CAPÍTULO 10 - O SOL DO MEU PLANETA
Capítulo 10 | O sol do meu planeta
Cristiane:
Quando o meu pai atendeu ao telefone, tentei explicar a situação.
Estava em prantos,
não conseguia nem falar direito, até porque quando falamos com
nossos parentes sobre
problemas, aí é que nos desmanchamos ainda mais de emoção. Ele só
ficou escutando
e, depois de alguns minutos, tudo o que disse foi: “Passa o
telefone para o Renato,
deixe-me falar com ele.” Você já sabe o resto da história.
Aquele telefonema foi o ponto de partida para as mudanças em nosso
casamento,
porém, o que realmente me levou a mudar foi a continuação daquela
conversa que tive
pessoalmente com meu pai alguns dias depois. A lista que eu e o
Renato fizemos
renovou o nosso compromisso de lutar para mudar e fazer o que
fosse necessário para
agradar um ao outro. Mas dentro de mim havia um problema mais
profundo, que nem
eu mesma sabia que existia. Só o descobri quando meu pai veio me
visitar e me
perguntou como eu estava depois daquela ligação.
Ele nunca foi de se intrometer em nosso casamento, mas, devido ao
que tinha
acontecido, era de se esperar que quisesse saber. Respondi que
estava “tentando”
mudar. Não entrei em detalhes, só disse isso mesmo. Para ser
sincera, naquele
momento eu não tinha tanta certeza se as coisas tinham mudado ou
não. Muitas vezes
no passado, havia dito para mim mesma que mudaria, mas passavam-se
alguns meses e
lá estava eu cobrando as mesmas coisas. Quem me garantiria que
ambos fariam a sua
parte naquela lista?
Percebendo minha dúvida de longe, meu pai então foi direto ao
assunto. Nunca me
esqueço daquele dia. Estávamos no jardim, e ele se virou para mim
e disse: “Minha
filha, homem nenhum gosta que a sua mulher fique implorando a
atenção dele. Você
perde o seu valor de mulher. Ocupe-se em ajudar as pessoas, faça
alguma coisa com
seus talentos, desenvolva o seu chamado.”
Foi só o que ele disse. Era tudo que precisava ouvir. Descobri que
em todos aqueles
anos de casamento, estava na verdade fazendo do Renato o sol do
meu planeta.
Como esposa de pastor, ia à igreja, ajudava no que me era
confiado, fazia o ‘máximo’
que podia fazer, mas, no final do dia, o meu foco sempre caía no
Renato. Tudo que eu
queria era chamar a atenção dele, conseguir sua apreciação,
sentir-me sua parceira, ser
importante ao seu lado — o que não era pedir demais, mas quando
isso é tudo para
uma pessoa, aí são outros quinhentos. Você acaba fazendo tudo em
função daquela
outra pessoa. E se a pessoa não lhe der a devida importância, tudo
que você fez não
valeu de nada para você.
Embora na época não tivesse consciência total disso, foi o que
descobri sobre mim
mesma. Todos aqueles anos, em vez de estar ao lado do meu marido,
tinha me
colocado atrás dele. É claro que ele não ficaria olhando para
trás, enxergando o que eu
estava fazendo ali. Na realidade, eu carregava uma mentalidade
errada do que a esposa
representava para o seu marido.
Eu ouvia muitas mulheres falarem que nós somos aquele suporte do
porta-retratos, ali
escondidinho. Enquanto nossos maridos estavam em pé, lá na frente,
nós, esposas,
tínhamos que estar atrás deles, dando todo o suporte necessário.
Uma ideia antiquada,
sem nenhuma base fundamental. Creio que, por essa e outras, muitas
mulheres têm
defendido o feminismo. Se eu não tivesse acordado para a
realidade, teria feito o
mesmo. Chega uma hora que cansa só ficar nos bastidores, sentir-se
menos importante
do que o próprio parceiro, e ficar na dependência dele para suprir
seu valor.
Foi naquela palavra do meu pai que finalmente embarquei em uma
jornada
interessante, cheia de aventuras, e superprodutiva. Eu me conheci
melhor.
APRESENTANDO: CRISTIANE 2.0
Comecei a desenvolver talentos que estavam escondidos ou
adormecidos, investindo
não somente em ajudar outras pessoas como a mim também. A cada vez
que fazia algo
novo, diferente e produtivo, minha autoestima agradecia. Ajudava
as demais pessoas e
na medida em que eram ajudadas, elas me valorizavam e,
consequentemente, isso me
ajudava a vencer toda aquela insegurança que carregava dentro de
mim.
Deixei de fazer as coisas para chamar a atenção do Renato. Pude
entendê-lo melhor
porque agora estava no mesmo barco, trabalhava para os mesmos
objetivos que ele, só
que em parceria com ele e não nos bastidores. Deixei de focar nele
para focar em mim,
em como eu poderia também desenvolver meus talentos e, com eles,
ajudar as outras
pessoas. Saí do meu casulo.
Incrível como uma simples mudança de foco muda tudo. Os problemas
que
anteriormente me faziam chorar e reclamar viraram picuinhas que
não valiam mais um
centavo de minha atenção.
Um exemplo foi a questão do Renato não me levar para sair com
muita frequência.
Antes eu até tentava fingir não fazer questão por um tempo, mas
chegava uma hora que
eu não aguentava, e pronto, tínhamos outra briga. Depois dessa
mudança de foco, isso
já não merecia ser chamado de problema ou falta de consideração.
Eu me adaptei ao
jeito caseiro dele. Quando era nosso dia de descanso, não ficava
mais na expectativa
de que faríamos alguma coisa, pelo contrário, achava o que fazer
em casa. Fazia vídeos
no computador, lia livros, alugava um filme, fazia uma limpeza de
pele, enfim. Sabe o
que aconteceu? Eu me tornei uma esposa bem mais agradável.
Não demorou muito para o Renato enxergar essa mudança em mim e me
achar mais
interessante. O que antes era uma raridade começou a se tornar
algo diário entre nós.
Nossas conversas eram divertidas, dividíamos ideias, falávamos das
nossas experiências
diárias sem eu precisar pedir para isso. Tirei o foco do Renato,
deixei de criticá-lo por
tudo o que ele não supria para mim, e coloquei o foco em mim. Foi então que
consegui
me enxergar e ver o que eu estava deixando a desejar.
Todos aqueles anos, tudo o que o Renato precisava de mim era de
uma parceria. E
honestamente pensava ser essa parceira para ele até esse ponto da
vida, quando
descobri que parceria não é correr atrás do parceiro, e sim correr
ao lado. Por isso ele
não se interessava em dividir o seu dia comigo, não me incluía em
seus planos diários.
Eu não estava no mesmo barco, e sim em um barquinho atrás,
tentando chegar perto do
iate dele. Interessante que ele já havia comentado sobre eu me
envolver mais no que
ele fazia...
Uma coisa é o seu parceiro lhe falar o que você tem que mudar,
outra completamente
diferente é você descobrir em quê você tem que mudar. Um simples
ajuste de foco
transformou o nosso casamento.
E quando eu já havia me adaptado ao jeito caseiro do Renato, ele
se adaptou a mim.
Começamos uma competição saudável: quem agrada mais ao outro!
Vejo esse problema quase todos os dias no trabalho que faço com as
mulheres. Parece
que temos essa tendência de focar mais nos outros do que em nós.
Vamos de um
extremo ao outro. Umas param no tempo por causa da vida amorosa e
outras largam a
vida amorosa para seguir uma carreira, como se não pudéssemos ter
os dois ao mesmo
tempo e sermos felizes.
E assim muitas mulheres inteligentes acabam virando mulheres
frustradas. Por mais
que a carreira seja importante a seguir, precisamos do nosso
parceiro para aproveitá-la
de verdade. E por mais que a vida amorosa seja importante,
precisamos ser
independentes dela para que não nos façamos insuportáveis à pessoa
que amamos. Se
você depender de alguém para ser feliz, nunca conseguirá fazer
alguém feliz.
O seu parceiro não tem a menor chance de ser o seu sol. Ele tem
falhas, nem sempre
poderá lhe iluminar ou suprir tudo que precisa. Por isso não é
sábio colocá-lo nessa
posição. Você pode até estar fazendo tudo certo, que era o que eu
pensava, mas mesmo
assim não vai mudar a situação em que está. Seus olhos têm que
estar focados em você
primeiro, para que então haja uma mudança real e concreta em seu
relacionamento.
Nunca me esqueço de uma frase que ouvi em uma reunião na igreja:
“Enquanto você
olha para as demais pessoas ao seu lado, vai sempre ter
problemas.”
LUZ PRÓPRIA
Lembro-me de uma mulher que só depois de quase vinte anos de
casada descobriu
que seu marido nunca a amou. O seu mundo desabou, caiu sem
paraquedas, até que
ela finalmente acordou e se apegou a fé. Muitas em seu lugar
teriam feito um desastre
de suas vidas. Mas a história dela pode ilustrar o que acabamos de
escrever.
Imagine uma linda mulher, inteligente, superprendada, cheia de
valores que todo
homem de verdade procura. Ela viveu todos os anos de casada
correndo atrás do
marido, que não dava valor algum ao que ela fazia. Com o tempo,
ela se adaptou ao
jeito estranho dele, pois nunca pensou sequer em uma suposta
separação no futuro. Ela
havia casado para o resto da vida e, por isso, aturou tudo e mais um
pouco. Até que um
dia, do nada, ele finalmente revelou com palavras que não a amava.
Em vez de ela já ter enxergado isso lá atrás, desde o início do
casamento, ela ficou
surpresa, como se ele houvesse mudado da noite para o dia. Por que
ela não havia
percebido aquilo antes?
A mulher que faz do marido o seu sol tem essa desvantagem. Ela não
se valoriza e por
isso não coloca certos limites. Quando você faz outra pessoa mais
importante do que
você mesmo, você se diminui e se desvaloriza diante dela. Ela tem
todo o poder no
relacionamento; se quiser lhe ferir, pode fazê-lo quantas vezes
quiser, porque sabe que
você jamais a deixará. Sua vida gira ao redor dessa pessoa, e em
vez de investir em
você mesma, nos seus valores e talentos, guarda tudo em um baú
dentro de si, a sete
chaves.
Até conhecer o marido, essa mulher era uma jovem cheia de vida,
sonhos e planos
para o futuro — uma jovem superinteressante, que cativou o coração
do rapaz a ponto
de ele pensar: “quero passar o resto de minha vida ao lado dela”.
Depois que se casou,
guardou tudo dentro do baú e passou a ser uma chatinha. Vivia
reclamando dele,
impondo suas vontades e achando defeitos em tudo que ele fazia.
Ela não fazia isso de propósito, ninguém faz. Eu, por exemplo, não
me dava conta do
que fazia. Pelo contrário, pensava que era o meu papel. Deve ser a
nossa natureza de
mãe, sempre querendo arrumar as coisas, dar um jeitinho em nossos
filhos, fazer deles
os melhores em tudo. Só que nossos maridos não são nossos filhos.
Não estou sugerindo que o marido dessa mulher deixou de amá-la por
causa da
atitude dela, mas isso pode ter contribuído, e muito. O homem tem
a natureza de
conquistar, como vamos falar mais a respeito nos próximos
capítulos. Quando sua
esposa deixa de ser uma conquista diária, ele é bem capaz de
procurar outras
conquistas. Ou seja, ela não pode nem deve deixá-lo sentir que ele
é o centro de sua
atenção.
O valor da mulher está no seu mistério, na sua discrição, no seu
jeito de florescer
uma situação. É exatamente o que o meu pai me orientou: homem não
gosta de mulher
fácil, mesmo que seja a própria esposa. Quando me ocupei em ajudar
outras pessoas,
desenvolvendo novos talentos no processo, o Renato começou a
sentir a falta da minha
constante atenção. Obviamente, me tornei uma nova conquista para
ele. Passei a ter
luz própria.
Não há como seu casamento florescer com os anos se você, como
mulher, não
floresce a cada dia. A cada conquista que faço, a cada livro que
escrevo, a cada projeto
que crio, mais autoconfiante me torno e mais interessante fico
para o Renato. Volto a
ser aquela jovem que o Renato conheceu, cheia de sonhos,
superdivertida, e uma ótima
companhia para o resto da vida. Isso, sim, é ter parceria, isso,
sim, é ser um time.
Quando o Renato ouviu pela primeira vez que no passado eu fazia
dele o meu sol,
perguntou, com uma carinha de quem perdeu uma posição muito
importante: “Posso
pelo menos ser sua lua?” Todo marido quer a sua devida atenção,
afinal... Não é
porque não podem ser o nosso sol que vamos deixá-los de lado e
viver nossa própria
vida. Não foi isso o que eu fiz; se você fizer isso, pode esquecer
tudo o que aprendeu
neste livro, pois seu casamento estará fadado ao fracasso.
O que queremos dizer é que se você não está bem consigo mesma, se
não se conhece
nem reconhece seu próprio valor, a tendência é fazer do seu
parceiro esse sol, o seu
porto seguro. Isso não é inteligente.
Mesmo que o seu parceiro não queira mais investir no casamento e
esteja até com
outra pessoa, não deixe de florescer só porque ele não se encontra
mais em sua vida.
Essa mulher, cujo marido a largou depois de quase vinte anos, hoje
está muito mais
linda em todos os sentidos, parece até que a partida dele lhe fez
bem. O certo seria
você melhorar enquanto estão juntos e quem sabe até reconquistar o
coração da outra
pessoa.
HOMEM PEGAJOSO
A mulher tende a fazer da pessoa que ama muito o seu sol, porém,
ela mesma odeia
ser o sol. Eu sei, eu sei, adoramos atenção, só que quando é
exagerada e grudenta, dá
nojo. Mulher nenhuma gosta de homem grudento.
Para nós, mulheres, o homem tem que passar uma força, certa
independência e
liderança. Podemos não mostrar isso muitas vezes, especialmente
quando estamos
batendo de frente com alguma decisão dele ou quando reclamamos que
ele sempre faz
o que quer fazer. Mas por outro lado, se ele começa a fazer tudo
que queremos... O relacionamento enjoa.
Conversando com uma amiga
outro dia, achei interessante o que ela me disse a
respeito do atual relacionamento.
— Esse namorado é para valer, Cris. Ele tem o que os outros anteriores
não tinham.
Ele é durão.
Fiquei intrigada e quis saber mais...
— Como assim?
— Ah, os outros faziam tudo que eu queria. O relacionamento ficava
chato. Esse é
assim: eu digo “vamos por aquele caminho que não tem trânsito”, e
ele diz “não, quero
ir pelo caminho que gosto de ir”.
Pude perceber uma coisa que nunca havia pensado antes: nós,
mulheres, gostamos de
testar nossos limites, ver até onde podemos ir. E se o homem nos
dá uma liberdade
ilimitada, perdemos totalmente o interesse! Não é que gostamos de
ser dominadas,
mas... Também não gostamos de tudo tão fácil assim. Deixamos de
ter o respeito que
queríamos ter pelo nosso amado.
Por isso, homens, por favor: não fiquem nos alimentando de uvas
frescas enquanto
ficamos deitadas tendo tudo aos nossos pés. Essa ideia de
Cleópatra não é legal.
Aliás, diga-se de passagem, homens que não veem os defeitos de
suas mulheres e por
essa razão não as ajudam a melhorar como pessoa são facilmente
manipulados por
elas. Toda vez que errei, tive no Renato o parceiro que precisava,
que me mostrou os
meus erros e me pôs de volta na linha. Mulher gosta disso.
Tarefa
Onde e de que forma você pode estar sugando a energia do seu
parceiro e se tornando
inconveniente? Tire alguns minutos agora para pensar nisso.
Escreva como você agirá para se
comportar de maneira mais equilibrada nessas situações. Que
talentos e atividades saudáveis você
poderia desenvolver para dividir o seu foco excessivo sobre o(a)
parceiro(a)?
Prometo a mim mesmo que deixarei de fazê-lo(a) o sol do meu
planeta.
Parte III | Desmontando e Remontando o amor
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