CAPÍTULO 13 - A RAIZ DE TODOS OS DIVÓRCIOS E CASAMENTOS
INFELIZES
Capítulo 13 | A raiz de todos os divórcios e casamentos infelizes
Se perguntarmos a um grupo de pessoas divorciadas qual foi o
motivo que levou seus
casamentos ao fim, teremos várias respostas diferentes. Muitos
dirão que foi por
infidelidade do cônjuge, outros culparão a tal “incompatibilidade
de gênios”, outros
responsabilizarão os problemas financeiros ou a falta de
compromisso do parceiro. Se
pedirmos aos que vivem infelizes no casamento para listarem as
razões desta infelicidade,
dirão coisas do tipo “ele não me dá atenção”, “não confio mais
nele”, “brigamos
muito”, “ela é teimosa”, e outras semelhantes. É claro que nem
todo casamento é infeliz
pelas mesmas razões, e que nem todo divórcio acontece pelos mesmos
motivos. Mas
todos têm a mesma raiz principal. Os motivos dados pelos casais
são apenas
consequências de um problema muito mais profundo, que é a raiz de
todos os
casamentos infelizes e divórcios. E quem nos revela esta raiz não
é um psicólogo nem
um terapeuta de casal. É o próprio Autor do casamento.
Entender esta raiz e cortá-la é algo tão eficaz que se você fizer
apenas isso, de tudo o
que aprender neste livro, já poderá transformar seu casamento.
IMPOTENTE PARA IMPEDIR O DIVÓRCIO
Para descobrir esta profunda raiz, trago duas informações da
Bíblia que podem
parecer incoerentes à primeira vista. A primeira é que o divórcio
é permitido na Lei dada
por Deus a Moisés, no início do Antigo Testamento 11. A segunda é que no último livro
do Antigo Testamento, encontramos a informação de que Deus odeia o
divórcio 12. A
palavra usada é essa mesmo: “odeia”. Você não encontra muitas
vezes na Bíblia Deus
dizendo que odeia alguma coisa. Ele não usa esse termo a não ser
que esteja sendo
literal. Ele realmente odeia o divórcio. Por que o divórcio
provoca o ódio de Deus?
Quando o casal se divorcia, é como se dissesse a Deus: “Olha, o
Senhor cometeu um
erro. Esse negócio de casamento não funciona.” O divórcio é uma
afronta a Deus, já
que foi Ele quem estabeleceu a aliança do casamento; é uma
anomalia que nada tem a
ver com o que Ele tinha em mente quando uniu a mulher ao homem.
Mas se esta é a opinião de Deus a respeito do divórcio, por que
então abriu uma
exceção, fazendo com que fosse permitido pela lei que Ele próprio
criou? E sendo Ele
tão poderoso, por que parece incapaz de impedir uma coisa que
odeia?
Foi esta a dúvida que os religiosos trouxeram até Jesus. Ao
contrário de você, eles não
estavam realmente querendo saber a resposta. Queriam apenas lançar
uma pegadinha
para ver se conseguiam alguma declaração que pudesse ser usada
contra Ele no tribunal
— literalmente. Como sempre, se deram mal, e o resultado foi uma
revelação
maravilhosa do Senhor Jesus sobre este assunto tão controverso:
Vieram a Ele alguns fariseus e o experimentavam,
perguntando: É lícito ao marido
repudiar a sua mulher por qualquer motivo? Então,
respondeu Ele: Não tendes lido que
o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher
e que disse: Por esta causa deixará
o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher,
tornando-se os dois uma só carne? De
modo que já não são mais dois, porém uma só carne.
Portanto, o que Deus ajuntou não
o separe o homem. (Mateus 19:3-6)
Ao responder, Jesus aponta o plano original de Deus e revela o
sentido real do
casamento. Na matemática de Deus, 1+1=1 — ou seja, o homem e a
mulher unidos
pelo casamento se tornam uma só pessoa. Há uma fusão de dois
indivíduos, que se
transformam em uma pessoa diferente. Não sou mais a pessoa que era
quando solteiro,
nem a Cristiane. Quem nos conheceu quando solteiros e nos conhece
hoje pode ver isso
claramente. Nós nos tornamos pessoas diferentes (e bem melhores)
em virtude do
casamento. Houve uma fusão de nossas personalidades. Costumamos
fazer uma
analogia com o purê de batatas, que ilustra muito bem este
processo. Antes de se fazer o
purê, temos as duas batatas isoladas. Ao cozinhá-las e amassá-las
no leite, elas se
fundem e se transformam em um terceiro elemento: o purê. O purê
não é mais nem
leite, nem batata... Não tem como separar os dois. É exatamente
isso o que Jesus quis
dizer com “não
são mais dois, porém uma só carne”.
A palavra hebraica para “se unirá” no original deste texto
significa “grudar como
cola”, com o objetivo de fundir os dois objetos de modo que você
não consegue mais
separá-los sem grande dano. Imagine rasgar a própria carne. Isso é
o divórcio. Causa
feridas profundas e difíceis de cicatrizar, e violenta os que o
sofrem. O casamento foi
idealizado para que houvesse uma fusão e o surgimento do terceiro
elemento,com a
intenção de nunca ser revogado.
Muitos querem se casar, mas permanecendo a mesma pessoa que eram
quando
solteiros. Resistem à fusão e nunca se tornam uma só carne. Os
dois continuam como
indivíduos distintos e não maleáveis dentro do relacionamento.
Nunca vai funcionar
assim. Não estou dizendo que você deve abdicar da sua
personalidade e deixar de ser
você. A ideia é melhorar quem você é, aceitando as influências
positivas da outra pessoa
e se moldando a ela. É como um filho do casal. O filho tem as
características do pai e da
mãe — nariz de um, olhos do outro, cabelo de um, cor da pele do
outro etc. —, mas
ainda assim tem a própria personalidade. É assim no casamento.
Vocês acabam se
tornando um produto da sua união. Por isso, quando se casa, você
tem que começar a
pensar mais como “nós” e menos como “eu”.
Quando para justificar-se ao seu parceiro de algum erro, você diz:
“Eu nasci assim, eu
cresci assim, vivi assim, vou morrer assim, vou ser sempre
assim... É o meu jeito”, na
verdade, Gabriela (ou Gabriel), você está querendo manter a sua
individualidade à custa
do seu casamento. Se o seu jeito não é bom para o relacionamento,
você tem que dar
um jeito no seu jeito, ou não vai ter jeito para vocês dois.
“Eu sou assim, esse é meu jeito” era um dos chavões que eu usava
para encerrar
qualquer impasse que eu tinha com a Cristiane. Eu perguntava: “Por
que agora você
quer me mudar, se eu já era assim quando você me conheceu?” Essa
era a voz da minha
individualidade resistindo à fusão de me tornar uma só carne com ela.
Muitos dão
ouvidos a essa voz até finalmente se separarem. Por que esta
obstinação? É por causa da
maldita raiz, que Jesus revelou em seguida.
CORAÇÃO DE PEDRA
“Replicaram-lhe: Por que mandou, então, Moisés dar
carta de divórcio e repudiar?
Respondeu-lhes Jesus: Por causa da dureza do vosso
coração é que Moisés vos permitiu
repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim
desde o princípio.” (Mateus 19:7-8)
Eis a verdadeira raiz de todos os divórcios e casamentos
infelizes: o coração
endurecido. O divórcio não estava nos planos de Deus. Não era uma
opção quando Ele
criou o casamento. No entanto, pelo coração petrificado do ser
humano, Ele teve de
tolerar — e até permitir — algo que tanto odeia. Consegue imaginar
isso? Quando você
endurece seu coração, nem Deus pode impedir o divórcio! Mas Ele
não pode todas as
coisas? Como não evita algo que tanto odeia? E pior: ainda
legaliza! Não poderia ter
proibido de uma vez? Deus não é um tirano. Ele respeita nossas
escolhas, não vai
invadir nosso coração e nos forçar a mudar. Nem Deus pode lhe
ajudar quando você
endurece o coração, que dirá seu cônjuge! Só você pode fazer
alguma coisa para evitar o
desastre.
Mas antes você precisa entender o que é um coração de pedra. O que
faz endurecer o
coração de uma pessoa? Será que o seu coração está petrificado e
você não sabe?
Há muitas coisas que podem endurecer seu coração. Quando falamos
de coração, nos
referimos ao centro das emoções e sentimentos. Todo sentimento
negativo que não é
devidamente processado e eliminado do coração acaba se tornando
pedra. Uma das
principais é o orgulho.
Orgulho é o concreto dos corações. A pessoa orgulhosa é cega aos
seus erros. Em
geral, se julga muito humilde e acha que o erro está sempre nos
outros. Ela é a vítima
incompreendida, tem alergia a admitir suas falhas, e prefere
extrair um dente sem
anestesia a pedir perdão. O orgulhoso, por se achar sempre certo,
fica esperando a outra
pessoa se rebaixar e ceder. É incapaz de ver o quão importante
para a pessoa ferida é
ver a outra reconhecer o erro e pedir desculpas. Muitos problemas
seriam resolvidos se
o orgulhoso apenas dissesse: “Me desculpe, eu errei, não vou mais
fazer isso”. Mas
prefere endurecer ainda mais o coração.
Lembro-me de um casal de idosos, cujo casamento foi arranjado
quando a moça tinha
quatorze anos. A família, preocupada com o fato de ela ter
personalidade muito forte,
acreditava que o casamento seria uma boa forma de “domesticá-la”.
Pobre rapaz! Na
primeira briga, já na lua de mel (achou que demoraria mais do que
isso?), ele disse uma
bobagem, afirmando que a única mulher que amou na vida foi a
namoradinha de
infância, para a qual levava frutas quando tinha seus dez anos de
idade. Agredida com aquela “revelação descabida, ela guardou por décadas a informação: “ele
não me ama e
nunca vai me amar”. Ele, acreditando que ela é que estava errada,
nunca pediu perdão.
Ela, sentindo-se agredida, se empenhou em fazer da vida dele um
verdadeiro inferno.
O que ganharam com isso? Um casamento em ruínas, uma família
despedaçada, anos
de sofrimento inútil. Ele encontrou na rua a apreciação que não
tinha em casa e ela
engoliu as diversas traições do esposo, acumulando uma mágoa sobre
a outra. Nenhum
dos dois dava o braço a torcer, mesmo que se amassem. A vida
passou rápido demais e
somente perto do final perceberam que perderam a oportunidade de
ser feliz durante
todos aqueles anos que estiveram juntos.
Quantas oportunidades o orgulhoso está perdendo! Mal sabe ele que
se fosse menos
duro seria muito mais feliz. Poderia aprender coisas novas,
descobrir uma maneira
diferente de ver a vida... Por que você acha que Deus determinou
que duas criaturas tão
diferentes quanto o homem e a mulher vivessem juntas?
Pensando bem, casamento parece até uma piada de mau gosto de Deus.
Posso
imaginar o Pai, o Filho e o Espírito Santo rindo e esfregando as
mãos enquanto dizem:
“Tive uma ideia! Vamos criar o homem. Ele vai ser assim, assim...
Pronto! Agora
vamos criar a mulher... ela será... exatamente o oposto! Vamos ver
o que acontece! Eles
vão ter que viver na mesma casa. Ah, e tem mais: não podem se
separar!” Parece
brincadeira! Mas é claro que, felizmente, há um propósito.
Deus permite que duas pessoas totalmente diferentes fiquem juntas
não para torturar
suas criaturas, mas para que uma desafie a outra a ser uma pessoa
melhor. Ele nos fez
bem diferentes para que possamos nos complementar. Mas só é
possível melhorar como
pessoa através da convivência como cônjuge se o seu coração for
aberto e maleável. É
preciso uma boa dose de humildade para matar essa raiz e
aproveitar o que o casamento
tem de melhor.
Voltemos ao exemplo daquele casal de idosos. O problema começou
com uma
bobagem dita pelo marido. Se ele tivesse engolido o orgulho e
pedido perdão sincero à
esposa, teria evitado cinquenta anos de inferno em sua vida. Ou se
pelo menos ela não
levasse a sério a bobagem que ele falou e tratasse o marido com
respeito e carinho, ele
não teria outra saída senão fazê-la feliz.
Parente do orgulho, o egoísmo também é capaz de petrificar um
coração. O
pensamento do egoísta é essencialmente guiado por estas máximas: o que eu quero, o que
é bom para mim, os meus desejos primeiro. A pessoa egoísta não se importa com o ponto de
vista da outra pessoa. Ela escuta, mas não ouve, pois a voz do seu
eu é alta demais e
abafa a voz do parceiro.
No início do meu casamento, eu não estava preocupado com as
necessidades da minha
esposa. Contanto que eu estivesse satisfeito no meu trabalho,
estava bom. Achava que
desde que não estivesse faltando nada em casa, ela não teria do
que reclamar. Se você
acredita que seu cônjuge tem reclamado de barriga cheia, já que
você dá isso, faz
aquilo... Entenda uma coisa: não adianta você dar muito de algo
que a pessoa já tem o
bastante, e não dar nada daquilo que ela realmente precisa e está
sentindo falta.
Conheci um rapaz que acreditava que sua esposa era muito feliz.
Ele se espantou
quando um belo dia (nem tão belo assim para ele) a mulher anunciou
que estava saindo
de casa. Teorias conspiratórias invadiram sua mente. Quem teria
“virado a cabeça”
daquela mulher perfeita e submissa com quem vivia há seis anos? Um
irmão? Uma
amiga? Um pastor? O filho do primeiro casamento, com o qual nunca
se deu bem? Era
injusto, ele, um excelente marido, “que sempre lhe deu tudo”, que
sempre esteve ao lado
dela, com quem se dava tão bem, agora ser abandonado sem mais
explicações.
O que ele não imaginava é que ela se sentia deixada de lado na
maior parte daqueles
anos de casamento. Confidenciou-me que tudo o que o marido fazia e
dizia era em
função dele mesmo. Jamais se interessou em saber o que ela
gostava, o que queria. Eles
não se comunicavam, ele se achava muito mais inteligente — ou pelo
menos era assim
que ela interpretava — e impunha a ela passeios culturais que não
a interessavam. Ela
também estava errada, já que nunca deixou que ele soubesse que
nada do que faziam a
agradava. Mas se ele tivesse olhado menos para o próprio umbigo,
teria percebido que
ao seu lado havia uma mulher anulada e infeliz.
Entenda isso: você perdeu o direito de pensar apenas em si mesmo
no dia em que
assinou a certidão de casamento.
NÃO VOU MUDAR
Dureza de coração é basicamente uma teimosia, insistir no que não
funciona. É o que
faz o marido dizer que não vai mudar, mesmo vendo o casamento ir
por água abaixo. É
o que faz a esposa insistir no jeito de ser e permanecer surda aos
pedidos do marido. Se
o seu jeito de ser não é bom para o casamento, e você não quer
mudar, saiba que seu
destino é morrer sozinho.
Muitas vezes endurecemos nosso coração por autodefesa. Depois de
sofrermos muito,
talvez depois de traição, mentira, palavras duras, ou outra
experiência dolorosa nas
mãos do nosso parceiro, é natural que o nosso coração se endureça.
Nós nos afastamos,
desligamos emocionalmente, para que nunca mais aquela pessoa possa
nos ferir. O
problema é que levantar muralhas para proteger nosso coração não é
inteligente — a
não ser que você queira ficar trancado lá dentro, sozinho, com
todos aqueles
sentimentos ruins, como prisioneiro na casa dos horrores. Quem
constrói muralhas
acaba em uma prisão construída por si mesmo.
Pense nisso: se seu cônjuge está realmente determinado a lhe ferir
e você vê que não há
mais por que lutar por este casamento, então saia dele de uma vez
por todas. Mas se
você ainda está aí tentando, porque crê que há esperança, então você
tem que derrubar
essas muralhas e amolecer seu coração. Viver ao lado de seu
parceiro, mas manter as
muralhas entre vocês é gostar de sofrer. Lembre-se: se a dureza de
coração permanecer,
nem Deus poderá lhe ajudar.
Veja se estas pedras estão em seu coração:
• Orgulho
• Egoísmo
• Inflexibilidade no seu jeito de ser
• Sempre defensivo
• Preso a um ponto de vista
• Incapaz de perdoar
• Resiste e/ou nega intimidade física
• Falta de vontade de mudar
• Nunca está errado
• Gosta de receber, não de dar
• Preso ao passado
• Tem construído muralhas que seu parceiro não pode ultrapassar
• Não é sincero, oculta os sentimentos
• Costuma focar nos pontos negativos do parceiro
• Raramente pede desculpas
• Não se importa com os sentimentos do parceiro
• Não quer ouvir
• Tenta impor mudanças ao parceiro
• Tem uma opinião formada (que é a única certa, é claro)
• Faz chantagens emocionais
• Tenta controlar o parceiro
• Usa “esse é o meu jeito” como uma desculpa para tudo
• Não reconhece que precisa de ajuda com seus problemas pessoais
• Usa palavras que magoam
• Frieza e distância emocional
• Não consegue se abrir e compartilhar com o parceiro
Analise a si mesmo à luz dos pontos anteriores. Faça um exame
honesto de seu
coração. Será que não há algumas pedras que precisam ser
quebradas? O que seu
cônjuge diria a seu respeito, se alguém lhe perguntasse sobre
isso? Enquanto você
mantiver a dureza de coração, nunca poderá ser feliz na sua vida
sentimental.
Cristiane:
Para complicar ainda mais a situação, existem dois tipos de corações
duros: aquele
que está bem à vista, que todos veem, cuja dureza é facilmente
notada, e aquele
que pensa que é a vítima. Ambos estão endurecidos e ambos estão
acusando um ao
outro.
Era assim comigo e com o Renato. Durante os primeiros doze anos de
nosso
casamento, eu o culpava por não ser o marido que eu precisava que
ele fosse. O seu
jeito de resolver nossos problemas era terrível. Ficava de cara
amarrada comigo por
dias e, no final, eu é que tinha que pedir desculpas. Eu pedia,
senão o casamento
não andava para a frente, mas na realidade não pedia desculpas de
coração. Eu
continuava pensando que ele era o problema, tanto é que vivia
orando por ele (era
justa aos meus próprios olhos). Eu me achava uma esposa mal
aproveitada, lhe dava
tudo de mim e ganhava pouco de volta. Cheguei até a compor uma
música bem
triste e sentimental para a trilha sonora de nossa história de
“amor”. Até que
chegamos à época do telefonema, que explicamos no capítulo 9.
Mudei muito,
foquei mais no que eu podia fazer, e descobri que durante aqueles
anos todos eu
também tinha um coração duro. O meu era aquele que se chamava de
vítima.
Sim, o Renato me devia a atenção de marido. Sim, ele não deveria
me punir por
dias sem falar comigo por qualquer coisa que não gostava que eu
fizesse. Mas o que
adianta você saber que o seu cônjuge não faz o que ele deveria
fazer se você
também não faz o que você deveria fazer?
A princípio, eu me assustei com essa revelação. Sempre me
considerei uma ótima
esposa para o Renato, sempre dando o meu melhor para ele. Como
poderia também
estar sendo má, estar sendo dura com ele? É aí que muitos
continuam no círculo
vicioso do desamor. Amar é dar. Mas quando chega a ponto de ambos
pararem de
dar para ver quem dá primeiro, já era. Ficam dando voltas e mais
voltas, uma
verdadeira “mudança” de 360 graus! Mudam nos primeiros meses, mas
daqui a
pouco estão no mesmo lugar da partida.
Meu coração duro insistia em demandar a mudança do Renato. Eu o
cobrava
constantemente. Quando eu fazia algo que ele havia pedido, logo
ficava esperando
para ver o que ele iria fazer por mim. E quando não via nada no
horizonte, voltava a
cobrar. E você sabe que existem várias maneiras de cobrança. Você
reclama, faz
cara feia, joga um comentário verde para ver se colhe algo maduro,
faz chantagem
emocional, faz comparações, e por aí vai. Todas essas coisas são
derivadas de um
coração duro que pensa ser vítima.
Eu creio ser esse o pior dos corações duros, porque não
conseguimos nos enxergar.
Pensamos que estamos certos, levantamos a bandeira do “até quando
terei que dar?”
— mas que o que adianta dar com uma das mãos enquanto cobra com a
outra?
Eu tinha esse coração duro e por isso nossos problemas duraram
mais do que
deveriam. Tenho total consciência disso, tanto é que assim que
amoleci o meu
coração, o Renato mudou, e o meu casamento se transformou, como se
eu estivesse
bloqueando todas as minhas orações e as nossas tentativas de
mudanças.
A minha mudança foi bem simples. Aliás, creio que para a vítima a
mudança não
é tão complicada como para o réu. Eu simplesmente deixei de impor.
Sacrifiquei o
que eu achava que ele deveria fazer, parei de apontar aquilo,
deixei de cobrar. Olha
a simplicidade da coisa! Só isso foi o bastante. E o que ganhei de
volta, nossa...
Estamos aqui escrevendo um livro sobre o assunto para você ver
como vale a pena!
Quem cede primeiro tem o privilégio de dizer o que eu digo hoje:
eu mudei
primeiro, para o meu marido mudar. Isso não é para qualquer um.
LIVRANDO-SE DAS PEDRAS
Se você reconhece que há pedras e muralhas em seu coração e quer
mudar, o primeiro
passo é pedir ajuda daquele que odeia o divórcio. Lembra-se dele?
Ora, podemos
concluir que se Deus odeia o divórcio, e a dureza de coração é a
responsável pelos
casamentos destruídos, logo, Deus quer lhe ajudar a vencer isso.
Veja o que Ele diz:
“Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós
espírito novo; tirarei de vós o coração de
pedra e vos darei coração de carne. (Ezequiel 36:26)
Para que Deus possa lhe ajudar, você precisa assumir o seu erro.
Você pode começar
fazendo uma oração sincera, com humildade: “Meu Deus, quero trocar
de coração. Tire
meu coração de pedra e me dê um coração de carne. Me mostre como
tenho de ser e me
ajude a ser a pessoa que o Senhor quer que eu seja.”
Se você acha que “não é bem assim” e quer continuar a fazer as
coisas do seu jeito,
esqueça. Nem Deus pode ajudar a quem não quer abrir mão do coração
petrificado.
Mas se você tiver esse desejo sincero de se entregar e permitir
que Deus lhe molde na
pessoa que você deve ser, Ele lhe ajudará a quebrar seu coração,
recuperar seu
casamento, e evitar até um futuro divórcio.
Mas não pense que ter a ajuda de Deus significa que você poderá
ficar de braços
cruzados enquanto Ele trabalha. Não funciona assim. A ação de Deus
exige parceria.
Ele vai te ajudar naquilo que você não consegue sozinho, mas seu
esforço é necessário
nesse processo. Deus lhe dará as ferramentas para você mesmo
quebrar seu coração
duro. Quebrar pedras nunca é uma tarefa fácil, mas vamos lhe dizer
o que fazer — e o
que não fazer — para conseguir isso.
Reconhecer seus erros é muito doloroso, mas você terá de fazer
isso para começar.
Sinta essa dor agora e terá um alívio por toda a vida. A
alternativa é se agarrar aos seus
erros e afundar com eles, sentindo dor à prestação por anos a fio.
Qual você prefere?
Tarefa
Vocês terão uma conversa. Faça a seguinte pergunta ao seu cônjuge:
o que me faz uma pessoa
difícil de conviver? Anote as respostas. Depois invertam: você
responderá a pergunta e seu cônjuge
anotará suas respostas. Ainda que seu cônjuge não queira fazer
essa tarefa, lembre-se das
principais queixas que costuma ouvir e anote-as. Não se esqueça: o
mais inteligente é o que dá o
primeiro passo rumo à mudança. Atenção às regras: papel, caneta,
ouvir e escrever. Você não deve
rebater, nem se defender, nem questionar. Zero sentimento nesta
tarefa. Apenas explore o ponto de
vista da outra pessoa, mesmo que você discorde dela. O importante
é entender o que ele(a) está
sentindo.
Não leve para o lado pessoal. Lembre-se de guardar suas emoções na
gaveta antes de iniciar esta
tarefa. Ainda que não concorde, respire fundo e continue. Não faça
ataques ao caráter, tente se
expressar de maneira a focar o problema. Guarde esta lista com a
sua vida. Não a perca. Mostre ao
seu cônjuge que está levando a sério.
Se você tirar a emoção e souber manter o foco, terá nesta lista
algo muito útil para lhe ajudar a
mudar a si mesmo. Não é competição. Não se preocupem com qual
lista ficará maior do que a
outra. O que importa é colocar tudo para fora. Outro ponto
crucial: a partir desse exercício você não
vai mais apontar esses itens para a outra pessoa, nem cobrar que
ela faça algo com a lista. Você é
responsável apenas pelo seu trabalho.
Mãos à obra, peguem suas marretas. Hoje vocês começarão a quebrar
pedras.
11 Deuteronômio 24:1.
12 Malaquias 2:16.
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