sábado, 30 de novembro de 2013

CAPÍTULO 20



CAPÍTULO 20  -  AS 27 FERRAMENTAS

Capítulo 20 | As 27 ferramentas

Ao longo dos anos do nosso casamento, e também aconselhando casais com todo o

tipo de problema conjugal, Cristiane e eu desenvolvemos o que chamamos de

ferramentas para lidar com diversas situações. Algumas delas criamos para nós, outras

aprendemos ou adquirimos de outros sábios casais. Selecionamos as melhores e

colocamos aqui para você tê-las à sua disposição.

Toda casa precisa de uma caixa de ferramentas. Elas são úteis para pendurar algo na

parede, ajustar uma gaveta ou desentupir um ralo. Todo casamento também precisa de

certas ferramentas de auxílio. Estas 27 ferramentas lhe ajudarão a consertar e manter

seu casamento. Nem todas se aplicam à sua situação atual, mas essas informações lhe

ajudarão a montar a caixinha de ferramentas que será útil em um momento de

emergência em seu casamento. Qualquer caixa de ferramentas é assim, você não precisa

de todos os itens guardados ali para executar um trabalho, mas é sempre bom tê-los,

pois nunca se sabe quando serão necessários.

Muitas dessas ferramentas são coisas que você já sabe, mas não pratica. A força delas

está na prática conjunta com outras ferramentas, então talvez você já tenha tentado usar

uma delas sozinha, sem resultado. Tenha suas forças renovadas para aplicá-la

novamente, em conjunto com outras. Pode não ter resolvido antes deste livro porque

você não sabia o que sabe agora. Vá em frente e abra a sua caixa, coloque as

ferramentas lá dentro, uma a uma, e aprenda em que situações usá-las.

1. Não durma com o problema

Não vá para a cama com um problema não resolvido entre vocês. Acreditar que se

resolverão mais tarde só fará com que os problemas se agravem. A Bíblia aconselha:

Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo 20. Ou

seja, não é errado se irar, e sim deixar que essa ira continue no dia seguinte, a ponto de

fazer uma besteira por causa dela. Dizem por aí que o tempo cura tudo, mas quase

nunca isso é verdade. Uma ferida aberta só piora com o tempo. Um problema é como

um monstrinho verde recém-nascido. Frágil, pequenininho e aparentemente inofensivo,

ele se alimenta do silêncio, da indiferença, e cresce durante o sono. Se ninguém fizer

nada a respeito, em pouco tempo vocês terão um enorme monstro verde de estimação,

que mastigará seu casamento e fará vocês dois em pedaços. Quanto mais cedo você o

matar (no ovo, de preferência) menor será o estrago. É bem fácil identificar se mataram

ou não o tal monstrinho. Se vocês forem dormir de costas um para o outro, em quartos

separados ou sem se tocar, significa que a questão ainda não foi resolvida e o

monstrinho ainda agoniza. Voltem a conversar até a reconciliação.

Esta ferramenta foi algo que eu desenvolvi com a Cristiane para resolver o problema

do tratamento de silêncio. Combinamos: “A partir de agora, quando tivermos um

problema, vamos conversar sobre ele e não vamos dormir até que esteja resolvido”.

Claro que isso resultou em muitas noites indo dormir às três da manhã, mas

abraçadinhos. Acordávamos bem no dia seguinte, sem arrastar nenhuma carga negativa

do dia anterior. Quando começamos a ser bem rígidos com essa ferramenta, o

tratamento do silêncio acabou. Aprendi a resolver o problema na hora. Problema adiado

é problema piorado. Muitos casais passam por essa situação. Seu cônjuge quer resolver

o assunto, mas você não quer porque acha que já resolveu, ou porque está chateado.

Ignore suas emoções e faça o que é certo. Usar os “Dez Passos para Resolver

Problemas” explicados no capítulo 6 lhe ajudará aqui. A frase “não deis lugar ao diabo”

no versículo acima é reveladora. Quando a ira é mal resolvida você está dando lugar ao

diabo. A qualquer momento da relação ou você está na presença de Deus ou na

presença do diabo. Perceba isso. Você deve desenvolver a sensibilidade para discernir

quando está na presença de um ou de outro. Fique atento aos sinais. É fácil saber.

Quando Deus está presente, o relacionamento está bem. Quando o diabo está presente,

as coisas ficam amarradas. Quer dizer que ele achou uma brecha. Então, sem demora,

vá e feche essa brecha, já!

Quando usar: sempre que houver algo mal resolvido, “no ar”, entre vocês; quando você está

carregando algo dentro de si contra o parceiro; quando um está dando um gelo no outro.

2. O amor nunca fere

Não existe justificativa para ferir seu cônjuge, quer seja de maneira física, verbal ou

emocional. Estar nervoso não é motivo para magoar a outra pessoa. Quantas vezes

ficamos irritados com algo que aconteceu no trabalho? E o que fazer quando isso

acontece? Bater no patrão, chutar a cadeira? Não. Aprendemos a administrar essa raiva

sem ferir o outro. Porque se ferirmos nosso chefe (ou qualquer outra pessoa na

empresa), eventualmente ficaremos sem emprego. Você aprende a administrar essa raiva

para evitar constrangimentos com os colegas de trabalho. Deve fazer o mesmo com a

pessoa amada. Nunca aja com agressividade. Não é desculpa dizer que é nervoso ou

pavio curto, pois o verdadeiro amor não machuca. Isso também inclui certas palavras

baixas, que às vezes, na hora da briga, o casal joga um no outro. Xingam e falam

palavrões como se aquela pessoa não representasse nada. Ora, não se trata dessa

maneira quem faz parte do nosso próprio corpo. Mantenha um alto nível, não xingue,

não ataque o caráter.

Casais felizes adotam um padrão elevado de tratamento um com o outro, se recusam a

aceitar um comportamento nocivo. Quanto menor for a tolerância ao mau

comportamento em um relacionamento, mais feliz será o casal com o passar do tempo.

Se a mulher xinga o marido, por exemplo, e ele revida, ambos quebraram as regras do

comportamento civilizado. Se não consertarem aquele fato, pedindo desculpas e se

comprometendo a nunca mais agir daquela maneira, pronto! Aceitou-se o cruzamento

da linha uma vez, da próxima vez ela será cruzada novamente, até alcançar uma linha

ainda mais perigosa. Atendemos a muitos casais que, ao nos contar a discussão que

tiveram, usam a seguinte frase: “Desculpa, mas eu tenho que ser sincero e falar o que eu

sinto”. Nem sempre o que você sente tem de ser falado. As emoções nos fazem pensar

coisas loucas. Muitas vezes o que você sente não é o que você realmente pensa. Se

externar algo movido pelo impulso, causará uma ferida da qual seu cônjuge pode não se

curar.

Quando usar: quando suas emoções afloram e você quer explodir com a outra pessoa. Guarde

esta frase: “o amor nunca fere”. Aja civilizadamente. Se a outra pessoa está lhe ferindo,

insista — com respeito, sem atiçar ainda mais — que mantenham o alto padrão entre vocês.

Talvez tenha que apontar isso mais tarde, depois que os ânimos se acalmarem, mas não deixe

passar.

3. Não generalize

Não importa como você completaria essas frases: “você nunca...” ou “você sempre...”.

Ambas causarão problemas. Não use o pincel de uma situação para pintar todo o

caráter do seu companheiro. “Você sempre faz o que quer, nunca o que eu quero”, “você

nunca me ouve”. Esse tipo de afirmação raramente é verdadeira, e só serve para

aborrecer seu companheiro. Lide com as situações individualmente e resista à tentação

de relacionar o problema atual a um problema passado. Cuidado com as palavras

nunca, sempre, nada, tudo e toda vez. São palavras absolutas e não deixam opção. Eviteas.

Na maioria das vezes este é um problema feminino. A mulher sente determinada

atitude do marido como se ele sempre fizesse aquilo, de tantas vezes que ela se lembra de

já ter passado por aquela sensação. Ela exprime o que está sentindo, não propriamente

o fato. O problema é que, se a mulher diz: “Você nunca sai comigo”, o sujeito

automaticamente se lembra de que ele a levou para sair uma vez, dois meses atrás, e

responde: “Nunca? Mas eu te levei para ver aquele filme...”. E o foco se volta para ela.

Quando você generaliza, a pessoa não lida com o problema que você trouxe, ela tende a

se lembrar de algo que contrarie o que você está dizendo. Se você está ouvindo

generalizações, como lidar? Entenda que ela não está dizendo que você “nunca”, ou que

você “sempre”, ela está expressando a sensação que tem diante daquela situação. Ouça

“sinto como se você nunca me levasse para sair” em vez de “você nunca me leva para

sair”. Seja paciente. Não se irrite e mantenha o foco no problema que ela está trazendo.

Quando usar: em toda comunicação entre vocês. Se escapar uma palavra dessas em algum

momento, desculpe-se e remonte a frase. Se seu parceiro generaliza, aponte o erro para não

repetir no futuro, mas foque no que ele ou ela está realmente querendo dizer e lide com aquilo.


 
4. Pare de reclamar e comece a orar
Seu companheiro insiste em fazer algo errado, não quer mudar, você já vem
reclamando há anos e nada acontece. Você já percebeu que não adianta reclamar com
ele? Reclame com Deus. Peça a Ele que toque o coração do seu companheiro e lhe dê
sabedoria para lidar com aquilo. É natural que, quando atacada, a pessoa não consiga
enxergar o erro que você aponta, pois está empenhada em se defender. Mas Deus pode
fazer com que ela veja o erro dentro de si. A oração tem mil e uma utilidades. Além de
ser uma ferramenta capaz de trazer a mudança que você não poderia fazer sozinho,
também lhe ajuda a lidar com o estresse, ao colocar a ansiedade em Deus. Ele aguenta a
frustração, a raiva, o mesmo assunto por quanto tempo for. Já o cônjuge pode não
reagir tão bem. Pense bem, você está indo a quem criou o casamento para resolver seu
problema, está reclamando direto com a fábrica! Como se ligasse para o SAC de uma
empresa e pudesse falar diretamente com o dono. Mas seja perseverante. Nem sempre a
resposta vem na manhã seguinte. Insista em oração a Deus. Ore por você também, para
não ser parte do problema. Peça sabedoria para lidar com a situação.
Cristiane:
Quando percebi que o meu marido não estava mudando através das reclamações
constantes que eu fazia, concluí que não poderia lidar com aquela situação sozinha
e busquei a Deus. Essa ferramenta é a mudança de direção: deixar de agir com
emoção e passar a agir pela fé, por meio da confiança em Deus. Mas não se engane.
Deus não faz mágica, não faz tudo sozinho. Ele age quando você faz a sua parte
para somar à d’Ele. E se você não souber qual é a sua parte, peça orientação a Ele.
Nós, mulheres, tendemos a reclamar muito, acabamos sendo chatas, achamos que
conseguiremos resolver o problema reclamando. Passei a orar a Deus pedindo que
mudasse meu comportamento. Eu queria parar de chorar e passar a agir pela fé, e
consegui através da oração. Só Deus pode fazer o seu marido ou a sua esposa
mudar. Só Ele pode mudar o interior de uma pessoa. Antes eu orava para mudar o
Renato, mas depois que pedi direção a Deus, que me mostrasse o que deveria fazer,
passei a buscar a mudança em mim primeiro, e foi assim que comecei a ver o
resultado nele. Deus não somente nos dá conforto e paz, mas direção para saber o
que fazer. Funciona em todas as situações de nossa vida.
Quando usar: quando tudo o mais falhar.
5. Mostre apreciação
Muitos casados se sentem tentados a ter um relacionamento extraconjugal
simplesmente porque encontram alguém que os aprecia mais do que o seu cônjuge.
Quando você percebe seu parceiro distante ou você mesmo se sente distante, precisa
conscientemente se esforçar para demonstrar sua consideração a ele. Por exemplo,
cozinhe algo que ele goste, faça um jantar especial, espere por ele de banho tomado e
perfumada, esteja em casa quando ele chegar. Procure saber como ela está, ligue para
ela durante o dia, note sua roupa nova, saiam para fazer algo que ela goste. É muito
fácil se descuidar depois de muitos anos juntos.
Existem várias situações que desviam o foco do casal, fazendo com que esqueçam um
do outro com o passar dos anos e entrem na fase da indiferença. Depois que os filhos
vêm, consomem toda a energia do casal, a mulher vive só para eles e o marido se sente
de lado. Ou os dois estão batalhando para crescer uma empresa, ou para pagar as
dívidas. Ou os filhos finalmente se casam e o casal fica como dois estranhos, sem saber
como se relacionar, pois perderam aquilo que os conectava. A ferramenta de mostrar
apreciação é muito útil neste momento.
Identificar a fase da indiferença é fácil. Observe o casal. Os dois não formam mais uma
unidade. Cada um vive em seu mundinho. Um na frente da TV, o outro grudado ao
computador. Um vai dormir antes do outro. Saem sozinhos, vivem vidas independentes,
têm muito pouca coisa em comum. O casal que vive assim raramente mostra
apreciação, pois para apreciar você precisa notar a outra pessoa. É possível reverter este
quadro, mesmo após vários anos de indiferença, basta querer. Lembra-se das coisinhas
que vocês faziam no namoro e no início do casamento? O cuidado que tinham um com o
outro? É isso que você terá de resgatar. Repito a frase que você encontra muitas vezes
neste livro (pois não pode ser esquecida): casamento feliz dá trabalho. Até hoje tenho
que investir em meu casamento. É um trabalho contínuo e recompensador. Uma frase
que gosto que os casais gravem é: o que meu cônjuge precisa de mim agora? Se você não
sabe, pergunte ou tente descobrir (nem sempre ele vai falar. Ou pode dizer “nada”
quando, na verdade, teria uma lista para recitar, em ordem alfabética). Se pergunte: “O
que posso fazer por ele(a)?” Ela pode estar estressada, ou para baixo, precisando de sua
companhia, de encorajamento, e saber que tem alguém forte ao lado. Às vezes basta
uma palavra, ou o apoio silencioso, sinalizando que tudo vai dar certo, que é uma fase e
vocês vão vencer. Se ela está doente, precisa se sentir cuidada, ou pelo menos saber que
você se preocupa, caso outra pessoa faça esse trabalho.
Mulheres, não pensem que esta é uma tarefa só para os homens. Às vezes o homem
está passando por uma situação em que se sente derrotado e precisa de uma palavra que
mostre a ele que você ainda o vê como forte. Um aviso: a maioria dos homens não sabe
receber elogio, mas isso não significa que não goste. Você pode já ter passado por isso.
A mulher elogia a roupa, e ele dá de ombros. Não se intimide! Acredite, ele só não quer
perder a pose... Isso é bem comum e involuntário, quase como um defeito de fabricação.
Ainda que a pessoa não saiba receber elogio, não deixe de elogiar. Não se preocupe, está
fazendo efeito.
O psicólogo John Gottman, respeitado especialista em relacionamentos, conduziu um
estudo que o levou a concluir o seguinte: para cada experiência negativa que o casal tem,
são necessárias cinco experiências positivas para compensar aquela negativa. Digamos
que o casal tenha tido uma troca de palavras ríspidas que chateou um ao outro. Para
nivelar esta situação negativa, terá de praticar cinco ações positivas para zerar a
equação. O índice de Gottman nos leva a crer que experiências ruins são cinco vezes
mais poderosas do que as boas. É por isso que se o marido faz algo que leva a esposa a
perder a confiança, um mês depois ela ainda se lembra do fato. Quanto mais mostrar
apreciação, mais impressões positivas você acumulará em seu relacionamento.
Quando usar: sempre, especialmente quando notar distância e indiferença entre vocês.
6. O que seu cônjuge pedir vai no topo da lista
Muito do estresse no relacionamento se deve ao pensamento de que não se é tão
importante para o companheiro quanto outras coisas ou pessoas. Então, quando o seu
companheiro lhe pedir algo, coloque no topo da sua lista, faça disso uma prioridade para
que ele não precise pedir novamente. É uma regrinha simples, mas que vale ouro.
O marido pede: “Amor, compra uma lâmina de barbear para mim, a minha acabou.”
A esposa responde com um “Ah, tá”, mas não estava prestando tanta atenção. No dia
seguinte, ele vai procurar as lâminas e elas não estão lá. Ele fica um pouco chateado,
mas releva, a mulher se desculpa e promete comprar da próxima vez. E a história se
repete no dia seguinte. É uma coisa boba? É, casais brigam por coisas bobas. Mas por
que eles brigam? Porque aquela coisinha boba está falando algo muito grave aos ouvidos
da pessoa, como: “Eu não sou importante para você”, “Se sua mãe pede uma coisa,
você larga tudo, corre lá e faz; mas quando eu peço, você não faz”. Esse é o problema.
O problema não é a lâmina de barbear, mas a mensagem escondida na atitude. Esta é
uma regra que você deve absorver em seu dia a dia. Ela pediu algo, então faça rápido,
pois vai fortalecer a noção de que vocês são os primeiros na vida um do outro. Pense
bem. Quando seu patrão pede algo, você já tem o hábito de fazer logo. Você sabe que
aquela pessoa é importante porque tem influência sobre você. Muito mais ainda no
casamento! Seu marido/esposa é muito mais importante. Talvez exista algo que seu
cônjuge tem lhe pedido há muito tempo e você ainda não fez. Desde as coisas menores
até uma conversa séria que vocês precisam ter. Execute agora mesmo, como prioridade,
como prova de consideração.
Quando usar: sempre, que ele(a) lhe pedir alguma coisa.
7. Cuide da aparência
Muitos que faziam questão de cuidar bem da aparência antes, enquanto namoravam,
veem o casamento como uma licença para andarem feios. Na verdade, é justamente
depois do casamento que você deve se cuidar como nunca. Não faça pouco do seu
companheiro, achando que já o conquistou. Procure estar sempre bonito para seu
cônjuge, controle seu peso, veja a maneira como se veste, use maquiagem, se ele gosta.
A limpeza e arrumação da sua casa também são muito importantes. Algumas mulheres
não gostam de maquiagem e seus maridos gostariam que usassem um batom ou um
lápis nos olhos. A mulher acredita que o marido tem de gostar dela ao natural, “é assim
que eu sou”. É claro que não vou gostar da Cristiane por causa dos brincos ou da
maquiagem, mas se a mulher sabe que o marido gosta, deve fazer um pouquinho de
esforço para agradá-lo. É como a comida, se você não gosta, mas ele gosta, você vai
fazer aquela comida para agradar.
Casamento é isso, viver para agradar ao outro, para fazer a outra pessoa feliz. Tudo
bem, eu concordo que não é justo cobrar da pessoa que ela seja alguém que ela não
consegue ser, mas fazer algum esforço para agradar o seu cônjuge não tira pedaço, é
muito válido e certamente você se sentirá melhor. No meu trabalho, tenho que usar
terno, gravata, camisa, calça social e sapatos. Em meus momentos de lazer, meu desejo
era usar chinelo, short e camiseta, pois quase nunca visto esse tipo de roupa. No início,
quando a gente ia ao cinema, eu ia de moletom e chinelos, queria estar bem confortável.
Para ela aquele era um momento especial, então saía bem arrumadinha. Imagine esse
casal! Ela não dizia nada, mas ficava com vergonha de mim. Quando finalmente
comentou: “Com essa roupa, parece que você desistiu da vida”. Primeiro eu fiquei
chateado, mas depois entendi. A gente raramente sai, então, quando sai, tenho de
honrá-la, estar à sua altura. Faço um esforço por amor a ela, porque ela gosta. Mas por
mim, ia de chinelo!
Aconselhamos a um casal cujo marido estava insatisfeito sexualmente. Reclamava que
sempre que procurava a esposa era rejeitado. Enquanto ele falava, notamos que ela
estava sem jeito. Pedimos para que ficasse um de cada vez na sala, para que pudéssemos
conversar com mais privacidade. Então ela desabafou: “Ele fala que eu nunca quero que
ele me toque, mas se pelo menos ele tomasse banho todos os dias!” A mulher tinha de ser uma
heroína para aguentar momentos íntimos com um sujeito que não tinha o menor asseio.
Ele estava tão acostumado com a falta de higiene que nem sequer imaginava que esse
era o motivo do abismo entre os dois. Algo tão fácil de resolver! Sabonete, água, toalha
e pronto! Fim dos problemas daquele casal.
Cristiane:
Você representa seu cônjuge, por isso depois que você se casa sua responsabilidade
com a aparência é ainda maior. A aparência diz muito sobre como você se sente, se
você é feliz, se está realizada, vai mostrar isso em seu exterior. Se você ama,
respeita e valoriza seu marido, é natural que mostre isso no seu exterior. Você pode
estar mal por dentro e bem por fora, mas de maneira alguma conseguirá estar bem
por dentro e mal por fora. Se você está bem em seu interior, tem de mostrar em seu
exterior, não apenas em seu jeito de se arrumar, mas em seu semblante, um sorriso,
um olhar carinhoso... A mulher que recebe o marido em casa mal humorada está
feliz? A mulher que sai de cara amarrada, desarrumada, está feliz? Se o marido olha
para a esposa e vê uma mulher amarga e relaxada, como ele se sentirá? Se você está
irritada por causa daquele período delicado do mês, avise ao seu marido, não deixe
que ele pense que o problema é ele, ou que você não está feliz. A aparência não é
tudo na minha vida, mas se eu me amo, por que não vou me cuidar? Ainda mais
agora que tenho alguém para representar.
Quando usar: sempre. E procure saber o que agrada seu cônjuge no que diz respeito a
aparência. Também comunique suas preferências, mas não imponha nada.
8. Nunca ridicularize seu companheiro
Quer de forma privada ou pública. Ser bem humorado não é a mesma coisa de zombar.
Cuidado com as piadas de mau gosto. Não exponha falhas e fraquezas do seu cônjuge a
terceiros. “O amor cobre todas as transgressões”, disse o sábio rei Salomão21. O amor
encobre os defeitos da outra pessoa. Ainda que seu companheiro esteja errado,
demonstre seu apoio, em vez de expor seus erros. Ridicularizar é desrespeitar. Não faça
comentários que diminuam seu cônjuge ou que exponham algo que ele mesmo ainda não
havia exposto para os outros. “Ah, o Roberto não sabe nem somar. Sabia que ele só
estudou até o quarto ano?” Em que você acha que isso acrescenta em seu casamento?
Sarcasmo, ironia e desprezo também são fatais para o relacionamento. “Você vai fazer
uma lista para não esquecer? E desde quando você é bom com listas?” Essas atitudes
geralmente demonstram que a pessoa se acha superior à outra. Lembre-se: o amor não
fere.
Quando usar: sempre. Atenção dobrada quando estiver em uma discussão esquentada ou entre
amigos.
9. Beba da santa água
Há uma história de um vilarejo onde as contendas conjugais aumentavam
desenfreadamente. Cansada das brigas com o marido, uma esposa vai se aconselhar com
o sábio do lugar: “O que devo fazer para acabar com as discussões com meu marido?”,
perguntou. O velho sábio lhe deu uma garrafa com água e disse: “Esta água é santa.
toda vez que seu marido começar a discutir, beba um pouco, mas é preciso mantê-la na
 
boca por dez minutos antes de engolir. E diga a todos os seus vizinhos e suas amigas
com o mesmo problema para fazer igual.” Em pouco tempo, ninguém mais discutia
naquela vila. Convites para discussões sempre batem à porta do casamento. Entenda
que você não é obrigado a aceitar todos eles. Se seu cônjuge faz um comentário que lhe
provoca a revidar, eu tenho uma boa notícia: você pode dizer não e decidir não
comparecer a essa briga. Você não vai ignorar o problema, mas terá domínio próprio,
principalmente se decidir controlar a língua. Os ânimos se acalmarão e você terá evitado
uma discussão desnecessária, que só serviria para afastar vocês dois. Não é excelente?
Ganhar em uma discussão não é tão importante quanto resolver o problema. Se você
percebe que seu companheiro está alterado, segure as pontas e feche o zíper sobre os
lábios. Nunca me esqueço de um casal de Singapura, que frequentava a nossa igreja em
Londres. No dia em que fizemos uma oração especial por seus cinquenta anos de
casados, perguntamos qual teria sido o segredo de uma vida a dois duradoura, e o
marido nos respondeu: ‘Quando eu estava nervoso, ela se calava. Quando ela estava
nervosa, eu me calava.’ Isso realmente funciona.
Quando usar: quando se sentir provocado a devolver palavras duras com outras mais duras
ainda.
10. Inicie a conversa brandamente
Se as suas conversas já começam em tom grosseiro, inevitavelmente, acabarão em
briga, mesmo que haja muitas tentativas de acalmar os ânimos depois. Alguns
exemplos clássicos: se o marido pergunta, “Você precisa de dinheiro?” (começou
bem), e a esposa responde: “Só para as contas que você deveria ter pago na semana
passada” (começou mal). As facas da acusação e do sarcasmo começam a voar.
Quando a conversa começa bem, são grandes as chances de terminá-la bem.
Escolha cuidadosamente as palavras, teste a frase mentalmente e veja se soa bem. Se
você achar que a pessoa pode não entender, mude a ordem da frase, escolha outras
palavras. A conversa ficará mais lenta e você terá tempo de pensar e não dizer uma
bobagem. Se notar que começou a perder a linha, respire fundo, peça perdão e
comece de novo.
Cristiane:
Uma maneira eficaz é falar de como o seu cônjuge lhe faz sentir, em vez de tratá-lo
como se ele fosse a personificação do problema. Por exemplo, se o seu marido é
grosseiro com você, não é sábio chamá-lo de grosso, pois assim você já começa o
assunto no ataque, e ele com certeza vai se defender. Mas você pode falar de como
se sente quando ele fala com você... “Amor, quando você está ocupado e eu lhe
pergunto uma coisa, as vezes a maneira que você me responde me faz me sentir
mal.” Notou a diferença? Não é ele quem a faz sentir-se mal, é a maneira que ele a
responde que faz isso. Se concentre no que você pensa e sente a respeito em vez de
no que você acha da pessoa em relação ao problema.
Quando usar: sempre que for tratar de algum assunto delicado entre vocês.
11. A gaveta dos problemas perpétuos
Sinto lhe informar, mas certas coisas que nos irritam e que consideramos “defeitos”
em nosso parceiro, para nossa tristeza, nunca mudarão. Talvez ele seja bagunceiro para
sempre. É possível que ela sempre vá ser apegada com a mãe. Enfim, há coisas em cada
um de nós que são parte de nossa identidade, e não mudarão. Em vez de se frustrar e
ficar sempre confrontando a outra pessoa sobre aquilo, pegue esse problema e ponha-o
na gaveta dos problemas perpétuos — um lugarzinho no seu cérebro reservado para lhe
lembrar de que é em vão ficar debatendo sobre aquele assunto. Portanto, o melhor que
você pode fazer é aprender a lidar com ele. Ponha mais cestos de roupa em lugares
estratégicos da casa. Pegue sem reclamar as outras que ele, mesmo assim, ainda vai
jogar no chão. Aceite a amizade de sua esposa com a sua sogra, junte-se a elas! Se é um
problema tolerável, que dá para administrar, então use essa ferramenta.
Desista de mudar a outra pessoa, pois isso não é possível. Como já dissemos lá no
começo: você só pode mudar a si mesmo. Tire seu foco dos defeitos do outro, do que ele
não faz e do que a seu ver está errado. Valorize as qualidades do seu cônjuge e o
conteúdo da gaveta terá cada vez menos importância em seu relacionamento.
Quando usar: quando identificar um problema perpétuo.
12. Apague os últimos dez segundos
Às vezes precisamos deixar passar algumas coisas. Uma palavra fora do contexto, um
comentário desnecessário no momento de ira... Avalie a situação e veja se vale a pena
encrencar com isso. Algumas vezes sua esposa vai pisar no seu calo e você vai querer
explodir, porém, lembre-se: você não precisa explodir. Quando usa uma filmadora e não
gosta do que acabou de filmar, você volta e grava novas imagens sobre as imagens
desnecessárias. Da mesma forma, use este mecanismo mental de “pare, volte e apague”,
dizendo a seu cônjuge: “Tudo bem, vou fingir que não vi nem ouvi o que acabou
acontecer. Começamos com o pé esquerdo. Vamos recomeçar.”
Essa ferramenta de apagar os últimos dez segundos também é de minha invenção.
Percebi que às vezes a Cristiane agia por impulso ou movida por uma frustração, e
acabava falando o que não queria falar e vomitava o que estava sentindo. Em vez de
criar caso, comecei, até de uma forma bem-humorada, a dar sinal de que ela não devia
ter falado aquilo. Se ela solta algo que dá uma espetada em mim, digo: “Espera aí, deixa
eu voltar a fita aqui. Ok, tomada 2. Ação!” Quando ela ouve isso, já entende que o que
disse pegou mal e tem a oportunidade de falar novamente. A propósito, se você falhou
na ferramenta de começar a conversa brandamente, tem outra chance nesta ferramenta
de apagar os últimos dez segundos. Use esta ferramenta com bom humor e mude a
situação. Ajude a outra pessoa, releve, dê um desconto.
Quando usar: quando a outra pessoa pisou na bola e a sua vontade é fazer ele(a) engolir a
bola.
13. Não deixe a linguagem corporal cancelar suas palavras
Especialistas em comunicação afirmam que mais de 90% da comunicação é não verbal.
Note esse número. Mais de 90%! Coisas como: comportamento, tom de voz, olhar,
expressões faciais e linguagem corporal são responsáveis por quase tudo que
transmitimos. Nossas palavras carregam apenas 10% da nossa comunicação para a
outra pessoa. Preste atenção em seu dia a dia e verá o quanto essa definição é
verdadeira. Se você diz: “Ok, eu te perdoo”, enquanto seu rosto (e aquela viradinha de
olhos) diz: “Só estou dizendo isso porque você pediu, mas no fundo eu sei que você
nunca vai mudar” (sim, você pode falar tudo isso só com o olhar), isso não vai fazer
com que seu perdão pareça sincero.
Além da expressão facial e corporal, algo que fala mais do que suas palavras é seu
comportamento recente. Se você diz “Eu vou mudar”, mas o seu comportamento diz
que você já prometeu cem vezes e nunca cumpriu, suas palavras não serão críveis para a
outra pessoa. Nem adianta reclamar. Preste atenção nos sinais que envia sem palavras.
É muito comum, durante a conversa, o marido cruzar os braços e dizer: “Tudo bem,
pode falar”. Na verdade está dizendo: “Eu preferia estar em qualquer outro lugar a ter
esta conversa. Depois você não poderá me culpar por não ter ouvido”. Tudo isso pode
ser falado sem que se abra a boca. Uma expressão corporal mais aberta e receptiva é
segredo de boa comunicação. Não queira ter um bom resultado em uma conversa em
que você mantém uma postura fechada e defensiva, tom de voz sarcástico, suspiros
audíveis. Mantenha sempre em mente que seu parceiro não é inimigo, seu objetivo é
terminar a conversa bem. Estar aberto ao diálogo é pré-requisito para que isto aconteça.
Procure se comunicar com seu cônjuge de forma carinhosa, prazerosa e desarmada. O
que vocês querem é um bom relacionamento, não é? Queira isso com todas as suas
forças, com todo o seu corpo – literalmente.
Quando usar: em toda comunicação.
14. Reconstruir a confiança é trabalho em dupla
Se houve infidelidade, ou quebra de confiança em seu relacionamento, seja você o
culpado ou a vítima, ambos terão de trabalhar pesado — e juntos — para reconstruir a
confiança. Um erro comum é a pessoa ferida jogar toda a culpa para cima da outra que
traiu: “Quem errou foi você, estou desconfiado porque você me deu razão.” Ela acredita
que o outro, exclusivamente, é quem tem de trabalhar para resgatar a confiança. Sinto
lhe informar, mas não é. Os dois têm que trabalhar nisso. Isso vale para qualquer
situação em que haja perda de confiança. Por exemplo, a mulher gastou o dinheiro que
não deveria ter gasto, agora o homem não confia mais valor nenhum na mão dela. No
caso de infidelidade, a dor e a desconfiança — “será que vai acontecer de novo?” —
estarão sempre como fantasma em sua cabeça.
O culpado terá de agir diferente para provar que houve, de fato, uma mudança. Não
reclame, apenas faça o que tem de ser feito. É o preço a pagar por sua infidelidade.
Elimine o telefone secreto, não apague mais mensagens do celular, dê acesso aos e-mails
e ao Facebook. Entre as coisas que não pertencem mais à sua realidade estão: sair e não
falar aonde vai, ter momentos do dia em que o outro não sabe com quem ou onde está,
segredos, esconder informações da outra pessoa. Manter essas atitudes só continuará
alimentando a desconfiança. Para que a confiança seja resgatada, a pessoa que traiu terá
de gravar em sua mente a palavra transparência: quando você é transparente, não tem
nada a esconder e passa a ser digno de confiança.
Seja transparente em tudo e não reclame. Não venha com a história de “E a minha
privacidade?”, ou “Não estou mais fazendo isso, tem de confiar em mim.” Você abriu
mão de sua privacidade no dia do casamento. E se seu cônjuge está lhe dando perdão e
uma nova chance, é sua transparência que servirá de ponte para a reconstrução da
confiança, não suas promessas. É como o cidadão que comete um crime e é levado ao
tribunal. Por ser réu primário, recebe o benefício de responder em liberdade. O juiz
coloca algumas restrições: não pode viajar, tem de se apresentar mensalmente durante
determinado tempo — mas não o manda para a prisão. A pessoa que cometeu um crime
e recebe esse tipo de sentença fica feliz da vida. Ela pensa: “Terei de me comportar, me
reportar algumas vezes, mas pelo menos não estou na cadeia!” Ela aprecia essa chance.
Assim também o que traiu tem de apreciar a nova chance e a única maneira de fazer isso
é sendo transparente.
Se você foi a vítima, pare de lembrar ao seu cônjuge o que deixou no passado e evite
alimentar desconfianças. Não suponha nem tire conclusões precipitadas. Lide com os
fatos no presente. Se seu parceiro não mudar, você pode ter de avisá-lo que não haverá
terceira chance, mas enquanto ele ou ela não prova o contrário, não fique retornando ao
passado desnecessariamente. Se ela se comprometeu em mudar, não banque o detetive,
investigando o que não há para ser investigado, nem insinue que ela ainda está lhe
traindo. É muito irritante e frustrante tentar mudar e ver que o outro nunca acredita na
mudança.
É comum uma pessoa traída começar a ver coisas que não existem. É o medo lhe
controlando. Mas seja racional. Paranoias não resolvem. Faça planos e se prepare para
a possibilidade do outro não mudar, mas deixe o plano “na gaveta”, use somente caso
seja necessário. Assim, você já tem resposta para o medo, se o pior acontecer.
Enterre o passado e passe com o carro em cima vinte vezes, para que não seja possível
sequer saber onde ele foi enterrado. Não volte para levar flores, nem para cuspir no
túmulo. Esqueça. Auxilie seu parceiro nessa reconstrução, é um trabalho em equipe. É
difícil? É, ninguém disse que seria fácil, mas só assim vocês começarão a reconstruir a
confiança perdida.
Quando usar: quando houver traição, mentiras ou qualquer quebra de confiança no
relacionamento e vocês decidirem por uma segunda chance.
15. Durma antes do problema
Não se trata de uma contradição à ferramenta número 1, que lhe aconselha a não ir
para a cama deixando um problema não resolvido para o dia seguinte. Aquela dica é
para ajudá-lo a lidar com problemas que já ocorreram. Esta ensina a lidar com o estresse
antes que o problema aconteça. Muitos dos problemas no casamento se originam de
situações de estresse em um ou ambos os parceiros. Se você ficar atento para detectar o
problema ANTES de acontecer, poderá evitá-lo.
Observe a linguagem corporal, o tom de voz, e o nível de estresse de seu cônjuge. Dê-lhe
o espaço suficiente. Pessoas lidam de maneira diferente com estresse. Como regra geral,
os homens precisam de espaço e as mulheres precisam falar. Claro, há exceções, existem
mulheres que também precisam de silêncio e homens que querem desabafar. O
importante é entender: se um está em um nível de alta irritabilidade, não adianta o outro
querer resolver o problema naquela hora. Inclusive, um adendo à primeira regra: se o
problema já aconteceu e você vê que a pessoa está perigosamente alterada, então é
melhor dar uma pausa e esperar os ânimos se acalmarem. Não será uma boa conversa
se as pessoas estiverem funcionando à base de emoção e irritação.
Essa ferramenta é semelhante à regra do “time out” no basquete. Quando a equipe
começa a perder muitos pontos seguidamente, o técnico pede tempo, interrompe o jogo
e reúne os jogadores para lhes passar instruções. É estratégico principalmente porque
quebra a vantagem do adversário.
Lembre-se de que há um adversário em seu casamento também. Não dê brecha ao
diabo. Se você insiste em ficar cutucando seu cônjuge na hora em que os ânimos estão
alterados, então está dando vantagem ao adversário. Dê uma pausa. Concordem em
falar mais tarde sobre o assunto.
Apesar de o nome da ferramenta ser “Durma antes do problema”, não significa
necessariamente que você tenha de dormir, apesar de uma boa noite de sono ser uma
das melhores maneiras de fazer uma higiene mental e emocional. Mas também pode ser
uma pausa de vinte minutos, ou de uma hora. A ideia é dar condições a seu parceiro
para recobrar as forças e o equilíbrio emocional.
Quando usar: tenha esta ferramenta sempre à mão para detectar sinais de estresse no parceiro,
ou em si mesmo, e se valer de uma pausa ou outra forma de se acalmar antes que gere
problemas.
16. Ensaie para a próxima vez
No casamento raramente você tem um problema novo. Vocês não vão discordar
somente uma vez sobre dinheiro, nem sobre a educação das crianças. O mais comum é
ter de lidar com problemas reciclados, que voltam de tempos em tempos. Quando se
depara com um problema recorrente, o que fazer? Primeiro, resolva o conflito imediato,
usando aqueles dez passos que ensinamos no capítulo 6. Em seguida, se pergunte: como
podemos evitar que isso aconteça novamente? Ou: O que faremos se isso voltar a acontecer?
Então, assim como roteiristas planejam o que acontecerá na próxima cena de um filme
ou de uma novela, escreva seu próprio “roteiro” para a próxima vez. O que vocês farão
quando uma situação similar ocorrer? Decida o que vai acontecer, qual o papel de cada
um, e que ambos estejam de acordo. Quando a situação surgir, ambos saberão o que
fazer, sem exaltar os ânimos.
Como é isso na prática? Por exemplo, o marido esquece a data do aniversário de
casamento. Ele é ruim em lembrar datas e a esposa se irrita muito com isso. Pelo jeito
de ele ser, há uma grande chance de que no próximo ano ele esqueça de novo. Algumas
pessoas não são ligadas em datas, é um defeito de fabricação (ferramenta 11 aqui,
talvez?). O casal deve resolver o problema de a esposa estar chateada hoje, mas também
combinar como vão lidar com isso das próximas vezes. A esposa pode anotar na agenda
do marido logo no início do ano (simples, não?), avisá-lo com alguma antecedência,
colar lembretes pela casa... “Mas aí não tem graça!”, diz ela. Entenda uma coisa muito
importante: nossas altas expectativas podem nos levar a querer que nosso parceiro seja
como somos, que o importante para nós seja importante para ele(a), mas nem sempre é
assim. É necessário fazer um ajuste em suas expectativas para evitar problemas
recorrentes. Há um abismo entre o real e o ideal. Quanto maior o abismo, maior a
frustração, mais problemas vão acontecer. Esqueça o ideal e lide com o real. Mesmo que
o real não seja suficiente, é ele que você tem, é em cima disso que você terá de trabalhar
por um resultado melhor.
Esta ferramenta se aplica a todas as situações. Muitos discutem com respeito à criação
dos filhos, um é mais linha dura, o outro é mais flexível, e os filhos logo percebem isto e
começam a jogar um contra o outro. Então vocês dois têm que ensaiar isso para a
próxima vez. Combinem, por exemplo, que da próxima vez em que o marido disser não
ao filho e a criança for até a mãe querendo mudar o que ele decidiu, a esposa confirmará
o que o marido disse, ainda que ache que ele foi muito duro. Vocês podem até conversar
sobre isso depois, longe da criança, mas jamais deixem que o filho perceba que um discordou da decisão.
Outra situação clássica é o problema recorrente a respeito de dinheiro. Você esperava


que seu cônjuge lhe consultasse antes de gastar tanto dinheiro, mas ele não o fez. E

agora? Alguns casais sentam e combinam: “Até tal valor, você gasta, passando de tal

valor, fale comigo para decidirmos juntos.” Isso é roteirizar. Quando a situação

aparecer, você já sabe como resolver, por causa do script prévio. Novamente retomamos

a comparação com o mundo corporativo. Na empresa, você tem de resolver problemas

e prevenir que aconteçam novamente. É exatamente o raciocínio desta ferramenta. Você

verá uma redução considerável dos problemas.

Quando usar: sempre que identificar um problema ressuscitando dos mortos. Geralmente

acompanhado do pensamento: “Já vi esse filme antes.”

17. Proteja suas noites

Últimas notícias! A noite é um momento para se relaxar. Se você geralmente discute

problemas e expõe suas tristezas quando seu companheiro chega do trabalho, por

exemplo, você arrisca estragar o clima ideal para um agradável momento de união e

intimidade — leia “sexo”. Um casal lidou com essa situação concordando em não mais

falar sobre problemas depois das oito da noite! Funcionou para eles, e você deve

descobrir o que funciona para você. Não esqueça que se vocês dormirem brigados, não

dormirão como se fossem um. Essa é a hora do dia em que você deve investir mais no

seu relacionamento, o contrário do que muitos têm feito. Não veem a hora de o parceiro

chegar em casa para reclamar das contas que precisam ser pagas ou do que a professora

disse sobre as crianças.

No quadro do “Laboratório”, da Escola do Amor, tivemos um casal com esse

problema. Na hora do jantar, ela reclama que ele demora para comer, e ele pede para

ela lhe dar um tempo porque ele quer relaxar. Em determinado momento, ela diz: “Para

que relaxar na hora da janta? Tem muita coisa para ser feita, lavar as louças, quem tem

tempo para relaxar?” Por causa das muitas coisas a serem feitas em casa, as noites desse

casal são conturbadas. Como poderão investir na intimidade no único tempo do dia que

eles têm juntos se não podem nem mesmo ficar à vontade? Proteger a noite é proteger

as horas que antecedem o momento íntimo de vocês. Muitos casais ficam dias, semanas

e até mesmo meses sem se relacionar sexualmente por descuidar das noites. A pessoa

está pensando que vai ter uma noite legal, mas por causa de uma palavrinha na hora do

jantar, os planos vão por água abaixo. Não esqueça de que o sexo começa na mente.

Quando você não protege os momentos anteriores a estar com seu parceiro na cama,

elimina o clima e mata qualquer possibilidade de uma noite agradável sob os lençóis.

Quando usar: todas as noites e outros momentos que antecedem o ato sexual.

18. Resgate seu companheiro(a)

Todos nos sentimos sobrecarregados uma vez ou outra. Uma esposa pode chegar em

casa após um terrível dia no trabalho e ainda ter dezenas de tarefas para fazer antes de

finalmente poder apagar as luzes e ir dormir. Um marido dedicado deve ser sensível a

esta situação e ajudar a aliviar o seu fardo sempre que possível. Ele vem para socorrê-la:

“Eu guardo as compras enquanto você olha o dever de casa das crianças...” ou “Eu

dobrarei as roupas e levarei o lixo para fora enquanto você prepara o jantar.” Arrumar

as próprias coisas também ajuda! Da mesma forma, a esposa deve ser uma auxiliadora

do marido e entrar em cena quando ele estiver sobrecarregado. Amar significa cuidar.

Isso pode vir junto com a ferramenta 17. A esposa, estressada, chega em casa e quer

descansar a cabeça, o marido reconhece que ela está em frangalhos e pede uma pizza

para que ela não precise preparar o jantar. Ela se sente valorizada e cuidada. Da mesma

forma, se o marido estiver estressado e a esposa resolver deixá-lo descansar em sua

caixinha, também estará ajudando. Você percebe que seu cônjuge não está bem, então se

ele não fez o que normalmente faria, vá lá e faça. Não crie uma tempestade, esteja ali

quando ele mais precisa. É uma ferramenta para emergências. Socorrer um ao outro

quando um deles está suportando mais do que consegue. Lembre-se da pergunta: o que

meu cônjuge precisa de mim agora? De ânimo, de cuidados médicos, de orientação, de

ajuda prática, ou simplesmente da minha companhia?

Cristiane:

Nunca gostei de impor os deveres de casa ao Renato, sempre fui o tipo de esposa à

moda antiga, rainha do lar, cujo esposo não precisa se preocupar com nada.

Entretanto, um dia, já não aguentava mais, estava sobrecarregada com

responsabilidades dentro e fora de casa. Morávamos com outros dois casais e

quando era a minha vez de fazer o almoço, cozinhava para um batalhão de pessoas.

Depois tinha a cozinha para limpar e o resto da casa, além do café da tarde e do

jantar... Chegava o fim do dia e eu estava exausta! Foi quando peguei uma gripe

feia, fiquei de cama e fiquei na mão.

Nunca me esqueço do que o Renato fez por mim, ele veio como socorro. Ele vivia

me falando em contratar uma empregada para limpar a casa duas vezes na semana,

mas por eu não conhecer nenhuma e ter aquele receio de fazerem de qualquer

maneira, nunca tomava a iniciativa. Ele ligou para a pessoa, assinou um contrato de

duas semanas e organizou tudo para mim. Lembro-me de me sentir apreciada e

valorizada por aquele simples gesto. Ele me socorreu quando eu mais precisei.

O assunto dos afazeres domésticos merece um comentário especial. A sociedade

mudou muito, mas a mentalidade de alguns ainda está lá atrás. Se vocês têm discussões

constantes sobre a casa, façam uma lista e definam quem será responsável pelo quê.

Quem vai tirar o lixo? Quem vai cortar a grama? Quem vai limpar o quarto? Um dos

dois? O filho? Melhor contratar alguém? Em uma empresa, todo mundo sabe quem faz

o quê, quem faz o café, quem limpa a sala de reuniões... Tudo deve estar bem definido.

Se um achar que o outro vai fazer, ninguém faz nada. Defina as tarefas semanais, diárias

e mensais da casa e combine quem fará o quê. Se você tiver filhos, eles podem ajudar, a

família será uma equipe no cuidado com a própria casa. Coloque a lista na geladeira,

para ninguém esquecer. É uma maneira prática de resolver esses problemas.

Quando usar: sempre que perceber seu cônjuge sobrecarregado ou sem condições de executar

suas tarefas.

19. Não faça ataques pessoais

“Você é um mentiroso...”, “Você é estúpido...”, “Você é teimosa...” Quando você diz

coisas desse tipo para o seu cônjuge, é sinal de que seu relacionamento desceu aos níveis

mais baixos de desrespeito — uma viagem da qual é difícil retornar. Ataques pessoais

mostram que você perdeu de vista que seu verdadeiro inimigo é o problema, não seu

parceiro. Quando você xinga o cônjuge, está xingando a você mesmo, já que foi você

que escolheu se casar com ele! Não presuma que seu parceiro está mentindo. Duas

pessoas podem ver a mesma cena e testemunhá-la em versões diferentes. Não quer dizer

que estão mentindo, apenas relatando seu ponto de vista. Chamar seu cônjuge de

mentiroso por não concordar com sua versão dos fatos pode ser uma grande injustiça,

por isso mantenha o foco no problema e não parta para acusações contra seu caráter.

Não é inteligente. Não posso vestir a Cristiane do problema e atacá-la como se ela fosse

o próprio problema. Tenho de saber separar as coisas. Eu odeio o problema, mas

continuo amando a Cristiane. O que você deve ter em mente é que vocês são amigos e

irão trabalhar juntos contra a adversidade que estão enfrentando. Foram vítimas do

problema, ambos se tornaram inimigos dele e agora devem descobrir como resolvê-lo,

de mãos dadas.

Quando usar: em qualquer conversa, especialmente quando seu parceiro lhe irrita.

20. Não projete

Se você teve uma experiência ruim no passado, quer tenha sido com seu pai, mãe, ou

em um relacionamento anterior, torna-se muito fácil projetar injustamente as suas

inseguranças do passado em seu companheiro. Por exemplo, uma mulher que tenha

sofrido abuso por parte do pai pode ter traumas não resolvidos, o que faz com que ela

reaja mal a qualquer figura de autoridade, inclusive ao próprio marido. Ou então um

homem que teve uma má experiência no relacionamento anterior e que agora acha que

sua esposa lhe será infiel assim como a sua ex-mulher.

Se eu fui traído no passado e projeto minhas experiências traumáticas em minha esposa,

quando ela fizer uma coisinha que lembre o comportamento da outra, vou atacá-la com

ciúme, desconfianças, e ela jamais entenderá o porquê. Ela está inocente no assunto,

mas eu já estou atacando como se ela tivesse feito o que a outra fez comigo. Você joga

uma memória sobre a outra pessoa como se ela fosse a culpada.

O exemplo que demos anteriormente da mulher que foi abusada e traz traumas para o

relacionamento, merece um pouco mais de atenção. Pode ser que ela não consiga se

satisfazer por causa do abuso, que tome nojo do ato sexual. O marido não tem culpa,

não foi ele quem abusou dela, mas ela não conseguiu lidar com a situação. Este

problema tem dois lados, o do projetor e o da tela que está recebendo a projeção.

Como a pessoa traumatizada consegue lidar com a situação? Aí entra o poder da fé.

Psicólogos e psiquiatras com certeza podem contribuir, mas a sabedoria humana e a

medicina têm limites. A fé em Deus, no entanto, não tem limites e pode curar as feridas

mais profundas. Deus lhe dá capacidade de perdoar e até de — literalmente — esquecer.

Ele mesmo usa esse poder. Diz, em Isaías 43:25: “Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas

transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro”.

Deus, que tem a capacidade de lidar com qualquer fato, decide voluntariamente não

lembrar mais de nossos pecados porque sabe que não é uma informação útil, prática. Se

a pessoa se arrependeu e quer mudar de vida, Ele faz o processo de limpeza mental e

não há necessidade de voltar ao passado. Se você não consegue fazer isso sozinho,

procure ajuda de Deus. Também vale a pena lembrar que a outra pessoa não tem culpa

do que aconteceu. Portanto, seja justo. Se você está lidando com alguém que passou por

essa situação, seja paciente. Você, sabendo da bagagem que está atrás, sabendo com

quem você está lidando, consegue compreender, dar os descontos necessários e não

reagir mal. Use a cabeça para ajudar a quem ainda está preso às emoções.

Quando usar: Assim que identificar um trauma ou acontecimento do passado como raiz de

algum problema em seu relacionamento.

21. Entrem em um acordo sobre como educar as crianças

Quando não há uma frente unificada sobre a criação dos filhos, você cria um alto nível

de estresse no casamento, sem falar na confusão e frustração dos seus filhos. E nunca

discuta na frente das crianças. Se vocês discordarem de alguma coisa, conversem em

particular. Um pode ser muito duro com as crianças, devido à sua criação, e o outro

pode ser muito mais tolerante, também por conta de sua infância. Ambos os métodos

funcionam, dependendo da ocasião, dose um pouco dos dois. Não diminua seu parceiro

por ele educar os filhos de uma maneira diferente da sua, simplesmente combinem

previamente como isso será feito.

Criança é criança (adolescente é uma criança com um corpo mais desenvolvido), não

funciona com a cabeça, é guiada pelas emoções, pois sua mente ainda não se

desenvolveu por completo. Infelizmente, pelo processo natural, seus filhos não estão tão

desenvolvidos emocionalmente quanto você gostaria. Eles vão chegar lá. Até que isso

aconteça, precisam de rotinas e disciplina: limites, hora para acordar, para dormir,

sentar à mesa para fazer as refeições junto com a família, hora de chegar em casa (no

caso de adolescentes), saber quando falar e quando ficar calado.

Crianças vão sempre tentar apertar os botões, testar os limites. Claro, é válido deixar

que descubram as coisas, mas não é saudável deixá-las muito à vontade. Os pais são os

responsáveis por estabelecer essas regras, sem violência, com diálogo. Lembrem-se da

ferramenta 16 de roteirizar previamente. Os filhos não podem receber informações

conflitantes. Caso um deles comece a reclamar do pai ou da mãe, jamais diminua a

imagem de seu esposo ou esposa diante de seus filhos. Para treinar seus filhos para o

mundo, você deve utilizar limites, consequências e recompensas. É como dirigir um

carro. Você não pode exceder o limite de velocidade, a lei determinou consequência para

aquele comportamento: a multa. Se você recebe uma cartinha do Detran em casa e tem

de pagar pela infração, da próxima vez será mais cuidadoso e procurará não exceder o

limite estabelecido. Muitos pais se esquecem de mostrar as consequências aos seus filhos.

Não estou falando de nada muito severo, seja equilibrado, não é medo o que você quer gerar  na criança. A questão não é punir, mas treinar a mudar de comportamento, isso é

possível com consequências a um comportamento errado e recompensas quando fazem

alguma coisa certa. Esta semana ele não se atrasou para ir à escola? Merece uma sessão

de cinema no final de semana. A vida é assim. Se você trabalha bem, espera que o

patrão reconheça, não é mesmo? Se isso acontece, sente-se motivado a continuar o bom

trabalho e se aprimorar ainda mais.

Se o seu filho já é adulto e ainda mora com você, não pode viver uma vida de eterno

adolescente. Ele também deve contribuir, ajudar nas contas, arrumar a casa, ter

consequências. Infelizmente, muitos pais hoje em dia estão criando delinquentes por

medo de serem julgados pela cultura que coloca os filhos contra os pais. Acabam criando

filhos totalmente despreparados para a sociedade. Antigamente, um rapaz de dezoito

anos já era um homem pronto para ter suas próprias responsabilidades e dirigir sua

família. Hoje em dia, um rapaz de dezoito anos não sabe nada da vida porque os pais

estão deixando a sociedade criar seus filhos. Você tem de estabelecer uma cultura

própria dentro de casa, a sua cultura. Pense bem, se até entre os bandidos existem

regras (algumas bastante rígidas), por que vocês não terão regras?

Quando usar: desde a decisão de serem pais, diariamente, ajustando o comportamento de vocês

em relação a criar os filhos. Lembre-se: esta é uma grande responsabilidade, vocês estão

formando um ser humano.

22. Lembre-se de que vocês estão no mesmo time

O que é mais importante, ser feliz ou ter razão? Estar bem no casamento ou provar

que você está certo? Pessoas individualistas são péssimos cônjuges. Casais devem

aprender a trabalhar em equipe — porque são uma. Priorizem o bem da equipe. Vocês

estão sempre lado a lado. Algumas vezes terão de concordar em discordar. Discordar

não precisa trazer uma briga. Unam-se contra os problemas, jamais deixem que eles lhes

dividam. Nunca se esqueça de que o importante é que o time saia ganhando e não

apenas um de seus jogadores. Como trabalha um time? Um dos fundamentos do

basquete é o que se chama de “entrosamento de equipe” e consiste em passar a bola de

mão em mão entre os jogadores até que ela chegue a alguém que possa fazer a cesta.

Note que o objetivo pessoal de cada jogador é, naturalmente, fazer muitas cestas e

tornar-se o cestinha da equipe, mas ele abre mão de qualquer objetivo pessoal pelo

sucesso de seu time. Naquele momento não é importante qual dos jogadores,

individualmente, irá fazer a cesta, mas que a melhor estratégia seja tomada para que o

jogador melhor posicionado consiga acertar o alvo e aumentar a pontuação do time. Se

o último a receber a bola errar a cesta, não será linchado pelos outros. Todos estão

empenhados no esforço conjunto e sabem que o trabalho da equipe continua.

Outro aspecto de uma equipe é reconhecer os pontos fortes e fracos de cada jogador.

Cada um faz aquilo em que é melhor fazendo, e todos se complementam. A Cristiane é

melhor organizadora e realizadora do que eu, e ótima contabilista. Ela lida com as

finanças. Eu sou melhor estrategista e planejador, penso mais nos detalhes. Ambos

combinamos nossas forças para o bem do casamento.

Quando usar: desde o primeiro dia de casamento, até que a morte os separe. Principalmente

nas discussões em que houver discordância, sinais de individualidade e problemas que os

dividam.

23. Problemas com dinheiro são problemas de confiança

Contas de banco separadas, reter informação de ganhos e gastos do seu companheiro

e decisões de compra sem consultar um ao outro são alguns sinais de que há um sério

problema de confiança em seu relacionamento. Descubra por que você não consegue

confiar em seu cônjuge ou por que ele não confia em você em relação ao dinheiro — e

lide com essa situação. Aí está a raiz. Questões relacionadas a dinheiro são uma das

principais causas de divórcios. Não estamos falando aqui de problemas financeiros do

casal, mas de problemas entre vocês sobre dinheiro. O marido acha que a esposa gasta

demais ou a esposa reclama que o marido não consegue poupar. Vocês discutirão até a

velhice se não resolverem a raiz. Como posso ajudar minha esposa a aprender a gastar

com mais sabedoria? Tirar seu cartão de crédito não resolverá o problema. Se eu tiro o

cartão, ela continua com o problema e ainda acrescenta mais um: a mágoa por minha

atitude. Devo me perguntar: “O que eu realmente quero?” Eu não quero tirar o cartão,

quero que ela me ajude a confiar mais nela. Quais as opções para lidar com a raiz deste

problema? Teremos de sentar e fazer o orçamento da casa juntos? Darei a ela um limite

para fazer pequenos gastos até que desenvolva essa habilidade? Eu, como cabeça, tenho

que ajudá-la.

Por outro lado, se você admite não conseguir controlar seus impulsos consumistas, ou

tem um vício que consome o dinheiro, e não sabe como controlar o que passa por suas

mãos, aceite a ajuda do seu cônjuge, pelo bem do time. Trabalhando juntos para

resolver esta situação, vocês encontrarão a melhor saída para equilibrar as contas e

eliminar essa fonte de desgaste de seu relacionamento.

Quando usar: no momento em que questões relacionadas a dinheiro se tornarem uma fonte de

estresse em seu casamento. Busquem a raiz da desconfiança.

24. Não interrompa o seu companheiro

Quando vocês tiverem um desentendimento, permita que seu cônjuge explique o seu

ponto de vista antes de você começar a falar. Resista à tentação de se defender ou de

contra-atacar. Isso mantém a discussão em nível racional ao invés de emocional. É

também importante se concentrar em UM PONTO de cada vez. Não saia de um

determinado assunto até que ele tenha sido resolvido, só então prossiga ao próximo

assunto. É o problema dos dois cérebros novamente. O homem tende a fazer isso

naturalmente, tirando a caixinha correspondente. A mulher já vê as conexões com tudo

ligado àquele problema. Rapidamente a discussão envereda por tópicos paralelos e sobe

para o nível irracional. Sobre o que estamos discutindo afinal? Ouça tudo primeiro. Não

pense que já entendeu antes do outro terminar de falar. Não fique pensando no que vai

responder antes de terminar de ouvir. Não é uma disputa, você não tem que se

defender, nem tem que ganhar a argumentação. Você deve entender o problema (não

achar que entendeu) e só depois falar. Se o interesse é resolver o problema, deixe a

pessoa falar.

Claro que isso não é uma desculpa para você que fala muito dominar a conversa. Já vi

muitos casais em que um é um orador nato e o outro tem dificuldades de se expressar. É

muito chato ver esse casal discutir porque um domina a conversa e o outro nem

consegue abrir a boca. Uma boa dica para não perder o foco é pegar um papel e

escrever qual é o problema que vocês têm de resolver. Por exemplo: nossa casa está

caindo aos pedaços e já falei várias vezes. É isso que vocês querem discutir, então não vá

para a sogra, nem para o carro, nem para o cachorro. Permaneça naquele assunto, em

um ponto só. Resolva aquele, e só depois vá para os próximos.

Quando usar: em qualquer discussão, quando lhe dá vontade de interromper ou de dominar a

conversa.

25. Tenha senso de humor

Estimule o senso de humor de seu companheiro. Ria o máximo possível. Se vocês não

fazem sorrir um ao outro com frequência, considere a alternativa! Acho que uma das

coisas que mantêm nosso casamento muito gostoso é o senso de humor. É a maneira de

aliviar a tensão e manter a coisa interessante entre os dois. Vocês estão casados para

uma longa jornada — que esta jornada seja estimulante, e não chata.

Cristiane e eu temos uma rotina sem muita vida social. Mesmo assim, nunca é chato

quando estamos juntos, justamente por causa desse bom humor. Fazemos uma piada

um para o outro, comentamos algo engraçado, sempre com leveza, várias vezes no dia.

Existem casais que não gostam de ficar juntos, é tão chato ficar um ao lado do outro

que acabam cansando. Em nosso caso, a convivência é tão leve e divertida que não

conseguimos ficar separados. Temos brincadeiras e piadas que nunca vamos dividir com

ninguém, ou das quais ninguém vai rir, porque são piadas internas. A propósito,

mulheres, mais uma dica: homem geralmente gosta de contar piada. Eles não têm os

assuntos que vocês têm entre si; as mulheres são normalmente mais sérias. Homens

quando se encontram não falam de cabelo e de roupa, eles gostam de rir. O marido

pode ser muito frustrado porque tenta trazer humor para o relacionamento e a mulher o

acha bobo e sem graça (e pior — diz isso para ele), depois reclama de ele ficar na

televisão. Qual é a graça de conversar com alguém que lhe diminui só porque você está à

vontade e que o obriga a se manter tenso e sério o tempo todo? Ainda que o humor de

vocês seja diferente, você mulher tem de aprender a achar seu marido engraçado.

Em tempo: responsabilidade e maturidade nada têm a ver com cara fechada. Pelo

contrário, uma pesquisa recente realizada pela Accountemps, especializada em

recrutamento nas áreas financeira e contábil, mostrou que 79% dos diretores financeiros

acreditam que o bom humor é fundamental para que o funcionário se encaixe na

empresa. Se isso fosse indicativo de irresponsabilidade ou falta de seriedade, acha

mesmo que executivos experientes colocariam como item importante na hora de

contratar pessoal? Não esquecendo que as vantagens vão além do trabalho e da saúde

de seu relacionamento: já se sabe que o bom humor melhora o funcionamento do

sistema imunológico, estimula a criatividade, a memória e ainda ajuda a diminuir a

sensação de dor. Sem contar o aumento na autoestima. É muito legal quando você tem

outra pessoa rindo das suas piadas. Isso traz intimidade. Seu cônjuge pode preferir ficar

com os amigos porque eles riem de suas piadas! Se você não acrescenta nada, não é uma

pessoa agradável e despreza o que a pessoa fala, por que ela iria preferir sua companhia?

Quando usar: enquanto estiver respirando. Apenas cuidado para não ofender seu parceiro com

um humor que ele(a) não aprecia ou em momentos inapropriados.

26. Certifique-se de que tem toda a atenção dele

Esta é uma ferramenta especificamente para o uso das mulheres. Mencionamos

anteriormente que devido às diferenças entre os cérebros feminino e masculino, mulheres

tendem a ser multitarefas e homens monotarefas. Ela consegue fazer muitas coisas ao

mesmo tempo, ele se sai melhor focando toda a sua atenção em uma coisa de cada vez.

Por isso, mulher, quando você quiser falar algo muito importante para seu marido,

certifique-se de que ele esteja olhando para você e desengajado de qualquer outra tarefa!

Porém, cuidado.

Isso normalmente quer dizer que você terá que interromper o foco dele do que for que

esteja fazendo. Escolha bem o momento, fale brandamente — e mesmo assim esteja

preparada para lembrar o sem-noção novamente mais tarde, se for realmente crucial.

Quando usar: sempre que precisar que o cérebro oposto registre algo importante.

27. Mantenha o romance vivo

Um casamento não se baseia em emoção, mas em muito esforço e perseverança.

Porém, um pouco de romance ajuda bastante. É muito importante que marido e mulher

sempre façam coisas especiais um para o outro. Se não formos cuidadosos, o trabalho,

os filhos e as outras responsabilidades e pressões tomarão todo o nosso tempo.

Certifique-se de ter momentos a sós. Levar trabalho para casa regularmente, passar

horas em frente à TV, permitir que as crianças tenham todo o seu tempo e atenção são

comportamentos que fazem com que casais se distanciem. Vocês precisam ter esses

momentos “a sós”. Planeje com antecedência.

Hollywood nos fez acreditar que romance é uma coisa complicada, elaborada e cara,

mas não é. Romance pode ser definido simplesmente como “fazer algo fora da rotina,

que mostre o seu amor pela outra pessoa”. Não precisa ser algo grande, na maioria das

vezes o romance está nos detalhes. Você, homem, talvez não se julgue romântico, mas a

coisa é muito simples, é só fazer com espontaneidade. Nem sempre você precisará gastar

dinheiro para ser romântico. Eis algumas ideias: faça uma ligação no meio do dia,

perguntando à esposa como ela está, deixe um bilhetinho inesperado, uma cartinha

como as que você escrevia quando eram namorados (pode colocar sob o travesseiro ou

junto com as escovas de dente, ou mesmo dentro da mala, quando forem viajar).

Dar flores já virou clichê, nem sempre funciona. Se vocês tiverem um gato, por

exemplo, leve em consideração o temperamento do bichano. Se ele atacar o buquê e

despedaçar as flores, pode não ser muito romântico. Se decidir arriscar mesmo assim,

escolha flores que gatos possam comer (nunca se sabe, não é?). Você também pode

desligar os telefones, fazer pipoca, alugar um DVD que ela goste para assistirem

abraçadinhos no sofá (não durma durante o filme, isso não é romântico). Enfim, seja

criativo, faça algo diferente, mas simples, que mostre que você pensa em seu cônjuge nos

momentos mais triviais. Para ajudar, sua tarefa de casa é fazer algo romântico para o

seu parceiro este fim de semana. Vamos começar a praticar?

Quando usar: no mínimo uma ou duas vezes no mês, e sempre que a rotina fizer o

relacionamento chato. Essa é uma ferramenta de manutenção. Surpreenda seu cônjuge.

20 Efésios 4:26,27.

21 Provérbios 10:12.

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