas antes, com
voz de raiva, grita com o
marido ou a mulher: “ ESPERA AÍ, TENHO QUE ATENDER
ESTA CHAMADA!” Daí, atende a ligação, e em questão de um ou dois segundos,
muda a voz e diz em tom polido
e suave: “Alô? Oi, fulano, tudo bem? Pode
falar...” A
pessoa do outro lado jamais
imaginaria que, dois segundos antes, quem atendeu a
chamada estava gritando com raiva!
Em outras palavras, podemos ou
não podemos controlar nossas emoções no meio de
uma briga de casal?
Tarefa
Vamos praticar os
dez passos? Identifique um problema que ainda não foi resolvido entre vocês.
Talvez seja
melhor não começar com nada extremamente sério, por agora, até que você ganhe
mais confiança e
domínio sobre suas emoções. Pense em algo não tão sensível, mas que precisa
ser resolvido.
Comece definindo o problema. Escreva o que é em uma ou duas frases apenas. Daí,
combine com seu cônjuge um momento sem
distrações para tratar do assunto.
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