PARTE II
Emoção VS. Razão
CAPÍTULO 5
- CASAMENTO COMO EMPRESA
Capítulo 5 | Casamento como uma empresa
Viver feliz no casamento é uma arte — a arte de resolver
problemas. Quem é mais
hábil em resolver problemas tem mais sucesso no casamento. Quem é
menos, fracassa
mais. Se você quer blindar seu casamento, deve começar com a
decisão de se tornar um
expert em
resolver problemas.
O que normalmente acontece com os problemas de relacionamento é
que eles são
contornados, ignorados ou adiados em vez de resolvidos. O ciclo
costuma ser assim: o
casal tem um desentendimento; debate sobre o assunto sem muito
progresso; os ânimos
se esquentam; um acaba ferindo o outro com palavras ou pela
posição inflexível; os dois
cansam de debater, pois não conseguem acordo; desistem pelo
cansaço e frustração;
passa o tempo até que o desentendimento volta novamente.
Os sete estágios do ciclo de problemas não
resolvidos no casamento.
Nesse ciclo nada é resolvido. O problema é adiado, ou apenas
temporariamente
contornado, mas depois volta — e quase sempre pior. Muitos casais
pensam que o
tempo irá resolver os problemas. “Vamos dar tempo ao tempo” é uma
expressão que
muitos gostam de usar para justificar não lidar com o problema na
hora. Mas problemas
de casamento não são como vinho, não melhoram com o tempo. Quando
se trata de
fricções no relacionamento, um problema adiado é um problema
piorado. Neste caso, o
tempo é inimigo do casal.
Uma das principais razões por que as pessoas decidem não lidar com
o problema no
relacionamento é o fato de a experiência ser extremamente
dolorosa. A falta de
habilidade na comunicação, os ataques verbais e a irritação fazem
o casal evitar o
assunto em vez de resolvê-lo. Isso é especialmente verdadeiro no
caso dos homens.
Muitos homens correm de uma conversa mais séria com a mulher
porque não
conseguem dialogar no mesmo nível. As mulheres por sua vez se
frustram porque
parecem nunca conseguir fazer com que o homem as entenda.
Mas não precisa ser assim. Há uma maneira eficaz em que homens e
mulheres podem
resolver os problemas conjugais e evitar que se repitam sem ferir
ninguém no processo.
Eu chamo essa maneira de “tratar seu casamento como uma empresa”.
OS OBJETIVOS DE UMA EMPRESA
Por que alguém começa uma empresa? Qual o seu objetivo? Pode haver
muitos.
Ganhar mais dinheiro é um dos óbvios. Ser seu próprio patrão e
assim ter maior
independência é outro. Muitos sentem a necessidade de realizar seu
potencial e veem no
criar uma empresa um meio para isso. Outros querem fazer a
diferença no mundo em
que vivem, ajudar ao próximo. Uma coisa é certa: toda empresa tem
pelo menos um
objetivo. Nenhum negócio existe por existir. Sempre há a busca de
resultados. E aqueles
resultados se tornam o foco de todos os envolvidos naquela empresa
— especialmente
dos donos. Se não há resultados, não há razão para a empresa
existir.
O casamento também é uma empresa. Ninguém se casa sem objetivos
nem sem buscar
resultados. Quando os noivos pensam em casamento, estão na
realidade pensando em
objetivos, sonhos realizados, entre eles: formar uma família; ter
filhos; fazer a outra
pessoa feliz e ser feliz; estar sempre ao lado de quem ama e se
sentir amado; conquistar
juntos materialmente; ter alguém que lhe apoie na realização de
seus sonhos; alcançar o
prazer sexual; ter no parceiro um amigo verdadeiro etc.
Cristiane:
Quando me casei com o Renato, embora tivesse os mesmos objetivos
que ele, tinha
algumas expectativas que não batiam com as dele. Foi exatamente
nessas diferenças
que não estavam alinhadas que tivemos problemas. É muito
importante o casal saber
todas as expectativas que ambos têm para o casamento. Se
tivéssemos sentado para
conversar sobre isso antes de nos casar, com certeza saberíamos o
que esperar
depois um do outro.
Às vezes os casais até chegam a conversar sobre suas metas, mas
com o passar do
tempo, as expectativas sobrepujam os objetivos iniciais. Se um
ajuste e a
manutenção dos objetivos não são feitos, a frustração leva os dois
a jogar um na
cara do outro: “Mas você sempre disse isso ou aquilo, agora quer
mudar?” Em vez
de dançar conforme a música, o casal começa a dançar músicas
diferentes, e aí a
coisa fica complicada.
Recentemente, promovemos a Caminhada do Amor em todo o Brasil e no
mundo
através do nosso programa “The Love School.” Foram cerca de dez
mil pessoas que
se reuniram em um só objetivo: conhecer o parceiro melhor através
do diálogo. Essa
ideia veio justamente por conta de uma experiência que tivemos há
alguns anos,
quando o Renato me convidou ao parque para dialogar.
Já tínhamos mais de quinze anos de casados e foi a primeira vez
que conciliamos
tudo que pensávamos e queríamos em uma conversa. Ele ficou sabendo
dos meus
sonhos, das minhas preocupações, das minhas dificuldades, do que
eu queria e não
queria, e vice-versa. Foram horas preciosas que fortaleceram, e
muito, a nossa
união. Depois dessa conversa, eu sabia exatamente o que ele
esperava de mim.
Sabia o que fazer para apoiá-lo e como fazer.
Às vezes você pensa que está ao lado do seu parceiro e, na
verdade, está bem
distante devido à ignorância que ambos têm do que realmente querem
um do outro.
O casamento também tem objetivos e existe para produzir
resultados, assim como
uma empresa.
Por que é importante você entender esse paralelo?
São os objetivos de uma empresa que guiam tudo o que se faz dentro
dela no dia a dia.
As decisões que tomam, quem contratam, o treinamento dos
funcionários, os produtos
que criam, a publicidade que fazem — tudo é movido e guiado pelos
objetivos e
resultados que a empresa quer alcançar.
Quando trazemos esse pensamento para o casamento, verificamos que
infelizmente a
maioria dos casais não pensa assim. Eles são apanhados pelo
corre-corre da vida, se
perdem nos sentimentos, e logo perdem de vista os objetivos pelos
quais se casaram.
Quando os objetivos são esquecidos, então as decisões que tomam e
tudo mais que
fazem dentro da relação já não contribuem para a realização e o
sucesso do casamento.
Quando um marido chega a se envolver com uma amante, por exemplo,
é porque ele
claramente perdeu de vista os objetivos do casamento. Mas isso não
acontece apenas no
momento da traição. Foi algo que começou com a primeira decisão de
olhar com
interesse para outra mulher. Aquele olhar já foi um desvio do
caminho que buscava os
objetivos do seu casamento. Quer dizer, ele perdeu o foco,
abandonou os objetivos da
empresa. A persistência dele nesse rumo inevitavelmente levará
aquele casamento à
falência.
Se um dos cônjuges entra no casamento com a ideia de que aquela
união não durará
até que a morte os separe, então esta pessoa acabará fazendo
coisas que sabotarão o
casamento, causando o seu fim. Se por outro lado a pessoa se vê ao
lado da outra até a
morte, então fará tudo para manter a relação. Quer dizer, o foco
no objetivo dita o
nosso comportamento.
No início do meu casamento, quando eu tinha algum desentendimento
com a
Cristiane, o meu alvo era principalmente ganhar a discussão.
Queria provar para ela que
ela estava errada, e eu certo. E como sou melhor argumentador que
ela, quase sempre
saía ganhando. Mas esse era um alvo míope. Eu ganhava a discussão,
mas perdia a
intimidade e a amizade da minha esposa. É o que muitos casais
fazem: preferem ter
razão a ser feliz.
Quando aprendi que o meu casamento é uma empresa, entendi que
mesmo as minhas
menores
decisões e atitudes têm que estar ligadas aos nossos objetivos a
longo prazo.
Hoje, em nossos raros desentendimentos, sempre me pergunto: que
resultado eu quero
desta conversa? Daí, trago à mente o meu objetivo, e conduzo a
conversa para alcançálo.
COMO AS EMPRESAS RESOLVEM PROBLEMAS
Você acha que Steve Jobs enfrentou problemas quando começou sua
empresa, a
Apple? É claro que sim. Desde a Apple até o carrinho de pipocas na
esquina da avenida,
toda empresa começa com sonhos e objetivos, mas logo encontra
problemas. E não é só
no começo, não. Por mais bem-sucedida que seja uma empresa, ela
tem que enfrentar e
resolver questões diariamente. A sobrevivência de qualquer negócio
depende da solução
dos seus problemas. Se não forem resolvidos, a empresa virá a
falir. Na verdade, se você
é funcionário, eis aqui a verdadeira razão de ter sido contratado:
resolver problemas (e
você crente que foi porque gostaram do seu currículo...).
Seja qual for o tamanho do quadro de funcionários — apenas dois,
dois mil, ou vinte
mil —, as empresas de sucesso conseguem alcançar seus objetivos
resolvendo seus
problemas. E o interessante é que o relacionamento entre os
empregados não é de amor.
Muitas vezes é o contrário. Não se costuma ouvir funcionários
dizendo “Eu amo meu
patrão!” nem vê-los escrevendo cartas de amor para o colega do
departamento contábil.
Ora, se eles conseguem ter sucesso nessas condições, é porque
devem estar fazendo algo
muito certo.
A pergunta é: por que
os casais, que passam por uma quantidade muito menor de problemas,
e ainda se amam, muitas vezes não conseguem vencer
os desafios da relação?
A resposta é: porque eles têm usado a ferramenta errada para
resolver problemas –
emoção.
O segredo das empresas de sucesso é não usar a emoção para
resolver problemas, e
sim a razão. Entendem que não se resolve nada usando sentimentos.
Local de trabalho é
lugar de inteligência e atitude, não de sentimentalismo, nem de
sentir isso ou aquilo. Por
isso, alcançam seus objetivos independentemente dos sentimentos
dos funcionários, e
mesmo a despeito de um funcionário não gostar muito do outro.
Nessas empresas, se
aprende a separar o trabalho das pessoas, e a não misturar as duas
coisas. Pensam: “Eu
posso não gostar do meu chefe, mas ele mandou fazer isso, e
dependo dele para receber
meu salário. Então, vou fazer o que tem que ser feito.” Quer
dizer: separam os
sentimentos das atitudes e as pessoas do trabalho, e focam nos
resultados desejados.
Usam a razão, não a emoção. Grave esta frase em sua mente:
Emoção não é ferramenta para resolver
problemas.
Verifique: todas as vezes que você tomou uma decisão baseada em
uma emoção, você
se deu mal. Todos os que conduzem seus negócios pelas emoções
fracassam. Já ouviu o
ditado: “Amigos, amigos, negócios à parte”? Ele resume bem o lema
dos empresários
bem-sucedidos. “Não importa quem você é, se eu gosto de você ou
você de mim neste
momento. O que importa é que temos este problema aqui, e
precisamos resolvê-lo para
alcançar nossos objetivos. Portanto, o que vamos fazer para
resolvê-lo?”
Este é o foco nas empresas: o que vamos fazer?
O que vamos fazer para aumentar as vendas? O que vamos fazer para
diminuir nossos
gastos? O que vamos fazer para passarmos o nosso concorrente?
Fazer. Fazer. Fazer. E não sentir, sentir e sentir.
Sentimento não é ferramenta para resolver problemas.
A DESCOBERTA NO “LABORATÓRIO”
Temos um quadro em nosso programa Escola do Amor chamado “O
Laboratório”. O
quadro consiste em filmar um casal enquanto eles discutem os
problemas da relação.
Cristiane e eu então observamos o casal e identificamos as falhas
na comunicação e no
comportamento deles, e damos sugestões para melhorarem. Antes de
ligarmos as
câmeras, deixamos o casal a sós no estúdio, sentados de frente um
para o outro, e
pedimos que comecem a conversar sobre qualquer assunto que acham
que precisam
resolver entre eles. Daí, ligamos as câmeras. É uma experiência e
tanto... Por isso o
nome “Laboratório”.
Uma de nossas descobertas observando os casais discutindo seus
assuntos foi
exatamente a intensidade de emoções na conversa e a ausência de
foco no que fazer para
resolver o assunto. Movidos pelos sentimentos de irritação, raiva,
mágoa, desprezo,
defensividade e incompreensão, os casais ficam a maior parte do
tempo fazendo a
“Listinha de quem é pior”. É mais ou menos assim:
Ela: você é muito bagunceiro, deixa as coisas fora
do lugar.
Ele: o problema é que você quer as coisas na hora.
Se não guardo logo os sapatos ou ponho o
prato na pia, você já começa a encher a paciência.
Ela: mas é muita falta de consideração sua. Não vê
que eu limpei a casa toda, o mínimo que
você podia fazer é não bagunçar. Você sabe que eu
gosto das coisas organizadas.
Ele: você também não é tão organizada assim. Outro
dia eu abri as gavetas da sua mesa e as
coisas estavam todas reviradas lá dentro. O que
adianta? A mesa está limpa, mas as gavetas
todas bagunçadas.
Ela: sim, mas se você me ajudasse mais na casa você
ia saber como eu sinto!
Ele: e eu não ajudo?
E por aí vai. Dez, vinte, trinta minutos, passando de um problema
para o outro. Veja
que a conversa nunca foca no problema nem no que irão fazer para
resolvê-lo. Por
causa das emoções, um fica tentando provar para o outro que não é
tão mau assim, ou
que o outro não é tão santo quanto pensa. Enfim, o sujo falando do
mal lavado:
Listinha de quem é pior
Quando a conversa acaba, normalmente a lista está bem extensa,
equilibrada, e os
egos mais feridos. E claro, nada foi resolvido. Não é à toa que
muitos casais não
dialogam mais. Dialogar para quê? Para ouvir da pessoa amada uma
lista de todos os
seus defeitos? Não, muito obrigado. Prefiro a televisão.
Porém, se usassem a razão em vez da emoção, focariam no problema e
no que fazer
para resolvê-lo. No final da conversa, teriam chegado a uma
conclusão e ambos
saberiam exatamente o que fazer para o problema não se repetir. E
ninguém sairia
ferido.
Agora imagine se nas empresas as pessoas agissem como o casal
acima na hora de
resolver problemas. O patrão chama o gerente de vendas no seu escritório
e diz:
Patrão: João, nossas vendas estão caindo.
João: pois é, por que você não levanta dessa
cadeira confortável aí e vem nos ajudar? Talvez
as vendas não continuassem tão mal assim.
É claro que a conversa nunca iria partir para esse nível emocional,
até porque ela
acabaria bem rápido: “João, você está demitido. Passe no RH.” Como o João não quer ser
demitido, nem o patrão quer perdê-lo, os dois focariam em
estratégias para melhorar as
vendas. Usariam a inteligência e a razão, e não os sentimentos ou
a emoção, ainda que
os últimos sejam reais e presentes.
Emoção é a ferramenta errada para resolver problemas no trabalho e
também no
casamento. O que eu sinto sobre um problema não importa. O que
importa é o que vou
fazer sobre o problema. Ninguém “sente” a solução de um problema.
O João não chega
para o patrão e diz: “Deixa comigo, já estou sentindo que as vendas vão subir.” Se o fizesse,
lá iria ele ter que passar no RH de novo... Solução se encontra
pensando, raciocinando,
chegando a conclusões, e agindo sobre elas — nunca sentindo.
Usando a razão e não a emoção para resolver problemas, as empresas
mantêm
dezenas, centenas, até milhares de funcionários unidos em um só
objetivo — mesmo sem
se amarem. Com certeza, um casal que se ama inteligentemente também
pode se
beneficiar dessa mesma ferramenta para se manter juntos e resolver
seus problemas.
SOBREVIVÊNCIA DE UM NEGÓCIO: DUAS REGRAS
Todo negócio, toda empresa, tem de seguir duas regras básicas para
a sua
sobrevivência. Se você quebrar uma dessas regras, não tem como
permanecer no
emprego ou manter seus negócios. Quais são elas?
1. Definir, resolver, prevenir – Definir o problema, (descobrir a sua causa),
resolvê-lo e, se possível, prevenir que aconteça de novo, é o
arroz com feijão das
empresas de sucesso. Por exemplo: vários clientes têm reclamado
sobre grandes atrasos
na entrega do produto. A empresa tem que descobrir o problema que
causa os atrasos,
resolvê-lo e implementar normas e métodos que eliminarão as
chances de os atrasos se
repetirem.
2. Não levar nada para o lado pessoal – Nos negócios, as coisas têm de permanecer
no âmbito racional. Quem é sentimental e costuma levar tudo para o
lado pessoal não é
eficaz e normalmente não dura muito tempo no trabalho. Sua vida
pessoal, seus
sentimentos sobre o que se passa em casa ou sobre os colegas de
trabalho não
interessam à empresa. Você tem que saber separar as coisas. O foco
na empresa são os
objetivos e o que tem de ser feito para alcançá-los. Seu patrão
espera que você seja um
adulto, não uma criança mimada e que faz birra quando algo não
está do seu gosto.
Focando no problema e tirando a emoção — assim as empresas
sobrevivem e
prosperam; assim seu casamento também poderá vencer todos os
desafios.
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