sábado, 30 de novembro de 2013

CAPÍTULO 3

 CAPÍTULO 3-  A MOCHILA NAS COSTAS

Capítulo 3 | A mochila nas costas

Imagine isto: noivo e a noiva estão no altar da igreja, vestidos a rigor diante dos

convidados. O oficiante conduz a cerimônia. Nas costas de cada um dos noivos, por

cima do vestido branco dela e do terno alugado dele, uma grande e pesada mochila.

Dentro da mochila de cada um está todo o seu passado, a bagagem que estão levando

para dentro do casamento, cujo conteúdo ambos começarão a descobrir muito em

breve: a criação e os ensinamentos que absorveram dos pais, as experiências antigas, os

traumas, o medo de rejeição, as inseguranças, as expectativas... Por isso, quem ainda

está se preparando para se casar deve agir como segurança de aeroporto: “Abre a mala

aí, quero ver o que tem dentro!”

Já vi muitos casais dizerem: “O seu passado não me interessa, só quero saber de nós

daqui para a frente.” Soa muito romântico, com certeza, mas essa atitude não vai

impedir que vocês tragam o passado para dentro do relacionamento presente. O seu

passado faz parte de você, é impossível se livrar dele. Mas é possível, sim, aprender a

lidar com ele, seja o que for. No entanto, se não sabem o passado um do outro, saberão

como agir quando ele se manifestar lá na frente no casamento?

Deixe-nos dar um exemplo pessoal de como essa bagagem afeta o casal já logo de

início.

5.6 SEGUNDOS DE LIBERDADE

Quando Cristiane e eu nos casamos, começamos a ter problemas devido à falta de

atenção que ela sofria de minha parte e as consequentes cobranças que me fazia. Seis

dias por semana eu ia cedo para o trabalho e retornava tarde da noite, cansado, e ainda

trazendo trabalho extra para terminar em casa. No sábado, nosso suposto dia de

descanso, eu voluntariamente voltava ao serviço pelo menos meio período pela manhã.

Por ser muito jovem, querendo me afirmar no trabalho, entendia que precisava me

dedicar.

Continuei trabalhando como quando era solteiro, mas não estava consciente de que

agora tinha uma esposa. Eu não tinha equilíbrio algum com respeito a trabalho e

família. Cristiane ficava em casa a maior parte do tempo, e quando eu chegava à noite,

ela vinha com aquela perguntinha: “Como foi o seu dia?” A última coisa que eu queria

falar àquelas horas era sobre o meu dia, pois estava exausto. Então eu respondia com

duas palavras: “Foi bom”. Ela, insatisfeita, insistia: “Aconteceu alguma coisa?” E eu lhe

dava mais três palavras: “Não, tudo normal.” Obviamente (não tão óbvio para mim

então), ela se sentia excluída da minha vida. Some-se a isso o fato de que eu só queria

saber de comer, terminar algum trabalho que tinha trazido para casa e depois cair na

cama, morto de sono. Eis aí uma receita perfeita para uma esposa infeliz.

Mas isso era só durante a semana. No sábado, era um pouco pior. Minha querida

esposa pensava: “Bom, pelo menos no sábado vamos sair.” Coitada. Como o principal

dia da semana no meu trabalho era o domingo, a minha preocupação no sábado era

planejar e aprontar tudo para o dia seguinte. Nas poucas horas que me sobravam na

tarde e na noite de sábado, eu queria apenas descansar; já ela, queria ir ao cinema,

passear. E como até deixava passar a minha falta de atenção durante a semana, no

sábado ela estava mais determinada: “Aonde a gente vai hoje?” “Vamos ver um filme?”

“Vamos almoçar fora?” “Vamos chamar uns amigos para sair?” E eu, com “aquela”

cara, dizia: “Você está louca? Não entende que este é o único momento que tenho para

ficar em casa e descansar?” Eu a achava extremamente chata, uma pessoa que não me

entendia. Minha defesa era: “Você sabia da minha carga horária antes de casar, sempre

foi assim, você é que está criando caso agora.” Realmente, meus dias e horários de

trabalho não haviam mudado. Só que eu me esquecia de que, quando namorávamos,

arranjava tempo no sábado à tarde para sair com ela. Quem havia mudado, na verdade,

era eu.

Cristiane:

Fui filha de pastor. Durante toda a vida estava ou dentro de casa ou da igreja.

Quando me casei, aos dezessete anos, foi como se minha mão direita estivesse

algemada à esquerda do meu pai, e ali no altar ele abriu a algema do pulso dele,

colocou-a no do Renato, a fechou novamente e passou a chave para ele. Foram 5.6

segundos de liberdade, cronometrados... É claro, no momento não parecia assim. Eu

pensava que quando me casasse, tudo mudaria em minha vida — até porque quando

namorávamos saíamos para passear, o Renato me ligava sempre, tirava um dia da

semana só para mim. Ele era super romântico, vivia me escrevendo cartinhas de

amor, e eu me sentia a rainha da cocada...

Porém, minhas expectativas foram por água abaixo. Primeiro, assim que nos

casamos, o Renato foi transferido para Nova York; lá eu fiquei longe da minha

família e de todas as minhas amigas. Fomos morar a uma hora de distância do

trabalho dele, o que tirava ainda mais do pouco tempo que passávamos juntos.

A exemplo de minha mãe, queria ser uma boa esposa para o meu marido, fazê-lo

muito feliz. Eu me dedicava muito ao lar, cuidava das roupas dele praticamente o

dia inteiro, cozinhava diariamente algo novo e sempre fazia questão de estar bem

arrumadinha para ele quando chegava à noite. Mas tudo isso era difícil, pois eu era

muito jovem e tinha acabado de sair da escola. A comida não saía bem, passava as

camisas de linho dele umas três vezes e, mesmo assim, não ficavam bem passadas,

os produtos de limpeza queimavam minha pele... enfim, pensava: “O Renato vai

chegar mais tarde e apreciar todo o meu sacrifício” – que nada! Ele não notava.

Renato foi meu primeiro namorado e era tudo o que sempre sonhei, mas fiz do

meu casamento um problema. Comecei a me entristecer, reclamar, chorar e cobrar

muito. E ele sempre dizia o mesmo, que ele era assim e eu deveria aprender a

conviver com o seu jeito, teria de me adaptar àquela vida. Eu só saía para ir à igreja

na quarta-feira e na sexta-feira à noite. Eram os dias mais interessantes da semana!

Não é de admirar que todas as outras noites, quando ele chegava em casa, eu o

esperasse ansiosamente — era o único amigo que eu tinha para conversar! Mas ele

não percebia minha necessidade e ficava quieto, cheguei ao ponto de achar que

meu marido não me amava mais.

Por inexperiência, por eu ser muito jovem e nunca ter tido outro relacionamento

antes, tudo era motivo de desconfiança. Às vezes chegava à igreja, via o Renato

aconselhando a uma mulher (parte do trabalho dele) e sentia ciúme. “Como pode

ele dar tanta atenção a pessoas que ele nem conhece e para mim, que sou sua

esposa e faço tudo por ele, não está nem aí?” Fazia esse tipo de comentário para ele

e pronto — meu marido se fechava ainda mais. Ele me dava o famoso “tratamento

de silêncio”, que às vezes durava três dias! Ele conversava normalmente com todo

mundo, sorria, mas comigo... Era como se eu não existisse. Aquilo, obviamente, não

me ajudava a lidar com todas as inseguranças que havia trazido para dentro do

casamento, pelo contrário, só ampliava ainda mais nosso problema.

A minha criação foi bem diferente da criação que ele teve. Na minha família,

falávamos abertamente tudo o que sentíamos, em qualquer situação. Eu, então, fazia

o mesmo em casa com o Renato, mas em vez de ele se chatear comigo, me dar um

fora e depois voltar ao normal, ele simplesmente não dizia nada, me lançava aquele

olhar de desprezo e deixava de falar comigo por dias. Essa diferença na forma de

lidar com nossas questões piorava ainda mais os conflitos, pois além dos problemas

do trabalho — em função das responsabilidades —, quando chegava em casa ele

enfrentava outros. Por tudo ser muito novo para mim e eu não ter ninguém para

conversar, queria nele um amigo, mas só conseguia um marido frustrado, que me

achava uma chata.

Quando eu mudei e parei de cobrar a atenção dele, vi o resultado. Ele passou a

fazer o que eu gosto e o que me agrada sem que eu pedisse. Hoje conversamos

bastante, somos melhores amigos e nos realizamos muito na presença do outro. Mas

apenas conseguimos fazer isso quando aprendemos a lidar com a bagagem um do

outro.

Eu percebia o ciúme dela e ficava irritado, mas não conseguia enxergar a raiz desse

sentimento. Não tinha ideia do que ela trazia na bagagem. Daí, quando ela me cobrava,

pressionava, ou acusava de algo, eu me fechava. Foi nesse momento que ela começou a

conhecer um pouquinho da minha bagagem, também.

Cresci vendo meu pai lidar com os problemas entre ele e minha mãe se fechando com

ela. Toda minha infância foi assim. Se minha mãe fizesse algo que o desagradasse, meu

pai a “punia” lhe dando um gelo. Dois, três, cinco dias. O mais longo, acredite se quiser,

foi de oito meses! Se dar gelo fosse competição, meu pai seria o campeão e recordista

isolado...

Eu odiava aquilo. Via ambos calados um com o outro, minha mãe tentando fazer as

pazes, procurando agradá-lo, e ele preso ao que havia acontecido — o que quase sempre

era uma bobagem. Aquilo criava um ambiente horrível também para nós, os quatro

filhos. Pensava comigo mesmo que jamais seria assim quando me casasse.

Porém, quando me casei, fazia exatamente o mesmo com a Cristiane. A experiência é

melhor professora do que a teoria, afinal. Eu sabia que o que estava fazendo era errado,

mas na prática só sabia fazer aquilo a que eu havia assistido em toda a minha infância e

juventude. Era o peso da minha mochila.

EXCESSO DE BAGAGEM

A verdade é que nós fazemos somente o que aprendemos. Eu não tinha uma referência

melhor do que aquela. Você acaba repetindo os erros dos seus pais, pois o

comportamento deles (não as palavras) foi a sua escola. Não gostava de ser assim, mas

era como se eu já estivesse programado para agir como o meu pai. Mesmo a Cristiane

me pedindo desculpas, eu não mudava meu comportamento.

No relacionamento nós temos que desaprender coisas ruins para então aprender coisas

boas. Temos que identificar os maus hábitos, aquilo que não funciona, e eliminá-los do

nosso comportamento, desenvolvendo novos e melhores hábitos. Reconhecer isso é

muito doloroso, mas imprescindível para a mudança.

Como você pode ver, logo no início do nosso casamento, Cristiane e eu tivemos

muitos problemas decorrentes das bagagens que trouxemos conosco. Eu não era uma

má pessoa, tampouco ela, mas a mistura das nossas bagagens não resultou em algo

positivo. Assim acontece em todos os relacionamentos. Todo ser humano traz em si sua

bagagem, seu conjunto de princípios, valores, experiências, cultura, visão de mundo,

opiniões, hábitos, passado, traumas, influências da família/escola/amigos, sonhos, e

muito mais.

Quando duas pessoas se juntam pelo casamento, a maior parte de seus problemas

provém de coisas em suas bagagens que conflitam entre si. Portanto, conhecer a outra

pessoa profundamente e descobrir as suas raízes é fundamental para compreender o

porquê deste ou daquele comportamento. E mais: conhecer e entender a si mesmo é

igualmente essencial, pois isso lhe ajudará a desenvolver maneiras de lidar com suas

próprias raízes e assim resolver as diferenças e conflitos.

Foi isso que aconteceu comigo e com a Cristiane. Anos mais tarde, passei a me dar

conta de nossas bagagens e a entender por que nos comportávamos daquela maneira.

Cristiane tinha a bagagem das altas expectativas da família perfeita de onde veio; a

imagem do pai exemplar; a insegurança de nunca ter tido um namorado (enquanto eu

vinha de um noivado rompido, antes de nos conhecermos); a infância e a adolescência

com praticamente zero de lazer e vida social. Tudo isso explicava por que a Cristiane

esperava tanto de mim, tinha ciúmes de mulheres por quem eu nunca me interessei,

exigia tanto a minha atenção e valorizava muito o fato de passear.

OS OPOSTOS SE ATRACAM

O interessante é que as bagagens dela entravam em choque frontal com as minhas. É

bem típico dos casais: os opostos se atraem, mas depois que casam, se atracam...

enlouquecem um ao outro.

Minha família era consideravelmente diferente da dela. Em casa éramos três irmãos e

uma irmã. Não tratávamos a pobrezinha assim, como posso dizer... com tanta

delicadeza. Éramos brutos. Minha mãe, sempre servindo a meu pai e a nós, raramente

exigia algo para si mesma. Vivia para ele e para os filhos. E meu pai... bem, esse já lhe

falei como era. O conjunto disso como pano de fundo me fazia achar a Cristiane um

tanto chata, exigente demais, pegajosa, que reclamava de barriga cheia — um chiclete no

meu cabelo. A imagem de uma mulher forte, gravada em minha mente pelo que

conhecia de minha mãe, uma mulher que aguentava tudo, não ajudava minha percepção

de minha esposa. Daí, a minha maneira fria e dura de tratar a Cristiane.

Outro pedacinho de minha bagagem: cresci no meio de mulheres. Tinha irmã, muitas

primas, muitas tias, amigas na vizinhança, amigas na escola, amigas na igreja e

namoradas aqui e ali. Eu não via nenhuma diferença entre ter amigos e ter amigas.

Depois de casado, isso não ajudou a raiz de insegurança na Cristiane. Tampouco a

minha maneira fria de ser com ela. Daí o ciúme.

E lá em casa, sempre fomos uma família de muito trabalho. Meu pai se levantava às

cinco da manhã até no domingo. Ele iniciou a mim e a meu irmão mais velho no

trabalho aos doze anos de idade. Trabalhar duro sempre esteve em nosso sangue.

Quando comecei a trabalhar na igreja antes de me casar, esse conceito aumentou, pois

agora não era mais por dinheiro, e sim para ajudar outras pessoas. Somado ao fato de

que me casei com uma filha de pastor, eu pensava que ela compreenderia muito bem a

minha entrega ao trabalho. Porém, na verdade, estava deixando a Cristiane louca da

vida comigo. Ela não me entendia, nem eu a ela. E vivemos por anos tentando mudar

um ao outro, em vão.

Quando e como, finalmente, superamos as diferenças? Somente quando

compreendemos o que estava por trás do nosso comportamento e fizemos ajustes para

lidar com a raiz de cada conflito.

Entendi que o problema que Cristiane tinha de suspeitas e ciúmes era minha

responsabilidade também. Eu não podia fazê-la mudar, mas podia reduzir as razões que

eu dava para alimentar a sua insegurança. Vi que podia ajudá-la a ter mais confiança

nela mesma e em mim. Deixei de debater e culpá-la pelo ciúme, comecei a me afastar de

amizades com mulheres e a me limitar apenas ao contato necessário. Fiz questão de

colocar uma distância e de buscar toda oportunidade para fazê-la ter a certeza de que

era a única mulher na minha vida. Meu alvo passou a ser: passar segurança para minha

esposa.

ATENÇÃO DO SEXO OPOSTO

Diga-se de passagem, muitos casais têm dificuldade de tomar essa decisão. Não

querem se afastar de amizades que têm influência negativa no casamento. Como regra

geral, aprendi que não é aconselhável que o homem casado tenha amigas muito íntimas,

nem que a mulher tenha tais amigos. Manter amizades do sexo oposto muito próximas é

brincar com o perigo. Normalmente resistimos à ideia de que haja algo de errado com

isso, porque no fundo gostamos da atenção. Pensamos também que se não temos uma

intenção ruim, de trair ou nos envolver com a outra pessoa, não tem problema.

Confiamos demais em nós mesmos. Esquecemos que não controlamos nossos

sentimentos nem os da outra pessoa. Por isso, entenda: nenhuma amizade é tão valiosa

quanto o seu casamento. Em vez de manter amizades íntimas do sexo oposto, aprenda a

fazer do seu parceiro seu melhor amigo.

Cristiane:

Eu já havia aprendido essa lição na escola, por experiência própria. Houve uma

época em que me cansei de amizades com meninas que viviam fofocando e

comecei a andar com amigos em vez de amigas na escola. Era muito bom porque

eles me respeitavam e não ficavam falando da vida dos outros. Só que alguns deles

começaram a me ver com outros olhos, sem que eu percebesse. Quando descobri

que estavam apaixonados por mim, tive que me distanciar de todos, e disse a mim

mesma que nunca mais faria amizade com meninos...

Quando me casei e vi o Renato tendo amizade com mulheres, enlouqueci!

Comecei a ter medo de ele desenvolver sentimentos por elas assim como os meus

amigos da escola desenvolveram por mim. A princípio, vivia reclamando,

condenando, enfim, usava todas as armas para combater aquelas amizades. Não foi

fácil vencer minhas inseguranças nesse sentido, mas consegui. O que me ajudou

nesse desafio foi colocar meu foco no que eu estava fazendo de errado em vez de

focar no que ele estava fazendo.

Às vezes a mulher pode até estar certa, mas a forma de resolver o problema no

casamento a torna errada e dificulta tudo no relacionamento. Quando comecei a

mudar minhas atitudes, focando mais em mim, virei uma esposa bem mais

agradável, e o Renato já não desligava mais o meu canal.

O bacana é que quando investimos em nós mesmos, passamos a enxergar as coisas

que fazemos e que não estão certas. Eu, por exemplo, descobri que também tinha

um chamado, e esse chamado não era o de ficar atrás do meu marido, auxiliando-o

de longe, e sim ao lado dele. Comecei a vencer minhas fraquezas, principalmente a

timidez. Minha vida já não girava mais ao redor da dele, e sim com a dele, e ao

redor de um só objetivo: trabalhar para Deus.

Às vezes a mulher não percebe que quando ela se torna inconveniente, o homem se

afasta. O marido dificilmente aceitará ser afrontado. Quando a Cristiane mudou esse

comportamento, se tornou mais desejável para mim. De repente, comecei a me

interessar mais por ela, chegar mais perto, chamá-la para sair.

Foi aí que me senti motivado a equilibrar o tempo entre o trabalho e o casamento.

Passei a dar mais atenção à minha esposa, pois entendi que ela precisava disso. Enfim,

quando nós dois entendemos as raízes dos nossos comportamentos e fizemos o

necessário para lidar com elas, acabaram-se os problemas.

CASAMENTO FELIZ DÁ TRABALHO

Nós, homens viciados no trabalho, temos que entender que o casamento também é um

tipo de trabalho, uma empresa. Se você não trabalhar no seu casamento,

inevitavelmente ele irá à falência.

Casamentos felizes dão trabalho e não acontecem por acaso. Quando você vê um casal

que está junto por muitos anos e vivendo bem, saiba que aquele casamento não é fruto

da sorte. Não é porque “foram feitos um para o outro” nem porque “combinam bem”.

Se olharmos mais de perto, vamos verificar que aquele casal trabalha constantemente na

manutenção do casamento. Depois de 21 anos de casados, Cristiane e eu continuamos

trabalhando, agindo em nosso relacionamento. Um descuido, um pouco de preguiça de

fazer algo ou um desleixo sobre algo importante já é o suficiente para probleminhas

surgirem. Por isso, nunca negligenciamos este trabalho.

Infelizmente, muitos casais se dão por conquistados no dia do casamento. Agem como

se o esforço de conquistar a outra pessoa tivesse acabado quando partiram para a lua de

mel. Pronto, casamos! Fato consumado.

Nós, homens, principalmente, costumamos fazer isso. Para nós, o período que começa

com a primeira conversa e vai até a lua de mel é o mais interessante para nossa natureza

competitiva. É emocionante saber que ela aceitou sair conosco, ver que ela está gamada

e que pensa que somos o máximo... Tudo isso é como se fosse um jogo para nós

(mulheres, estamos sendo honestos... é a nossa natureza. Você vai entender mais sobre

isso mais tarde neste livro). Daí, o dia do casamento é como a entrega do troféu.

Quando o campeão recebe o troféu, ele o põe lá em uma estante e aquilo ali vira

passado. É assim que muitos de nós, homens, fazemos com nossas esposas depois do

casamento. Achamos que o jogo acabou, aquele trabalho todo da conquista já está

terminado. Temos até o papel para provar – a certidão de casamento!

Colegas, aqui vai um aviso: o jogo apenas começou! Se pararmos de trabalhar para

manter o casamento, perderemos o jogo...

Tarefa

Quais os principais itens na sua bagagem e na de seu parceiro que afetam ou poderão afetar o seu

relacionamento no futuro? Tire alguns minutos para pensar nos principais acontecimentos que

marcaram suas vidas, o que lhes formou o caráter e engendrou os princípios e valores que regem o

comportamento de vocês. Esta tarefa requer uma viagem ao passado, meditação cuidadosa, e

provavelmente uma conversa com seu parceiro para descobrir as respostas dele(a). Escreva o que

conseguir identificar, mas fique à vontade de voltar e acrescentar mais coisas nesta lista, ao passo

que as descobre.

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