sábado, 30 de novembro de 2013

CAPÍTULO 4


 
 
CAPÍTULO 4 -  A ARTE DE RESOLVER PROBLEMAS 

Capítulo 4 | A arte de resolver problemas

Nossas bagagens, diferenças de personalidade, gostos, expectativas etc., preparam o

palco para os problemas aparecerem no relacionamento. Quando eles aparecem e você

não sabe como lidar com as diferenças, ficam mal resolvidos e o casamento se deteriora.

Se nada mudar, dentro de poucos anos o divórcio acontece. A propósito, o que é o

divórcio senão uma maneira de fugir dos problemas conjugais que o casal nunca

conseguiu resolver?

Casais que se amam acabam se separando, ou vivendo juntos como dois estranhos

dentro de casa, porque não conseguem resolver os conflitos no relacionamento. Na

verdade, o que insistem em tentar fazer é mudar a outra pessoa. Pensam: “Se eu

conseguir fazer com que meu marido/esposa seja como eu, então os problemas estarão

resolvidos.” E aí criticam, acusam, apontam os erros um do outro, enquanto se

defendem e justificam suas atitudes. Ficam dando voltas sem chegar a lugar algum.

Quando um finalmente cansa dessa insanidade, decide separar.

Viver feliz no casamento é uma arte — a arte de resolver problemas. Existem pelo

menos sete bilhões de problemas no mundo hoje – cada ser humano tem pelo menos

um, provavelmente muito mais. Ainda assim, todos nós estamos aqui, sobrevivendo

apesar deles. Alguns nós conseguimos resolver, já com outros aprendemos a conviver até

que encontremos a solução. Problemas fazem parte da vida. Quem é mais hábil em

resolver problemas tem mais sucesso; quem é menos fracassa mais. No casamento não é

diferente. Se você quer blindar seu casamento, deve começar com a decisão de se tornar

um expert em resolver problemas.

Note: resolver problemas, não resolver pessoas. O seu foco tem que ser resolver o

conflito entre vocês, mudar a situação, e não lutar contra a outra pessoa. É um erro

achar que pode resolver a outra pessoa, mudá-la a seu gosto. Você não somente não o

conseguirá, mas acabará achando que o problema é a outra pessoa e que, portanto, você

deve se separar dela e encontrar outra. Quer dizer, você não aprendeu a resolver

problemas no primeiro casamento, parte para o segundo sem essa habilidade, encontra

os mesmos e ainda outros problemas, e continua fracassando no casamento. É de

surpreender que o índice de divórcio para quem casa pela segunda, terceira vez ou mais

só vai aumentando?

Nosso método é mais eficaz: ajudá-lo a enxergar o verdadeiro problema, encontrar a

raiz, eliminá-lo e evitar que volte.

Uma das coisas que nos intrigou foi descobrir que o índice de divórcios não varia

muito entre pessoas de orientação cristã e pessoas não religiosas. A crença em Deus, o

autor do casamento, parece não ser suficiente para evitar que uma pessoa se divorcie.

Isso é no mínimo curioso, pois se há um grupo que deveria ser mais hábil em manter o

casamento, esse grupo é o das pessoas que creem em Deus. Mas por que isso não

acontece? Porque a maioria dessas pessoas não consegue ou não sabe como aplicar seus

conhecimentos teóricos sobre amor no dia a dia de seus relacionamentos. Uma coisa é

eu saber que Deus é amor. Outra coisa é saber o que fazer quando a pessoa que eu amo

mente para mim, por exemplo. O cristianismo de uma pessoa começa a ser realmente

provado quando ela entra no casamento.

ESPELHO, ESPELHO MEU

O casamento nos serve como um espelho. Quando se arrumou hoje de manhã, você

olhou no espelho no mínimo umas cinco vezes (se você é mulher, umas vinte...) Por que

olhamos no espelho sempre que temos a oportunidade? Porque nossos olhos não

conseguem nos dar uma visão clara de como parecemos para quem nos olha. Se não

existissem espelhos nem câmeras de foto ou vídeo, nunca saberíamos como é o nosso

rosto, nem algumas partes do nosso corpo, especialmente atrás (apesar de alguns não

acharem isso uma má ideia). Mas graças ao espelho podemos ver uma reflexão fiel de

como somos, inclusive nas partes ocultas aos olhos.

Assim é no casamento. Nosso cônjuge se torna um espelho para nós porque reflete

exatamente o que somos — tanto nosso lado bom quanto o ruim. Quando olha no

espelho, você vê na imagem do seu corpo coisas que gosta e coisas que não gosta.

Quando põe uma roupa legal, fica se admirando e dizendo para si mesmo: “Eu fico bem

nessa roupa, olha só! Esse sapato caiu direitinho com esse cinto...” Mas também há

certas partes que você não gosta de olhar. Se acha seu nariz torto ou grande demais,

seus dentes muito abertos ou seu quadril muito grande, você se sente até mal de olhar.

Eu conheço alguém que quando vai tirar foto faz questão de posicionar a cabeça em um

ângulo de 45 graus relativo à câmera para pegar seu rosto de lado, porque ela acha que

tem a cabeça muito grande... Quer dizer, cada um lida com o que espelho mostra da

maneira que pode! Mas uma coisa é certa: não adianta xingar nem brigar com o

espelho. A culpa não é dele. Ele só está mostrando a realidade.

Quando se coloca diante do espelho do casamento, você começa a descobrir falhas

suas que desconhecia. Quando me casei, o meu temperamento forte se manifestou. Não

tinha notado esse problema antes, pois quando solteiro nunca tive que viver tão perto de

alguém, na situação de marido. Quando namorávamos, estávamos próximos, mas não

tão perto quanto no casamento. Quanto mais perto do espelho, mais clara e nítida fica a

nossa imagem. É isso o que acontece com todos os casais.

O problema é que até o casamento costumamos ouvir da outra pessoa o quão

maravilhosos somos. “Você é tão linda.” “Gosto muito da sua honestidade.” “Você me

faz me sentir tão bem que me esqueço de todos os meus problemas.” Só elogios. Daí,

pensamos: “Essa pessoa vai me fazer muito feliz. Vou me casar com ela.” Quer dizer,

esperamos que no casamento só ouçamos coisas boas a nosso respeito. Mas o espelho

não mente. Depois de casado, chegamos bem perto do nosso espelho, e a outra pessoa

começa a nos mostrar nossos defeitos... Em vez de aproveitar aquilo e mudar,

projetamos nossos defeitos sobre a outra pessoa e apontamos onde ela precisa mudar:

“Ele é tão irritante!” “Ela é muito mimada, chora à toa.” “Eu não quero ser assim, mas

você me provoca.” Quer dizer, culpamos o espelho.

É natural se tornar defensivo quando nossas falhas são apontadas. Ninguém gosta.

Mas não é uma atitude inteligente. Se você decidisse não olhar mais no espelho porque

ele lhe mostra algo desagradável, não estaria melhorando em nada. Em vez de defender

sua maneira de ser — o seu jeito — diante de seu cônjuge, use esse feedback

positivamente. Aproveite essa informação para melhorar.

Enquanto me irritava com o que a Cristiane apontava de negativo a meu respeito, não

melhorei como marido, nem como pessoa. Mas quando usei a cabeça e entendi que

minha esposa era o meu desafio pessoal para melhorar, então comecei a usá-la como

espelho para lidar com meus defeitos. Você também pode fazer isso.

Entenda uma coisa, desde o início: você não vai conseguir mudar a outra pessoa.

Ninguém muda ninguém. As pessoas só mudam quando elas mesmas decidem mudar.

Por isso mesmo, quando alguém nos força a mudar, nossa reação natural é resistir. É

uma maneira de proteger nossa identidade, nosso direito de ser como queremos ser,

ainda que não agrade a alguém. Eu sei, parece loucura, mas o ser humano é assim.

“Então não há esperança para mim?”, você pergunta. “Meu marido nunca vai

mudar?” “Minha esposa sempre será assim?”

Veja bem, não estou dizendo que ele ou ela nunca irá mudar. Estou dizendo que não

será você quem o fará mudar. Mas há uma boa notícia: você poderá influenciar e

inspirar essa pessoa à mudança. É para aprender como fazer isso que você está lendo

este livro.

Tudo começa com você focando em si mesmo em vez de apontar os erros do

companheiro. Lembre-se: se você resolver apenas as suas questões pessoais, metade dos

problemas conjugais será resolvida antes mesmo de seu companheiro mudar um pouco

que seja.

Quando você mudar e parar de exigir que o outro mude, dará o primeiro passo para

inspirar a mudança na outra pessoa sem precisar cobrar nada dela. Quero enfatizar:

pare de exigir que seu parceiro mude. Em vez disso, olhe para dentro de si,

reconhecendo seus próprios erros. Abra a sua bagagem e tire de dentro o que está

pesando muito. Não se preocupe com a bagagem dele por agora, seu foco será entender

a si mesmo primeiro para depois entender a outra pessoa.

Talvez você tenha começado a ler este livro pensando em descobrir técnicas para

mudar seu marido ou sua esposa. Na verdade, você aprenderá como mudar a si mesmo.

Se embarcar na missão de se tornar uma pessoa melhor, então o seu casamento

melhorará, incluindo seu cônjuge. Mas se sua missão é mudá-lo, pode parar por aqui.

Nós não podemos lhe ajudar. Ninguém poderá.

CESSAR FOGO!

Se você está realmente empenhado em blindar o seu relacionamento, então comece a

seguir os conselhos e tarefas que vamos lhe recomendar neste livro.

A primeira tarefa é declarar um “Cessar fogo!”

Quando dois países estão em guerra e buscam uma solução, o primeiro passo é

declarar um cessar fogo para negociar um acordo de paz. Param os ataques, como um

voto de confiança, um sinal de boa vontade.

Se você tem atacado seu parceiro de alguma forma, ainda que esporadicamente, deve

imediatamente cessar esse tipo tratamento. Por exemplo, comentários irônicos,

respostas sarcásticas, acusações, ataques verbais, mencionar erros do passado — e

também as formas passivas de ataque, como dar gelo, omitir informações importantes,

tratar com indiferença, ficar fora de casa e coisas do tipo.

Pense: como você poderá blindar o relacionamento contra ataques externos se insiste

nos ataques internos? Não é sábio. Os ataques externos que vocês têm que combater já

são o bastante, vocês não precisam ser inimigos um do outro. Os inimigos são os

problemas que vocês enfrentam, e não vocês mesmos.

Portanto, se seu relacionamento agora está em pé de guerra, pare! Dê trégua a seu

parceiro. A partir de agora, enquanto lê este livro, você vai tratar seu parceiro com

respeito e civilidade. Isso lhe dará chance para respirar, se concentrar e aprender novos

caminhos para a solução dos problemas conjugais.

Outra razão pela qual o cessar fogo é importante: para que você não venha sabotar

seus esforços de blindar seu relacionamento. Pense: se enquanto você lê este livro

continua atacando seu parceiro, os problemas só aumentarão. Chegará um ponto em

que você olhará para esse livro na sua cabeceira e dirá a si mesmo algo do tipo: “Não

está adiantando nada! Não vou mais ler essa droga de livro” – seguido de uma

imaginação onde você se vê enfiando o livro na garganta do seu cônjuge... Nada legal.

Então, esta é sua primeira tarefa para blindar seu casamento: cessar fogo!

Tarefa

Escreva aqui (ou em outro lugar, se quiser poupar o livro) como você normalmente ataca seu

parceiro. Pense em todas as formas, da maior à menor, e as inclua abaixo.

Prometo a mim mesmo que não mais tratarei meu parceiro dessa forma e me esforçarei a agir com

respeito, domínio próprio e consideração.

Parte II | Emoção vs Razão

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