CAPÍTULO 20 - AS 27 FERRAMENTAS
Capítulo 20 | As 27 ferramentas
Ao longo dos anos do nosso casamento, e também aconselhando casais
com todo o
tipo de problema conjugal, Cristiane e eu desenvolvemos o que
chamamos de
ferramentas para lidar com diversas situações. Algumas delas
criamos para nós, outras
aprendemos ou adquirimos de outros sábios casais. Selecionamos as melhores
e
colocamos aqui para você tê-las à sua disposição.
Toda casa precisa de uma caixa de ferramentas. Elas são úteis para
pendurar algo na
parede, ajustar uma gaveta ou desentupir um ralo. Todo casamento
também precisa de
certas ferramentas de auxílio. Estas 27 ferramentas lhe ajudarão a
consertar e manter
seu casamento. Nem todas se aplicam à sua situação atual, mas
essas informações lhe
ajudarão a montar a caixinha de ferramentas que será útil em um
momento de
emergência em seu casamento. Qualquer caixa de ferramentas é
assim, você não precisa
de todos os itens guardados ali para executar um trabalho, mas é
sempre bom tê-los,
pois nunca se sabe quando serão necessários.
Muitas dessas ferramentas são coisas que você já sabe, mas não
pratica. A força delas
está na prática conjunta com outras ferramentas, então talvez você
já tenha tentado usar
uma delas sozinha, sem resultado. Tenha suas forças renovadas para
aplicá-la
novamente, em conjunto com outras. Pode não ter resolvido antes
deste livro porque
você não sabia o que sabe agora. Vá em frente e abra a sua caixa,
coloque as
ferramentas lá dentro, uma a uma, e aprenda em que situações
usá-las.
1. Não durma com o problema
Não vá para a cama com um problema não resolvido entre vocês.
Acreditar que se
resolverão mais tarde só fará com que os problemas se agravem. A
Bíblia aconselha:
Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a
vossa ira, nem deis lugar ao diabo 20. Ou
seja, não é errado se irar, e sim deixar que essa ira continue no
dia seguinte, a ponto de
fazer uma besteira por causa dela. Dizem por aí que o tempo cura
tudo, mas quase
nunca isso é verdade. Uma ferida aberta só piora com o tempo. Um
problema é como
um monstrinho verde recém-nascido. Frágil, pequenininho e
aparentemente inofensivo,
ele se alimenta do silêncio, da indiferença, e cresce durante o
sono. Se ninguém fizer
nada a respeito, em pouco tempo vocês terão um enorme monstro
verde de estimação,
que mastigará seu casamento e fará vocês dois em pedaços. Quanto
mais cedo você o
matar (no ovo, de preferência) menor será o estrago. É bem fácil
identificar se mataram
ou não o tal monstrinho. Se vocês forem dormir de costas um para o
outro, em quartos
separados ou sem se tocar, significa que a questão ainda não foi
resolvida e o
monstrinho ainda agoniza. Voltem a conversar até a reconciliação.
Esta ferramenta foi algo que eu desenvolvi com a Cristiane para
resolver o problema
do tratamento de silêncio. Combinamos: “A partir de agora, quando
tivermos um
problema, vamos conversar sobre ele e não vamos dormir até que
esteja resolvido”.
Claro que isso resultou em muitas noites indo dormir às três da
manhã, mas
abraçadinhos. Acordávamos bem no dia seguinte, sem arrastar
nenhuma carga negativa
do dia anterior. Quando começamos a ser bem rígidos com essa
ferramenta, o
tratamento do silêncio acabou. Aprendi a resolver o problema na
hora. Problema adiado
é problema piorado. Muitos casais passam por essa situação. Seu
cônjuge quer resolver
o assunto, mas você não quer porque acha que já resolveu, ou
porque está chateado.
Ignore suas emoções e faça o que é certo. Usar os “Dez Passos para
Resolver
Problemas” explicados no capítulo 6 lhe ajudará aqui. A frase “não deis lugar ao diabo”
no versículo acima é reveladora. Quando a ira é mal resolvida você
está dando lugar ao
diabo. A qualquer momento da relação ou você está na presença de
Deus ou na
presença do diabo. Perceba isso. Você deve desenvolver a
sensibilidade para discernir
quando está na presença de um ou de outro. Fique atento aos
sinais. É fácil saber.
Quando Deus está presente, o relacionamento está bem. Quando o
diabo está presente,
as coisas ficam amarradas. Quer dizer que ele achou uma brecha.
Então, sem demora,
vá e feche essa brecha, já!
Quando usar: sempre que houver algo mal resolvido, “no
ar”, entre vocês; quando você está
carregando algo dentro de si contra o parceiro;
quando um está dando um gelo no outro.
2. O amor nunca fere
Não existe justificativa para ferir seu cônjuge, quer seja de
maneira física, verbal ou
emocional. Estar nervoso não é motivo para magoar a outra pessoa.
Quantas vezes
ficamos irritados com algo que aconteceu no trabalho? E o que
fazer quando isso
acontece? Bater no patrão, chutar a cadeira? Não. Aprendemos a
administrar essa raiva
sem ferir o outro. Porque se ferirmos nosso chefe (ou qualquer
outra pessoa na
empresa), eventualmente ficaremos sem emprego. Você aprende a
administrar essa raiva
para evitar constrangimentos com os colegas de trabalho. Deve
fazer o mesmo com a
pessoa amada. Nunca aja com agressividade. Não é desculpa dizer
que é nervoso ou
pavio curto, pois o verdadeiro amor não machuca. Isso também
inclui certas palavras
baixas, que às vezes, na hora da briga, o casal joga um no outro.
Xingam e falam
palavrões como se aquela pessoa não representasse nada. Ora, não
se trata dessa
maneira quem faz parte do nosso próprio corpo. Mantenha um alto
nível, não xingue,
não ataque o caráter.
Casais felizes adotam um padrão elevado de tratamento um com o
outro, se recusam a
aceitar um comportamento nocivo. Quanto menor for a tolerância ao
mau
comportamento em um relacionamento, mais feliz será o casal com o
passar do tempo.
Se a mulher xinga o marido, por exemplo, e ele revida, ambos
quebraram as regras do
comportamento civilizado. Se não consertarem aquele fato, pedindo
desculpas e se
comprometendo a nunca mais agir daquela maneira, pronto!
Aceitou-se o cruzamento
da linha uma vez, da próxima vez ela será cruzada novamente, até
alcançar uma linha
ainda mais perigosa. Atendemos a muitos casais que, ao nos contar a
discussão que
tiveram, usam a seguinte frase: “Desculpa, mas eu tenho que ser
sincero e falar o que eu
sinto”. Nem sempre o que você sente tem de ser falado. As emoções
nos fazem pensar
coisas loucas. Muitas vezes o que você sente não é o que você
realmente pensa. Se
externar algo movido pelo impulso, causará uma ferida da qual seu
cônjuge pode não se
curar.
Quando usar: quando suas emoções afloram e você
quer explodir com a outra pessoa. Guarde
esta frase: “o amor nunca fere”. Aja
civilizadamente. Se a outra pessoa está lhe ferindo,
insista — com respeito, sem atiçar ainda mais — que
mantenham o alto padrão entre vocês.
Talvez tenha que apontar isso mais tarde, depois
que os ânimos se acalmarem, mas não deixe
passar.
3. Não generalize
Não importa como você completaria essas frases: “você nunca...” ou
“você sempre...”.
Ambas causarão problemas. Não use o pincel de uma situação para
pintar todo o
caráter do seu companheiro. “Você sempre faz
o que quer, nunca o que eu quero”, “você
nunca me
ouve”. Esse tipo de afirmação raramente é verdadeira, e só serve para
aborrecer seu companheiro. Lide com as situações individualmente e
resista à tentação
de relacionar o problema atual a um problema passado. Cuidado com
as palavras
nunca, sempre, nada, tudo e toda vez. São palavras absolutas e não deixam opção. Eviteas.
Na maioria das vezes este é um problema feminino. A mulher sente
determinada
atitude do marido como se ele sempre fizesse aquilo, de
tantas vezes que ela se lembra de
já ter passado por aquela sensação. Ela exprime o que está
sentindo, não propriamente
o fato. O problema é que, se a mulher diz: “Você nunca sai
comigo”, o sujeito
automaticamente se lembra de que ele a levou para sair uma vez,
dois meses atrás, e
responde: “Nunca? Mas eu te levei para ver aquele filme...”. E o
foco se volta para ela.
Quando você generaliza, a pessoa não lida com o problema que você
trouxe, ela tende a
se lembrar de algo que contrarie o que você está dizendo. Se você
está ouvindo
generalizações, como lidar? Entenda que ela não está dizendo que
você “nunca”, ou que
você “sempre”, ela está expressando a sensação que tem diante
daquela situação. Ouça
“sinto como se você nunca me levasse para sair” em vez de “você
nunca me leva para
sair”. Seja paciente. Não se irrite e mantenha o foco no problema
que ela está trazendo.
Quando usar: em toda comunicação entre vocês. Se
escapar uma palavra dessas em algum
momento, desculpe-se e remonte a frase. Se seu
parceiro generaliza, aponte o erro para não
repetir no futuro, mas foque no que ele ou ela está
realmente querendo dizer e lide com aquilo.
4. Pare de reclamar e comece a orar
Seu companheiro insiste em fazer algo errado, não quer mudar, você
já vem
reclamando há anos e nada acontece. Você já percebeu que não
adianta reclamar com
ele? Reclame com Deus. Peça a Ele que toque o coração do seu
companheiro e lhe dê
sabedoria para lidar com aquilo. É natural que, quando atacada, a
pessoa não consiga
enxergar o erro que você aponta, pois está empenhada em se
defender. Mas Deus pode
fazer com que ela veja o erro dentro de si. A oração tem mil e uma
utilidades. Além de
ser uma ferramenta capaz de trazer a mudança que você não poderia
fazer sozinho,
também lhe ajuda a lidar com o estresse, ao colocar a ansiedade em
Deus. Ele aguenta a
frustração, a raiva, o mesmo assunto por quanto tempo for. Já o
cônjuge pode não
reagir tão bem. Pense bem, você está indo a quem criou o casamento
para resolver seu
problema, está reclamando direto com a fábrica! Como se ligasse
para o SAC de uma
empresa e pudesse falar diretamente com o dono. Mas seja
perseverante. Nem sempre a
resposta vem na manhã seguinte. Insista em oração a Deus. Ore por
você também, para
não ser parte do problema. Peça sabedoria para lidar com a
situação.
Cristiane:
Quando percebi que o meu marido não estava mudando através das
reclamações
constantes que eu fazia, concluí que não poderia lidar com aquela
situação sozinha
e busquei a Deus. Essa ferramenta é a mudança de direção: deixar
de agir com
emoção e passar a agir pela fé, por meio da confiança em Deus. Mas
não se engane.
Deus não faz mágica, não faz tudo sozinho. Ele age quando você faz
a sua parte
para somar à d’Ele. E se você não souber qual é a sua parte, peça
orientação a Ele.
Nós, mulheres, tendemos a reclamar muito, acabamos sendo chatas,
achamos que
conseguiremos resolver o problema reclamando. Passei a orar a Deus
pedindo que
mudasse meu comportamento. Eu queria parar de chorar e passar a
agir pela fé, e
consegui através da oração. Só Deus pode fazer o seu marido ou a
sua esposa
mudar. Só Ele pode mudar o interior de uma pessoa. Antes eu orava
para mudar o
Renato, mas depois que pedi direção a Deus, que me mostrasse o que
deveria fazer,
passei a buscar a mudança em mim primeiro, e foi assim que comecei
a ver o
resultado nele. Deus não somente nos dá conforto e paz, mas
direção para saber o
que fazer. Funciona em todas as situações de nossa vida.
Quando usar: quando tudo o mais falhar.
5. Mostre apreciação
Muitos casados se sentem tentados a ter um relacionamento
extraconjugal
simplesmente porque encontram alguém que os aprecia mais do que o
seu cônjuge.
Quando você percebe seu parceiro distante ou você mesmo se sente
distante, precisa
conscientemente se esforçar para demonstrar sua consideração a
ele. Por exemplo,
cozinhe algo que ele goste, faça um jantar especial, espere por
ele de banho tomado e
perfumada, esteja em casa quando ele chegar. Procure saber como
ela está, ligue para
ela durante o dia, note sua roupa nova, saiam para fazer algo que
ela goste. É muito
fácil se descuidar depois de muitos anos juntos.
Existem várias situações que desviam o foco do casal, fazendo com
que esqueçam um
do outro com o passar dos anos e entrem na fase da indiferença.
Depois que os filhos
vêm, consomem toda a energia do casal, a mulher vive só para eles
e o marido se sente
de lado. Ou os dois estão batalhando para crescer uma empresa, ou
para pagar as
dívidas. Ou os filhos finalmente se casam e o casal fica como dois
estranhos, sem saber
como se relacionar, pois perderam aquilo que os conectava. A
ferramenta de mostrar
apreciação é muito útil neste momento.
Identificar a fase da indiferença é fácil. Observe o casal. Os
dois não formam mais uma
unidade. Cada um vive em seu mundinho. Um na frente da TV, o outro
grudado ao
computador. Um vai dormir antes do outro. Saem sozinhos, vivem
vidas independentes,
têm muito pouca coisa em comum. O casal que vive assim raramente
mostra
apreciação, pois para apreciar você precisa notar a outra pessoa.
É possível reverter este
quadro, mesmo após vários anos de indiferença, basta querer.
Lembra-se das coisinhas
que vocês faziam no namoro e no início do casamento? O cuidado que
tinham um com o
outro? É isso que você terá de resgatar. Repito a frase que você
encontra muitas vezes
neste livro (pois não pode ser esquecida): casamento feliz dá
trabalho. Até hoje tenho
que investir em meu casamento. É um trabalho contínuo e
recompensador. Uma frase
que gosto que os casais gravem é: o que meu cônjuge precisa de mim
agora? Se você não
sabe, pergunte ou tente descobrir (nem sempre ele vai falar. Ou
pode dizer “nada”
quando, na verdade, teria uma lista para recitar, em ordem
alfabética). Se pergunte: “O
que posso fazer por ele(a)?” Ela pode estar estressada, ou para baixo, precisando de
sua
companhia, de encorajamento, e saber que tem alguém forte ao lado.
Às vezes basta
uma palavra, ou o apoio silencioso, sinalizando que tudo vai dar
certo, que é uma fase e
vocês vão vencer. Se ela está doente, precisa se sentir cuidada,
ou pelo menos saber que
você se preocupa, caso outra pessoa faça esse trabalho.
Mulheres, não pensem que esta é uma tarefa só para os homens. Às
vezes o homem
está passando por uma situação em que se sente derrotado e precisa
de uma palavra que
mostre a ele que você ainda o vê como forte. Um aviso: a maioria
dos homens não sabe
receber elogio, mas isso não significa que não goste. Você pode já
ter passado por isso.
A mulher elogia a roupa, e ele dá de ombros. Não se intimide!
Acredite, ele só não quer
perder a pose... Isso é bem comum e involuntário, quase como um
defeito de fabricação.
Ainda que a pessoa não saiba receber elogio, não deixe de elogiar.
Não se preocupe, está
fazendo efeito.
O psicólogo John Gottman, respeitado especialista em
relacionamentos, conduziu um
estudo que o levou a concluir o seguinte: para cada experiência
negativa que o casal tem,
são necessárias cinco experiências positivas para compensar aquela
negativa. Digamos
que o casal tenha tido uma troca de palavras ríspidas que chateou
um ao outro. Para
nivelar esta situação negativa, terá de praticar cinco ações
positivas para zerar a
equação. O índice de Gottman nos leva a crer que experiências
ruins são cinco vezes
mais poderosas do que as boas. É por isso que se o marido faz algo
que leva a esposa a
perder a confiança, um mês depois ela ainda se lembra do fato.
Quanto mais mostrar
apreciação, mais impressões positivas você acumulará em seu
relacionamento.
Quando usar: sempre, especialmente quando notar
distância e indiferença entre vocês.
6. O que seu cônjuge pedir vai no topo da lista
Muito do estresse no relacionamento se deve ao pensamento de que
não se é tão
importante para o companheiro quanto outras coisas ou pessoas.
Então, quando o seu
companheiro lhe pedir algo, coloque no topo da sua lista, faça
disso uma prioridade para
que ele não precise pedir novamente. É uma regrinha simples, mas
que vale ouro.
O marido pede: “Amor, compra uma lâmina de barbear para mim, a
minha acabou.”
A esposa responde com um “Ah, tá”, mas não estava prestando tanta
atenção. No dia
seguinte, ele vai procurar as lâminas e elas não estão lá. Ele
fica um pouco chateado,
mas releva, a mulher se desculpa e promete comprar da próxima vez.
E a história se
repete no dia seguinte. É uma coisa boba? É, casais brigam por
coisas bobas. Mas por
que eles brigam? Porque aquela coisinha boba está falando algo
muito grave aos ouvidos
da pessoa, como: “Eu não sou importante para você”, “Se sua mãe
pede uma coisa,
você larga tudo, corre lá e faz; mas quando eu peço, você não
faz”. Esse é o problema.
O problema não é a lâmina de barbear, mas a mensagem escondida na
atitude. Esta é
uma regra que você deve absorver em seu dia a dia. Ela pediu algo,
então faça rápido,
pois vai fortalecer a noção de que vocês são os primeiros na vida
um do outro. Pense
bem. Quando seu patrão pede algo, você já tem o hábito de fazer
logo. Você sabe que
aquela pessoa é importante porque tem influência sobre você. Muito
mais ainda no
casamento! Seu marido/esposa é muito mais importante. Talvez
exista algo que seu
cônjuge tem lhe pedido há muito tempo e você ainda não fez. Desde
as coisas menores
até uma conversa séria que vocês precisam ter. Execute agora
mesmo, como prioridade,
como prova de consideração.
Quando usar: sempre, que ele(a) lhe pedir alguma
coisa.
7. Cuide da aparência
Muitos que faziam questão de cuidar bem da aparência antes,
enquanto namoravam,
veem o casamento como uma licença para andarem feios. Na verdade,
é justamente
depois do casamento que você deve se cuidar como nunca. Não faça
pouco do seu
companheiro, achando que já o conquistou. Procure estar sempre
bonito para seu
cônjuge, controle seu peso, veja a maneira como se veste, use
maquiagem, se ele gosta.
A limpeza e arrumação da sua casa também são muito importantes.
Algumas mulheres
não gostam de maquiagem e seus maridos gostariam que usassem um
batom ou um
lápis nos olhos. A mulher acredita que o marido tem de gostar dela
ao natural, “é assim
que eu sou”.
É claro que não vou gostar da Cristiane por causa dos brincos ou da
maquiagem, mas se a mulher sabe que o marido gosta, deve fazer um
pouquinho de
esforço para agradá-lo. É como a comida, se você não gosta, mas
ele gosta, você vai
fazer aquela comida para agradar.
Casamento é isso, viver para agradar ao outro, para fazer a outra
pessoa feliz. Tudo
bem, eu concordo que não é justo cobrar da pessoa que ela seja
alguém que ela não
consegue ser, mas fazer algum esforço para agradar o seu cônjuge
não tira pedaço, é
muito válido e certamente você se sentirá melhor. No meu trabalho,
tenho que usar
terno, gravata, camisa, calça social e sapatos. Em meus momentos
de lazer, meu desejo
era usar chinelo, short e camiseta, pois quase nunca visto esse
tipo de roupa. No início,
quando a gente ia ao cinema, eu ia de moletom e chinelos, queria
estar bem confortável.
Para ela aquele era um momento especial, então saía bem
arrumadinha. Imagine esse
casal! Ela não dizia nada, mas ficava com vergonha de mim. Quando
finalmente
comentou: “Com essa roupa, parece que você desistiu da vida”.
Primeiro eu fiquei
chateado, mas depois entendi. A gente raramente sai, então, quando
sai, tenho de
honrá-la, estar à sua altura. Faço um esforço por amor a ela,
porque ela gosta. Mas por
mim, ia de chinelo!
Aconselhamos a um casal cujo marido estava insatisfeito
sexualmente. Reclamava que
sempre que procurava a esposa era rejeitado. Enquanto ele falava,
notamos que ela
estava sem jeito. Pedimos para que ficasse um de cada vez na sala,
para que pudéssemos
conversar com mais privacidade. Então ela desabafou: “Ele fala que eu nunca quero que
ele me toque, mas se pelo menos ele tomasse banho
todos os dias!” A mulher tinha de ser uma
heroína para aguentar momentos íntimos com um sujeito que não
tinha o menor asseio.
Ele estava tão acostumado com a falta de higiene que nem sequer
imaginava que esse
era o motivo do abismo entre os dois. Algo tão fácil de resolver!
Sabonete, água, toalha
e pronto! Fim dos problemas daquele casal.
Cristiane:
Você representa seu cônjuge, por isso depois que você se casa sua
responsabilidade
com a aparência é ainda maior. A aparência diz muito sobre como
você se sente, se
você é feliz, se está realizada, vai mostrar isso em seu exterior.
Se você ama,
respeita e valoriza seu marido, é natural que mostre isso no seu
exterior. Você pode
estar mal por dentro e bem por fora, mas de maneira alguma conseguirá
estar bem
por dentro e mal por fora. Se você está bem em seu interior, tem
de mostrar em seu
exterior, não apenas em seu jeito de se arrumar, mas em seu
semblante, um sorriso,
um olhar carinhoso... A mulher que recebe o marido em casa mal
humorada está
feliz? A mulher que sai de cara amarrada, desarrumada, está feliz?
Se o marido olha
para a esposa e vê uma mulher amarga e relaxada, como ele se
sentirá? Se você está
irritada por causa daquele período delicado do mês, avise ao seu
marido, não deixe
que ele pense que o problema é ele, ou que você não está feliz. A
aparência não é
tudo na minha vida, mas se eu me amo, por que não vou me cuidar?
Ainda mais
agora que tenho alguém para representar.
Quando usar: sempre. E procure saber o que agrada
seu cônjuge no que diz respeito a
aparência. Também comunique suas preferências, mas
não imponha nada.
8. Nunca ridicularize seu companheiro
Quer de forma privada ou pública. Ser bem humorado não é a mesma
coisa de zombar.
Cuidado com as piadas de mau gosto. Não exponha falhas e fraquezas
do seu cônjuge a
terceiros. “O amor cobre todas as transgressões”, disse o
sábio rei Salomão21. O amor
encobre os defeitos da outra pessoa. Ainda que seu companheiro
esteja errado,
demonstre seu apoio, em vez de expor seus erros. Ridicularizar é
desrespeitar. Não faça
comentários que diminuam seu cônjuge ou que exponham algo que ele
mesmo ainda não
havia exposto para os outros. “Ah, o Roberto não sabe nem somar.
Sabia que ele só
estudou até o quarto ano?” Em que você acha que isso acrescenta em
seu casamento?
Sarcasmo, ironia e desprezo também são fatais para o
relacionamento. “Você vai fazer
uma lista para não esquecer? E desde quando você é bom com
listas?” Essas atitudes
geralmente demonstram que a pessoa se acha superior à outra.
Lembre-se: o amor não
fere.
Quando usar: sempre. Atenção dobrada quando estiver
em uma discussão esquentada ou entre
amigos.
9. Beba da santa água
Há uma história de um vilarejo onde as contendas conjugais
aumentavam
desenfreadamente. Cansada das brigas com o marido, uma esposa vai
se aconselhar com
o sábio do lugar: “O que devo fazer para acabar com as discussões
com meu marido?”,
perguntou. O velho sábio lhe deu uma garrafa com água e disse:
“Esta água é santa.
toda vez que seu marido começar a discutir, beba um pouco, mas é
preciso mantê-la na
boca por dez minutos antes de engolir. E diga a todos os seus
vizinhos e suas amigas
com o mesmo problema para fazer igual.” Em pouco tempo, ninguém
mais discutia
naquela vila. Convites para discussões sempre batem à porta do
casamento. Entenda
que você não é obrigado a aceitar todos eles. Se seu cônjuge faz
um comentário que lhe
provoca a revidar, eu tenho uma boa notícia: você pode dizer não e
decidir não
comparecer a essa briga. Você não vai ignorar o problema, mas terá
domínio próprio,
principalmente se decidir controlar a língua. Os ânimos se
acalmarão e você terá evitado
uma discussão desnecessária, que só serviria para afastar vocês
dois. Não é excelente?
Ganhar em uma discussão não é tão importante quanto resolver o
problema. Se você
percebe que seu companheiro está alterado, segure as pontas e
feche o zíper sobre os
lábios. Nunca me esqueço de um casal de Singapura, que frequentava
a nossa igreja em
Londres. No dia em que fizemos uma oração especial por seus
cinquenta anos de
casados, perguntamos qual teria sido o segredo de uma vida a dois
duradoura, e o
marido nos respondeu: ‘Quando eu estava nervoso, ela se calava.
Quando ela estava
nervosa, eu me calava.’ Isso realmente funciona.
Quando usar: quando se sentir provocado a devolver
palavras duras com outras mais duras
ainda.
10. Inicie a conversa brandamente
Se as suas conversas já começam em tom grosseiro, inevitavelmente,
acabarão em
briga, mesmo que haja muitas tentativas de acalmar os ânimos depois.
Alguns
exemplos clássicos: se o marido pergunta, “Você precisa de
dinheiro?” (começou
bem), e a esposa responde: “Só para as contas que você deveria ter
pago na semana
passada” (começou mal). As facas da acusação e do sarcasmo começam
a voar.
Quando a conversa começa bem, são grandes as chances de terminá-la
bem.
Escolha cuidadosamente as palavras, teste a frase mentalmente e
veja se soa bem. Se
você achar que a pessoa pode não entender, mude a ordem da frase,
escolha outras
palavras. A conversa ficará mais lenta e você terá tempo de pensar
e não dizer uma
bobagem. Se notar que começou a perder a linha, respire fundo,
peça perdão e
comece de novo.
Cristiane:
Uma maneira eficaz é falar de como o seu cônjuge lhe faz sentir,
em vez de tratá-lo
como se ele fosse a personificação do problema. Por exemplo, se o
seu marido é
grosseiro com você, não é sábio chamá-lo de grosso, pois assim
você já começa o
assunto no ataque, e ele com certeza vai se defender. Mas você
pode falar de como
se sente quando ele fala com você... “Amor, quando você está
ocupado e eu lhe
pergunto uma coisa, as vezes a maneira que você me responde me faz
me sentir
mal.” Notou a diferença? Não é ele quem a faz sentir-se mal, é a
maneira que ele a
responde que faz isso. Se concentre no que você pensa e sente a
respeito em vez de
no que você acha da pessoa em relação ao problema.
Quando usar: sempre que for tratar de algum assunto
delicado entre vocês.
11. A gaveta dos problemas perpétuos
Sinto lhe informar, mas certas coisas que nos irritam e que
consideramos “defeitos”
em nosso parceiro, para nossa tristeza, nunca mudarão. Talvez ele
seja bagunceiro para
sempre. É possível que ela sempre vá ser apegada com a mãe. Enfim,
há coisas em cada
um de nós que são parte de nossa identidade, e não mudarão. Em vez
de se frustrar e
ficar sempre confrontando a outra pessoa sobre aquilo, pegue esse
problema e ponha-o
na gaveta dos problemas perpétuos — um lugarzinho no seu cérebro
reservado para lhe
lembrar de que é em vão ficar debatendo sobre aquele assunto.
Portanto, o melhor que
você pode fazer é aprender a lidar com ele. Ponha mais cestos de
roupa em lugares
estratégicos da casa. Pegue sem reclamar as outras que ele, mesmo
assim, ainda vai
jogar no chão. Aceite a amizade de sua esposa com a sua sogra, junte-se
a elas! Se é um
problema tolerável, que dá para administrar, então use essa
ferramenta.
Desista de mudar a outra pessoa, pois isso não é possível. Como já
dissemos lá no
começo: você só pode mudar a si mesmo. Tire seu foco dos defeitos
do outro, do que ele
não faz e do que a seu ver está errado. Valorize as qualidades do
seu cônjuge e o
conteúdo da gaveta terá cada vez menos importância em seu
relacionamento.
Quando usar: quando identificar um problema
perpétuo.
12. Apague os últimos dez segundos
Às vezes precisamos deixar passar algumas coisas. Uma palavra fora
do contexto, um
comentário desnecessário no momento de ira... Avalie a situação e
veja se vale a pena
encrencar com isso. Algumas vezes sua esposa vai pisar no seu calo
e você vai querer
explodir, porém, lembre-se: você não precisa explodir.
Quando usa uma filmadora e não
gosta do que acabou de filmar, você volta e grava novas imagens
sobre as imagens
desnecessárias. Da mesma forma, use este mecanismo mental de
“pare, volte e apague”,
dizendo a seu cônjuge: “Tudo bem, vou fingir que não vi nem ouvi o
que acabou
acontecer. Começamos com o pé esquerdo. Vamos recomeçar.”
Essa ferramenta de apagar os últimos dez segundos também é de
minha invenção.
Percebi que às vezes a Cristiane agia por impulso ou movida por
uma frustração, e
acabava falando o que não queria falar e vomitava o que estava
sentindo. Em vez de
criar caso, comecei, até de uma forma bem-humorada, a dar sinal de
que ela não devia
ter falado aquilo. Se ela solta algo que dá uma espetada em mim,
digo: “Espera aí, deixa
eu voltar a fita aqui. Ok, tomada 2. Ação!” Quando ela ouve isso,
já entende que o que
disse pegou mal e tem a oportunidade de falar novamente. A
propósito, se você falhou
na ferramenta de começar a conversa brandamente, tem outra chance
nesta ferramenta
de apagar os últimos dez segundos. Use esta ferramenta com bom
humor e mude a
situação. Ajude a outra pessoa, releve, dê um desconto.
Quando usar: quando a outra pessoa pisou na bola e
a sua vontade é fazer ele(a) engolir a
bola.
13. Não deixe a linguagem corporal cancelar suas
palavras
Especialistas em comunicação afirmam que mais de 90% da
comunicação é não verbal.
Note esse número. Mais de 90%! Coisas como: comportamento, tom de
voz, olhar,
expressões faciais e linguagem corporal são responsáveis por quase
tudo que
transmitimos. Nossas palavras carregam apenas 10% da nossa
comunicação para a
outra pessoa. Preste atenção em seu dia a dia e verá o quanto essa
definição é
verdadeira. Se você diz: “Ok, eu te perdoo”, enquanto seu rosto (e
aquela viradinha de
olhos) diz: “Só estou dizendo isso porque você pediu, mas no fundo
eu sei que você
nunca vai mudar” (sim, você pode falar tudo isso só com o olhar),
isso não vai fazer
com que seu perdão pareça sincero.
Além da expressão facial e corporal, algo que fala mais do que
suas palavras é seu
comportamento recente. Se você diz “Eu vou mudar”, mas o seu
comportamento diz
que você já prometeu cem vezes e nunca cumpriu, suas palavras não
serão críveis para a
outra pessoa. Nem adianta reclamar. Preste atenção nos sinais que
envia sem palavras.
É muito comum, durante a conversa, o marido cruzar os braços e
dizer: “Tudo bem,
pode falar”. Na verdade está dizendo: “Eu preferia estar em
qualquer outro lugar a ter
esta conversa. Depois você não poderá me culpar por não ter
ouvido”. Tudo isso pode
ser falado sem que se abra a boca. Uma expressão corporal mais
aberta e receptiva é
segredo de boa comunicação. Não queira ter um bom resultado em uma
conversa em
que você mantém uma postura fechada e defensiva, tom de voz
sarcástico, suspiros
audíveis. Mantenha sempre em mente que seu parceiro não é inimigo,
seu objetivo é
terminar a conversa bem. Estar aberto ao diálogo é pré-requisito
para que isto aconteça.
Procure se comunicar com seu cônjuge de forma carinhosa, prazerosa
e desarmada. O
que vocês querem é um bom relacionamento, não é? Queira isso com
todas as suas
forças, com todo o seu corpo – literalmente.
Quando usar: em toda comunicação.
14. Reconstruir a confiança é trabalho em dupla
Se houve infidelidade, ou quebra de confiança em seu
relacionamento, seja você o
culpado ou a vítima, ambos terão de trabalhar pesado — e juntos —
para reconstruir a
confiança. Um erro comum é a pessoa ferida jogar toda a culpa para
cima da outra que
traiu: “Quem errou foi você, estou desconfiado porque você me deu
razão.” Ela acredita
que o outro, exclusivamente, é quem tem de trabalhar para resgatar
a confiança. Sinto
lhe informar, mas não é. Os dois têm que trabalhar nisso. Isso
vale para qualquer
situação em que haja perda de confiança. Por exemplo, a mulher
gastou o dinheiro que
não deveria ter gasto, agora o homem não confia mais valor nenhum
na mão dela. No
caso de infidelidade, a dor e a desconfiança — “será que vai
acontecer de novo?” —
estarão sempre como fantasma em sua cabeça.
O culpado terá de agir diferente para provar que houve, de fato,
uma mudança. Não
reclame, apenas faça o que tem de ser feito. É o preço a pagar por
sua infidelidade.
Elimine o telefone secreto, não apague mais mensagens do celular, dê
acesso aos e-mails
e ao Facebook. Entre as coisas que não pertencem mais à sua
realidade estão: sair e não
falar aonde vai, ter momentos do dia em que o outro não sabe com
quem ou onde está,
segredos, esconder informações da outra pessoa. Manter essas atitudes
só continuará
alimentando a desconfiança. Para que a confiança seja resgatada, a
pessoa que traiu terá
de gravar em sua mente a palavra transparência: quando você
é transparente, não tem
nada a esconder e passa a ser digno de confiança.
Seja transparente em tudo e não reclame. Não venha com a história
de “E a minha
privacidade?”, ou “Não estou mais fazendo isso, tem de confiar em
mim.” Você abriu
mão de sua privacidade no dia do casamento. E se seu cônjuge está
lhe dando perdão e
uma nova chance, é sua transparência que servirá de ponte para a
reconstrução da
confiança, não suas promessas. É como o cidadão que comete um
crime e é levado ao
tribunal. Por ser réu primário, recebe o benefício de responder em
liberdade. O juiz
coloca algumas restrições: não pode viajar, tem de se apresentar
mensalmente durante
determinado tempo — mas não o manda para a prisão. A pessoa que
cometeu um crime
e recebe esse tipo de sentença fica feliz da vida. Ela pensa:
“Terei de me comportar, me
reportar algumas vezes, mas pelo menos não estou na cadeia!” Ela
aprecia essa chance.
Assim também o que traiu tem de apreciar a nova chance e a única
maneira de fazer isso
é sendo transparente.
Se você foi a vítima, pare de lembrar ao seu cônjuge o que deixou
no passado e evite
alimentar desconfianças. Não suponha nem tire conclusões
precipitadas. Lide com os
fatos no presente. Se seu parceiro não mudar, você pode ter de
avisá-lo que não haverá
terceira chance, mas enquanto ele ou ela não prova o contrário,
não fique retornando ao
passado desnecessariamente. Se ela se comprometeu em mudar, não
banque o detetive,
investigando o que não há para ser investigado, nem insinue que
ela ainda está lhe
traindo. É muito irritante e frustrante tentar mudar e ver que o
outro nunca acredita na
mudança.
É comum uma pessoa traída começar a ver coisas que não existem. É
o medo lhe
controlando. Mas seja racional. Paranoias não resolvem. Faça
planos e se prepare para
a possibilidade do outro não mudar, mas deixe o plano “na gaveta”,
use somente caso
seja necessário. Assim, você já tem resposta para o medo, se o
pior acontecer.
Enterre o passado e passe com o carro em cima vinte vezes, para
que não seja possível
sequer saber onde ele foi enterrado. Não volte para levar flores,
nem para cuspir no
túmulo. Esqueça. Auxilie seu parceiro nessa reconstrução, é um
trabalho em equipe. É
difícil? É, ninguém disse que seria fácil, mas só assim vocês
começarão a reconstruir a
confiança perdida.
Quando usar: quando houver traição, mentiras ou
qualquer quebra de confiança no
relacionamento e vocês decidirem por uma segunda
chance.
15. Durma antes do problema
Não se trata de uma contradição à ferramenta número 1, que lhe
aconselha a não ir
para a cama deixando um problema não resolvido para o dia
seguinte. Aquela dica é
para ajudá-lo a lidar com problemas que já ocorreram.
Esta ensina a lidar com o estresse
antes que
o problema aconteça. Muitos dos problemas no casamento se originam de
situações de estresse em um ou ambos os parceiros. Se você ficar
atento para detectar o
problema ANTES de acontecer, poderá evitá-lo.
Observe a linguagem corporal, o tom de voz, e o nível de estresse
de seu cônjuge. Dê-lhe
o espaço suficiente. Pessoas lidam de maneira diferente com
estresse. Como regra geral,
os homens precisam de espaço e as mulheres precisam falar. Claro,
há exceções, existem
mulheres que também precisam de silêncio e homens que querem
desabafar. O
importante é entender: se um está em um nível de alta
irritabilidade, não adianta o outro
querer resolver o problema naquela hora. Inclusive, um adendo à
primeira regra: se o
problema já aconteceu e você vê que a pessoa está perigosamente
alterada, então é
melhor dar uma pausa e esperar os ânimos se acalmarem. Não será
uma boa conversa
se as pessoas estiverem funcionando à base de emoção e irritação.
Essa ferramenta é semelhante à regra do “time out”
no basquete. Quando a equipe
começa a perder muitos pontos seguidamente, o técnico pede tempo,
interrompe o jogo
e reúne os jogadores para lhes passar instruções. É estratégico
principalmente porque
quebra a vantagem do adversário.
Lembre-se de que há um adversário em seu casamento também. Não dê
brecha ao
diabo. Se você insiste em ficar cutucando seu cônjuge na hora em
que os ânimos estão
alterados, então está dando vantagem ao adversário. Dê uma pausa.
Concordem em
falar mais tarde sobre o assunto.
Apesar de o nome da ferramenta ser “Durma antes do problema”, não
significa
necessariamente que você tenha de dormir, apesar de uma boa noite
de sono ser uma
das melhores maneiras de fazer uma higiene mental e emocional. Mas
também pode ser
uma pausa de vinte minutos, ou de uma hora. A ideia é dar
condições a seu parceiro
para recobrar as forças e o equilíbrio emocional.
Quando usar: tenha esta ferramenta sempre à mão
para detectar sinais de estresse no parceiro,
ou em si mesmo, e se valer de uma pausa ou outra
forma de se acalmar antes que gere
problemas.
16. Ensaie para a próxima vez
No casamento raramente você tem um problema novo. Vocês não vão
discordar
somente uma vez sobre dinheiro, nem sobre a educação das crianças.
O mais comum é
ter de lidar com problemas reciclados, que voltam de tempos em
tempos. Quando se
depara com um problema recorrente, o que fazer? Primeiro, resolva
o conflito imediato,
usando aqueles dez passos que ensinamos no capítulo 6. Em seguida,
se pergunte: como
podemos evitar que isso aconteça novamente? Ou: O que
faremos se isso voltar a acontecer?
Então, assim como roteiristas planejam o que acontecerá na próxima
cena de um filme
ou de uma novela, escreva seu próprio “roteiro” para a próxima
vez. O que vocês farão
quando uma situação similar ocorrer? Decida o que vai acontecer,
qual o papel de cada
um, e que ambos estejam de acordo. Quando a situação surgir, ambos
saberão o que
fazer, sem exaltar os ânimos.
Como é isso na prática? Por exemplo, o marido esquece a data do
aniversário de
casamento. Ele é ruim em lembrar datas e a esposa se irrita muito
com isso. Pelo jeito
de ele ser, há uma grande chance de que no próximo ano ele esqueça
de novo. Algumas
pessoas não são ligadas em datas, é um defeito de fabricação
(ferramenta 11 aqui,
talvez?). O casal deve resolver o problema de a esposa estar
chateada hoje, mas também
combinar como vão lidar com isso das próximas vezes. A esposa pode
anotar na agenda
do marido logo no início do ano (simples, não?), avisá-lo com
alguma antecedência,
colar lembretes pela casa... “Mas aí não tem graça!”, diz ela.
Entenda uma coisa muito
importante: nossas altas expectativas podem nos levar a querer que
nosso parceiro seja
como somos, que o importante para nós seja importante para ele(a),
mas nem sempre é
assim. É necessário fazer um ajuste em suas expectativas para
evitar problemas
recorrentes. Há um abismo entre o real e o ideal. Quanto maior o
abismo, maior a
frustração, mais problemas vão acontecer. Esqueça o ideal e lide
com o real. Mesmo que
o real não seja suficiente, é ele que você tem, é em cima disso
que você terá de trabalhar
por um resultado melhor.
Esta ferramenta se aplica a todas as situações. Muitos discutem
com respeito à criação
dos filhos, um é mais linha dura, o outro é mais flexível, e os
filhos logo percebem isto e
começam a jogar um contra o outro. Então vocês dois têm que
ensaiar isso para a
próxima vez. Combinem, por exemplo, que da próxima vez em que o
marido disser não
ao filho e a criança for até a mãe querendo mudar o que ele
decidiu, a esposa confirmará
o que o marido disse, ainda que ache que ele foi muito duro. Vocês
podem até conversar
sobre isso depois, longe da criança, mas jamais deixem que o filho
perceba que um discordou da decisão.
Outra situação clássica é o problema recorrente a respeito de dinheiro. Você esperava
que seu cônjuge lhe consultasse antes de gastar tanto dinheiro,
mas ele não o fez. E
agora? Alguns casais sentam e combinam: “Até tal valor, você
gasta, passando de tal
valor, fale comigo para decidirmos juntos.” Isso é roteirizar.
Quando a situação
aparecer, você já sabe como resolver, por causa do script prévio.
Novamente retomamos
a comparação com o mundo corporativo. Na empresa, você tem de resolver
problemas
e prevenir que aconteçam novamente. É exatamente o raciocínio
desta ferramenta. Você
verá uma redução considerável dos problemas.
Quando usar: sempre que identificar um problema
ressuscitando dos mortos. Geralmente
acompanhado do pensamento: “Já vi esse filme
antes.”
17. Proteja suas noites
Últimas notícias! A noite é um momento para se relaxar. Se você
geralmente discute
problemas e expõe suas tristezas quando seu companheiro chega do
trabalho, por
exemplo, você arrisca estragar o clima ideal para um agradável
momento de união e
intimidade — leia “sexo”. Um casal lidou com essa situação
concordando em não mais
falar sobre problemas depois das oito da noite! Funcionou para
eles, e você deve
descobrir o que funciona para você. Não esqueça que se vocês
dormirem brigados, não
dormirão como se fossem um. Essa é a hora do dia em que você deve
investir mais no
seu relacionamento, o contrário do que muitos têm feito. Não veem
a hora de o parceiro
chegar em casa para reclamar das contas que precisam ser pagas ou
do que a professora
disse sobre as crianças.
No quadro do “Laboratório”, da Escola do Amor, tivemos um casal
com esse
problema. Na hora do jantar, ela reclama que ele demora para
comer, e ele pede para
ela lhe dar um tempo porque ele quer relaxar. Em determinado
momento, ela diz: “Para
que relaxar na hora da janta? Tem muita coisa para ser feita,
lavar as louças, quem tem
tempo para relaxar?” Por causa das muitas coisas a serem feitas em
casa, as noites desse
casal são conturbadas. Como poderão investir na intimidade no
único tempo do dia que
eles têm juntos se não podem nem mesmo ficar à vontade? Proteger a
noite é proteger
as horas que antecedem o momento íntimo de vocês. Muitos casais
ficam dias, semanas
e até mesmo meses sem se relacionar sexualmente por descuidar das
noites. A pessoa
está pensando que vai ter uma noite legal, mas por causa de uma
palavrinha na hora do
jantar, os planos vão por água abaixo. Não esqueça de que o sexo
começa na mente.
Quando você não protege os momentos anteriores a estar com seu
parceiro na cama,
elimina o clima e mata qualquer possibilidade de uma noite
agradável sob os lençóis.
Quando usar: todas as noites e outros momentos que
antecedem o ato sexual.
18. Resgate seu companheiro(a)
Todos nos sentimos sobrecarregados uma vez ou outra. Uma esposa
pode chegar em
casa após um terrível dia no trabalho e ainda ter dezenas de
tarefas para fazer antes de
finalmente poder apagar as luzes e ir dormir. Um marido dedicado
deve ser sensível a
esta situação e ajudar a aliviar o seu fardo sempre que possível.
Ele vem para socorrê-la:
“Eu guardo as compras enquanto você olha o dever de casa das
crianças...” ou “Eu
dobrarei as roupas e levarei o lixo para fora enquanto você
prepara o jantar.” Arrumar
as próprias coisas também ajuda! Da mesma forma, a esposa deve ser
uma auxiliadora
do marido e entrar em cena quando ele estiver sobrecarregado. Amar
significa cuidar.
Isso pode vir junto com a ferramenta 17. A esposa, estressada,
chega em casa e quer
descansar a cabeça, o marido reconhece que ela está em frangalhos
e pede uma pizza
para que ela não precise preparar o jantar. Ela se sente
valorizada e cuidada. Da mesma
forma, se o marido estiver estressado e a esposa resolver deixá-lo
descansar em sua
caixinha, também estará ajudando. Você percebe que seu cônjuge não
está bem, então se
ele não fez o que normalmente faria, vá lá e faça. Não crie uma
tempestade, esteja ali
quando ele mais precisa. É uma ferramenta para emergências.
Socorrer um ao outro
quando um deles está suportando mais do que consegue. Lembre-se da
pergunta: o que
meu cônjuge precisa de mim agora? De ânimo, de cuidados médicos, de orientação, de
ajuda prática, ou simplesmente da minha companhia?
Cristiane:
Nunca gostei de impor os deveres de casa ao Renato, sempre fui o
tipo de esposa à
moda antiga, rainha do lar, cujo esposo não precisa se preocupar
com nada.
Entretanto, um dia, já não aguentava mais, estava sobrecarregada
com
responsabilidades dentro e fora de casa. Morávamos com outros dois
casais e
quando era a minha vez de fazer o almoço, cozinhava para um
batalhão de pessoas.
Depois tinha a cozinha para limpar e o resto da casa, além do café
da tarde e do
jantar... Chegava o fim do dia e eu estava exausta! Foi quando
peguei uma gripe
feia, fiquei de cama e fiquei na mão.
Nunca me esqueço do que o Renato fez por mim, ele veio como
socorro. Ele vivia
me falando em contratar uma empregada para limpar a casa duas
vezes na semana,
mas por eu não conhecer nenhuma e ter aquele receio de fazerem de
qualquer
maneira, nunca tomava a iniciativa. Ele ligou para a pessoa,
assinou um contrato de
duas semanas e organizou tudo para mim. Lembro-me de me sentir
apreciada e
valorizada por aquele simples gesto. Ele me socorreu quando eu
mais precisei.
O assunto dos afazeres domésticos merece um comentário especial. A
sociedade
mudou muito, mas a mentalidade de alguns ainda está lá atrás. Se
vocês têm discussões
constantes sobre a casa, façam uma lista e definam quem será
responsável pelo quê.
Quem vai tirar o lixo? Quem vai cortar a grama? Quem vai limpar o
quarto? Um dos
dois? O filho? Melhor contratar alguém? Em uma empresa, todo mundo
sabe quem faz
o quê, quem faz o café, quem limpa a sala de reuniões... Tudo deve
estar bem definido.
Se um achar que o outro vai fazer, ninguém faz nada. Defina as
tarefas semanais, diárias
e mensais da casa e combine quem fará o quê. Se você tiver filhos,
eles podem ajudar, a
família será uma equipe no cuidado com a própria casa. Coloque a
lista na geladeira,
para ninguém esquecer. É uma maneira prática de resolver esses
problemas.
Quando usar: sempre que perceber seu cônjuge
sobrecarregado ou sem condições de executar
suas tarefas.
19. Não faça ataques pessoais
“Você é um mentiroso...”, “Você é estúpido...”, “Você é teimosa...”
Quando você diz
coisas desse tipo para o seu cônjuge, é sinal de que seu
relacionamento desceu aos níveis
mais baixos de desrespeito — uma viagem da qual é difícil
retornar. Ataques pessoais
mostram que você perdeu de vista que seu verdadeiro inimigo é o
problema, não seu
parceiro. Quando você xinga o cônjuge, está xingando a você mesmo,
já que foi você
que escolheu se casar com ele! Não presuma que seu parceiro está
mentindo. Duas
pessoas podem ver a mesma cena e testemunhá-la em versões diferentes.
Não quer dizer
que estão mentindo, apenas relatando seu ponto de vista. Chamar
seu cônjuge de
mentiroso por não concordar com sua versão dos fatos pode ser uma
grande injustiça,
por isso mantenha o foco no problema e não parta para acusações
contra seu caráter.
Não é inteligente. Não posso vestir a Cristiane do problema e
atacá-la como se ela fosse
o próprio problema. Tenho de saber separar as coisas. Eu odeio o
problema, mas
continuo amando a Cristiane. O que você deve ter em mente é que
vocês são amigos e
irão trabalhar juntos contra a adversidade que estão enfrentando.
Foram vítimas do
problema, ambos se tornaram inimigos dele e agora devem descobrir
como resolvê-lo,
de mãos dadas.
Quando usar: em qualquer conversa, especialmente
quando seu parceiro lhe irrita.
20. Não projete
Se você teve uma experiência ruim no passado, quer tenha sido com
seu pai, mãe, ou
em um relacionamento anterior, torna-se muito fácil projetar
injustamente as suas
inseguranças do passado em seu companheiro. Por exemplo, uma mulher
que tenha
sofrido abuso por parte do pai pode ter traumas não resolvidos, o
que faz com que ela
reaja mal a qualquer figura de autoridade, inclusive ao próprio
marido. Ou então um
homem que teve uma má experiência no relacionamento anterior e que
agora acha que
sua esposa lhe será infiel assim como a sua ex-mulher.
Se eu fui traído no passado e projeto minhas experiências
traumáticas em minha esposa,
quando ela fizer uma coisinha que lembre o comportamento da outra,
vou atacá-la com
ciúme, desconfianças, e ela jamais entenderá o porquê. Ela está
inocente no assunto,
mas eu já estou atacando como se ela tivesse feito o que a outra
fez comigo. Você joga
uma memória sobre a outra pessoa como se ela fosse a culpada.
O exemplo que demos anteriormente da mulher que foi abusada e traz
traumas para o
relacionamento, merece um pouco mais de atenção. Pode ser que ela
não consiga se
satisfazer por causa do abuso, que tome nojo do ato sexual. O
marido não tem culpa,
não foi ele quem abusou dela, mas ela não conseguiu lidar com a
situação. Este
problema tem dois lados, o do projetor e o da tela que está
recebendo a projeção.
Como a pessoa traumatizada consegue lidar com a situação? Aí entra
o poder da fé.
Psicólogos e psiquiatras com certeza podem contribuir, mas a
sabedoria humana e a
medicina têm limites. A fé em Deus, no entanto, não tem limites e
pode curar as feridas
mais profundas. Deus lhe dá capacidade de perdoar e até de —
literalmente — esquecer.
Ele mesmo usa esse poder. Diz, em Isaías 43:25: “Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas
transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me
lembro”.
Deus, que tem a capacidade de lidar com qualquer fato, decide
voluntariamente não
lembrar mais de nossos pecados porque sabe que não é uma
informação útil, prática. Se
a pessoa se arrependeu e quer mudar de vida, Ele faz o processo de
limpeza mental e
não há necessidade de voltar ao passado. Se você não consegue
fazer isso sozinho,
procure ajuda de Deus. Também vale a pena lembrar que a outra
pessoa não tem culpa
do que aconteceu. Portanto, seja justo. Se você está lidando com
alguém que passou por
essa situação, seja paciente. Você, sabendo da bagagem que está
atrás, sabendo com
quem você está lidando, consegue compreender, dar os descontos
necessários e não
reagir mal. Use a cabeça para ajudar a quem ainda está preso às
emoções.
Quando usar: Assim que identificar um trauma ou
acontecimento do passado como raiz de
algum problema em seu relacionamento.
21. Entrem em um acordo sobre como educar as crianças
Quando não há uma frente unificada sobre a criação dos filhos,
você cria um alto nível
de estresse no casamento, sem falar na confusão e frustração dos
seus filhos. E nunca
discuta na frente das crianças. Se vocês discordarem de alguma
coisa, conversem em
particular. Um pode ser muito duro com as crianças, devido à sua
criação, e o outro
pode ser muito mais tolerante, também por conta de sua infância.
Ambos os métodos
funcionam, dependendo da ocasião, dose um pouco dos dois. Não
diminua seu parceiro
por ele educar os filhos de uma maneira diferente da sua,
simplesmente combinem
previamente como isso será feito.
Criança é criança (adolescente é uma criança com um corpo mais
desenvolvido), não
funciona com a cabeça, é guiada pelas emoções, pois sua mente ainda
não se
desenvolveu por completo. Infelizmente, pelo processo natural,
seus filhos não estão tão
desenvolvidos emocionalmente quanto você gostaria. Eles vão chegar
lá. Até que isso
aconteça, precisam de rotinas e disciplina: limites, hora para
acordar, para dormir,
sentar à mesa para fazer as refeições junto com a família, hora de
chegar em casa (no
caso de adolescentes), saber quando falar e quando ficar calado.
Crianças vão sempre tentar apertar os botões, testar os limites.
Claro, é válido deixar
que descubram as coisas, mas não é saudável deixá-las muito à
vontade. Os pais são os
responsáveis por estabelecer essas regras, sem violência, com
diálogo. Lembrem-se da
ferramenta 16 de roteirizar previamente. Os filhos não podem
receber informações
conflitantes. Caso um deles comece a reclamar do pai ou da mãe,
jamais diminua a
imagem de seu esposo ou esposa diante de seus filhos. Para treinar
seus filhos para o
mundo, você deve utilizar limites, consequências e recompensas. É
como dirigir um
carro. Você não pode exceder o limite de velocidade, a lei
determinou consequência para
aquele comportamento: a multa. Se você recebe uma cartinha do
Detran em casa e tem
de pagar pela infração, da próxima vez será mais cuidadoso e
procurará não exceder o
limite estabelecido. Muitos pais se esquecem de mostrar as
consequências aos seus filhos.
Não estou falando de nada muito severo, seja equilibrado, não é
medo o que você quer gerar na criança. A questão não é
punir, mas treinar a mudar de comportamento, isso é
possível com consequências a um comportamento errado e recompensas
quando fazem
alguma coisa certa. Esta semana ele não se atrasou para ir à
escola? Merece uma sessão
de cinema no final de semana. A vida é assim. Se você trabalha
bem, espera que o
patrão reconheça, não é mesmo? Se isso acontece, sente-se motivado
a continuar o bom
trabalho e se aprimorar ainda mais.
Se o seu filho já é adulto e ainda mora com você, não pode viver
uma vida de eterno
adolescente. Ele também deve contribuir, ajudar nas contas,
arrumar a casa, ter
consequências. Infelizmente, muitos pais hoje em dia estão criando
delinquentes por
medo de serem julgados pela cultura que coloca os filhos contra os
pais. Acabam criando
filhos totalmente despreparados para a sociedade. Antigamente, um
rapaz de dezoito
anos já era um homem pronto para ter suas próprias
responsabilidades e dirigir sua
família. Hoje em dia, um rapaz de dezoito anos não sabe nada da
vida porque os pais
estão deixando a sociedade criar seus filhos. Você tem de
estabelecer uma cultura
própria dentro de casa, a sua cultura. Pense bem, se até entre os
bandidos existem
regras (algumas bastante rígidas), por que vocês não terão regras?
Quando usar: desde a decisão de serem pais,
diariamente, ajustando o comportamento de vocês
em relação a criar os filhos. Lembre-se: esta é uma
grande responsabilidade, vocês estão
formando um ser humano.
22. Lembre-se de que vocês estão no mesmo time
O que é mais importante, ser feliz ou ter razão? Estar bem no
casamento ou provar
que você está certo? Pessoas individualistas são péssimos
cônjuges. Casais devem
aprender a trabalhar em equipe — porque são uma. Priorizem o bem
da equipe. Vocês
estão sempre lado a lado. Algumas vezes terão de concordar em
discordar. Discordar
não precisa trazer uma briga. Unam-se contra os problemas, jamais
deixem que eles lhes
dividam. Nunca se esqueça de que o importante é que o time saia
ganhando e não
apenas um de seus jogadores. Como trabalha um time? Um dos
fundamentos do
basquete é o que se chama de “entrosamento de equipe” e consiste
em passar a bola de
mão em mão entre os jogadores até que ela chegue a alguém que
possa fazer a cesta.
Note que o objetivo pessoal de cada jogador é, naturalmente,
fazer muitas cestas e
tornar-se o cestinha da equipe, mas ele abre mão de qualquer
objetivo pessoal pelo
sucesso de seu time. Naquele momento não é importante qual dos
jogadores,
individualmente, irá fazer a cesta, mas que a melhor estratégia
seja tomada para que o
jogador melhor posicionado consiga acertar o alvo e aumentar a pontuação
do time. Se
o último a receber a bola errar a cesta, não será linchado pelos
outros. Todos estão
empenhados no esforço conjunto e sabem que o trabalho da equipe
continua.
Outro aspecto de uma equipe é reconhecer os pontos fortes e fracos
de cada jogador.
Cada um faz aquilo em que é melhor fazendo, e todos se
complementam. A Cristiane é
melhor organizadora e realizadora do que eu, e ótima contabilista.
Ela lida com as
finanças. Eu sou melhor estrategista e planejador, penso mais nos
detalhes. Ambos
combinamos nossas forças para o bem do casamento.
Quando usar: desde o primeiro dia de casamento, até
que a morte os separe. Principalmente
nas discussões em que houver discordância, sinais
de individualidade e problemas que os
dividam.
23. Problemas com dinheiro são problemas de confiança
Contas de banco separadas, reter informação de ganhos e gastos do
seu companheiro
e decisões de compra sem consultar um ao outro são alguns sinais
de que há um sério
problema de confiança em seu relacionamento. Descubra por que você
não consegue
confiar em seu cônjuge ou por que ele não confia em você em
relação ao dinheiro — e
lide com essa situação. Aí está a raiz. Questões relacionadas a
dinheiro são uma das
principais causas de divórcios. Não estamos falando aqui de problemas
financeiros do
casal, mas de problemas entre vocês sobre dinheiro. O marido acha
que a esposa gasta
demais ou a esposa reclama que o marido não consegue poupar. Vocês
discutirão até a
velhice se não resolverem a raiz. Como posso ajudar minha esposa a
aprender a gastar
com mais sabedoria? Tirar seu cartão de crédito não resolverá o
problema. Se eu tiro o
cartão, ela continua com o problema e ainda acrescenta mais um: a
mágoa por minha
atitude. Devo me perguntar: “O que eu realmente quero?” Eu não quero
tirar o cartão,
quero que ela me ajude a confiar mais nela. Quais as opções para
lidar com a raiz deste
problema? Teremos de sentar e fazer o orçamento da casa juntos?
Darei a ela um limite
para fazer pequenos gastos até que desenvolva essa habilidade? Eu,
como cabeça, tenho
que ajudá-la.
Por outro lado, se você admite não conseguir controlar seus
impulsos consumistas, ou
tem um vício que consome o dinheiro, e não sabe como controlar o
que passa por suas
mãos, aceite a ajuda do seu cônjuge, pelo bem do time. Trabalhando
juntos para
resolver esta situação, vocês encontrarão a melhor saída para
equilibrar as contas e
eliminar essa fonte de desgaste de seu relacionamento.
Quando usar: no momento em que questões
relacionadas a dinheiro se tornarem uma fonte de
estresse em seu casamento. Busquem a raiz da
desconfiança.
24. Não interrompa o seu companheiro
Quando vocês tiverem um desentendimento, permita que seu cônjuge
explique o seu
ponto de vista antes de você começar a falar. Resista à tentação
de se defender ou de
contra-atacar. Isso mantém a discussão em nível racional ao invés
de emocional. É
também importante se concentrar em UM PONTO de cada vez. Não saia
de um
determinado assunto até que ele tenha sido resolvido, só então
prossiga ao próximo
assunto. É o problema dos dois cérebros novamente. O homem tende a
fazer isso
naturalmente, tirando a caixinha correspondente. A mulher já vê as
conexões com tudo
ligado àquele problema. Rapidamente a discussão envereda por
tópicos paralelos e sobe
para o nível irracional. Sobre o que estamos discutindo afinal? Ouça tudo primeiro. Não
pense que já entendeu antes do outro terminar de falar. Não fique
pensando no que vai
responder antes de terminar de ouvir. Não é uma disputa, você não
tem que se
defender, nem tem que ganhar a argumentação. Você deve entender o
problema (não
achar que entendeu) e só depois falar. Se o interesse é resolver o
problema, deixe a
pessoa falar.
Claro que isso não é uma desculpa para você que fala muito dominar
a conversa. Já vi
muitos casais em que um é um orador nato e o outro tem
dificuldades de se expressar. É
muito chato ver esse casal discutir porque um domina a conversa e
o outro nem
consegue abrir a boca. Uma boa dica para não perder o foco é pegar
um papel e
escrever qual é o problema que vocês têm de resolver. Por exemplo:
nossa casa está
caindo aos pedaços e já falei várias vezes. É isso que vocês querem discutir, então não vá
para a sogra, nem para o carro, nem para o cachorro. Permaneça
naquele assunto, em
um ponto só. Resolva aquele, e só depois vá para os próximos.
Quando usar: em qualquer discussão, quando lhe dá
vontade de interromper ou de dominar a
conversa.
25. Tenha senso de humor
Estimule o senso de humor de seu companheiro. Ria o máximo
possível. Se vocês não
fazem sorrir um ao outro com frequência, considere a alternativa!
Acho que uma das
coisas que mantêm nosso casamento muito gostoso é o senso de
humor. É a maneira de
aliviar a tensão e manter a coisa interessante entre os dois.
Vocês estão casados para
uma longa jornada — que esta jornada seja estimulante, e não
chata.
Cristiane e eu temos uma rotina sem muita vida social. Mesmo
assim, nunca é chato
quando estamos juntos, justamente por causa desse bom humor.
Fazemos uma piada
um para o outro, comentamos algo engraçado, sempre com leveza,
várias vezes no dia.
Existem casais que não gostam de ficar juntos, é tão chato ficar
um ao lado do outro
que acabam cansando. Em nosso caso, a convivência é tão leve e
divertida que não
conseguimos ficar separados. Temos brincadeiras e piadas que nunca
vamos dividir com
ninguém, ou das quais ninguém vai rir, porque são piadas internas.
A propósito,
mulheres, mais uma dica: homem geralmente gosta de contar piada.
Eles não têm os
assuntos que vocês têm entre si; as mulheres são normalmente mais
sérias. Homens
quando se encontram não falam de cabelo e de roupa, eles gostam de
rir. O marido
pode ser muito frustrado porque tenta trazer humor para o
relacionamento e a mulher o
acha bobo e sem graça (e pior — diz isso para ele), depois reclama
de ele ficar na
televisão. Qual é a graça de conversar com alguém que lhe diminui
só porque você está à
vontade e que o obriga a se manter tenso e sério o tempo todo?
Ainda que o humor de
vocês seja diferente, você mulher tem de aprender a achar seu
marido engraçado.
Em tempo: responsabilidade e maturidade nada têm a ver com cara
fechada. Pelo
contrário, uma pesquisa recente realizada pela Accountemps,
especializada em
recrutamento nas áreas financeira e contábil, mostrou que 79% dos
diretores financeiros
acreditam que o bom humor é fundamental para que o funcionário se
encaixe na
empresa. Se isso fosse indicativo de irresponsabilidade ou falta
de seriedade, acha
mesmo que executivos experientes colocariam como item importante
na hora de
contratar pessoal? Não esquecendo que as vantagens vão além do
trabalho e da saúde
de seu relacionamento: já se sabe que o bom humor melhora o
funcionamento do
sistema imunológico, estimula a criatividade, a memória e ainda
ajuda a diminuir a
sensação de dor. Sem contar o aumento na autoestima. É muito legal
quando você tem
outra pessoa rindo das suas piadas. Isso traz intimidade. Seu
cônjuge pode preferir ficar
com os amigos porque eles riem de suas piadas! Se você não
acrescenta nada, não é uma
pessoa agradável e despreza o que a pessoa fala, por que ela iria
preferir sua companhia?
Quando usar: enquanto estiver respirando. Apenas
cuidado para não ofender seu parceiro com
um humor que ele(a) não aprecia ou em momentos
inapropriados.
26. Certifique-se de que tem toda a atenção dele
Esta é uma ferramenta especificamente para o uso das mulheres.
Mencionamos
anteriormente que devido às diferenças entre os cérebros feminino
e masculino, mulheres
tendem a ser multitarefas e homens monotarefas. Ela consegue fazer
muitas coisas ao
mesmo tempo, ele se sai melhor focando toda a sua atenção em uma
coisa de cada vez.
Por isso, mulher, quando você quiser falar algo muito importante
para seu marido,
certifique-se de que ele esteja olhando para você e desengajado de
qualquer outra tarefa!
Porém, cuidado.
Isso normalmente quer dizer que você terá que interromper o foco
dele do que for que
esteja fazendo. Escolha bem o momento, fale brandamente — e mesmo
assim esteja
preparada para lembrar o sem-noção novamente mais tarde, se for
realmente crucial.
Quando usar: sempre que precisar que o cérebro
oposto registre algo importante.
27. Mantenha o romance vivo
Um casamento não se baseia em emoção, mas em muito esforço e
perseverança.
Porém, um pouco de romance ajuda bastante. É muito importante que
marido e mulher
sempre façam coisas especiais um para o outro. Se não formos
cuidadosos, o trabalho,
os filhos e as outras responsabilidades e pressões tomarão todo o
nosso tempo.
Certifique-se de ter momentos a sós. Levar trabalho para casa
regularmente, passar
horas em frente à TV, permitir que as crianças tenham todo o seu
tempo e atenção são
comportamentos que fazem com que casais se distanciem. Vocês
precisam ter esses
momentos “a sós”. Planeje com antecedência.
Hollywood nos fez acreditar que romance é uma coisa complicada,
elaborada e cara,
mas não é. Romance pode ser definido simplesmente como “fazer algo
fora da rotina,
que mostre o seu amor pela outra pessoa”. Não precisa ser algo
grande, na maioria das
vezes o romance está nos detalhes. Você, homem, talvez não se
julgue romântico, mas a
coisa é muito simples, é só fazer com espontaneidade. Nem sempre
você precisará gastar
dinheiro para ser romântico. Eis algumas ideias: faça uma ligação
no meio do dia,
perguntando à esposa como ela está, deixe um bilhetinho
inesperado, uma cartinha
como as que você escrevia quando eram namorados (pode colocar sob
o travesseiro ou
junto com as escovas de dente, ou mesmo dentro da mala, quando
forem viajar).
Dar flores já virou clichê, nem sempre funciona. Se vocês tiverem
um gato, por
exemplo, leve em consideração o temperamento do bichano. Se ele
atacar o buquê e
despedaçar as flores, pode não ser muito romântico. Se decidir
arriscar mesmo assim,
escolha flores que gatos possam comer (nunca se sabe, não é?).
Você também pode
desligar os telefones, fazer pipoca, alugar um DVD que ela goste
para assistirem
abraçadinhos no sofá (não durma durante o filme, isso não é
romântico). Enfim, seja
criativo, faça algo diferente, mas simples, que mostre que você
pensa em seu cônjuge nos
momentos mais triviais. Para ajudar, sua tarefa de casa é fazer
algo romântico para o
seu parceiro este fim de semana. Vamos começar a praticar?
Quando usar: no mínimo uma ou duas vezes no mês, e
sempre que a rotina fizer o
relacionamento chato. Essa é uma ferramenta de
manutenção. Surpreenda seu cônjuge.
20 Efésios 4:26,27.
21 Provérbios 10:12.
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