sábado, 30 de novembro de 2013

CAPÍTULO 5


PARTE II

Emoção VS. Razão

 

CAPÍTULO  5 -  CASAMENTO COMO EMPRESA

Capítulo 5 | Casamento como uma empresa

Viver feliz no casamento é uma arte — a arte de resolver problemas. Quem é mais

hábil em resolver problemas tem mais sucesso no casamento. Quem é menos, fracassa

mais. Se você quer blindar seu casamento, deve começar com a decisão de se tornar um

expert em resolver problemas.

O que normalmente acontece com os problemas de relacionamento é que eles são

contornados, ignorados ou adiados em vez de resolvidos. O ciclo costuma ser assim: o

casal tem um desentendimento; debate sobre o assunto sem muito progresso; os ânimos

se esquentam; um acaba ferindo o outro com palavras ou pela posição inflexível; os dois

cansam de debater, pois não conseguem acordo; desistem pelo cansaço e frustração;

passa o tempo até que o desentendimento volta novamente.

Os sete estágios do ciclo de problemas não resolvidos no casamento.

Nesse ciclo nada é resolvido. O problema é adiado, ou apenas temporariamente

contornado, mas depois volta — e quase sempre pior. Muitos casais pensam que o

tempo irá resolver os problemas. “Vamos dar tempo ao tempo” é uma expressão que

muitos gostam de usar para justificar não lidar com o problema na hora. Mas problemas

de casamento não são como vinho, não melhoram com o tempo. Quando se trata de

fricções no relacionamento, um problema adiado é um problema piorado. Neste caso, o

tempo é inimigo do casal.

Uma das principais razões por que as pessoas decidem não lidar com o problema no

relacionamento é o fato de a experiência ser extremamente dolorosa. A falta de

habilidade na comunicação, os ataques verbais e a irritação fazem o casal evitar o

assunto em vez de resolvê-lo. Isso é especialmente verdadeiro no caso dos homens.

Muitos homens correm de uma conversa mais séria com a mulher porque não

conseguem dialogar no mesmo nível. As mulheres por sua vez se frustram porque

parecem nunca conseguir fazer com que o homem as entenda.

Mas não precisa ser assim. Há uma maneira eficaz em que homens e mulheres podem

resolver os problemas conjugais e evitar que se repitam sem ferir ninguém no processo.

Eu chamo essa maneira de “tratar seu casamento como uma empresa”.

OS OBJETIVOS DE UMA EMPRESA

Por que alguém começa uma empresa? Qual o seu objetivo? Pode haver muitos.

Ganhar mais dinheiro é um dos óbvios. Ser seu próprio patrão e assim ter maior

independência é outro. Muitos sentem a necessidade de realizar seu potencial e veem no

criar uma empresa um meio para isso. Outros querem fazer a diferença no mundo em

que vivem, ajudar ao próximo. Uma coisa é certa: toda empresa tem pelo menos um

objetivo. Nenhum negócio existe por existir. Sempre há a busca de resultados. E aqueles

resultados se tornam o foco de todos os envolvidos naquela empresa — especialmente

dos donos. Se não há resultados, não há razão para a empresa existir.

O casamento também é uma empresa. Ninguém se casa sem objetivos nem sem buscar

resultados. Quando os noivos pensam em casamento, estão na realidade pensando em

objetivos, sonhos realizados, entre eles: formar uma família; ter filhos; fazer a outra

pessoa feliz e ser feliz; estar sempre ao lado de quem ama e se sentir amado; conquistar

juntos materialmente; ter alguém que lhe apoie na realização de seus sonhos; alcançar o

prazer sexual; ter no parceiro um amigo verdadeiro etc.

Cristiane:

Quando me casei com o Renato, embora tivesse os mesmos objetivos que ele, tinha

algumas expectativas que não batiam com as dele. Foi exatamente nessas diferenças

que não estavam alinhadas que tivemos problemas. É muito importante o casal saber

todas as expectativas que ambos têm para o casamento. Se tivéssemos sentado para

conversar sobre isso antes de nos casar, com certeza saberíamos o que esperar

depois um do outro.

Às vezes os casais até chegam a conversar sobre suas metas, mas com o passar do

tempo, as expectativas sobrepujam os objetivos iniciais. Se um ajuste e a

manutenção dos objetivos não são feitos, a frustração leva os dois a jogar um na

cara do outro: “Mas você sempre disse isso ou aquilo, agora quer mudar?” Em vez

de dançar conforme a música, o casal começa a dançar músicas diferentes, e aí a

coisa fica complicada.

Recentemente, promovemos a Caminhada do Amor em todo o Brasil e no mundo

através do nosso programa “The Love School.” Foram cerca de dez mil pessoas que

se reuniram em um só objetivo: conhecer o parceiro melhor através do diálogo. Essa

ideia veio justamente por conta de uma experiência que tivemos há alguns anos,

quando o Renato me convidou ao parque para dialogar.

Já tínhamos mais de quinze anos de casados e foi a primeira vez que conciliamos

tudo que pensávamos e queríamos em uma conversa. Ele ficou sabendo dos meus

sonhos, das minhas preocupações, das minhas dificuldades, do que eu queria e não

queria, e vice-versa. Foram horas preciosas que fortaleceram, e muito, a nossa

união. Depois dessa conversa, eu sabia exatamente o que ele esperava de mim.

Sabia o que fazer para apoiá-lo e como fazer.

Às vezes você pensa que está ao lado do seu parceiro e, na verdade, está bem

distante devido à ignorância que ambos têm do que realmente querem um do outro.

O casamento também tem objetivos e existe para produzir resultados, assim como

uma empresa.

Por que é importante você entender esse paralelo?

São os objetivos de uma empresa que guiam tudo o que se faz dentro dela no dia a dia.

As decisões que tomam, quem contratam, o treinamento dos funcionários, os produtos

que criam, a publicidade que fazem — tudo é movido e guiado pelos objetivos e

resultados que a empresa quer alcançar.

Quando trazemos esse pensamento para o casamento, verificamos que infelizmente a

maioria dos casais não pensa assim. Eles são apanhados pelo corre-corre da vida, se

perdem nos sentimentos, e logo perdem de vista os objetivos pelos quais se casaram.

Quando os objetivos são esquecidos, então as decisões que tomam e tudo mais que

fazem dentro da relação já não contribuem para a realização e o sucesso do casamento.

Quando um marido chega a se envolver com uma amante, por exemplo, é porque ele

claramente perdeu de vista os objetivos do casamento. Mas isso não acontece apenas no

momento da traição. Foi algo que começou com a primeira decisão de olhar com

interesse para outra mulher. Aquele olhar já foi um desvio do caminho que buscava os

objetivos do seu casamento. Quer dizer, ele perdeu o foco, abandonou os objetivos da

empresa. A persistência dele nesse rumo inevitavelmente levará aquele casamento à

falência.

Se um dos cônjuges entra no casamento com a ideia de que aquela união não durará

até que a morte os separe, então esta pessoa acabará fazendo coisas que sabotarão o

casamento, causando o seu fim. Se por outro lado a pessoa se vê ao lado da outra até a

morte, então fará tudo para manter a relação. Quer dizer, o foco no objetivo dita o

nosso comportamento.

No início do meu casamento, quando eu tinha algum desentendimento com a

Cristiane, o meu alvo era principalmente ganhar a discussão. Queria provar para ela que

ela estava errada, e eu certo. E como sou melhor argumentador que ela, quase sempre

saía ganhando. Mas esse era um alvo míope. Eu ganhava a discussão, mas perdia a

intimidade e a amizade da minha esposa. É o que muitos casais fazem: preferem ter

razão a ser feliz.

Quando aprendi que o meu casamento é uma empresa, entendi que mesmo as minhas
menores
decisões e atitudes têm que estar ligadas aos nossos objetivos a longo prazo.

Hoje, em nossos raros desentendimentos, sempre me pergunto: que resultado eu quero

desta conversa? Daí, trago à mente o meu objetivo, e conduzo a conversa para alcançálo.

COMO AS EMPRESAS RESOLVEM PROBLEMAS

Você acha que Steve Jobs enfrentou problemas quando começou sua empresa, a

Apple? É claro que sim. Desde a Apple até o carrinho de pipocas na esquina da avenida,

toda empresa começa com sonhos e objetivos, mas logo encontra problemas. E não é só

no começo, não. Por mais bem-sucedida que seja uma empresa, ela tem que enfrentar e

resolver questões diariamente. A sobrevivência de qualquer negócio depende da solução

dos seus problemas. Se não forem resolvidos, a empresa virá a falir. Na verdade, se você

é funcionário, eis aqui a verdadeira razão de ter sido contratado: resolver problemas (e

você crente que foi porque gostaram do seu currículo...).

Seja qual for o tamanho do quadro de funcionários — apenas dois, dois mil, ou vinte

mil —, as empresas de sucesso conseguem alcançar seus objetivos resolvendo seus

problemas. E o interessante é que o relacionamento entre os empregados não é de amor.

Muitas vezes é o contrário. Não se costuma ouvir funcionários dizendo “Eu amo meu

patrão!” nem vê-los escrevendo cartas de amor para o colega do departamento contábil.

Ora, se eles conseguem ter sucesso nessas condições, é porque devem estar fazendo algo

muito certo.

A pergunta é: por que os casais, que passam por uma quantidade muito menor de problemas,

e ainda se amam, muitas vezes não conseguem vencer os desafios da relação?

A resposta é: porque eles têm usado a ferramenta errada para resolver problemas –

emoção.

O segredo das empresas de sucesso é não usar a emoção para resolver problemas, e

sim a razão. Entendem que não se resolve nada usando sentimentos. Local de trabalho é

lugar de inteligência e atitude, não de sentimentalismo, nem de sentir isso ou aquilo. Por

isso, alcançam seus objetivos independentemente dos sentimentos dos funcionários, e

mesmo a despeito de um funcionário não gostar muito do outro. Nessas empresas, se

aprende a separar o trabalho das pessoas, e a não misturar as duas coisas. Pensam: “Eu

posso não gostar do meu chefe, mas ele mandou fazer isso, e dependo dele para receber

meu salário. Então, vou fazer o que tem que ser feito.” Quer dizer: separam os

sentimentos das atitudes e as pessoas do trabalho, e focam nos resultados desejados.

Usam a razão, não a emoção. Grave esta frase em sua mente:

Emoção não é ferramenta para resolver problemas.

Verifique: todas as vezes que você tomou uma decisão baseada em uma emoção, você

se deu mal. Todos os que conduzem seus negócios pelas emoções fracassam. Já ouviu o

ditado: “Amigos, amigos, negócios à parte”? Ele resume bem o lema dos empresários

bem-sucedidos. “Não importa quem você é, se eu gosto de você ou você de mim neste

momento. O que importa é que temos este problema aqui, e precisamos resolvê-lo para

alcançar nossos objetivos. Portanto, o que vamos fazer para resolvê-lo?”

Este é o foco nas empresas: o que vamos fazer?

O que vamos fazer para aumentar as vendas? O que vamos fazer para diminuir nossos

gastos? O que vamos fazer para passarmos o nosso concorrente?

Fazer. Fazer. Fazer. E não sentir, sentir e sentir.

Sentimento não é ferramenta para resolver problemas.

A DESCOBERTA NO “LABORATÓRIO”

Temos um quadro em nosso programa Escola do Amor chamado “O Laboratório”. O

quadro consiste em filmar um casal enquanto eles discutem os problemas da relação.

Cristiane e eu então observamos o casal e identificamos as falhas na comunicação e no

comportamento deles, e damos sugestões para melhorarem. Antes de ligarmos as

câmeras, deixamos o casal a sós no estúdio, sentados de frente um para o outro, e

pedimos que comecem a conversar sobre qualquer assunto que acham que precisam

resolver entre eles. Daí, ligamos as câmeras. É uma experiência e tanto... Por isso o

nome “Laboratório”.

Uma de nossas descobertas observando os casais discutindo seus assuntos foi

exatamente a intensidade de emoções na conversa e a ausência de foco no que fazer para

resolver o assunto. Movidos pelos sentimentos de irritação, raiva, mágoa, desprezo,

defensividade e incompreensão, os casais ficam a maior parte do tempo fazendo a

“Listinha de quem é pior”. É mais ou menos assim:

Ela: você é muito bagunceiro, deixa as coisas fora do lugar.

Ele: o problema é que você quer as coisas na hora. Se não guardo logo os sapatos ou ponho o

prato na pia, você já começa a encher a paciência.

Ela: mas é muita falta de consideração sua. Não vê que eu limpei a casa toda, o mínimo que

você podia fazer é não bagunçar. Você sabe que eu gosto das coisas organizadas.

Ele: você também não é tão organizada assim. Outro dia eu abri as gavetas da sua mesa e as

coisas estavam todas reviradas lá dentro. O que adianta? A mesa está limpa, mas as gavetas

todas bagunçadas.

Ela: sim, mas se você me ajudasse mais na casa você ia saber como eu sinto!

Ele: e eu não ajudo?

E por aí vai. Dez, vinte, trinta minutos, passando de um problema para o outro. Veja

que a conversa nunca foca no problema nem no que irão fazer para resolvê-lo. Por

causa das emoções, um fica tentando provar para o outro que não é tão mau assim, ou

que o outro não é tão santo quanto pensa. Enfim, o sujo falando do mal lavado:

Listinha de quem é pior

Quando a conversa acaba, normalmente a lista está bem extensa, equilibrada, e os

egos mais feridos. E claro, nada foi resolvido. Não é à toa que muitos casais não

dialogam mais. Dialogar para quê? Para ouvir da pessoa amada uma lista de todos os

seus defeitos? Não, muito obrigado. Prefiro a televisão.

Porém, se usassem a razão em vez da emoção, focariam no problema e no que fazer

para resolvê-lo. No final da conversa, teriam chegado a uma conclusão e ambos

saberiam exatamente o que fazer para o problema não se repetir. E ninguém sairia

ferido.

Agora imagine se nas empresas as pessoas agissem como o casal acima na hora de

resolver problemas. O patrão chama o gerente de vendas no seu escritório e diz:

Patrão: João, nossas vendas estão caindo.

João: pois é, por que você não levanta dessa cadeira confortável aí e vem nos ajudar? Talvez

as vendas não continuassem tão mal assim.

É claro que a conversa nunca iria partir para esse nível emocional, até porque ela

acabaria bem rápido: “João, você está demitido. Passe no RH.” Como o João não quer ser

demitido, nem o patrão quer perdê-lo, os dois focariam em estratégias para melhorar as

vendas. Usariam a inteligência e a razão, e não os sentimentos ou a emoção, ainda que

os últimos sejam reais e presentes.

Emoção é a ferramenta errada para resolver problemas no trabalho e também no

casamento. O que eu sinto sobre um problema não importa. O que importa é o que vou

fazer sobre o problema. Ninguém “sente” a solução de um problema. O João não chega

para o patrão e diz: “Deixa comigo, já estou sentindo que as vendas vão subir.” Se o fizesse,

lá iria ele ter que passar no RH de novo... Solução se encontra pensando, raciocinando,

chegando a conclusões, e agindo sobre elas — nunca sentindo.

Usando a razão e não a emoção para resolver problemas, as empresas mantêm

dezenas, centenas, até milhares de funcionários unidos em um só objetivo — mesmo sem

se amarem. Com certeza, um casal que se ama inteligentemente também pode se

beneficiar dessa mesma ferramenta para se manter juntos e resolver seus problemas.

SOBREVIVÊNCIA DE UM NEGÓCIO: DUAS REGRAS

Todo negócio, toda empresa, tem de seguir duas regras básicas para a sua

sobrevivência. Se você quebrar uma dessas regras, não tem como permanecer no

emprego ou manter seus negócios. Quais são elas?

1. Definir, resolver, prevenir – Definir o problema, (descobrir a sua causa),

resolvê-lo e, se possível, prevenir que aconteça de novo, é o arroz com feijão das

empresas de sucesso. Por exemplo: vários clientes têm reclamado sobre grandes atrasos

na entrega do produto. A empresa tem que descobrir o problema que causa os atrasos,

resolvê-lo e implementar normas e métodos que eliminarão as chances de os atrasos se

repetirem.

2. Não levar nada para o lado pessoal – Nos negócios, as coisas têm de permanecer

no âmbito racional. Quem é sentimental e costuma levar tudo para o lado pessoal não é

eficaz e normalmente não dura muito tempo no trabalho. Sua vida pessoal, seus

sentimentos sobre o que se passa em casa ou sobre os colegas de trabalho não

interessam à empresa. Você tem que saber separar as coisas. O foco na empresa são os

objetivos e o que tem de ser feito para alcançá-los. Seu patrão espera que você seja um

adulto, não uma criança mimada e que faz birra quando algo não está do seu gosto.

Focando no problema e tirando a emoção — assim as empresas sobrevivem e

prosperam; assim seu casamento também poderá vencer todos os desafios.

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