sábado, 30 de novembro de 2013

CAPÍTULO 13


 

CAPÍTULO 13  -   A RAIZ DE TODOS OS DIVÓRCIOS E CASAMENTOS INFELIZES

Capítulo 13 | A raiz de todos os divórcios e casamentos infelizes

Se perguntarmos a um grupo de pessoas divorciadas qual foi o motivo que levou seus

casamentos ao fim, teremos várias respostas diferentes. Muitos dirão que foi por

infidelidade do cônjuge, outros culparão a tal “incompatibilidade de gênios”, outros

responsabilizarão os problemas financeiros ou a falta de compromisso do parceiro. Se

pedirmos aos que vivem infelizes no casamento para listarem as razões desta infelicidade,

dirão coisas do tipo “ele não me dá atenção”, “não confio mais nele”, “brigamos

muito”, “ela é teimosa”, e outras semelhantes. É claro que nem todo casamento é infeliz

pelas mesmas razões, e que nem todo divórcio acontece pelos mesmos motivos. Mas

todos têm a mesma raiz principal. Os motivos dados pelos casais são apenas

consequências de um problema muito mais profundo, que é a raiz de todos os

casamentos infelizes e divórcios. E quem nos revela esta raiz não é um psicólogo nem

um terapeuta de casal. É o próprio Autor do casamento.

Entender esta raiz e cortá-la é algo tão eficaz que se você fizer apenas isso, de tudo o

que aprender neste livro, já poderá transformar seu casamento.

IMPOTENTE PARA IMPEDIR O DIVÓRCIO

Para descobrir esta profunda raiz, trago duas informações da Bíblia que podem

parecer incoerentes à primeira vista. A primeira é que o divórcio é permitido na Lei dada

por Deus a Moisés, no início do Antigo Testamento 11. A segunda é que no último livro

do Antigo Testamento, encontramos a informação de que Deus odeia o divórcio 12. A

palavra usada é essa mesmo: “odeia”. Você não encontra muitas vezes na Bíblia Deus

dizendo que odeia alguma coisa. Ele não usa esse termo a não ser que esteja sendo

literal. Ele realmente odeia o divórcio. Por que o divórcio provoca o ódio de Deus?

Quando o casal se divorcia, é como se dissesse a Deus: “Olha, o Senhor cometeu um

erro. Esse negócio de casamento não funciona.” O divórcio é uma afronta a Deus, já

que foi Ele quem estabeleceu a aliança do casamento; é uma anomalia que nada tem a

ver com o que Ele tinha em mente quando uniu a mulher ao homem.

Mas se esta é a opinião de Deus a respeito do divórcio, por que então abriu uma

exceção, fazendo com que fosse permitido pela lei que Ele próprio criou? E sendo Ele

tão poderoso, por que parece incapaz de impedir uma coisa que odeia?

Foi esta a dúvida que os religiosos trouxeram até Jesus. Ao contrário de você, eles não

estavam realmente querendo saber a resposta. Queriam apenas lançar uma pegadinha

para ver se conseguiam alguma declaração que pudesse ser usada contra Ele no tribunal

— literalmente. Como sempre, se deram mal, e o resultado foi uma revelação

maravilhosa do Senhor Jesus sobre este assunto tão controverso:

Vieram a Ele alguns fariseus e o experimentavam, perguntando: É lícito ao marido

repudiar a sua mulher por qualquer motivo? Então, respondeu Ele: Não tendes lido que

o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará

o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De

modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não

o separe o homem. (Mateus 19:3-6)

Ao responder, Jesus aponta o plano original de Deus e revela o sentido real do

casamento. Na matemática de Deus, 1+1=1 — ou seja, o homem e a mulher unidos

pelo casamento se tornam uma só pessoa. Há uma fusão de dois indivíduos, que se

transformam em uma pessoa diferente. Não sou mais a pessoa que era quando solteiro,

nem a Cristiane. Quem nos conheceu quando solteiros e nos conhece hoje pode ver isso

claramente. Nós nos tornamos pessoas diferentes (e bem melhores) em virtude do

casamento. Houve uma fusão de nossas personalidades. Costumamos fazer uma

analogia com o purê de batatas, que ilustra muito bem este processo. Antes de se fazer o

purê, temos as duas batatas isoladas. Ao cozinhá-las e amassá-las no leite, elas se

fundem e se transformam em um terceiro elemento: o purê. O purê não é mais nem

leite, nem batata... Não tem como separar os dois. É exatamente isso o que Jesus quis

dizer com “não são mais dois, porém uma só carne”.

A palavra hebraica para “se unirá” no original deste texto significa “grudar como

cola”, com o objetivo de fundir os dois objetos de modo que você não consegue mais

separá-los sem grande dano. Imagine rasgar a própria carne. Isso é o divórcio. Causa

feridas profundas e difíceis de cicatrizar, e violenta os que o sofrem. O casamento foi

idealizado para que houvesse uma fusão e o surgimento do terceiro elemento,com a

intenção de nunca ser revogado.

Muitos querem se casar, mas permanecendo a mesma pessoa que eram quando

solteiros. Resistem à fusão e nunca se tornam uma só carne. Os dois continuam como

indivíduos distintos e não maleáveis dentro do relacionamento. Nunca vai funcionar

assim. Não estou dizendo que você deve abdicar da sua personalidade e deixar de ser

você. A ideia é melhorar quem você é, aceitando as influências positivas da outra pessoa

e se moldando a ela. É como um filho do casal. O filho tem as características do pai e da

mãe — nariz de um, olhos do outro, cabelo de um, cor da pele do outro etc. —, mas

ainda assim tem a própria personalidade. É assim no casamento. Vocês acabam se

tornando um produto da sua união. Por isso, quando se casa, você tem que começar a

pensar mais como “nós” e menos como “eu”.

Quando para justificar-se ao seu parceiro de algum erro, você diz: “Eu nasci assim, eu

cresci assim, vivi assim, vou morrer assim, vou ser sempre assim... É o meu jeito”, na

verdade, Gabriela (ou Gabriel), você está querendo manter a sua individualidade à custa

do seu casamento. Se o seu jeito não é bom para o relacionamento, você tem que dar

um jeito no seu jeito, ou não vai ter jeito para vocês dois.

“Eu sou assim, esse é meu jeito” era um dos chavões que eu usava para encerrar

qualquer impasse que eu tinha com a Cristiane. Eu perguntava: “Por que agora você

quer me mudar, se eu já era assim quando você me conheceu?” Essa era a voz da minha

individualidade resistindo à fusão de me tornar uma só carne com ela. Muitos dão

ouvidos a essa voz até finalmente se separarem. Por que esta obstinação? É por causa da

maldita raiz, que Jesus revelou em seguida.

CORAÇÃO DE PEDRA

“Replicaram-lhe: Por que mandou, então, Moisés dar carta de divórcio e repudiar?

Respondeu-lhes Jesus: Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu

repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio.” (Mateus 19:7-8)

Eis a verdadeira raiz de todos os divórcios e casamentos infelizes: o coração

endurecido. O divórcio não estava nos planos de Deus. Não era uma opção quando Ele

criou o casamento. No entanto, pelo coração petrificado do ser humano, Ele teve de

tolerar — e até permitir — algo que tanto odeia. Consegue imaginar isso? Quando você

endurece seu coração, nem Deus pode impedir o divórcio! Mas Ele não pode todas as

coisas? Como não evita algo que tanto odeia? E pior: ainda legaliza! Não poderia ter

proibido de uma vez? Deus não é um tirano. Ele respeita nossas escolhas, não vai

invadir nosso coração e nos forçar a mudar. Nem Deus pode lhe ajudar quando você

endurece o coração, que dirá seu cônjuge! Só você pode fazer alguma coisa para evitar o

desastre.

Mas antes você precisa entender o que é um coração de pedra. O que faz endurecer o

coração de uma pessoa? Será que o seu coração está petrificado e você não sabe?

Há muitas coisas que podem endurecer seu coração. Quando falamos de coração, nos

referimos ao centro das emoções e sentimentos. Todo sentimento negativo que não é

devidamente processado e eliminado do coração acaba se tornando pedra. Uma das

principais é o orgulho.

Orgulho é o concreto dos corações. A pessoa orgulhosa é cega aos seus erros. Em

geral, se julga muito humilde e acha que o erro está sempre nos outros. Ela é a vítima

incompreendida, tem alergia a admitir suas falhas, e prefere extrair um dente sem

anestesia a pedir perdão. O orgulhoso, por se achar sempre certo, fica esperando a outra

pessoa se rebaixar e ceder. É incapaz de ver o quão importante para a pessoa ferida é

ver a outra reconhecer o erro e pedir desculpas. Muitos problemas seriam resolvidos se

o orgulhoso apenas dissesse: “Me desculpe, eu errei, não vou mais fazer isso”. Mas

prefere endurecer ainda mais o coração.

Lembro-me de um casal de idosos, cujo casamento foi arranjado quando a moça tinha

quatorze anos. A família, preocupada com o fato de ela ter personalidade muito forte,

acreditava que o casamento seria uma boa forma de “domesticá-la”. Pobre rapaz! Na

primeira briga, já na lua de mel (achou que demoraria mais do que isso?), ele disse uma

bobagem, afirmando que a única mulher que amou na vida foi a namoradinha de

infância, para a qual levava frutas quando tinha seus dez anos de idade. Agredida com aquela “revelação  descabida, ela guardou por décadas a informação: “ele não me ama e

nunca vai me amar”. Ele, acreditando que ela é que estava errada, nunca pediu perdão.

Ela, sentindo-se agredida, se empenhou em fazer da vida dele um verdadeiro inferno.

O que ganharam com isso? Um casamento em ruínas, uma família despedaçada, anos

de sofrimento inútil. Ele encontrou na rua a apreciação que não tinha em casa e ela

engoliu as diversas traições do esposo, acumulando uma mágoa sobre a outra. Nenhum

dos dois dava o braço a torcer, mesmo que se amassem. A vida passou rápido demais e

somente perto do final perceberam que perderam a oportunidade de ser feliz durante

todos aqueles anos que estiveram juntos.

Quantas oportunidades o orgulhoso está perdendo! Mal sabe ele que se fosse menos

duro seria muito mais feliz. Poderia aprender coisas novas, descobrir uma maneira

diferente de ver a vida... Por que você acha que Deus determinou que duas criaturas tão

diferentes quanto o homem e a mulher vivessem juntas?

Pensando bem, casamento parece até uma piada de mau gosto de Deus. Posso

imaginar o Pai, o Filho e o Espírito Santo rindo e esfregando as mãos enquanto dizem:

“Tive uma ideia! Vamos criar o homem. Ele vai ser assim, assim... Pronto! Agora

vamos criar a mulher... ela será... exatamente o oposto! Vamos ver o que acontece! Eles

vão ter que viver na mesma casa. Ah, e tem mais: não podem se separar!” Parece

brincadeira! Mas é claro que, felizmente, há um propósito.

Deus permite que duas pessoas totalmente diferentes fiquem juntas não para torturar

suas criaturas, mas para que uma desafie a outra a ser uma pessoa melhor. Ele nos fez

bem diferentes para que possamos nos complementar. Mas só é possível melhorar como

pessoa através da convivência como cônjuge se o seu coração for aberto e maleável. É

preciso uma boa dose de humildade para matar essa raiz e aproveitar o que o casamento

tem de melhor.

Voltemos ao exemplo daquele casal de idosos. O problema começou com uma

bobagem dita pelo marido. Se ele tivesse engolido o orgulho e pedido perdão sincero à

esposa, teria evitado cinquenta anos de inferno em sua vida. Ou se pelo menos ela não

levasse a sério a bobagem que ele falou e tratasse o marido com respeito e carinho, ele

não teria outra saída senão fazê-la feliz.

Parente do orgulho, o egoísmo também é capaz de petrificar um coração. O

pensamento do egoísta é essencialmente guiado por estas máximas: o que eu quero, o que

é bom para mim, os meus desejos primeiro. A pessoa egoísta não se importa com o ponto de

vista da outra pessoa. Ela escuta, mas não ouve, pois a voz do seu eu é alta demais e

abafa a voz do parceiro.

No início do meu casamento, eu não estava preocupado com as necessidades da minha

esposa. Contanto que eu estivesse satisfeito no meu trabalho, estava bom. Achava que

desde que não estivesse faltando nada em casa, ela não teria do que reclamar. Se você

acredita que seu cônjuge tem reclamado de barriga cheia, já que você dá isso, faz

aquilo... Entenda uma coisa: não adianta você dar muito de algo que a pessoa já tem o

bastante, e não dar nada daquilo que ela realmente precisa e está sentindo falta.

Conheci um rapaz que acreditava que sua esposa era muito feliz. Ele se espantou

quando um belo dia (nem tão belo assim para ele) a mulher anunciou que estava saindo

de casa. Teorias conspiratórias invadiram sua mente. Quem teria “virado a cabeça”

daquela mulher perfeita e submissa com quem vivia há seis anos? Um irmão? Uma

amiga? Um pastor? O filho do primeiro casamento, com o qual nunca se deu bem? Era

injusto, ele, um excelente marido, “que sempre lhe deu tudo”, que sempre esteve ao lado

dela, com quem se dava tão bem, agora ser abandonado sem mais explicações.

O que ele não imaginava é que ela se sentia deixada de lado na maior parte daqueles

anos de casamento. Confidenciou-me que tudo o que o marido fazia e dizia era em

função dele mesmo. Jamais se interessou em saber o que ela gostava, o que queria. Eles

não se comunicavam, ele se achava muito mais inteligente — ou pelo menos era assim

que ela interpretava — e impunha a ela passeios culturais que não a interessavam. Ela

também estava errada, já que nunca deixou que ele soubesse que nada do que faziam a

agradava. Mas se ele tivesse olhado menos para o próprio umbigo, teria percebido que

ao seu lado havia uma mulher anulada e infeliz.

Entenda isso: você perdeu o direito de pensar apenas em si mesmo no dia em que

assinou a certidão de casamento.

NÃO VOU MUDAR

Dureza de coração é basicamente uma teimosia, insistir no que não funciona. É o que

faz o marido dizer que não vai mudar, mesmo vendo o casamento ir por água abaixo. É

o que faz a esposa insistir no jeito de ser e permanecer surda aos pedidos do marido. Se

o seu jeito de ser não é bom para o casamento, e você não quer mudar, saiba que seu

destino é morrer sozinho.

Muitas vezes endurecemos nosso coração por autodefesa. Depois de sofrermos muito,

talvez depois de traição, mentira, palavras duras, ou outra experiência dolorosa nas

mãos do nosso parceiro, é natural que o nosso coração se endureça. Nós nos afastamos,

desligamos emocionalmente, para que nunca mais aquela pessoa possa nos ferir. O

problema é que levantar muralhas para proteger nosso coração não é inteligente — a

não ser que você queira ficar trancado lá dentro, sozinho, com todos aqueles

sentimentos ruins, como prisioneiro na casa dos horrores. Quem constrói muralhas

acaba em uma prisão construída por si mesmo.

Pense nisso: se seu cônjuge está realmente determinado a lhe ferir e você vê que não há

mais por que lutar por este casamento, então saia dele de uma vez por todas. Mas se

você ainda está aí tentando, porque crê que há esperança, então você tem que derrubar

essas muralhas e amolecer seu coração. Viver ao lado de seu parceiro, mas manter as

muralhas entre vocês é gostar de sofrer. Lembre-se: se a dureza de coração permanecer,

nem Deus poderá lhe ajudar.

Veja se estas pedras estão em seu coração:

• Orgulho

• Egoísmo

• Inflexibilidade no seu jeito de ser

• Sempre defensivo

• Preso a um ponto de vista

• Incapaz de perdoar

• Resiste e/ou nega intimidade física

• Falta de vontade de mudar

• Nunca está errado

• Gosta de receber, não de dar

• Preso ao passado

• Tem construído muralhas que seu parceiro não pode ultrapassar

• Não é sincero, oculta os sentimentos

• Costuma focar nos pontos negativos do parceiro

• Raramente pede desculpas

• Não se importa com os sentimentos do parceiro

• Não quer ouvir

• Tenta impor mudanças ao parceiro

• Tem uma opinião formada (que é a única certa, é claro)

• Faz chantagens emocionais

• Tenta controlar o parceiro

• Usa “esse é o meu jeito” como uma desculpa para tudo

• Não reconhece que precisa de ajuda com seus problemas pessoais

• Usa palavras que magoam

• Frieza e distância emocional

• Não consegue se abrir e compartilhar com o parceiro

Analise a si mesmo à luz dos pontos anteriores. Faça um exame honesto de seu

coração. Será que não há algumas pedras que precisam ser quebradas? O que seu

cônjuge diria a seu respeito, se alguém lhe perguntasse sobre isso? Enquanto você

mantiver a dureza de coração, nunca poderá ser feliz na sua vida sentimental.

Cristiane:

Para complicar ainda mais a situação, existem dois tipos de corações duros: aquele

que está bem à vista, que todos veem, cuja dureza é facilmente notada, e aquele

que pensa que é a vítima. Ambos estão endurecidos e ambos estão acusando um ao

outro.

Era assim comigo e com o Renato. Durante os primeiros doze anos de nosso

casamento, eu o culpava por não ser o marido que eu precisava que ele fosse. O seu

jeito de resolver nossos problemas era terrível. Ficava de cara amarrada comigo por

dias e, no final, eu é que tinha que pedir desculpas. Eu pedia, senão o casamento

não andava para a frente, mas na realidade não pedia desculpas de coração. Eu

continuava pensando que ele era o problema, tanto é que vivia orando por ele (era

justa aos meus próprios olhos). Eu me achava uma esposa mal aproveitada, lhe dava

tudo de mim e ganhava pouco de volta. Cheguei até a compor uma música bem

triste e sentimental para a trilha sonora de nossa história de “amor”. Até que

chegamos à época do telefonema, que explicamos no capítulo 9. Mudei muito,

foquei mais no que eu podia fazer, e descobri que durante aqueles anos todos eu

também tinha um coração duro. O meu era aquele que se chamava de vítima.

Sim, o Renato me devia a atenção de marido. Sim, ele não deveria me punir por

dias sem falar comigo por qualquer coisa que não gostava que eu fizesse. Mas o que

adianta você saber que o seu cônjuge não faz o que ele deveria fazer se você

também não faz o que você deveria fazer?

A princípio, eu me assustei com essa revelação. Sempre me considerei uma ótima

esposa para o Renato, sempre dando o meu melhor para ele. Como poderia também

estar sendo má, estar sendo dura com ele? É aí que muitos continuam no círculo

vicioso do desamor. Amar é dar. Mas quando chega a ponto de ambos pararem de

dar para ver quem dá primeiro, já era. Ficam dando voltas e mais voltas, uma

verdadeira “mudança” de 360 graus! Mudam nos primeiros meses, mas daqui a

pouco estão no mesmo lugar da partida.

Meu coração duro insistia em demandar a mudança do Renato. Eu o cobrava

constantemente. Quando eu fazia algo que ele havia pedido, logo ficava esperando

para ver o que ele iria fazer por mim. E quando não via nada no horizonte, voltava a

cobrar. E você sabe que existem várias maneiras de cobrança. Você reclama, faz

cara feia, joga um comentário verde para ver se colhe algo maduro, faz chantagem

emocional, faz comparações, e por aí vai. Todas essas coisas são derivadas de um

coração duro que pensa ser vítima.

Eu creio ser esse o pior dos corações duros, porque não conseguimos nos enxergar.

Pensamos que estamos certos, levantamos a bandeira do “até quando terei que dar?”

— mas que o que adianta dar com uma das mãos enquanto cobra com a outra?

Eu tinha esse coração duro e por isso nossos problemas duraram mais do que

deveriam. Tenho total consciência disso, tanto é que assim que amoleci o meu

coração, o Renato mudou, e o meu casamento se transformou, como se eu estivesse

bloqueando todas as minhas orações e as nossas tentativas de mudanças.

A minha mudança foi bem simples. Aliás, creio que para a vítima a mudança não

é tão complicada como para o réu. Eu simplesmente deixei de impor. Sacrifiquei o

que eu achava que ele deveria fazer, parei de apontar aquilo, deixei de cobrar. Olha

a simplicidade da coisa! Só isso foi o bastante. E o que ganhei de volta, nossa...

Estamos aqui escrevendo um livro sobre o assunto para você ver como vale a pena!

Quem cede primeiro tem o privilégio de dizer o que eu digo hoje: eu mudei

primeiro, para o meu marido mudar. Isso não é para qualquer um.

LIVRANDO-SE DAS PEDRAS

Se você reconhece que há pedras e muralhas em seu coração e quer mudar, o primeiro

passo é pedir ajuda daquele que odeia o divórcio. Lembra-se dele? Ora, podemos

concluir que se Deus odeia o divórcio, e a dureza de coração é a responsável pelos

casamentos destruídos, logo, Deus quer lhe ajudar a vencer isso. Veja o que Ele diz:

“Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de

pedra e vos darei coração de carne. (Ezequiel 36:26)

Para que Deus possa lhe ajudar, você precisa assumir o seu erro. Você pode começar

fazendo uma oração sincera, com humildade: “Meu Deus, quero trocar de coração. Tire

meu coração de pedra e me dê um coração de carne. Me mostre como tenho de ser e me

ajude a ser a pessoa que o Senhor quer que eu seja.”

Se você acha que “não é bem assim” e quer continuar a fazer as coisas do seu jeito,

esqueça. Nem Deus pode ajudar a quem não quer abrir mão do coração petrificado.

Mas se você tiver esse desejo sincero de se entregar e permitir que Deus lhe molde na

pessoa que você deve ser, Ele lhe ajudará a quebrar seu coração, recuperar seu

casamento, e evitar até um futuro divórcio.

Mas não pense que ter a ajuda de Deus significa que você poderá ficar de braços

cruzados enquanto Ele trabalha. Não funciona assim. A ação de Deus exige parceria.

Ele vai te ajudar naquilo que você não consegue sozinho, mas seu esforço é necessário

nesse processo. Deus lhe dará as ferramentas para você mesmo quebrar seu coração

duro. Quebrar pedras nunca é uma tarefa fácil, mas vamos lhe dizer o que fazer — e o

que não fazer — para conseguir isso.

Reconhecer seus erros é muito doloroso, mas você terá de fazer isso para começar.

Sinta essa dor agora e terá um alívio por toda a vida. A alternativa é se agarrar aos seus

erros e afundar com eles, sentindo dor à prestação por anos a fio. Qual você prefere?

Tarefa

Vocês terão uma conversa. Faça a seguinte pergunta ao seu cônjuge: o que me faz uma pessoa

difícil de conviver? Anote as respostas. Depois invertam: você responderá a pergunta e seu cônjuge

anotará suas respostas. Ainda que seu cônjuge não queira fazer essa tarefa, lembre-se das

principais queixas que costuma ouvir e anote-as. Não se esqueça: o mais inteligente é o que dá o

primeiro passo rumo à mudança. Atenção às regras: papel, caneta, ouvir e escrever. Você não deve

rebater, nem se defender, nem questionar. Zero sentimento nesta tarefa. Apenas explore o ponto de

vista da outra pessoa, mesmo que você discorde dela. O importante é entender o que ele(a) está

sentindo.

Não leve para o lado pessoal. Lembre-se de guardar suas emoções na gaveta antes de iniciar esta

tarefa. Ainda que não concorde, respire fundo e continue. Não faça ataques ao caráter, tente se

expressar de maneira a focar o problema. Guarde esta lista com a sua vida. Não a perca. Mostre ao

seu cônjuge que está levando a sério.

Se você tirar a emoção e souber manter o foco, terá nesta lista algo muito útil para lhe ajudar a

mudar a si mesmo. Não é competição. Não se preocupem com qual lista ficará maior do que a

outra. O que importa é colocar tudo para fora. Outro ponto crucial: a partir desse exercício você não

vai mais apontar esses itens para a outra pessoa, nem cobrar que ela faça algo com a lista. Você é

responsável apenas pelo seu trabalho.

Mãos à obra, peguem suas marretas. Hoje vocês começarão a quebrar pedras.

11 Deuteronômio 24:1.

12 Malaquias 2:16.

Nenhum comentário:

Postar um comentário