sábado, 30 de novembro de 2013

CAPÍTULO 6


ítulo 7 | Instalando um para-raios
 

CAPÍTULO 6  -  OS DEZ PASSOS  PARA RESOLVER PROBLEMAS

Capítulo 6 | Os dez passos para resolver problemas

Guiadas pelas duas regras básicas descritas no capítulo anterior, as empresas de

sucesso prosperam e avançam todos os dias resolvendo desde problemas pequenos e

fáceis até os maiores e mais complexos. Podemos decompor esta arte de resolver

problemas em dez passos distintos, que se adaptam muito bem à empresa do casamento.

Qualquer pessoa bem-sucedida no trabalho, patrão ou funcionário, já segue estes dez passos ainda que não pense neles desta forma estruturada. É algo instintivo, pois o foco nos resultados somado ao uso da inteligência, ao invés da emoção, exige que a pessoa

siga este processo natural de solução de problemas.

A mente empresarial está acostumada a seguir esse processo instintivamente, sem

mesmo pensar muito nele, assim como os músculos de nossas pernas se acostumam a

subir e descer escadas sem que os olhos precisem olhar para os degraus. Mas, como no

casamento as emoções entram em jogo, parece que elas ofuscam nossas faculdades

mentais, de modo que o que é tão claro e lógico no trabalho não é no relacionamento.

Por isso vamos desmontar este processo para nos ajudar a ver como ele deve se aplicar

nas situações conjugais.

Façamos um paralelo usando dois exemplos típicos de um problema empresarial e um

conjugal. Assim você poderá ver como os mesmos passos que usamos para resolver

problemas no trabalho também podem ser usados para resolver problemas no

relacionamento.

Suponhamos que você é gerente de Recursos Humanos na empresa Engenhocas Ltda.

(É só um exemplo vai, foi o nome que me veio à cabeça.) Você é responsável por todos

os aspectos de gerenciamento de funcionários. Um sintoma de problema é trazido à sua

atenção: tem havido grande instabilidade na posição de recepcionista da empresa. Nos últimos três meses, quatro recepcionistas entraram e saíram do cargo, e agora a empresa busca a quinta. Altos custos de contratação e treinamento, queda no moral dos

funcionários e a falta de sequência no cargo são apenas alguns dos efeitos negativos. É

sua responsabilidade resolver esse problema. O seu patrão quer resultados.

Enquanto isso, na sua empresa Casamento Ltda., vocês também enfrentam um

sintoma de problema: ele reclama que sente falta de fazer sexo mais vezes e ela acha que

a regularidade atual está mais do que suficiente. Isso por vezes tem afetado os ânimos

dos dois, fazendo com que ele fique indisposto com ela e ela se sinta pressionada por ele.

Vocês dois querem um resultado satisfatório para esse impasse.

Vamos agora aos dez passos para resolver esses problemas:

OS DEZ PASSOS

1) Reunir-se e iniciar comunicação imediatamente

Na empresa: a primeira coisa que você faz é reunir-se imediatamente com as pessoas

envolvidas e iniciar comunicação com elas para descobrir o que realmente está

acontecendo. Ênfase aqui na palavra “imediatamente”. Quer dizer, você não protela o

problema porque sabe que um problema adiado é um problema aumentado. No mundo

dos negócios sabemos que a velocidade no agir é uma grande vantagem sobre a

concorrência. Por isso, você não perde tempo. Convoca imediatamente uma reunião

com todos os que podem lhe dar informações úteis sobre a situação — seu recrutador,

seu oficial de demissões, o gerente da recepção etc. Você faz isso independente dos

sentimentos — seus ou de qualquer dos envolvidos sobre o assunto. O que tem de ser

feito, tem de ser feito.

No casamento: aqui já começam os erros da maioria dos casais. Geralmente, quando

surgem problemas, ambos se afastam, evitando resolver os conflitos. Acham que o

adiamento da discussão supostamente resolverá alguma coisa. Normalmente, os homens

são mais culpados disso, dependendo do tipo de problema a ser resolvido. A mulher

costuma ser a pessoa que aponta o problema, que levanta o assunto na esperança de que

o marido participe da solução. O homem já tende a ser mais simplista, menos

preocupado com detalhes e com pouca paciência para discutir uma coisa que ele muitas

vezes nem acha que é um problema. No afã de não se chatear, de querer ficar bem, evita

falar sobre o assunto e erra tentando adiar ou rapidamente contorná-lo. Arruma

desculpas para não ouvir a esposa: “Agora não, estou cansado, deixa para outro dia.”

(Às vezes o homem faz isso pensando que a mulher vai acabar se esquecendo do assunto

e deixá-lo em paz. Ingênuos que somos...)

Quando surge um problema no casamento, você tem de agir na hora para resolvê-lo.

Lembre-se, problema não é como vinho, que melhora com o tempo. Portanto, na

primeira oportunidade vocês devem se reunir e iniciar a comunicação para expor o

problema. Já que terá que ser resolvido cedo ou tarde, melhor cedo, porque tarde

poderá ter aumentado. Então aja rápido.

No caso em questão, ou seja qual for o caso, o casal deve se reunir sem demora e

expor o problema que ambos estão enfrentando na cama. Não importa o que sentem a

respeito, pois sentimento não resolve problemas. O que importa é que está havendo um

conflito e a empresa de vocês não pode prosperar com um problema mal resolvido.

Portanto, a melhor hora para resolver um problema, salvo raras exceções, sempre é

imediatamente.

2) Ouvir

Na empresa: o segundo passo, após se reunir com sua equipe, é ouvir os envolvidos

(recrutador, oficial de demissões, gerente da recepção etc.) para encontrar o porquê de

recepcionistas não pararem na posição. Você quer ouvi-los porque é um profissional e

um chefe inteligente. Um dos piores tipos de patrão que você pode ter é o sabe-tudo. Já

trabalhou para alguém assim? Quando ele ou ela toma conhecimento de um problema,

já chega diante de seus subordinados com uma ordem e uma solução pré-fabricada: “A

partir de agora vocês vão fazer assim e assim.” Não quer saber de ouvir ninguém,

porque, claro, já sabe tudo e os subordinados são... apenas subordinados. Mas você não

é assim. Você sabe que as melhores informações sobre o problema só podem vir

daqueles que estão diretamente envolvidos nele. Por isso, você quer — precisa — ouvilos

atentamente. Você inicia a comunicação falando pouco e ouvindo mais.

No casamento: o segundo passo também já costuma começar errado entre os casais

com problemas, e justamente por causa das emoções. Um cônjuge inicia a comunicação

apontando um problema e o outro imediatamente se ofende e se coloca na defensiva.

Lembra-se da “Listinha de quem é pior” que os casais no “Laboratório” costumam

fazer? É aqui que eles pecam. Em vez de ouvir atentamente um ao outro, partem para a

defensiva até que cansam e desistem da conversa. Enquanto um parceiro está falando, o

outro, em vez de ouvir, já começa a formular na mente uma resposta ou retaliação. Ao

fazer isso, deixa de ouvir.

Há uma explicação psicológica e natural por que isso acontece. Quando nos sentimos

atacados, nosso instinto é lutar ou correr. Isso é um instinto tão básico que pode ser

observado em qualquer animal. Se você atacar um cachorro, por exemplo, o instinto de

autodefesa e sobrevivência dele o fará lhe atacar de volta ou fugir de você. O ser

humano opera a partir deste mesmo instinto para tudo. Por isso quem inicia a conversa

tem o poder de determinar a reação do parceiro — se vai ser boa ou negativa. Uma

conversa iniciada em tom acusativo ou crítico inevitavelmente provocará uma reação de

brigar ou fugir da conversa. O ideal é que o problema seja exposto de forma separada da

pessoa. Por exemplo, se o marido fala: “Você é fria, nunca está a fim de nada comigo”,

a esposa se sentirá atacada pessoalmente e tentada a responder à altura: “Você que é um

cavalo, só quer saber de sexo”. Pronto, o combate está armado. Ninguém mais vai ouvir

ninguém, exceto com a intenção de atacar ou se defender. Mas se ele começa assim:

“Amor, como eu posso fazer para que nós dois tenhamos uma vida sexual mais

satisfatória?”, a reação será outra. Notou a diferença? A maneira que o falante inicia a

conversa determina se o ouvinte ficará à vontade para dialogar ou não.

Quando seu cônjuge começa a expor o problema, resista à tentação de se defender ou

justificar. Inicialmente, apenas ouça para colher informações, deixando a pessoa bem

livre para se expressar. Não presuma que já sabe qual é o problema, pois provavelmente

a outra pessoa tem uma visão bem diferente da sua sobre o que ele realmente é.

Portanto, seja inteligente: ouça.

3) Perguntar

Na empresa: ainda no intuito de identificar e compreender a raiz do problema, você

faz perguntas que lhe tragam esta informação. Sabemos as razões da saída de cada uma

das quatro recepcionistas? De onde elas foram recrutadas? Quem fez a seleção e quais

critérios usou? Qual o salário que pagamos a elas? Está compatível com o mercado?

Quais as responsabilidades que a posição inclui? Onde estamos no processo de recrutar a

próxima? Enfim, você faz perguntas focadas no que você precisa para entender melhor o

problema e segue ouvindo atentamente as respostas. Note que essas perguntas não são

acusativas nem têm como alvo achar um culpado, apenas buscam as informações

relevantes.

Uma técnica desenvolvida por profissionais japoneses diz que se você definir um

problema e perguntar por que ele está acontecendo, até cinco vezes, você provavelmente

vai encontrar a raiz desse problema. Por exemplo:

• A casa está fria. (Problema) Por quê?

• Porque o sistema de aquecimento está quebrado. Por quê?

• Porque não foi feita a manutenção periódica. Por quê?

• Porque eu não queria gastar o dinheiro. Por quê?

• Porque eu sou muito pão-duro e não gosto de gastar dinheiro a não ser quando

não tem outro jeito. (Raiz do problema!)

A solução imediata para o problema de a casa estar fria é, obviamente, consertar o

sistema de aquecimento. A solução permanente, porém, é uma mudança na minha

mentalidade em relação a dinheiro. Eu preciso reajustar os meus pensamentos e

compreender o conceito fundamental de “gastar agora para economizar mais tarde”. Se

fizer a manutenção do sistema de aquecimento periodicamente, vou gastar algum

dinheiro agora, mas não tanto como quando o sistema quebrar por falta de

manutenção.

É claro que posso decidir apenas consertar o aquecimento agora, e não me preocupar

com a raiz do problema. Nesse caso, tenho que estar consciente de que o problema

voltará no futuro…

Perguntar “por quê” de maneira inteligente é uma boa forma de encontrar a raiz de

seus problemas e assim buscar uma solução permanente.

No casamento: fazer perguntas para seu cônjuge quando ele ou ela traz um problema

para resolver é uma ótima maneira não somente de entender melhor a situação, mas

também de mostrar que você realmente está ouvindo e se interessa em compreender a

outra pessoa. Da mesma forma que você faz no trabalho, foque as perguntas na

descoberta da raiz do problema. Você se considera realizado(a) sexualmente? Por quê?

O que eu faço que você gosta/não gosta? Qual a importância do sexo para você dentro

do nosso casamento? Por quê? O que eu faço que faz você sentir-se pressionada?

Quando o ato é prazeroso para você? Quando não é? Há algum momento do dia/noite

que você prefere reservar para ficarmos juntos? Algum que não? Qual regularidade do

ato sexual seria ideal para você? Enfim, essas perguntas ajudam a explorar o que está

por trás do problema, e com certeza as respostas gerarão outras perguntas. Note

novamente o tom não acusativo e o foco em descobrir as causas do problema sem

atacar ninguém.

4) Focar nos fatos

Na empresa: nos negócios trabalhamos com fatos, números, dados, evidências. É

claro que intuição, experiência, personalidade, princípios e outras características mais

abstratas influenciam nossas decisões. Porém, a base inicial e mais confiável de nossas

decisões no trabalho é aquilo que é tangível, sólido, real e indiscutível. Portanto, suas

considerações sobre o que está acontecendo na recepção da Engenhocas Ltda. são

baseadas principalmente nos fatos verificáveis em vez de nas opiniões ou suposições. Se

alguém do setor de contabilidade simplesmente diz “Eu não fui com a cara da última

recepcionista” — isso não é fato suficiente para ser considerado. São mais importantes

informações sólidas como as que o seu oficial de demissões diz: “As quatro últimas

recepcionistas alegaram que estavam saindo para ganhar mais em outro lugar.” Isso é

um fato. “Vários departamentos da empresa costumam dar trabalhos extras para a

recepcionista, e ela acaba não conseguindo dar conta do trabalho da recepção e dos

outros”, diz o gerente da recepção. Isso é outro fato.

No casamento: uma cena típica na empresa Casamento Ltda.: o marido chega do

trabalho e vai jogando sapato, meia e outras coisas pela casa que a esposa passou o dia

todo limpando e arrumando. Rola no chão da sala com o cachorro e em cinco minutos

consegue desarrumar o que ela passou horas para fazer. A esposa, exasperada, entra na

sala e diz: “Você não tem consideração nenhuma!” Ainda que ela honestamente diga e

sinta isso, não é necessariamente um fato. Ainda não encontrei um marido que no

caminho do trabalho para casa maquinasse maquiavelicamente contra a esposa:

“Tomara que a casa esteja arrumadinha porque, quando eu chegar, eu vou bagunçar

tudo, ha ha...” O fato não é que ele não tem consideração. Isso é o que parece, o que ela

sente. Mas os fatos observáveis são simplesmente: “Ele põe as roupas fora de lugar

assim que chega do trabalho; parece valorizar o relaxamento e a descontração depois de

um dia de trabalho acima da arrumação da casa.” Não entra em questão aqui, por

enquanto, o certo ou errado, mas simplesmente o fato observável por qualquer pessoa

que visse a cena, não somente a esposa.

Temos que tomar cuidado para não darmos uma de juiz do nosso cônjuge. Aliás, se

realmente quiséssemos ser um juiz, a primeira coisa que teríamos que aprender é

exatamente focar nos fatos, nas evidências. O bom juiz ignora os sentimentos e olha os

fatos, nada mais. Porém, na maioria das vezes que julgamos nosso cônjuge, somos

péssimos juízes, e sempre damos uma “sentença” favorável a nós mesmos...

Focar os fatos é mais uma forma de separar sentimento e razão, separar as emoções

do problema.

No caso do casal com problemas no leito, os fatos observáveis podem incluir, por

exemplo: no último mês tiveram relação apenas duas vezes; o marido procurou a esposa

dez vezes

 e todas as vezes recebeu um não; a esposa às vezes sente dores durante a

relação; a parede que separa o quarto deles e o do filho não oferece privacidade; ela

confessa que não vê o sexo como prioridade no casamento e que sente falta da amizade

que tinham no início do relacionamento; ela acrescenta que se sente usada quando ele a

pressiona a fazer sexo mesmo quando ela não está a fim.

Fatos são fatos — informações verificáveis por qualquer observador e independente de

opiniões. Este passo é imprescindível para continuar a conversa de forma eficaz e chegar

a uma boa solução para o problema.

5) Explorar ideias

Na empresa: note que até aqui, nos quatro primeiros passos, você apenas colheu

informações para entender e definir o problema. Agora você está pronto para começar a

explorar possíveis soluções para o problema. No mundo corporativo este processo é

conhecido como brainstorming, uma discussão livre em grupo com o objetivo de gerar

ideias e maneiras de resolver um dado problema. Todos são convidados a contribuir

com suas ideias, quanto mais, melhor, até que as melhores ideias são selecionadas, e a

melhor proposta é então escolhida para ser executada.

Talvez o seu oficial de demissões sugira aumentar o salário da posição e equipará-lo ao

que é pago no mercado. Alguém dá a ideia de até pagar mais que o mercado e aumentar

as responsabilidades. Outro sugere que uma descrição de funções seja feita e claramente

explicada para a próxima recepcionista, e que os departamentos sejam avisados do que

ela não está autorizada a fazer. O gerente de recepção dá a ideia de que talvez um plano

de carreira possa ser oferecido como incentivo para a recepcionista permanecer no

cargo, já que ela verá a possibilidade de crescer na empresa. Todas as ideias são

recebidas e devidamente consideradas.

No casamento: este processo democrático de permitir a sugestão de ideias é muito

importante no casamento. Muitos casais pecam porque insistem em querer impor um ao

outro a sua própria solução. O bom líder no trabalho sabe envolver seus colegas e

subordinados na busca de soluções, não apenas pelo benefício político, mas porque sabe

que duas cabeças pensam melhor que uma. Assim também o casal deve agir em busca de

uma solução que melhor resolva o problema, não necessariamente a que agrada a um

mais que ao outro.

Olhando para o problema que a esta altura já deve ter sido definido pelos quatro

primeiros passos, o casal então se pergunta: como podemos resolver este problema e prevenir

que aconteça de novo?

Este estágio é enfatizado pela criatividade e quantidade de ideias. O casal deve ser

criativo e se sentir livre para sugerir soluções sem criticar, condenar, ou ridicularizar as

ideias propostas. Afinal, realmente há mais de uma maneira de se descascar um abacaxi.

A esposa sugere, por exemplo: “Talvez você possa se esforçar para passarmos mais

tempo juntos, como fazíamos antes. Isso me faz sentir mais próxima de você. Reconheço

que tenho que ser mais sensível às suas necessidades também, não lhe rejeitar tantas

vezes. Vou me esforçar para valorizar mais a intimidade física, pois sei que é importante.

Se você pudesse fazer alguma coisa sobre a parede do nosso quarto, eu ficaria muito

mais à vontade. Privacidade é muito importante para mim.”

Ele pode dar outras sugestões, como: “Podemos ir juntos a um médico para ver sobre

suas dores. Reconheço que às vezes falo o que não devo para você quando fico com

raiva. Vou ter mais cuidado com minhas palavras. Onde você e eu podemos ceder para

equilibrar melhor as nossas necessidades, sem nos impormos um ao outro? Eu quero

priorizar o seu prazer, e peço que você me ajude a descobrir o que lhe excita. Posso me

educar mais sobre o assunto também e buscar ajuda qualificada.”

Não se deve descartar a possibilidade de que nenhum dos dois tenha a solução ideal.

Por isso, uma ideia pode ser buscar ajuda externa profissional, que possa apontar a

solução para o casal.

6) Propor uma solução

Na empresa: entre as várias ideias exploradas, você tem que ver quais seriam as mais

viáveis e eficazes para resolver o problema agora e, se não permanentemente, por um

longo prazo. Depois de tudo o que ouviram, digamos que você e sua equipe chegam à

seguinte proposta: alinhar o salário da recepcionista com o valor de mercado; propor

um plano de carreira para ela dentro da empresa; e manter contato com a nova

recepcionista semanalmente pelos primeiros três meses para identificar quaisquer sinais

de insatisfação no trabalho, a tempo de acionar uma solução o quanto antes e assim

minimizar a desistência. Essa proposta é escolhida porque parece atingir as causas

principais do problema.

No casamento: para chegar a uma proposta de solução, tenha em mente que a

melhor resposta a qualquer problema conjugal sempre será aquela em que os dois saem

ganhando. Se um perde, os dois perdem. Portanto, lembre-se aqui dos objetivos da

empresa, da equipe, e não somente dos indivíduos. Como na empresa, proponha o que

melhor parece atingir as causas do problema.

O casal conclui, então, por exemplo, que irá procurar ajuda externa de um médico e

outra fonte de conhecimento sobre como estimular o prazer feminino; os dois se

esforçarão mais para atender com mais equilíbrio às expectativas sexuais um do outro,

cedendo quando e onde necessário, sem se impor indevidamente um ao outro; um

isolamento acústico será instalado na parede do quarto do casal.

7) Concordar com um plano de ação

Na empresa: agora que vocês têm uma proposta, todos têm que crer nela, na sua

viabilidade. Nada será feito se não houver acordo entre os responsáveis. A pergunta a

ser respondida é: todos creem e concordam que a proposta poderá resolver o problema? Todos

os envolvidos têm que acreditar e apoiar a proposta.

No casamento: se é imprescindível que a proposta tenha o apoio de todos no

ambiente de trabalho, muito mais no casamento. Vocês não precisam concordar em

tudo. Às vezes terão que “concordar em discordar” de algumas coisas. Se isso acontecer,

comecem procurando pontos em comum. Deem passos curtos. Há problemas que não

se resolvem de uma vez, e você terá que repetir esse processo muitas vezes. Mas não

deixem que as discórdias sobre alguns pontos os impeçam de agir em outros pontos

onde há um acordo. Este passo tem que ser concluído com os dois dizendo: “Concordo

que, se fizermos isso, poderemos solucionar problema.”

8) Definir quem fará o quê, e fazer

Na empresa: quem vai fazer o quê, como, e quando? Nas empresas de sucesso,

ninguém sai de uma reunião sem decidir esses três pontos. Tarefas têm que ser definidas

e distribuídas aos responsáveis, para que cada um saiba o seu papel na solução do

problema. Por exemplo, na solução proposta no passo anterior, você, como gerente de

RH, buscará aprovação da diretoria para aumentar o salário da posição. O responsável

por treinamento e desenvolvimento de pessoal irá preparar um possível plano de carreira

para a recepcionista dentro da empresa. O gerente da recepção manterá contato com a

nova recepcionista semanalmente para detectar qualquer problema. Prazos são

acordados.

No casamento: ela procurará o médico, ele a acompanhará; ele buscará um bom

livro que esclareça para o homem fatos importantes sobre o prazer sexual da mulher; ele

deixará de pressioná-la; ambos terão mais cuidado com as palavras duras; ele chamará o

profissional que fará o tratamento da parede do quarto; ele será paciente com ela, e ela

cederá mais a ele.

É claro que o “fazer” é a parte mais importante de tudo isso. Uma vez mais vocês

precisarão ignorar o sentir, a própria vontade, e simplesmente fazer o que é correto e

necessário para chegar à solução. Como nos negócios, com certeza os diretores não

sentem vontade de pagar um salário maior para a recepcionista, por exemplo. Mas se

isso é necessário para evitar gastos ainda maiores com a rotatividade de pessoal naquela

posição, tem de ser feito.

9) Ver se está funcionando

Na empresa e no casamento: ainda que muito progresso já tenha sido alcançado

até aqui, o problema ainda não está resolvido, pois até aqui houve apenas conversa!

Portanto, tanto na empresa quanto no casamento, depois de tudo acordado, e do devido

tempo para se executar o plano de ação, os resultados têm de ser monitorados. Não

abandone o processo no oitavo passo, que é onde a maioria acha que conseguiu resolver

o problema. Acompanhe passo a passo se a solução proposta está funcionando. Na

empresa, o bom resultado será a nova recepcionista contratada permanecer no cargo

muito mais tempo e/ou crescer na empresa. No casamento, o casal terá maior satisfação

sexual, menos frustração e ânimos alterados, e a experiência os terá tornado mais

íntimos um do outro.

10) Sim? Continuar. Não? Repetir o processo.

Na empresa e no casamento: seguindo estes dez passos, você provavelmente

conseguirá resolver o problema, senão totalmente, pelo menos em parte. Se não for

resolvido por completo, não desanime, é absolutamente normal. Mais de uma tentativa

pode ser necessária. Na verdade, esse processo nunca acaba, pois novos problemas vão

surgindo dia após dia, nos negócios e em casa, e temos que nos tornar experts em

implementar esses passos à medida que avançamos.

Muitas vezes ouço as pessoas falarem: “Já tentei tudo, não há jeito para o meu

marido.” “Minha esposa nunca vai mudar, já fiz tudo o que você pode imaginar por ela,

mas ela não mudou. Não tem jeito.” Espere aí. Olhe bem para estas palavras. Já tentou

tudo? Já fez tudo o que se possa imaginar? Não creio. Você pode ter tentado três, cinco,

dez formas diferentes de resolver a situação, mas não diga que já tentou tudo. Sempre

há algo diferente que você ainda não fez. “Já tentei tudo” são palavras da emoção. Mas

a razão recusa a aceitar que não haja solução para um problema.

Por isso, não desista do processo se ao fim de uma tentativa o problema ainda parece

estar lá. Repita os dez passos, e agora com o conhecimento do que não funcionou. É

assim que fazemos no trabalho.

Atente para esses dez passos e perceba a ausência de emoção neles. É um processo

lógico e racional, não emotivo.

A beleza desse processo está no fato de que você já o pratica diariamente no seu

trabalho. (Ninguém conseguiria manter uma empresa ou emprego sem praticar isso.)

Você já segue esses dez passos instintivamente, ainda que não pense neles como dez

passos distintos. Mas você os pratica várias vezes ao dia, a cada minuto.

Quer dizer: você provavelmente não precisa aprender esses dez passos, porque já os

domina. Precisa apenas transferir esse conhecimento para o seu casamento e aplicá-lo

quando for resolver problemas.

O TESTE DO TELEFONE

Normalmente quando explico essa ideia de tratar o seu casamento como uma empresa,

algumas pessoas dizem logo de cara que nunca irá funcionar para elas. Justificam: “Eu

tolero as pessoas no trabalho porque não tenho que dormir com elas. Não estou

envolvido com elas sentimentalmente, então é mais fácil.” Porém, olhando com maior

consideração, verificamos que não é bem assim.

Sejamos honestos: a verdadeira razão por que controlamos nossas emoções no local de

trabalho não tem nada a ver com gostarmos ou não das pessoas, e sim com dinheiro.

Você só não xinga seu patrão ou dá um coice no funcionário porque isso lhe custaria

dinheiro. Tanto é que quando uma pessoa já não está nem aí para o emprego é capaz de

“soltar os cachorros” em cima de alguém no trabalho, pois já planejava sair, de qualquer

maneira. Portanto, controlamos nossas emoções motivados por não querer perder

dinheiro. Agora responda: será que não podemos controlar as emoções motivados por

não perder o casamento?

Daí o outro benefício de ver o seu casamento como uma empresa: entender que ele é o

seu maior investimento. Pessoas casadas normalmente são mais estáveis financeiramente

e em todas as outras áreas da vida, como: saúde, espiritualidade e família. Não tem

sentido você sacrificar suas emoções para ter sucesso no trabalho, mas não no seu

casamento. De que adianta ter sucesso profissional sem ser feliz no amor? De que

adianta ter tantos bens sem ser feliz na família?

Deixe-me colocar para você um cenário comum em briga de casal. Marido e mulher

estão em casa discutindo sobre alguma coisa, batendo boca para lá e para cá. Os

temperamentos estão esquentados. De repente, toca o telefone. O dono do celular olha

quem está ligando, vê que é uma ligação importante, e decide atender. Mas antes, com

voz de raiva, grita com o marido ou a mulher: “ ESPERA AÍ, TENHO QUE ATENDER

ESTA CHAMADA!” Daí, atende a ligação, e em questão de um ou dois segundos,

muda a voz e diz em tom polido e suave: “Alô? Oi, fulano, tudo bem? Pode falar...” A

pessoa do outro lado jamais imaginaria que, dois segundos antes, quem atendeu a

chamada estava gritando com raiva!

Em outras palavras, podemos ou não podemos controlar nossas emoções no meio de

uma briga de casal?

Tarefa

Vamos praticar os dez passos? Identifique um problema que ainda não foi resolvido entre vocês.

Talvez seja melhor não começar com nada extremamente sério, por agora, até que você ganhe

mais confiança e domínio sobre suas emoções. Pense em algo não tão sensível, mas que precisa

ser resolvido. Comece definindo o problema. Escreva o que é em uma ou duas frases apenas. Daí,

combine com seu cônjuge um momento sem distrações para tratar do assunto.

 
no seu

Nenhum comentário:

Postar um comentário