sábado, 30 de novembro de 2013

CAPÍTULO 16


 

CAPÍTULO 16 -  NATURALMENTE PROGRAMADOS

Capítulo 16 | Naturalmente programados

As diferentes estruturas física, genética e mental do homem e da mulher determinaram

outras diferenças entre eles, sociais e culturais, desde o início da humanidade. A força

física do homem, bem como as habilidades naturais de construir armas e navegar

territórios, o qualificaram para ser o provedor e protetor da família. As características

inerentes à mulher fizeram dela a cuidadora e organizadora do lar.

Desde o princípio, por milhares de anos, os papéis dos dois eram bem diferentes,

claros e específicos. A rotina típica de um casal era mais ou menos como a que descrevo

nos próximos parágrafos.

Antes de o sol nascer, o homem saía com as armas para caçar, sozinho ou em grupo,

arriscando a vida a fim de trazer o alimento para casa. A mulher ficava em casa

esperando ansiosamente que ele voltasse ao final do dia, não apenas com a comida, mas

são e salvo. Ele era o seu herói, que arriscava a vida pela vida dela e as de seus filhos.

Enquanto caçavam, os homens não faziam grande uso da comunicação verbal, até

porque um pequeno barulho podia lhes custar a caça. Tinham que se locomover

furtivamente e se comunicar por gestos. Não podiam ter medo de matar, nem fera nem

outros homens, caso fossem atacados.

Já a mulher, por ficar em casa em companhia dos filhos e vizinhas, desenvolveu melhor

a habilidade de comunicação verbal. Como a organizadora e enfermeira da família, se

tornou expert em perceber detalhes e expressões faciais, sempre atenta ao estado físico e

emocional das pessoas. Ela se tornou a arquiteta dos relacionamentos, a cola da família

e da comunidade.

Agora você entende por que o homem se tornou menos emocional, não tão apto a “ler

os sentimentos” dos outros como a mulher naturalmente o faz, menos falante que ela e

mais direto nas palavras.

Além das tarefas domésticas, a mulher era muito considerada pela habilidade quase

divina de gerar filhos. Carregava em si a semente da vida e, por esse motivo, o homem a

protegia e valorizava. Ela, por sua vez, o respeitava como o líder natural da família e o

cobria de apreciação pelo risco que corria diariamente pela sobrevivência dela e dos

filhos.

Tudo isso deixava bem claro qual era o papel do homem e o da mulher em relação um

ao outro. Não havia discussão entre eles sobre isso, nem competição. Cada um sabia

bem o seu papel e não havia sentimento de que um era melhor do que o outro. E assim

foi por milhares de anos. Através dos séculos, esses papéis não mudaram muito.

Tradicionalmente, o homem sempre foi o provedor e protetor da família, e a mulher a

cuidadora do lar e arquiteta dos relacionamentos.

Porém, alguns fatores vêm mudando essa realidade de uns cinquenta anos para cá.

Poderíamos citar vários, mas mencionaremos apenas dois principais, e seus efeitos no

casamento.

OS PAPÉIS SE CONFUNDEM

Dois fenômenos sociais têm transformado o conceito tradicional sobre o papel do

homem e da mulher na sociedade: o Movimento Feminista e a Revolução Industrial.

Está fora do escopo deste livro entrar em detalhes sobre esses dois pontos. Fique à

vontade para pesquisar mais, se quiser. Resumidamente, para nossos fins, aqui está o

principal, e por que nos importa:

A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

A mulher começou a sair de casa para o trabalho, ainda que timidamente, em meados

do século 19. O desenvolvimento da tecnologia maquinária deu origem às fábricas, as

quais abriram oportunidades de emprego até então inexistentes para as mulheres. Mas

foi no século passado, especialmente a partir da Segunda Guerra Mundial, que a mulher

começou a tomar seu espaço no mercado de trabalho. Ela se mostrou tão capaz quanto

o homem em muitas profissões. Conquistou direitos iguais e ultrapassou o número de

homens cursando universidades. Com a explosão do crescimento das grandes indústrias,

da tecnologia, do funcionalismo público e dos serviços de saúde, a mulher hoje é parte

essencial da economia global. O novo poder aquisitivo da mulher, combinado ao de seu

marido, possibilita ao casal o acesso a uma vida material muito melhor do que a de seus

pais e avós. A atual cultura consumista — a publicidade incansável de produtos e bens

que prometem a “felicidade” dos que os consomem — praticamente impossibilita a um

homem de renda média ou baixa sustentar a família sem a renda extra da mulher. O que

isto significa é: a mulher não é mais a mãe e esposa que apenas cuidava da casa e recebia

o marido no fim do dia com um bolo quentinho esperando no forno. Ela é tão ativa

quanto ele lá fora, ganha tanto ou mais do que ele e, portanto, está muito diferente da

mulher tradicional. Ela está se tornando caçadora também.

O MOVIMENTO FEMINISTA

A americana bell hooks14, uma ativista feminista de grande influência, define bem a

essência do feminismo: “O feminismo é uma luta contra a opressão machista.” Sem

dúvida, muitos homens ao longo da história fizeram um grande desfavor não somente às

mulheres, mas também a todo o gênero masculino. Portanto, a luta pelos direitos da

mulher tem um valor inegável. Porém, apesar das feministas terem conseguido grandes

avanços em busca do equilíbrio dos sexos, um subproduto disso tem sido o sentimento

quase odioso contra os homens. O feminismo tem levado muitas mulheres a ver o

homem, de modo geral, como um opressor, um inimigo que está pronto para oprimi-la

na primeira oportunidade. Enquanto isso pode ser verdade em alguns casos, esta

generalização leva muitas mulheres a resistirem ao papel tradicional do homem provedor

e protetor por medo de ficar por baixo dele.

Levantando a bandeira da igualdade dos sexos, o movimento gera a confusão entre

igualdade de direitos e igualdade de gêneros. E é exatamente quando a mulher começa a

olhar o homem como seu igual, especialmente dentro do casamento, que inúmeros

conflitos passam a existir. Quero deixar bem claro: sou totalmente a favor da igualdade

de direitos entre os sexos. Mas dizer que homens e mulheres são iguais na sua natureza e

maneira de ser é um erro gravíssimo que tem causado sérias consequências nos

relacionamentos amorosos. Uma coisa é você ter direitos iguais; outra coisa é querer

cumprir papéis iguais. Homem e mulher sempre tiveram direitos iguais aos olhos de

Deus, já que Ele não criou um melhor que o outro. Mas os papéis que lhes foram

designados são bem diferentes. O problema começa quando a mulher quer cumprir o

papel do homem no casamento e na família.

Esses dois fatores se resumem em um só: a ascensão da mulher. E como resultado, os

papéis já não estão tão claros, distintos e específicos como costumavam ser até pouco

tempo atrás. Pela primeira vez na história da humanidade, o homem começa a entrar

em uma crise de identidade.

QUEM SOU EU? ONDE ESTOU?

Quem é esta “caçadora” ao meu lado? Os homens ainda não conseguiram se situar

dentro deste novo cenário. São exatamente essas mudanças que vêm causando

problemas no casamento. Mulheres têm se tornado mais independentes, portanto menos

inclinadas a envolver os maridos em suas decisões; batem de frente com eles, afinal, elas

“podem”. Homens têm se sentido intimidados diante do crescimento da mulher, têm se

retraído, e em alguns casos até se sentem inferiores a ela. A firmeza tem dado lugar à

indecisão ou a fazer qualquer coisa que não desagrade a mulher, a fim de manter a paz.

Ela por sua vez fica frustrada com a falta de iniciativa dele e acaba tomando a frente,

completando assim o círculo vicioso. Enfim, ela acaba se assemelhando a ele, e ele à ela.

As consequências disso podem ser vistas no paralelo entre a ascensão da mulher e o

grande aumento no número de divórcios nos últimos cinquenta anos. Como pode algo

tão bom para as mulheres ser tão ruim para os nossos relacionamentos?

Não estamos sugerindo que o avanço da mulher é ruim nem queremos que a sociedade

retroceda. Apenas queremos apontar o fato de que, ainda que a sociedade tenha

mudado, as necessidades naturais dos homens e das mulheres continuam sendo as

mesmas de milhares de anos. O homem ainda é homem e a mulher não deixou de ser

mulher. Fomos criados assim e novos direitos e maneiras de viver não vão mudar o

nosso DNA. Somos naturalmente programados, ou seja, temos uma predisposição a

esperar certas coisas de nosso cônjuge.

Homem e mulher podem crescer e evoluir na sociedade como e o quanto quiserem. A

mulher ganhar mais que o homem não é o problema, nem o homem lavar a louça ou

ajudar a trocar as fraldas. O que os dois precisam saber fazer é atender às necessidades

básicas um do outro. Ou seja, sem jogar pela janela o progresso e avanço conquistado pela

mulher, vamos resgatar os valores e princípios originais que regem um casamento feliz.

Cristiane:

Eu sou a favor da mulher ter direitos, afinal de contas, gosto de conquistar também.

O problema é que precisamos saber como lidar com os nossos homens diante de

tantas mudanças na sociedade.

Meus pais já passaram dos quarenta anos de casados e a sua maneira de pensar é

bem diferente da dos casais que se casam hoje. Quando o meu pai se casou com a

minha mãe, ele tinha em mente trabalhar duro para sustentá-la. Hoje em dia, muitos

homens já não têm essa preocupação. A mulher também trabalha e às vezes pode

até sustentá-lo. Isso, no passado, era humilhante para o homem, pois mostrava uma

fraqueza de sua parte. Se ele tirou a jovem da casa dos pais, tinha a obrigação de

cuidar e prover tudo que ela precisasse.

Enquanto isso, a obrigação dela era cuidar do marido, da casa e criar os filhos. A

mulher tinha prazer nisso, o que já não se vê tanto hoje em dia. A mulher atual nem

sempre tem prazer em cuidar do marido, muito menos da casa. Se ele está com

fome, que se vire. Os filhos podem ficar a maior parte do tempo em uma escola e

em clubes de esportes para ela ter mais tempo para a carreira e outros interesses. E

quando ela chega em casa, não quer ter o trabalho de cozinhar nem de limpar nada,

então se chateia com o marido por jogar seu par de sapatos no meio da sala. Ou

seja, coisas que no passado não eram um problema, hoje são motivos de conflito.

Homem e mulher não foram feitos para competir um com o outro. Somos muito

diferentes e as nossas diferenças são justamente para acrescentar na vida do outro e

não para diminuí-lo.
A mídia, para contribuir
ir com esse desastre, também coloca a imagem do homem

lá em baixo. Repare só na maioria das comédias e em alguns outros gêneros de

filme, como o homem é sempre aquele personagem fraco, que teme a mulher, que

faz tudo errado, não tem pulso forte, nem passa nenhuma segurança; enquanto a

mulher é bem inteligente, sabe o que quer, faz tudo certo e é sempre o braço forte

da família.

Esta imagem acaba fazendo a lavagem cerebral nas pessoas: o homem é fraco, a

mulher é forte; o homem é bobo, a mulher é inteligente. O resultado nos lares é que

filhos não respeitam os pais, esposas não respeitam os maridos, e o pobre coitado

acaba largando aquela família. A esposa rapidamente o acusa de alguma

incapacidade e os filhos se decepcionam com ele, dizendo a si mesmos que nunca

vão se casar.

Aí está uma foto do que tem sido a família no século 21. Se a sociedade não valoriza o

papel do homem na família, o homem por sua vez também não valoriza o da mulher, e

o que acontece é o inevitável: ninguém valoriza ninguém, cada um por si, Deus por

todos, e uma abundância de atitudes egoístas no dia a dia.

Se você quer fazer parte da cultura do casamento feliz e duradouro, não poderá seguir

as normas da cultura atual. Terá que andar na contramão e criar sua própria cultura

dentro do seu relacionamento. Cristiane e eu temos a nossa, e já determinamos que

nada de fora que seja nocivo poderá entrar. Por isso conseguimos manter os valores e

princípios de que precisamos para conservar nossa intimidade, e não nos esquecemos de

preencher as necessidades básicas um do outro, predeterminadas por nossas naturezas

distintas.

E você, sabe quais são estas necessidades? Vamos entender mais sobre elas.

NECESSIDADES BÁSICAS NATURALMENTE DETERMINADAS

Somos programados por nossa natureza humana a ter certas necessidades supridas. E

não há necessidades mais básicas do que comer, beber, vestir e ter moradia. Tire isso do

ser humano e seu comportamento se torna como o de um animal. Isso pode ser

observado quando grandes desastres naturais afetam uma cidade. De repente, as pessoas

se veem sem alimentação, água, abrigo e segurança. Se não houver uma intervenção

rápida dos serviços de emergência, entram em desespero e adotam um comportamento

até agressivo pela sobrevivência. A procura pelo que comer e beber e por onde morar faz

com que as pessoas ajam como se voltassem à época das cavernas. Quando suas

necessidades básicas são afetadas, afloram as reações mais primitivas.

Minutos antes de o desastre ocorrer, a maioria estava preocupada com inutilidades,

como: se a barra da calça está curta demais, se a melhor cor para a parede do quarto é

bege ou branco, se vai fazer um upgrade do celular etc. Depois que o horror acontece,

ninguém se importa mais com isso. A única preocupação é salvar a própria vida. O que

as pessoas antes viam como “necessidade” é reduzido do mais alto capricho para as

coisas mais básicas como água, pão e cobertor. Pessoas que nunca roubaram, nunca

agrediram ninguém nem violaram leis são capazes de fazê-lo. É o instinto natural do ser

humano. E qual a melhor maneira de conter esse comportamento animalesco?

Preenchendo novamente as necessidades básicas dessas pessoas.

Há outra coisa muito importante que você tem que saber sobre isso:

Não se discute sobre as necessidades básicas de uma pessoa. A única coisa a fazer é

preenchê-las.

Ninguém é culpado de ter fome. Ninguém é mau por querer dormir uma noite de

sono. Ninguém é criminoso por ter sede. Ninguém pode ser acusado por querer um

lugar para morar. Mau é quem pode suprir as necessidades de alguém mas não o faz.

Agora, transporte esse fato para dentro do relacionamento. Homem e mulher também

têm, por suas naturezas masculina e feminina, necessidades básicas que precisam ser

preenchidas. Para que um casamento funcione, há certas coisas mínimas que devem

existir. Tudo bem, o marido pode não ser tão romântico quanto um personagem de

Robert Redford; a esposa pode não ser a mais perfeita dama de um conto de fadas, mas

ambos têm que oferecer um ao outro pelo menos o essencial.

As necessidades básicas do homem e da mulher são de extrema importância. Se elas

não são supridas, seu marido ou sua esposa começará a agir irracionalmente. E não

adiantará ficar criticando ou se perguntando ‘por que ele é assim?’ ou ‘por que ela age

assim?’ A melhor coisa que você pode fazer sobre as necessidades básicas de seu parceiro

é supri-las. Sobre necessidades não se discute. Quando se tem fome, a única coisa útil de

se fazer a respeito é comer.

Quando adota um animalzinho de estimação, a primeira coisa que você faz, antes

mesmo de levá-lo para casa, é descobrir o que ele come, bebe, gosta e não gosta. Você

não discute com quem lhe deu o animal, nem tenta mudar o bichinho depois que o leva

para casa. Se você quer um animalzinho feliz, e é mais inteligente que ele, apenas

preenche as necessidades dele, por mais chatas que sejam. Para você ter um marido ou

uma esposa feliz, descubra as necessidades básicas dele ou dela e supra-as — não

discuta.

CAPRICHOS E COMPARAÇÕES

Um esclarecimento: estamos falando aqui de necessidades básicas, não de caprichos e

fantasias. Para as mulheres, um aviso: amor verdadeiro não se resume em romance ou

beijo cinematográfico. É um grande erro da mulher comparar o homem real com o

homem da tela. Uma mulher casada certa vez deixou um comentário em um dos nossos

vídeos no YouTube sobre o que ela esperava de um homem ideal:

...gosto do homem que se cuida, que se preocupa com sentimentos, que seja

romântico, ao estilo Brad Pitt ou Tom Cruise; mas que seja galanteador como

James Bond e provedor e protetor como Conan, o Bárbaro , ou os homens do

Faroeste. Penso que o homem ideal é aquele vampiro da Bela, de Crepúsculo. E

gosto daquele homem de ‘E o Vento Levou ’, ou aquele dançarino de ‘ Dançando na

Chuva’... ah, sei lá, um pouco de cada. Tem também os samurais...

Meu primeiro conselho para essa esposa foi: “Pare de assistir filmes!”

Se você não sabe o que quer, como exigir que seu marido o saiba? Esta ilusão do amor

hollywoodiano é que tem levado muitos casamentos ao fracasso. Esse amor roteirizado,

treinado, com diretor produzindo o ator, não compete com a vida real. Na vida real,

aquele galã da novela provavelmente já se casou três, quatro vezes, tem uma vida

amorosa infeliz, e talvez até tenha batido na mulher dele. Não podemos viver a realidade

baseada em fantasia.

Uma das piores coisas que você pode fazer é comparar seu cônjuge a alguém, seja este

alguém real ou imaginário. Isso é capaz de matar o casamento. Se você compara seu

marido com o da televisão, prepare-se para ficar frustrada.

O mesmo se aplica para os homens. Você, homem, passará pelo mesmo se embarcar

na praga chamada ‘pornografia’. Colocando de lado a parte moral da questão, o

resultado deste vício é que muitos homens não conseguem mais ser estimulados por suas

mulheres, só pela pornografia e masturbação. Ou seja, aquilo que é real, a intimidade

com a esposa, já não serve mais. Você deixa de ser o homem que sua esposa precisa, fica

frustrado porque sua mulher não é aquela que viu em um vídeo produzido, e acaba

vivendo de fantasias — criando assim uma data de expiração em seu casamento.

Nenhuma mulher gosta de ser comparada assim. Para ela, é humilhante saber que o

marido só se sente realizado assistindo a esse tipo de vídeo. Ela não fica excitada como

ele e ambos não conseguem chegar à intimidade total. O homem que se faz dependente

desse estímulo está desmoralizando a mulher, fazendo com que ela se sinta insuficiente

para ele, exatamente o contrário da necessidade mais básica que ela tem.

14 Ela, propositalmente, não usa maiúsculas no próprio nome. Curiosamente, aos 59 anos, hooks permanece solteira.

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