sábado, 30 de novembro de 2013


CAPÍTULO 10  -   O SOL DO MEU PLANETA

 

Capítulo 10 | O sol do meu planeta

Cristiane:

Quando o meu pai atendeu ao telefone, tentei explicar a situação. Estava em prantos,

não conseguia nem falar direito, até porque quando falamos com nossos parentes sobre

problemas, aí é que nos desmanchamos ainda mais de emoção. Ele só ficou escutando

e, depois de alguns minutos, tudo o que disse foi: “Passa o telefone para o Renato,

deixe-me falar com ele.” Você já sabe o resto da história.

Aquele telefonema foi o ponto de partida para as mudanças em nosso casamento,

porém, o que realmente me levou a mudar foi a continuação daquela conversa que tive

pessoalmente com meu pai alguns dias depois. A lista que eu e o Renato fizemos

renovou o nosso compromisso de lutar para mudar e fazer o que fosse necessário para

agradar um ao outro. Mas dentro de mim havia um problema mais profundo, que nem

eu mesma sabia que existia. Só o descobri quando meu pai veio me visitar e me

perguntou como eu estava depois daquela ligação.

Ele nunca foi de se intrometer em nosso casamento, mas, devido ao que tinha

acontecido, era de se esperar que quisesse saber. Respondi que estava “tentando”

mudar. Não entrei em detalhes, só disse isso mesmo. Para ser sincera, naquele

momento eu não tinha tanta certeza se as coisas tinham mudado ou não. Muitas vezes

no passado, havia dito para mim mesma que mudaria, mas passavam-se alguns meses e

lá estava eu cobrando as mesmas coisas. Quem me garantiria que ambos fariam a sua

parte naquela lista?

Percebendo minha dúvida de longe, meu pai então foi direto ao assunto. Nunca me

esqueço daquele dia. Estávamos no jardim, e ele se virou para mim e disse: “Minha

filha, homem nenhum gosta que a sua mulher fique implorando a atenção dele. Você

perde o seu valor de mulher. Ocupe-se em ajudar as pessoas, faça alguma coisa com

seus talentos, desenvolva o seu chamado.”

Foi só o que ele disse. Era tudo que precisava ouvir. Descobri que em todos aqueles

anos de casamento, estava na verdade fazendo do Renato o sol do meu planeta.

Como esposa de pastor, ia à igreja, ajudava no que me era confiado, fazia o ‘máximo’

que podia fazer, mas, no final do dia, o meu foco sempre caía no Renato. Tudo que eu

queria era chamar a atenção dele, conseguir sua apreciação, sentir-me sua parceira, ser

importante ao seu lado — o que não era pedir demais, mas quando isso é tudo para

uma pessoa, aí são outros quinhentos. Você acaba fazendo tudo em função daquela

outra pessoa. E se a pessoa não lhe der a devida importância, tudo que você fez não

valeu de nada para você.

Embora na época não tivesse consciência total disso, foi o que descobri sobre mim

mesma. Todos aqueles anos, em vez de estar ao lado do meu marido, tinha me

colocado atrás dele. É claro que ele não ficaria olhando para trás, enxergando o que eu

estava fazendo ali. Na realidade, eu carregava uma mentalidade errada do que a esposa

representava para o seu marido.

Eu ouvia muitas mulheres falarem que nós somos aquele suporte do porta-retratos, ali

escondidinho. Enquanto nossos maridos estavam em pé, lá na frente, nós, esposas,

tínhamos que estar atrás deles, dando todo o suporte necessário. Uma ideia antiquada,

sem nenhuma base fundamental. Creio que, por essa e outras, muitas mulheres têm

defendido o feminismo. Se eu não tivesse acordado para a realidade, teria feito o

mesmo. Chega uma hora que cansa só ficar nos bastidores, sentir-se menos importante

do que o próprio parceiro, e ficar na dependência dele para suprir seu valor.

Foi naquela palavra do meu pai que finalmente embarquei em uma jornada

interessante, cheia de aventuras, e superprodutiva. Eu me conheci melhor.

APRESENTANDO: CRISTIANE 2.0

Comecei a desenvolver talentos que estavam escondidos ou adormecidos, investindo

não somente em ajudar outras pessoas como a mim também. A cada vez que fazia algo

novo, diferente e produtivo, minha autoestima agradecia. Ajudava as demais pessoas e

na medida em que eram ajudadas, elas me valorizavam e, consequentemente, isso me

ajudava a vencer toda aquela insegurança que carregava dentro de mim.

Deixei de fazer as coisas para chamar a atenção do Renato. Pude entendê-lo melhor

porque agora estava no mesmo barco, trabalhava para os mesmos objetivos que ele, só

que em parceria com ele e não nos bastidores. Deixei de focar nele para focar em mim,

em como eu poderia também desenvolver meus talentos e, com eles, ajudar as outras

pessoas. Saí do meu casulo.

Incrível como uma simples mudança de foco muda tudo. Os problemas que

anteriormente me faziam chorar e reclamar viraram picuinhas que não valiam mais um

centavo de minha atenção.

Um exemplo foi a questão do Renato não me levar para sair com muita frequência.

Antes eu até tentava fingir não fazer questão por um tempo, mas chegava uma hora que

eu não aguentava, e pronto, tínhamos outra briga. Depois dessa mudança de foco, isso

já não merecia ser chamado de problema ou falta de consideração. Eu me adaptei ao

jeito caseiro dele. Quando era nosso dia de descanso, não ficava mais na expectativa

de que faríamos alguma coisa, pelo contrário, achava o que fazer em casa. Fazia vídeos

no computador, lia livros, alugava um filme, fazia uma limpeza de pele, enfim. Sabe o

que aconteceu? Eu me tornei uma esposa bem mais agradável.

Não demorou muito para o Renato enxergar essa mudança em mim e me achar mais

interessante. O que antes era uma raridade começou a se tornar algo diário entre nós.

Nossas conversas eram divertidas, dividíamos ideias, falávamos das nossas experiências

diárias sem eu precisar pedir para isso. Tirei o foco do Renato, deixei de criticá-lo por

tudo o que ele não supria para mim, e coloquei o foco em mim. Foi então que
consegui

me enxergar e ver o que eu estava deixando a desejar.

Todos aqueles anos, tudo o que o Renato precisava de mim era de uma parceria. E

honestamente pensava ser essa parceira para ele até esse ponto da vida, quando

descobri que parceria não é correr atrás do parceiro, e sim correr ao lado. Por isso ele

não se interessava em dividir o seu dia comigo, não me incluía em seus planos diários.

Eu não estava no mesmo barco, e sim em um barquinho atrás, tentando chegar perto do

iate dele. Interessante que ele já havia comentado sobre eu me envolver mais no que

ele fazia...

Uma coisa é o seu parceiro lhe falar o que você tem que mudar, outra completamente

diferente é você descobrir em quê você tem que mudar. Um simples ajuste de foco

transformou o nosso casamento.

E quando eu já havia me adaptado ao jeito caseiro do Renato, ele se adaptou a mim.

Começamos uma competição saudável: quem agrada mais ao outro!

Vejo esse problema quase todos os dias no trabalho que faço com as mulheres. Parece

que temos essa tendência de focar mais nos outros do que em nós. Vamos de um

extremo ao outro. Umas param no tempo por causa da vida amorosa e outras largam a

vida amorosa para seguir uma carreira, como se não pudéssemos ter os dois ao mesmo

tempo e sermos felizes.

E assim muitas mulheres inteligentes acabam virando mulheres frustradas. Por mais

que a carreira seja importante a seguir, precisamos do nosso parceiro para aproveitá-la

de verdade. E por mais que a vida amorosa seja importante, precisamos ser

independentes dela para que não nos façamos insuportáveis à pessoa que amamos. Se

você depender de alguém para ser feliz, nunca conseguirá fazer alguém feliz.

O seu parceiro não tem a menor chance de ser o seu sol. Ele tem falhas, nem sempre

poderá lhe iluminar ou suprir tudo que precisa. Por isso não é sábio colocá-lo nessa

posição. Você pode até estar fazendo tudo certo, que era o que eu pensava, mas mesmo

assim não vai mudar a situação em que está. Seus olhos têm que estar focados em você

primeiro, para que então haja uma mudança real e concreta em seu relacionamento.

Nunca me esqueço de uma frase que ouvi em uma reunião na igreja: “Enquanto você

olha para as demais pessoas ao seu lado, vai sempre ter problemas.”

LUZ PRÓPRIA

Lembro-me de uma mulher que só depois de quase vinte anos de casada descobriu

que seu marido nunca a amou. O seu mundo desabou, caiu sem paraquedas, até que

ela finalmente acordou e se apegou a fé. Muitas em seu lugar teriam feito um desastre

de suas vidas. Mas a história dela pode ilustrar o que acabamos de escrever.

Imagine uma linda mulher, inteligente, superprendada, cheia de valores que todo

homem de verdade procura. Ela viveu todos os anos de casada correndo atrás do

marido, que não dava valor algum ao que ela fazia. Com o tempo, ela se adaptou ao

jeito estranho dele, pois nunca pensou sequer em uma suposta separação no futuro. Ela

havia casado para o resto da vida e, por isso, aturou tudo e mais um pouco. Até que um

dia, do nada, ele finalmente revelou com palavras que não a amava.

Em vez de ela já ter enxergado isso lá atrás, desde o início do casamento, ela ficou

surpresa, como se ele houvesse mudado da noite para o dia. Por que ela não havia

percebido aquilo antes?

A mulher que faz do marido o seu sol tem essa desvantagem. Ela não se valoriza e por

isso não coloca certos limites. Quando você faz outra pessoa mais importante do que

você mesmo, você se diminui e se desvaloriza diante dela. Ela tem todo o poder no

relacionamento; se quiser lhe ferir, pode fazê-lo quantas vezes quiser, porque sabe que

você jamais a deixará. Sua vida gira ao redor dessa pessoa, e em vez de investir em

você mesma, nos seus valores e talentos, guarda tudo em um baú dentro de si, a sete

chaves.

Até conhecer o marido, essa mulher era uma jovem cheia de vida, sonhos e planos

para o futuro — uma jovem superinteressante, que cativou o coração do rapaz a ponto

de ele pensar: “quero passar o resto de minha vida ao lado dela”. Depois que se casou,

guardou tudo dentro do baú e passou a ser uma chatinha. Vivia reclamando dele,

impondo suas vontades e achando defeitos em tudo que ele fazia.

Ela não fazia isso de propósito, ninguém faz. Eu, por exemplo, não me dava conta do

que fazia. Pelo contrário, pensava que era o meu papel. Deve ser a nossa natureza de

mãe, sempre querendo arrumar as coisas, dar um jeitinho em nossos filhos, fazer deles

os melhores em tudo. Só que nossos maridos não são nossos filhos.

Não estou sugerindo que o marido dessa mulher deixou de amá-la por causa da

atitude dela, mas isso pode ter contribuído, e muito. O homem tem a natureza de

conquistar, como vamos falar mais a respeito nos próximos capítulos. Quando sua

esposa deixa de ser uma conquista diária, ele é bem capaz de procurar outras

conquistas. Ou seja, ela não pode nem deve deixá-lo sentir que ele é o centro de sua

atenção.

O valor da mulher está no seu mistério, na sua discrição, no seu jeito de florescer

uma situação. É exatamente o que o meu pai me orientou: homem não gosta de mulher

fácil, mesmo que seja a própria esposa. Quando me ocupei em ajudar outras pessoas,

desenvolvendo novos talentos no processo, o Renato começou a sentir a falta da minha

constante atenção. Obviamente, me tornei uma nova conquista para ele. Passei a ter

luz própria.

Não há como seu casamento florescer com os anos se você, como mulher, não

floresce a cada dia. A cada conquista que faço, a cada livro que escrevo, a cada projeto

que crio, mais autoconfiante me torno e mais interessante fico para o Renato. Volto a

ser aquela jovem que o Renato conheceu, cheia de sonhos, superdivertida, e uma ótima

companhia para o resto da vida. Isso, sim, é ter parceria, isso, sim, é ser um time.

Quando o Renato ouviu pela primeira vez que no passado eu fazia dele o meu sol,

perguntou, com uma carinha de quem perdeu uma posição muito importante: “Posso

pelo menos ser sua lua?” Todo marido quer a sua devida atenção, afinal... Não é

porque não podem ser o nosso sol que vamos deixá-los de lado e viver nossa própria

vida. Não foi isso o que eu fiz; se você fizer isso, pode esquecer tudo o que aprendeu

neste livro, pois seu casamento estará fadado ao fracasso.

O que queremos dizer é que se você não está bem consigo mesma, se não se conhece

nem reconhece seu próprio valor, a tendência é fazer do seu parceiro esse sol, o seu

porto seguro. Isso não é inteligente.

Mesmo que o seu parceiro não queira mais investir no casamento e esteja até com

outra pessoa, não deixe de florescer só porque ele não se encontra mais em sua vida.

Essa mulher, cujo marido a largou depois de quase vinte anos, hoje está muito mais

linda em todos os sentidos, parece até que a partida dele lhe fez bem. O certo seria

você melhorar enquanto estão juntos e quem sabe até reconquistar o coração da outra

pessoa.

HOMEM PEGAJOSO

A mulher tende a fazer da pessoa que ama muito o seu sol, porém, ela mesma odeia

ser o sol. Eu sei, eu sei, adoramos atenção, só que quando é exagerada e grudenta, dá

nojo. Mulher nenhuma gosta de homem grudento.

Para nós, mulheres, o homem tem que passar uma força, certa independência e

liderança. Podemos não mostrar isso muitas vezes, especialmente quando estamos

batendo de frente com alguma decisão dele ou quando reclamamos que ele sempre faz

o que quer fazer. Mas por outro lado, se ele começa a fazer tudo que queremos... O relacionamento enjoa.
Conversando com uma amiga
outro dia, achei interessante o que ela me disse a
respeito do atual relacionamento.
— Esse namorado é para valer, Cris. Ele tem o que os outros anteriores não tinham.
Ele é durão.
Fiquei intrigada e quis saber mais...
— Como assim?
— Ah, os outros faziam tudo que eu queria. O relacionamento ficava chato. Esse é
assim: eu digo “vamos por aquele caminho que não tem trânsito”, e ele diz “não, quero
ir pelo caminho que gosto de ir”.
Pude perceber uma coisa que nunca havia pensado antes: nós, mulheres, gostamos de
testar nossos limites, ver até onde podemos ir. E se o homem nos dá uma liberdade
ilimitada, perdemos totalmente o interesse! Não é que gostamos de ser dominadas,
mas... Também não gostamos de tudo tão fácil assim. Deixamos de ter o respeito que
queríamos ter pelo nosso amado.
Por isso, homens, por favor: não fiquem nos alimentando de uvas frescas enquanto
ficamos deitadas tendo tudo aos nossos pés. Essa ideia de Cleópatra não é legal.
Aliás, diga-se de passagem, homens que não veem os defeitos de suas mulheres e por
essa razão não as ajudam a melhorar como pessoa são facilmente manipulados por
elas. Toda vez que errei, tive no Renato o parceiro que precisava, que me mostrou os
meus erros e me pôs de volta na linha. Mulher gosta disso.
Tarefa
Onde e de que forma você pode estar sugando a energia do seu parceiro e se tornando
inconveniente? Tire alguns minutos agora para pensar nisso. Escreva como você agirá para se
comportar de maneira mais equilibrada nessas situações. Que talentos e atividades saudáveis você
poderia desenvolver para dividir o seu foco excessivo sobre o(a) parceiro(a)?
Prometo a mim mesmo que deixarei de fazê-lo(a) o sol do meu planeta.
 
Parte III | Desmontando e Remontando o amor
 
 

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